Carpe Diem
5 O dia das garotas
Notas iniciais
Vou deixar os comentários para as notinhas lá em baixo
;D
Capitulo 4
Passo por aquele imenso corredor do hospital, suas paredes eram pitadas de um tom de branco tão perfeito, que é quase impossível dizer a ultima vez que foi pintado, ela era ocupada por milhares de molduras e fotos tão tristes quanto encorajadoras. Havia um grande vidro ao meu lado, que me proporcionava uma linda vista da cidade.
– Estamos no 7 andar? – Pergunto à minha mãe
– Isso mesmo – Ela faz uma pausa – O doutor Luiz me disse que o seu consultório era a quinta sala, no sétimo andar
– Bem, acho que devemos entrar não é – Digo à ela, um tanto sarcástica – A sala de numero cinco, esta bem atrás de você
No mesmo segundo que minha mãe se vira para olhar a porta do consultório, percebo, que a mesma tem um enorme número 5 colado em sua madeira, que era toda decorada. Ao lado, existia uma plaquinha – Doutor Luiz, Oncologista –
Ao entramos em seu consultório, percebo a extrema arrumação e limpeza. Me sento em seu sofá verde-musgo enquanto minha mãe vai pedir assistência à secretária. Presto atenção nas paredes brancas e o piso escuro, percebo que há varias plantas espalhadas pelos cantos do consultório.
– Julie ! – Ouço minha mãe me chamar – Julie! Venha aqui!
–Estou indo ! – Levanto imediatamente, indo em direção as duas
– O Doutor já esta à nossa espera – Eloísa segura minha mão, enquanto entramos em sua sala de consultas
Ao entrar, encontro um senhor grisalho digitando em um computador. Sua camisa social é azul, combinada com uma calça branca e óculos tão pequenos que é impossível encobrir seus lindos olhos azuis.
– Ora, olá senhora Spinelli ! – Ele diz se levantando
– Olá doutor – Eu e minha mãe dizemos, em uníssono
– Bem, acho que temos que cuidar de algumas coisinhas não é ? – Percebo seu tom de voz – Então senhora, trousse os exames que pedi ?
– Sim, sim – Vejo que ela entrega vários exames meus, os mesmos que fiz no dia que descobri minha doença
Ele passa alguns minutos com meus exames, checando um por um. Vejo que, a cada exame, sua expressão muda significativamente. Até que finalmente ele começa a explicar algo para nós duas.
– Muito bem – O doutor faz uma pausa – Primeiro, preciso te avisar Julie, que o seu câncer esta no estágio I, ou seja, está no estágio inicial.
– Isso é muito bom, não é doutor ? – Minha mãe o pergunta
– Isso é ótimo! E devo dizer que a senhorita teve muito sorte. A maioria dos cânceres não são descobertos em um estágio inicial
– E o que devemos fazer ? – Desta vez, sou eu quem pergunto
– Antes, preciso explicar para vocês como tudo irá funcionar – Percebo que ele para de falar para pegar fôlego – Primeiramente, o seu tipo de câncer é de células não-pequenas, ou seja, são mais comuns e menos agressivos. Segundo, a melhor maneira de tratá-lo é uma cirurgia, chamada de “segmentectomia”, já que os tumores são pequenos
– Espere – Eu o interrompo – Eu vou ter que fazer uma cirurgia ? – Falo rapidamente, tropeçando nas palavras
– Eu recomendo. Já que é a maneira mais fácil, rápida e segura, para o seu tipo de câncer.
– Bem doutor – Minha mãe finalmente começa a falar – Como e onde fazemos isto ?
Paro de prestar a atenção na tal conversa. A única coisa que conseguia pensar era nesta cirurgia e como isto iria mudar a minha vida. Passo os próximos 10 minutos da consulta totalmente aera à tudo e a todos, mas teve apenas uma coisa que prestei atenção... eu não sei ao certo, mas tenho quase certeza que minha cirurgia fora marcada para daqui uma semana.
– Não credito nisso! – Grito em meio ao choro – Isa, eu não consigo. Não sou tão forte assim
– Julie, por favor, se acalma – Ouço sua voz pelo telefone – Eu vou até a sua casa esta bem? Sua mãe ainda está ai ?
– Não...ela já foi embora à algumas horas – Faço uma pausa – Isa...ela já me trouxe até os remédios para tomar ates da cirurgia
– Não se preocupe. Daqui a pouco estou ai – Após isto ela desliga o celular. Ouço o incessante bipe da linha cortada por alguns segundos, até que desligo
Saio de meu quarto e vou direto para a sala. Sento em meu gigante sofá e ligo a TV, procurando alguma coisa decente para assistir. Após passar vários canais, encontro uma série que parece ser divertida, e começo a assistir.
