"Vai ter que me contar o motivo de ter chamado meu nome enquanto dormia, meu bem."

James sentia seu estômago revirar ao que absorvia a pergunta de Lily. Piscou os olhos e gaguejou uma resposta qualquer.

— Fala sério Evans, eu não chamo seu nome nem acordado. — resmungou, revirando os olhos de forma exagerada. — Não gosto de você.

A garota sorriu e aproximou seu corpo, balançando as sobrancelhas de forma sugestiva enquanto segurava firmemente a xícara de chá nas mãos pequenas.

— Querido... nós dois sabemos que você sente algo por mim desde o primeiro dia que me viu. — disse, rindo baixinho. — Algo sobrenatural, intenso e essas coisas.

— Só nos seus sonhos, ruiva. — cuspiu, crispando os lábios.

— Eu diria nos seus sonhos, meu doce. — provocou, mordendo os lábios para conter um sorriso ao que as bochechas dele ficaram vermelhas de vergonha. — Ai Potter, você me diverte taaanto.

James bufou, dando de ombros antes de levantar-se e sair pelo corredor. — Ligue para Marlene, ok? Vou tomar um banho rápido antes de falar com ela.

— Não pense que escapou de mim, Potter, você vai me dizer o que tanto sonha comigo. — gritou, ouvindo resmungos vindos do moreno. — E eu vou amar te ajudar a realizar cada coisa.

☽☽☽☽

Casa dos Sibley.

Emmeline ainda sentia-se estranha.

A sensação de não estar sozinha ficou presente por todo o tempo do café da manhã e a felina apenas ficou pensando em tudo que havia passado diante de sua visão. Estavam todos reunidos na sala e olhavam atentamente para ela, que miou em protesto.

— O que foi? — indagou, irritada.

— Não pense que você consegue enganar a mim, bola de pelos. Agnes saiu, o que te deixa livre para falar seja lá o que for. — resmungou McKinnon, cruzando os braços. — O que foi que você viu?

A gata de pelos negros mostrou os pequenos dentes afiados para a loira, emitindo um chiado.

— Não é relevante agora, sério, falem sobre coisas úteis. — rebateu, pulando do sofá. — Falem sobre como nós temos um ex zumbi e um garoto imortal na nossa sala de estar.

— Emme... — murmurou Dorcas, mordendo o lábio levemente. — Marlene tem razão, você deveria nos falar o que aconteceu.

Um suspiro pesado foi ouvido e então todos viraram seus olhares até Regulus, que tinha as sobrancelhas franzidas.

— Eu também tenho coisas para falar, se quiser posso fazer isso primeiro e, hum, talvez ajude vocês. — explicou o moreno, observando Lupin, que acenou com a cabeça. — Isso aconteceu logo após a bruxa matar meu irmão...

1786, Salem — Massachusetts

Ter aliados em vários lugares.

Era isso que importava para Walburga Black, mesmo que um de seus... amigos... fosse uma das bruxas mais velhas daquela colônia de aberrações. A mulher sorria de forma gélida para a garota que estava jogada aos seus pés, com os pulsos amarrados (ela conseguia ver a marca das cordas) e a boca fechada por uma espécie de feitiço que a sua outra companhia insistia ser poderoso.

Iria conseguir o que queria graças aquela velha bruxa e isso a deixava extremamente realizada. Aquelas coisas iriam pagar pelo erro de matar seu filho, iriam pagar com sangue.

E não seria o sangue daquela garota imunda que a olhava com ódio e medo. Ah sim, havia medo naquele olhar castanho e ela amou perceber aquilo. Era bom ser respeitada.

— Então essa criatura irá me ajudar? Como? — perguntou Walburga, cutucando as costelas da menina com a ponta de seu pé. — Parece inútil para mim.

— Não a subestime, Black. — retrucou Marietta, desfazendo o encantamento que mantinha Lupin sem conseguir abrir a boca. — A querida Remie.. essa mocinha é ótima no que faz, uma Deusa da Lua.

— Suas bobagens lunáticas não me interessam Wilder, só quero saber se ela será capaz de realizar o que pedi. — respondeu com desdém, vendo a garota se encolher. — O que você acha, criaturinha?

