Notas iniciais
Como todo mundo sabe da nova adptação de Carrie no final de 2013, eu simplesmente me apaixonei pelo livro e tive uma leve sensação que Carrie ficou ligada em Sue, então.... Gostaria de saber se posso ou não continuar, afinal é importante saber ;) Boa Leitura, como sempre.

Carrie.

Acho que poderia começar minha historia tanto pelo final quanto pelo começo. As pessoas estão acostumadas a um começo sofrido, muita luta e depois finalmente a felicidade do final, queria dizer que minha historia teve isso, um começo difícil, mas um final feliz, mas como nem todos podem seguir o mesmo caminho...Eu tento pensar que meu começo foi no dia em que eu nasci, o ano de 1994, minha mãe sempre foi uma pessoa religiosa, todos devem ter um amigo, um vizinho ou até mesmo ser um religioso, mas eu tenho total certeza que não como minha mãe, queria entender o que realmente aconteceu pra ela ser como é hoje, minha mãe não acreditava que Deus era o criador da terra, ela acreditava que Deus era o dono da terra, e tudo era errado demais, as pessoas cometiam pecados demais.

Eu nasci em casa, e vocês podem esta achando que foi um parto difícil, com uma parteira que não entendia nada sobre hospitais, como nos tempos antigos, mas posso afirmar que foi muito pior que qualquer filme ou livro que já tenham visto sobre isso.

Minha mãe nunca me contou o que aconteceu com meu pai, a unica coisa que ela me falava, era que ele a fez pecadora e que agora ela pagava pelos pegados dela tendo gerado o mal, é difícil você ouvir desde pequena sua mãe dizendo e afirmando que você é o próprio mal, não estamos falando de uma criança levada, ou uma criança mal criada, estamos falando do mal em pessoa, do diabo como alguns gostam de chamar.


Mas não vou me apegar muito ao passado, por que isso não mudou quem eu sou ou as coisas que tem por vim, como eu disse, minha vida não é nenhum conto feliz.


Como todo filho eu amo minha mãe, ela tinha a maneira dela de demostrar amor, mas eu sabia que eu era a unica coisa que ela tinha e que do jeito dela, ela me amava, sempre tentei ao máximo ser uma filha boa pra ela, quando você tem a certeza que é uma coisa ruim, tenta fazer o minimo possível, para que as pessoas possam gostarem de você.

Pessoas normais, pessoas da minha cidade, raramente iam a igreja aos domingos, eu e minha mãe íamos praticamente todos os dias, e quando por algum milagre isso não acontecia, ficávamos em casa orando por horas, era assim todos dias, oramos ao acordar, oramos ao almoçar, jantar, lanchar, oramos ao dormir, ela dizia que só assim para aplacar o mal que eu tinha dentro de mim.

Se as coisas em casa não eram facies é por que vocês nunca me viram na escola, ou até mesmo saindo na rua para ir ao supermercado ou a biblioteca.

Minha mãe além de ótima costureira, coisa que ela fez questão de me ensinar desde muito cedo, também era dona de uma lavanderia no final da rua, não conseguíamos tirar muito dinheiro da mesma, por que minha mãe tinha mania de colocar vários clientes para a rua, ela não gostava de pecadores por perto dela, muito menos lavar roupa de pessoas imorais, como ela mesma dizia. Minhas roupas sempre foram feitas por ela, e a regra era bem clara, quanto mais roupa, melhor.

Sempre percebi como os alunos da minha escola viviam com boas roupas, cabelos sempre muito bem penteados e as meninas com batom e maquiagem, coisa do diabo pra minha mãe, pelo menos queria ter aprendido pentear direito os cabelos, assim não ficaria um hora em frente ao espelho tentando e saindo sempre do mesmo jeito, igual estava agora.

—_Carrie, o café esta na mesa a mais de 20 minutos. __ Ouvi minha mãe me chamar da cozinha, ela como sempre parecia impaciente com minha demora em descer, coisa que nem era necessário, por que eu sempre estava do mesmo jeito.

Minha casa era simples, nada muito elaborado ou moderno como as outras casas, minhas mãe não gostava de coisas modernas, por isso mesmo nunca tivemos televisão, radio ou qualquer outra coisa do tipo, imagina um computador ? Nunca ! Me sentei a mesa e já estava pronta pra começar a comer.

