Carpe Diem
7 Experimentando estrelas
Notas iniciais
Quero agradecer à:
- Marie Pierce
- Annie Harper
- Vick Princess
Amei todas as suas palavras. E este Capitulo é para vocês minhas lindas !!! *---*
– Julie – Escuto a voz de Daniel – Você consegue me ouvir?
Eu tento o máximo possível respondê-lo. Faço um enorme esforço ao tentar abrir meus olhos e fitar o rosto de Daniel, tento encostar minhas mãos na dele. Mas após milhares de tentativas percebo que não consigo, e pela primeira vez sinto como se meu corpo e minha mente não estivessem conectados.
Começo a procurar em minha mente a última coisa que me lembro. – Eu estava indo para a cirurgia – Penso depois de algumas tentativas. Fico longos minutos assim, apenas deitada em uma cama de hospital esperando algo acontecer. Começo a vasculhar em minha cabeça o que aconteceu nestes últimos dias.
*Flashback on*
– Eu te amo – Daniel sussurra em meu ouvido, me abraçando mais fortemente.
Passamos longos minutos assim, apenas abraçados...lendo os pensamentos um do outro. Me sito totalmente segura em seus braços. Até que infelizmente, ele me solta. Saindo de sua posição original e vindo para a minha frente.
Ele olha em meus olhos enquanto se agacha, apoiando-se em apenas um joelho. Daniel pega uma minúscula caixinha de veludo. Neste mesmo momento, meu coração para. Sinto minhas pernas ficando bambas de tanta surpresa.
Daniel abre a caixinha e dentro dela encontro um anel de diamantes, enfeitado com lindas pedras azuis em sua volta. Eu olho para seus olhos, aqueles olhos totalmente deslumbrantes, e pela primeira vez... me senti completamente amada.
Ele segura a minha mão, percebo que a mesma está gelada pelo frio.
– Julie – Ele me diz, enquanto vejo o tilintar de seus olhos – Você me daria a imensa honra de ser minha mulher ?
Não dou à ele nenhuma resposta imediata. Eu apenas começo a chorar, sinto minhas lágrimas caindo por meu rosto, tão sentidas pelo medo quanto eu.
E porque eu estava chorando? Bem, acho que existe uma resposta muito simples para tal pergunta – Eu não conseguia acreditar que meu sonho estava se realizando.Sempre sonhei em me casar com ele, ser mãe e viver o resto de minha vida com a única pessoa que realmente amei – Mas quando descobri minha doença senti como se todos os meus sonhos tivessem escapado por entre meus dedos.
– Sim – Digo, em meio à um soluço – Sim! Mil vezes sim!
Daniel coloca delicadamente o anel em meu dedo. Sinto uma onda elétrica passando por todo o meu corpo.
Ele levanta em alguns segundos me puxando para seus lábios. Nos beijamos apaixonadamente e em meio à isso, passo meu braço em volta de seu pescoço e Daniel me puxa pela cintura, colando ainda mais nossos corpos.Ele tira meu corpo do chão me carregando para dentro da casa, fico em seu colo aconchegante enquanto passamos pela sala e subimos a escada.
Em pouco tempo chegamos ao quarto. Jogo minha roupa pelo quarto até sobrar apenas a lingerie em meu corpo. Daniel me coloca na cama e deita-se ao meu lado passando suas mãos em meus cabelos. Percebo seu olhar profundo, seu sorriso torto cheio de desejo.
– Que olhar é esse? – Pergunto à ele, após um selinho demorado.
– Que olhar? – Vejo novamente seu sorriso travesso, misturado com seu olhar fitante.
– Esse olhar.
– Estou feliz – Daniel me diz, enquanto revira seus olhos com charme.
Nos aproximamos, nesta hora passo minhas mãos por seu cabelo enrolando suas mechas em meus dedos. Seu braço agarra minha cintura, virando-me pra cima de seu corpo enquanto trocamos vários selinhos.
Desço meus beijos por toda sua barriga e ele segura minha mão. Olho em seus olhos apaixonados, quase tão felizes quanto os meus.