Após alguns minutos, escuto a campainha tocar. Saio correndo igual à uma louca, passando por cima de todos os móveis de minha sala. Chego à porta em poucos segundos, já a abrindo ferozmente
– Julie ! – Isa me abraça fortemente – Você precisa me contar tudo. E eu quero que saiba que estou aqui com você
– Bem – Digo, já chorando – A pior parte você já sabe. Mas eu não quero fazer uma cirurgia ! Não Posso.
– Julie...você precisa dessa cirurgia. Assim esta maldita doença irá acabar – Ela me diz – E tudo voltará ao normal
– Mas eu não posso. E se algo der errado... e eu morrer – Falo com a maior dificuldade
– Pare com isso! Você não vai morrer! – Recebo, outro abraço – Vai ficar tudo bem
– Mas e o Daniel? Eu não contei pra ele ainda! – Começo a segurar minhas lágrimas – Qual vai ser a reação dele ?
– Bem, eu não posso prever nada. Mas tenho certeza que ele irá te apoiar, não importa qual seja a sua decisão
– Bem, eu não sei qual será a minha decisão...mas agora, o que eu realmente preciso é de um pouco de distração – Paro de chorar, percebo que me derreter em lágrimas não ira me ajudar em nada
– Eu liguei pra Bia – Isabela diz feliz – Ela já deve estar chegando
– Que bom... e ai vamos nos divertir, como nos velhos tempos ! – Digo, tentando me animar
– Exatamente! O que você acha de irmos ao Hopi Hari ? É muito perto daqui e alem disso, é super divertido !
– Acho uma ótima ideia – Falo, já mais animada
Sentamos em meu sofá e esperamos a chegada de Bia. Continuamos à assistir a tal série durante vários minutos. Nenhuma de nós duas falamos quase nada, só olhamos para a tela e ficamos assim. Até que a campainha finalmente toca.
– Deve ser a Bia – Isabela me diz
– Provavelmente – Digo, rindo da cara dela enquanto pegamos nossas coisas para sairmos. Pego tudo que preciso...meu celular, minhas chaves e o dinheiro para o parque.
Ao abrir a porta, encontro Bia apoiada em uma das colunas da frente.Reparo que ela usava uma calça jeans super apertada, combinada com uma blusinha de manga longa azul-clara. Ela usava seu par de tênis all-star – eram seus favoritos – e uma tiara muito fina, em sua cabeça.
– Estão prontas ? – Bia nos diz, animada
– Prontas é pouco – Isa grita entusiasmada
– Mas meninas, lembrem-se da regra do dia das garotas: Namorados não são permitidos! – Bia diz a ultima parte quase em sussurro
– E nem assuntos tristes! – Isabela termina sua frase, cantarolando enquanto passa pela porta
Contornamos meu jardim rapidamente, e entramos em meu carro. Logo depois de sentarmos, dou a ré e saímos de minha loga garagem. Passo pela rua de minha casa lentamente, memorizando todos os detalhes da minha maravilhosa vizinhança. Ela era muito comprida, as casas eram grandes e muito bem cuidadas, assim como os jardins.
Demoramos cerca de 40 minutos para chegar ao parque. Enquanto procuramos uma vaga para estacionarmos – que parece ser impossível – começo a me lembrar da minha adolescência, de como passava quase o dia inteiro com minhas duas melhores amigas, o quanto adorávamos vir ao Hopi Hari e como eu era feliz.
– Nós não deveríamos ter vindo hoje – Isa fala calmamente – Nos finais de semana, o Brasil intero vem pra cá!
– É mesmo, mas nós vamos conseguir – Me dirijo as duas, totalmente confiante em minha sorte inexistente
Admito que demorou um pouco mais do que o esperado. Acho que se passaram uns 15 minutos até conseguirmos achar uma vaga. Ela estava muito longe da entrada do parque. Mas após este mal começo, sabíamos que o dia seria completamente perfeito.
E eu estava completamente certa. Passamos toda a tarde no parque, fomos em todos os brinquedos e tiramos tantas fotos esquisitas que quase acabamos com a memória do meu celular. Comemos em todos os restaurantes possíveis e assistimos à todos os shows.
Lembro-me de uma vez, há muitos anos, quando vim neste parque com Daniel. Nós fomos ao brinquedo do Terror varias vezes. Eu queria muito ir, mas ao chegar, mentia, dizendo que estava com medo e aproveitava esta grande oportunidade para me agarrar em Daniel.
Fomos embora às oito da noite, quase no horário máximo do parque. Após deixar as duas em suas respectivas casas, fui lentamente para a minha.