—_ Oque pensa que esta fazendo ? __ Minha mãe me perguntou sentando ao meu lado a mesa.

—_ Comendo mãe ? __ Já sabia a que ela estava se referindo, passávamos por isso todas as manhãs e noites.

—_Se ora antes de comer, acha que Deus não ora antes de fazer suas refeições ? __ Ela me perguntou já juntando as mãos e fechando os olhos.

Minha vontade era dizer que eu não tinha ideia se Deus orava antes de suas refeições,nem sabia se ele comia, afinal...Ele é Deus. Mas como não estava afim de começar uma guerra em casa, ou ir para o ''quarto de orações'', acho que não é o momento certo para comentar sobre ele, fiz o que minha mãe queria e orei junto a ela, quando finalmente acabamos, consegui terminar meu café da manha.

Juntei em minha mochila meus inúmeros livros, todos os outros alunos do colégio a essa altura já tinham seu próprio carro, minha mãe disse que eu não precisava de um (O famoso você não é todo mundo) , que tinha ela pra me levar, mas eu sabia que isso era só mais uma maneira de me controlar. Entrei no carro junto a ela e partimos em direção a escola, e era lá que minha vida era bem pior que dentro de casa.

Chegamos a escola, no horário de sempre e minha mãe parou o carro no mesmo local que sempre, bem em frente a escola, ela ficava dentro do carro até ver que eu tinha entrado, minha vida era uma rotina sem fim, uma rotina que eu estou presa desde o dia que nasci, nunca mudou e eu sei que nunca vai mudar.

—_Não poderei passar aqui para busca-la. __ Minha mãe me falava enquanto eu soltava meu cinto de segurança. __ Vá direito pra casa quando sair da escola, chegarei as cinco.

—_Tudo bem mamãe. __ Quando abri a porta pra sair do carro minha mãe me puxou e deu um beijo na minha bochecha, ela fazia isso todos os dias, era nesses únicos momentos que eu realmente acreditava que ela me amava. __ Até mais tarde.

Sai do carro com minha mochila nas costas e alguns livros nas mãos já que nem todos cabiam na mochila, como eu tinha muito tempo de sobra e nada pra fazer, eu lia muito, lia sobre tudo e isso era a unica coisa que me fazia realmente feliz. Segui para dentro do colégio e olhei pra trás, minha mãe ainda estava com o carro parado no mesmo local, assim que coloquei os pés dentro da escola ela abanou com a mão um tchau e acelerou indo embora.

Andar pelos corredores da escola era sempre a pior parte dos meus dias, todos os olhares iam pra mim, e por mas que eu sempre mantivesse minha cabeça baixa pra evitar eles, sabia que todos olhavam e falavam, uns eram sutis, falavam baixo pensando que eu não ouvia, outros eram mais...Explosivos, falando alto, ou simplesmente na minha cara.

Continuei andando quando der repente um garoto passou por mim dando um tapa nos meus livros que foram todos ao chão.

—_Cuidado ai estranha ! __ Ele debochou e soltou uma gargalhada que foi acompanhada por muitas outras.

Ele passou por mim ainda rindo e foi embora, me abaixei e comecei a catar meus livros, era sempre assim, eu já nem conseguia ficar triste ou brava como começo, estava acostumada a isso.

As aulas passaram do mesmo jeito de antes, sempre me considerei uma boa aluna, adorava estudar e não ligava em ouvir qualquer professor falando por horas, prestava atenção em tudo e sempre anotava aquilo que me parecia importante. Mas a pior aula ainda estava por vim, a aula de natação, nunca fui uma boa nadadora, tentava inutilmente ser menos desastrada possível dentro da piscina, o que nunca surtia muito efeito.

Estava sentada na borda da piscina enquanto os outros alunos começava a chegar, a Srta. Collins era tanto professora de Ed. Física quanto de natação, acho que era a unica do colégio que não me via como os outros, claro que ela também devia me achar estranha, mas nunca deixou isso na cara quando falava comigo ou dizia isso pra mim como os outros, ela simplesmente me tratava como uma aluna normal...Normal, acho essa palavra não se encaixava muito comigo, afinal passei minha vida toda ouvindo o contrario da minha mãe.