Trocamos de posição, Daniel chega muito perto de meus rosto e logo em seguida, toca meus lábios com seus dedos. Ele beija meu pescoço e minha orelha, passando para meus lábios.
Nosso beijo se aprofunda ainda mais, começando uma batalha desesperada por espaço. Arranho suas costas ferozmente, cedendo ao meu desejo.
Acordo sentindo a leve brisa que passa pela janela. Daniel está apoiado em meu corpo me abraçando por trás. Me movimento rapidamente ao sentir sua respiração em meu pescoço. Agarro sua mão puxando-o para mais perto de mim.
– Bom dia – Digo, enquanto recebo beijos em meus cabelos.
– Estou começando a me acostumar com isso – Ele indaga, enquanto solto uma leve risada.
– Nem me diga – Falo enquanto me viro – Eu já estou acostumada.
Daniel começa a me dar vários selinhos demorados enquanto suspiro entre eles. O abraço por cima de seu ombro, aprofundando ainda mais aquele beijo. Sinto toda a sua paixão sendo transmitida por nosso carinho.
– Eu preciso ir tomar banho – Falo, enquanto levanto meu corpo me apoiando em um de meus cotovelos.
– Ótima ideia – Vejo seu sorriso cheio de desejo – Vamos.
– Sou cheia de boas ideias – Tento imitar a maneira irônica de fala de Isabela -
– Eu já sei disso há um tempo.
– Engraçadinho – Solto um sorriso fraco, mudando minha expressão de felicidade.
– O que aconteceu ? – Daniel me pergunta.
–Estava pensando – Faço uma pausa – Amanhã eu vou estar na sala de cirurgia e talvez eu nunca mais passe momentos assim com você.
– Ei – Ele pousa suas mãos em meu rosto – Eu prometo. Nós vamos passar por isso, nada vai mudar.
– Eu te amo Daniel – Olho em seus olhos, sussurrando – Para sempre.
– Eu também te amo – Trocamos mais um selinho.
[...]
Faltavam apenas algumas horas para irmos embora do lago. Enquanto Daniel estava pegando todas as malas do quarto e as levando para o carro, eu fitava o longo bosque cheio de árvores e pássaros.
Não queria ir embora deste paraíso, gostaria de ficar ali para sempre: Eu e Daniel, sem nada nem ninguém para os incomodar. Mas infelizmente isso não era possível, eu precisava estar em São Paulo amanhã já preparada para todos os procedimentos.
– Está pronta? – Daniel me pergunta, me abraçando por trás.
– Não – Abraço ainda mais meu cobertor de lã marrom – Eu quero ficar aqui.
– Julie – Sinto sua respiração cansada – Você precisa ir.
– Eu sei que preciso.
– Mas você não consegue – Ele termina minha frase.
– É.
– Amor, você é a pessoas mais forte que eu já conheci – Daniel sorri – E eu tenho certeza que você consegue.
– Você está falando sério ? – Pergunto à ele.
– De todo o meu coração – Ele me dá um selinho rápido.
*Flashback of*
– Será que ela consegue nos ouvir ? – Daniel diz à alguém.
– Acho que sim – Minha mãe responde.
– Dona Spinelli – Ouço Dr. Luíz falar – a cirurgia foi um sucesso! – Ele fala, logo após a porta abrir lentamente – Nós podemos ter demorado algumas horas a mais do que o programado, mas tudo ocorreu bem.
– Isto quer dizer que todo o tumor foi removido? – Eloísa pergunta.
– É muito provável que sim – Ele faz uma pausa – Mas depois teremos que fazer alguns exames para confirmar tudo.
– Mas se tudo foi como o planejado – Desta vez que fala é Daniel – Por que ela ainda não acordou ?
– É o efeito da anestesia – Dr. Luiz indaga – Tenho certeza que daqui algumas horas ela já estará acordada.
– Espero que sim – Minha mãe diz à ele sem alterar sua voz.
– Doutor – Somente agora percebo a voz de Isabela – O senhor sabe se ela consegue nos ouvir ?
– É difícil ter certeza – Luiz faz uma pausa – Mas acho que ela consegue sim.