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Remie sentiu seus olhos arderem ao lembrar daquela parte terrível de sua vida, foi como viver no inferno e ela não desejava aquilo nem para seu pior inimigo. Um braço passou por seu ombro magro e ela recostou seu corpo ao de Regulus, que beijou o topo de sua cabeça.

Ele mais que ninguém sabia o quão difícil havia sido passar por aquilo.

Marlene estava incrédula, olhando fixamente para o chão, em busca de algo que fizesse sentido em toda aquela história e Sirius lançava olhares solidários para Lupin, que lhe deu um sorriso breve.

— Então quer dizer que uma bruxa, uma de nós... — murmurou McKinnon, sentindo-se fraca e impotente diante daquela revelação. — Nós fomos traídos por uma irmã.. eu...

— Talvez você esteja deixando passar algo Lene, não sei.. — sussurrou Dorcas, acariciando o pelo macio de Emmeline, que piscou lentamente e pulou do sofá. — O que aconteceu docinho?

— Puta merda, meu transe. — murmurou a gata, distraída.

— É óbvio que mamãe teve ajude de alguém para conseguir pegar todos desprevenidos e conseguir capturar uma bruxa. Ela teve ajuda de um de vocês e eu sei, pois eu vi isso acontecer. — confessou Regulus, fechando os olhos.

— Sofrimento, morte, vitória. — repetiu Emmeline, como um mantra. — Eu sei o que vai acontecer. Eu sei quem nos traiu.

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James sentiu um arrepio passar por sua pele quando desligou o chuveiro, abrindo a cortina de maneira relaxada com uma mão, enquanto coçava a nuca com a outra. Havia esquecido a toalha perto da privada e precisaria ir até lá busca-la. Precisaria, se Lily não estivesse sentada ali, olhando para o moreno como se ele fosse um pedaço de carne suculenta.

— Mas que merda Evans! — gritou o rapaz, respirando rápido. — O que diabos você está fazendo aqui?

A ruiva riu, mordendo o lábio ao encarar as partes baixas de Potter.

— Hum... se não se importa... a toalha. — murmurou James, sem jeito. — Lily.

— O que foi? Ah sim, a toalha. — a garota respondeu porém não se moveu, ainda observando-o como se fosse sua presa.

— Meus olhos estão aqui em cima, Evans. — resmungou, tampando sua nudez com as mãos. Ou tentando.

— Pelo visto seus olhos não são a única coisa linda em você. — provocou, jogando a toalha no moreno. — Você demorou querido, e eu como uma linda e prestativa anfitriã, apenas apareci para conferir se estava vivo ou sei lá. — sorriu, piscando um dos olhos verdes.

— Você pensou que eu tinha fugido. — bufou, revirando os olhos ao amarrar a toalha na cintura. — Já falei que prefiro estar aqui com uma louca do que na rua com vários.

Ela deu de ombros e seguiu o moreno que resmungava até o quarto, estreitando os olhos quando ele lhe deu as costas e começou a vasculhar na gaveta da cômoda por uma roupa. Lily sempre teve o dom de se mover graciosamente sem fazer muitos ruídos e geralmente usava isso a seu favor, exatamente como iria fazer naquele momento.

— Precisa de ajuda, Potter? — sussurrou a garota, deixando uma lufada de ar bater contra a nuca do moreno. — Parece nervoso, querido.

— Evans. — resmungou James, com um tom firme. — Não sei o que está tentando fazer mas não vai funcionar.

Ela riu e o som melodioso invadiu a mente dele, fazendo com que fechasse os olhos. O que foi um erro, já que as imagens que passavam por seu cérebro não eram muito boas e ficavam ainda piores com o corpo de Lily Evans colado em suas costas, a respiração quente dela batendo contra sua orelha e pescoço.

— O que acha que vou fazer, doce? — respondeu, deixando um beijo no ombro dele antes de vira-lo para si. — Abra os olhos Potter.

— Uh... eu.. hum — disse nervoso, acompanhando o movimento dos lábios dela quando a mesma sorriu e se aproximou ainda mais, colando seu peito ao dela.

— Muito articulado... — provocou. — Me diga James, você lembra o que sonhou? Lembra de me ter em seus braços, não é? Do meu corpo junto ao seu, o calor, os movimentos. Me conte como foi, não seja egoísta. — mordeu o lábio, passando as mãos pelos ombros de Potter. — Ouvi o seu chamado, senti você.