Estava perdida em meus pensamentos quando vi eles, Sue Snell e Tommy Ross, eles eram simplesmente o casal perfeito da escola. Tommy era um atleta nato, era grande e forte, tinha um sorriso encantador e deixava qualquer menina aos pés dele, mas nunca teve olhos pra nenhuma garota do colégio, por que afinal namorava Sue, a menina mais linda que eu ou qualquer pessoa dessa cidadãzinha já tinha visto, ela tinha cabelos loiros sempre muito bem penteados , diferente do meu que só vivia um caos, lindos olhos azuis e era líder de torcida, todos os meninos da escola daria um braço pra ficar com ela, mas a mesma só tinha olhos para Tommy, o casal era motivo de muita inveja entre todos, porque eram lindos e felizes juntos, eles eram tudo que eu nunca fui, mas queria muito ser.

Eles estavam em um canto da parede se beijando e conversando sobre alguma coisa que não conseguia ouvir por esta longe, eles sempre tinham um sorriso no rosto e sempre se tocavam o tempo todo. Isso me fazia parar pra pensar que eu nunca havia beijado ninguém na vida, minha mãe sempre fez questão de deixar claro pra mim que beijos levam ao pecado, o próprio beijo pra ela já é um grande pecado.

Depois que todas as alunas estavam prontas, entramos na piscina para uma partida de vólei, como sempre ninguém quando tirava time me escolhia, eu era sempre a última e mesmo assim a dona do time sempre arrumava confusão por isso, eu tentava ficar o máximo que eu conseguisse longe da bola, oque nem sempre dava certo, igual nesse momento em que a bola vem em minha direção, eu sei que é só estender a mão e rebater, é só isso que eu tenho que fazer, respirei fundo e o fiz. Infelizmente não deu muito certo, acertei a bola na cabeça de nada mais, nada menos, que Chris Hargenson.

—_Sua estranha desgraçada ! Poderia ter me matado. __ Ela gritava enquanto tentava se aproximar de mim, Sue que era sua melhor amiga tentava segura-lá enquanto a mesma se debatia em seus braços. Chris era sempre muito estressada, mas comigo era pior, sempre em alguma aula ela arrumava um jeito de me xingar ou tentar arrumar uma briga comigo, se não fosse Sue pra sempre estar por perto para impedir a amiga, acho que já teria levado uma boa surra.

—_ Me desculpe, não foi minha intenção __ Disse já prevendo a fúria dela, pedir desculpa nunca ajuda nesses casos, coisa que aprendi na vez que um menino esbarrou em mim derrubando todos os meus livros, dessa vez pareceu que não foi por querer, tentei pedir desculpa para o menino e ele simplesmente me chamou de estranha e continuou seu caminho, acabou comigo catando meus livros do chão como sempre acontecia.

—_ Tudo bem ! Vamos parar de frescura que uma bola não mataria você. __ Srta. Collins disse enquanto assoprava seu apito. __ Carrie pode sair da piscina...E vocês continuem jogando.

Sai da piscina tentando evitar olhar para as meninas que riam. Chris sempre tinha um jeito muito ruim de lidar com quem implicava com ela, e pode ser que ela ache que eu tentei acerta-lá por querer, então já acho que já posso começar a me preparar para um possível problema pela frente. Quando arrisquei um olhar pra piscina todas já tinham prendido a atenção ao jogo novamente, menos uma pessoa, Sue continuou olhando pra mim e sem entender por que sustentei seu olhar, coisa que geralmente não fazia, sempre que notava que alguém me olhava tratava logo de abaixar a cabeça, o que foi diferente dessa vez, continuei caminhando mas mantive meus olhos conectados com os delas, estava na verdade curiosa com o fato de ela ainda esta olhando pra mim, já que não parecia que estava rindo, logo uma outra menina chamou sua atenção para o jogo e ela desviou o olhar de mim.

Não tinha certeza se estava feliz em não esta mais sendo observada ou triste por não ter mais sua atenção, pelo menos por alguns milésimos de segundos. Seus olhos eram de um azul realmente bonito.

Notas finais
Vou esperar a opinião de vocês, assim vou ter a certeza se devo parar ou continuar a escrever ;D