Logo após tal conversa, percebo que o único que ficou em meu quarto foi Daniel. Minha mãe foi à cafeteria do hospital procurar algo para comer, junto à Isabela e Bia – a qual só percebi a presença depois de a mesma pedir uma garrafa de água –
Sinto Daniel segurar minha mão tão levemente que seu toque é quase imperceptível.
– Sabe Julie – Ele diz, ainda segurando minha mão – Eu estava me lembrando do dia em que nos conhecemos – Daniel aperta seu toque – Não sei se você se lembra, mas para mim ele não poderia ter sido mais perfeito – Escuto sua leve risada.
Não estava acreditando em o que ele estava falando. Eu me lembro muito bem da primeira vez que nos conhecemos, e se tem uma coisa que posso confirmar é que aquele dia foi tudo, menos perfeito.
*Flashback on*
Eu estava saindo da festa de aniversário da Bia, o local estava banhado na escuridão e eu não consegui ouvir nada além de meu choro baixo. Aquele tinha sido o pior aniversário da minha vida. Além de eu estar indo para a última universidade que eu escolheria e meu pai estar se separando de minha mãe, eu tinha acabado de levar um fora gigantesco de namorado.
Passava pelas longas ruas do bairro de Bia à procura de meu carro. Admito que deveria ter parado-o mais perto, já que precisei atravessar um pequeno parque cheio de brinquedos e uma longa estradinha iluminada.
Após vários minutos finalmente cheguei ao meu carro. Entrei rapidamente e já comecei a dirigir. Passava por vários carros e motos que iluminavam as ruas sem vida de São Paulo. Não estava a fim de ir para minha casa e falsamente me lamentar sobre o fim do namoro para minha mãe. Eu queria sair e me divertir.
Não precisei andar muito para encontrar algum lugar divertido em São Paulo, em pouco tempo encontrei uma boate muito chamativa e bem feita. – É este lugar aqui que eu vou entrar – Digo a mim mesma, enquanto procuro uma vaga.
Admito que demorou um pouco mais do que o programado para eu conseguir acha uma vaga. Infelizmente, a única que estava disponível era consideravelmente longe da boate.
Passo rapidamente pela rua silenciosa, apenas escuto meus saltos batendo no cimento – os mesmo faziam um som irritante – e minha respiração ofegante. Logo ao chegar à boate, encontro um rosto muito familiar em meio a fila.
– Isabela! – Grito, alterando o tom de minha voz – Isabela!
Todas as pessoas que estavam na fila olham fuzilantes para mim. Sua expressão muda drasticamente – Ela me olha esperançosa, quase saindo da fila para vir ao meu encontro – Reparo em suas roupas: A mesma usa uma saia rodada decorada com pingentes pratas, combinada com uma blusa laranja de um ombro só. Seus saltos pretos são altíssimos, e seu cabelo está solto em cachos. Sua maquiagem escura destaca seus olhos verdes.
– Julie! – Isa me olha – O que você está fazendo aqui ?
– Parece que nós duas fugimos da festa da Bia – Digo à ela, enquanto começo a rir
– Acho que sim – Isabela indaga, já em meio a risadas
[...]
Após meia hora, conseguimos entrar na boate. A mesma estava completamente lotada, sendo preciso passar apertada pela pista de dança para conseguir chegar até o bar.
Peço dois drink com morangos para mim e para Isa. Fico esperando-os por vários minutos. Noto que as paredes da boate são roxas, decoradas por quadros e móveis verdes luminosos. Já as pessoas que passam por mim usam roupas agarradas e maquiagens pesadas – muito diferentes de meu vestido branco larguinho, que era trabalhado no peito e liso nas saias. Eu usava um casaquinho rose e várias pulseiras. Minha maquiagem era simples e meu cabelo estava preso em apenas um lado, deixando meus cachos caírem pelo meu pescoço – Me sentia um extra terrestre naquele lugar.
O barman me entrega as bebidas e faço o caminho contrário a procura de Isabela. Passo em meio a multidão, quase não enxergando o caminho que estou fazendo.