— Você está louca. — disse sem convicção, o que a fez alargar ainda mais o sorriso sedutor. — Eu não te chamei.. hum.. eu..

— Você me chamou querido, seu corpo me chamou e sua alma também. Você é meu Potter, só não percebeu isso ainda, mas é meu. — murmurou, fixando seu olhar nos lábios dele. — E eu quero provar você nem que seja uma única vez.

O tempo pareceu passar devagar quando sentiu os lábios macios de Evans contra os seus, em um leve carinho provocativo. Seu corpo parecia em chamas quando sentiu as mãos pequenas segurando seus ombros, os lábios apertados juntos quando ela pediu passagem com a língua, comandando os movimentos. Deram passos para trás, ainda com as bocas unidas, e então ela deu um pequeno impulso, enlaçando as penas na cintura de Potter. Os dedos do moreno apertavam firmemente as coxas desnudas da garota enquanto a carregava até a cama de solteiro, jogando seu corpo lá antes de voltar a ataca-la com beijos urgentes.

O quarto parecia pequeno e quente quando separaram os lábios, agora inchados, com relutância. Lily parecia confusa e piscava os olhos sem parar enquanto olhava para o moreno de cabelos desgrenhados que pairava sobre si, ofegante.

— Preciso ligar para Marlene. — piscou, empurrando o corpo pesado para o lado. — Era esse o acordo.

— Acordo? Você fez isso só para confirmar que sonhei com você? — disse incrédulo, sentindo uma onda de vergonha e humilhação baterem contra seu corpo. — Parabéns, comprovou sua suspeita.

O moreno balançou a cabeça ao passar pela porta, fechando-a com um estrondo. E a ruiva continuou para em meio aquele turbilhão de sentimentos, pensando em que merda havia se metido.

Talvez Agnes tivesse razão, no fim das contas.

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Casa dos Sibley.

— Como assim você sabe quem nos traiu Emmeline? — disse McKinnon, arrumando a postura. — Foi o que aconteceu na hora do café, não foi? Era uma visão! Eu sabia, você não consegue esconder nada de mim por muito tempo.

A felina parecia em uma espécie de transe, juntando as peças daquele maldito quebra-cabeça. O destino era incerto, mas não era um mentiroso e ela sabia daquilo melhor que qualquer um presente naquela sala.

— Saturno? — chamou Dorcas, suspirando. — O que você viu?

Era como se um dvd no replay estivesse passando por sua cabeça, as cenas se repetindo e se repetindo várias vezes e em todas elas havia sangue e morte. A morte daqueles que ela amava, a morte de sua família e amigos. A morte de Dorcas e James. O peso presente em seu corpo desde a hora do café pareceu sair e era como se aquilo fosse apenas um sonho ridículo, era como se não fosse real.

Ela fechou os olhos e esqueceu de tudo ao seu redor, concentrando-se apenas no barulho do vento, no seu canto...

Inimigos, vingança, morte, vitória.

Era um novo aviso, uma pista de que aquilo era verdade e não apenas uma ilusão sua.

E então Emmeline contou aos amigos o que havia presenciado, cada um dos detalhes.

— Marietta Wilder? Mas que...? — xingou Marlene, sentindo o corpo tremer. — Nós vamos morrer se ela conseguir o que quer, ela vai ajudar aquela velha inútil a acabar com a nossa raça! Vou arrancar a cabeça dela com as minhas próprias mãos. — rosnou.

— Uou, isso foi... intenso. — suspirou Sirius, olhando de relance para Marlene, que parecia em um pequeno acesso de raiva profunda. — O que nós poderemos fazer contra essa senhora? Nossa mãe, quero dizer Walburga, é extremamente pensante, ela já deve ter algum outro plano caso esse der errado.

— Ela sempre tem. — respondeu Regulus, ainda abraçado a Remie.

— Não podemos deixar Agnes saber. — disse Emmeline, balançando o rabo de um lado para o outro. — Ela é impulsiva e provavelmente vai estragar tudo, a traidora irá fugir e vamos estar no escuro outra vez.