Logo ao chegar, passo voando para o meu banheiro, precisando desesperadamente de um longo e delicioso banho. Durante este tempo, começo a pensar em como minha vida é tão perfeita, mas ao mesmo tempo é tão horrível.
– Eu estava tão feliz – Digo à mim mesma – Porque esta maldita doença teve que parecer?!
Passo vários minutos em meu banho, tentando demorar o máximo possível. Até que sinto minhas mãos ficarem enrugadas pelo calor. Desligo o chuveiro e saio vagarosamente, enxugando meus longos cabelos negros e também meu pequeno corpo.
Ao terminar de me trocar, decido que já esta na hora de ligar para Daniel e contar tudo à ele. Desço as escadas para pegar meu celular, que esta em minha bolsa. Demoro um tempo para acha-lo na bagunça de minha bolsa, até que finalmente o encontro e disco rapidamente o numero do seu celular. Espero angustiada enquanto escuto os toques passarem, até que já esta no sexto toque. Começo a pensar que ele não irá atender. Mas felizmente, Daniel atende logo em seguida
– Julie? – Percebo o cansaço em sua voz – Está tudo bem ?
– Bem, está tudo... – Não sou capaz de terminar minha frase, já que nada esta bem – Daniel, você pode vir até a minha casa ?
– Claro que posso – Ouço sua voz rapidamente – Daqui a pouco estou ai
Ele desliga no mesmo segundo. Apavorada, vou correndo para a cozinha, à procura de um calmante prescrito por meu médico. Abro o armário e imediatamente acho o que estava procurando.
– O que eu vou dizer à ele? – Falo para mim mesma, me sentando, ja tomando o calmante. Passo um tempo ali, pensando nas palavras perfeitas para dizer à ele. Até que escuto a porta se abrindo, e tenho certeza que é Daniel
– Julie ? Julie ! – Escuto sua voz desesperada
– Daniel...estou aqui – Falo calmamente. Percebo que ele esta usando um lindo pijama azul-claro, seus cabelos loiros estão totalmente bagunçados e seus olhos, possuem aquela expressão preocupada.
– Você está bem ? – Ele se aproxima de mim, sua respiração está ofegante
– Estou sim, mas eu preciso te contar uma coisa – Digo, segurando suas mãos e o conduzindo ate o sofá
– Você me assustou – Sinto sua voz preocupada – Achei que algo tivesse acontecido
– Bem, na verdade algo aconteceu
– E o que foi ? – Daniel me pergunta apreensivo
– Bem, você se lembra que hoje eu iria ao médico ? – Ele confirma com a cabeça – Então, o doutor me falou que a melhor maneira para retirar o meu câncer – Paro naquele segundo, respirando fundo – É eu fazendo uma cirurgia
Daniel me olha condescendente, quase não acreditando em minhas palavras
– E você irá fazer a cirurgia, não é ? — Ele me olha, alarmado
– Vou – Olho em seus olhos – Mas...eu tenho medo
– Medo do que amor?
– Eu tenho medo de...morrer – Já sinto minhas lágrimas quentes descendo pelo meu rosto
– Julie – Ele chega ainda mais perto de mim, passado seus braços pela minha cintura, me chamado para um abraço. – Não vai acontecer nada. Eu vou estar aqui com você
– Sabe Daniel... o mundo é muito diferente do que eu imaginava. Eu achava que eu iria crescer, ter um namorado, passar direto na vida. Mas adivinha ? – Paro um segundo para recobrar o fôlego – Isso não aconteceu, e eu sei que estou no começo da minha vida...quero dizer, talvez o final da minha vida. Mas nesse pequeno espaço de tempo que vivi, já sinto que esta muito diferente do que eu imaginava. – Paro novamente, já não aguentando minhas lágrimas – Ele está mais difícil...mais doloroso. E eu me sinto perdendo as esperanças.
– Julie... – Daniel olha em meus olhos – A sua vida é perfeita. Ela pode sim ter muitas dificuldades, mas, você sempre vai ter pessoas que te amam ao seu lado. SEMPRE
Logo em seguida, me apoio em seu peito e continuo a chorar encharcando sua camisa com minhas lágrimas. Ele puxa para seu colo, me carregando até o quarto. Eu fico encolhida em seus braços,os quais me passam a maior segurança que já experimentei em minha vida.
– Daniel, eu preciso de você – Digo, sussurrando em seu ouvido
– Eu estou aqui Julie. Você sabe disso meu amor
Sem nem ao menos perceber ele me coloca na cama. Se deitando ao meu lado. Chego mais perto dele, aconchegando minhas pernas em seu corpo e me apoiando em seu ombro. Sinto a sua respiração, que antes estava rápida e ofegante, agora se mostrava calma e paciente.