— Certo, você tem razão. — concordou Marlene, passando a mão pelo rosto. — Precisamos de um plano e de preferência rápido, não sabemos quanto tempo a gente tem até Marietta agir primeiro. Agnes confia cegamente nela e até hoje não sei o porque.

— Bem, Agnes voltará pela manhã certo? — perguntou Dorcas, puxando o pequeno corpo de saturno até ter a bola de pelos deitada em seu colo. — Temos até lá para conseguir algo bom o suficiente.

— Precisamos de Lily aqui, mas como traze-la sem levantar suspeitas? — resmungou a loira, levantando o corpo do sofá. — Vou ligar para ela e então ver o que podemos fazer. Doe, provavelmente James vai querer falar com você.

— Uh, tudo bem. — deu de ombros, seguindo com Marlene até a cozinha.

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Lily esperou pacientemente pela volta de James, mas isso não aconteceu. A ruiva respirou fundo e decidiu procurar pelo moreno, caminhando rapidamente até o andar de baixo, comemorando internamente ao encontra-lo sentado no pequeno sofá. Parou em frente a ele, colocando o dedo em seu queixo até que os olhos castanhos furiosos se encontraram com os seus verdes aflitos.

— James... — começou, fechando a boca no instante que o rapaz levantou e a puxou para um beijo apaixonado. Sentiu o ar deixar seus pulmões e o encarou quando ele grudou suas testas, respirando pesadamente. — James...

— Eu não sei o que você fez comigo, Lily. Você me têm desde a primeira vez que te vi, é estranho.. eu... é como se te conhecesse de outras vidas. Você... — murmurou ele, deixando um selinho nos lábios macios dela. — Venho sonhando com você, Lily, todas as malditas noites você aparece e então tudo se resume no quão linda você está ou em como nossos corpos funcionam bem juntos e-

— Querido, pare. — disse ela, fechando os olhos quando aquelas palavras a atingiram mais do que deveriam.

— Não sou eu mesmo quando estou com você, me sinto uma marionete que está a seu dispor. Você tem razão, eu sou seu Lily. — murmurou, a voz quebrando aos poucos. — E eu sinto, no meu coração, que isso não é bom. Pelo menos não para mim.

— Jay eu preciso te contar uma coisa, eu sou uma... — suas palavras foram interrompidas pelo toque estridente do celular, que ecoava pela sala. — Merda! — respirou fundo quando ele se afastou, ficando de costas. — O que foi? — resmungou ao atender o telefone, ainda trêmula. — Isso é sério? Como isso aconteceu? Marlene, eu não tenho tempo para brincadeiras e... Emmeline, ela viu? Droga, isso é sério. Certo, vamos resolver isso depois hum.. ele está aqui sim, vou passar para ele. James, Doe quer falar com você.

— Obrigado. — murmurou sem jeito, pigarreando quando ouviu a voz da amiga. — Ei Doe, senti sua falta. Sim, estou bem... Lily e eu... hum, estamos convivendo bem. Fico feliz que esteja protegida desses lunáticos também, irmãzinha. — sorriu fraco, olhando para Evans. — O que? Me conte essa história direito Dorcas.

O sorriso de James sumiu conforme ouvia a explicação da amiga.

— E nós vamos ficar aqui enquanto vocês podem morrer? Você só pode estar louca! — berrou, sentindo-se subitamente nervoso. — Prometi cuidar de você, Doe! E eu vou cumprir isso. Tudo bem, eu sei que já é adulta mas... espera, um ex zumbi? Que droga está acontecendo ai? Espero notícias logo e por favor, não pensem em agir pelas nossas costas. Amo você baixinha.

— Agora que você já sabe de tudo, que tal uma viagem surpresa até a casa dos Sibley, querido? — perguntou Lily, com um sorriso estranho enfeitando seu rosto bonito.

— Como vamos fazer isso se estamos sem carro? Não me diga que vamos ir de vassoura? — resmungou, arqueando a sobrancelha, aquela era realmente uma pergunta séria.

— Nah, elas saíram de moda a muito tempo. Tenho métodos novos. — brincou, feliz por James estar distraído a ponto de esquecer a conversa que estavam tendo antes.

Eles iriam para a casa dos Sibley e ela realmente esperava que aquela atitude imprudente não atrapalhasse o plano. Ainda precisava de James Potter vivo.