Passado cinco minutos, o sono começa a aparecer. Mas eu resisto ao máximo. Não queria dormir. Queria ficar ali com Daniel e transformar esta noite em algo mais.
– Não quero dormir – Falo à ele — Preciso ficar aqui com você
– Não se preocupe – Sua voz é decidida – Não vou sair daqui
Neste mesmo momento sou derrotada por meu sono e deixo minha mente entrar no maravilhoso mundo dos sonhos.
– Mamãe! Mamãe! – Lizzie corre até mim, pulando em meu colo.Seguro seu pequeno corpinho e sinto seus longos cabelos louros em minha mão – Que saudade mamãe!
– Ai filha...que morreu de saudade fui eu! – Digo à ela, enquanto beijo suas enormes bochechas
– Mamãe...onde a senhora estava ? – Minha filha me pergunta, enquanto a coloco no chão
– Bem filha, a mamãe ficou um pouco dodói – Falo a ela, amenizando a intensidade da minha doença – Mas agora já está tudo bem – Desta vez não minto. Eu estava realmente bem, meu câncer já tinha sido destruído e eu finalmente poderia curtir minha filhinha e meu marido
– Ainda bem mamãe ! – Ela passa correndo por mim, passado correndo por seu pai e indo em direção à sua avó, que já estava pronta para levá-la para a creche.
Vejo Daniel se aproximando de mim. Percebo que ele não mudou nada desde a ultima vez que nos vimos, há algumas semanas. Mas nós nos conhecemos há tantos anos....e ele ainda possuía aqueles lindos cabelos dourados que tanto me encantavam. Seu rosto jovial não mudara nada nestes anos
– Julie ! – Ele me diz, enquanto recebo vários selinhos
– Huum...Oi – Digo, desnorteada
– Como foi lá? – Daniel me pergunta
– Bem, o tratamento foi ótimo! Mas quase morri de saudades – Neste ponto já o estou beijando profundamente, totalmente apaixonada por meu marido
Subimos a escada de nossa casa, indo direto para o quarto. Ele me beija ferozmente, enquanto passamos correndo pelo quarto.
Aqueles não eram beijos comuns, eram necessários e ardentes, já que nós dois precisamos um do outro. Ele me deita em nossa cama macia. Sinto suas mãos passarem por todo o meu corpo, enquanto tiro suas roupas em uma velocidade quase sobre-humana. Após alguns segundos, nada resta além de nós dois.
Abro meus olhos e encontro Daniel ao meu lado. Noto que ele ainda esta dormindo e decido não incomodá-lo. Começo a pensar em meu sonho perfeito: Eu tinha uma filhinha muito parecida com Daniel. Ela possuía o mesmo cabelo dourado e olhar encantador. Lembro-me de como era feliz naquele sonho...eu tinha derrotado o câncer e finalmente iria viver uma vida normal com as pessoas que amo.
Começo a admirar Daniel, seu lindo rosto relaxado, seus lábios perfeitamente desenhados, seus cabelos bagunçados e sua pele perfeita.
– Você esta me encarando – Ele diz em meio à um sorriso
– Estou admirando – Digo a ele, com o olhar travesso
– É assustador
– É romântico – Falo decidida
Ele olha para mim, enquanto estou rindo de sua cara. Neste segundo ele pega o travesseiro e cobre seu rosto. Me levanto, apoiada em um de meus cotovelos.
– Hei – Tento puxar o travesseiro de suas mãos, mas no mesmo segundo ele joga o joga para o lado, se aproximado rapidamente, me beijando. Ele passa para cima de mim, beijado meu pescoço. Viro seu rosto para mim, puxando-o novamente para meus lábios.
Nos viramos e ele começa a beijar minha barriga, subindo para meus braços e logo após para a minha orelha. – Eu te amo – Ele sussurra em meu ouvido. Passo minhas mãos por todo o seu corpo, experimentando cada pedacinho de Daniel. Vejo seus olhos ardentes e marejados.
Me agarro à ele enquanto ele tira a minha blusa e eu tiro à dele. Sinto seu tórax definido com as milhas mãos. Enquanto isso, ele já está abrindo o meu sutiã e assim, finalmente fazemos amor.
Notas finais
1- Me desculpem por tê-los abandonado! Minha vida está muito corrida.Mas a partir de agora, vou começar a postar com mais frequência
2- Adorei todas as reviews! elas me inspiram muitooooo
3- Bem, só espero que gostem do capitulo! E até mais !!!...hahhhaa
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