Em um minuto estou atravessando a pista de dança, em outro, sou empurrada com tanta força por alguém, que derrubo todas as bebidas em meu vestido. No mesmo instante, os copos caem ferozmente ao chão, quebrando-se em milhões de pedaços.
– Essa não – Digo, tentando limpar meu vestido
– Ai meu deus Félix – Outro garoto aparece – Olha o que você fez
– Me desculpe pelo meu amigo – O estranho fala para mim, seus olhos caramelados escuros estão fixos em mim. Seus cabelos curtos e loiros estão bagunçados. O mesmo usava uma calça jeans escura e uma blusa de algodão em corte V – O Félix não é resistente à bebidas
– Tudo bem – Digo a ele, enquanto cubro meu corpo molhado
– A propósito meu nome é Daniel – O garoto me diz, estendendo sua mão
– Eu sou Julie – Quase grito, tentando ultrapassar o som da boate
– Muito prazer – Dizemos em uníssono
Olho para os olhos deslumbrantes dele, que me deixam hipnotizada. Ficamos assim por alguns segundos, apenas aproveitando esta situação.
– Julie! – Isabela aparece em meio a multidão – Mas o que aconteceu com você ?
– Não foi nada – Digo rapidamente, querendo voltar a conversa com Daniel.
– Tanto faz – Ela diz – Mas precisamos voltar para a festa da Bia – Isabela segura minha mão – Aconteceu alguma coisa séria lá – Ela já começa a me puxar para longe.
– Ei Julie – Daniel corre até mim – Já que você vai embora, poderia me dar seu número? – Percebo seu olhar esperançoso.
– Claro – Solto-me de Isabela, marcando meu numero no celular de Daniel.
– Que coisa Julie! – Ela me puxa de novo, afastando-me dos olhos mais deslumbrantes do mundo – Depois você flerta com ele
E assim sou arrastada para fora da boate: Totalmente molhada, descabelada, sendo puxada pela minha melhor amiga e mais importantemente, apaixonada.
*Flashback of *
– Daniel – Digo, quase em um sussurro.
– Julie ? – Daniel me pergunta, alterando sua voz.
– Eu me lembro – Faço um pausa – Na noite em que nos conhecemos, o Félix me empurrou e eu derrubei toda as bebidas em mim.
– É – Recebo vários selinhos pelo rosto, passando pelos meus lábios, minhas bochechas e ao final, meus ouvidos – Mas ainda foi perfeito.
Solto uma leve risada, ainda em efeito da anestesia. Passo meu braço em seu pescoço, chamando-o para um abraço.
Não falamos mais nada após tal conversa. Apenas ficamos ali, abraçados, passando forças um para o outro. Infelizmente minha mãe, Isabela e Bia voltam após uns 20 minutos e o meu maravilhoso momento com Daniel acaba.
– Filha! – Minha mãe se exalta ao entrar em meu quarto e me ver acordada – Graças a Deus você acordou !
– Julie! – Isa e Bia dizem em uníssono.
Ambas atravessam o quarto tão rapidamente, que quase não percebo o abraço que recebo das três garotas mais importantes da minha vida.
[...]
– Vamos Julie! – Daniel me diz – Tenho uma surpresa.
Ele me ajuda a sair do carro e a tirar a venda de seda de meu rosto. Esta é a primeira vez que eu passeio com Daniel sem ter nenhum câncer.
Já haviam se passado dois meses desde minha cirurgia e tudo estava indo muito bem. Há duas horas atrás, eu estava fazendo meu último exame para descobrir se existia algum rastro de câncer em meu pulmão.
– Daniel – Pergunto, segurando suas mãos – Aonde estamos ?
– Você vai saber – Ele tira lentamente a venda de meus olhos – Agora.
Quando abro meus olhos, me encontro em um imenso campo e exatamente em seu centro, encontro um imenso balão de ar. Presto atenção em seus detalhes – Suas cores refletem o arco-íris, possuem um lilás vívido, misturado com um vermelho e um amarelo cintilante – e em como este dia não poderia ser mais perfeito.
– Meu Deus...Daniel – Sinto as lágrimas quentes começarem a rolar por meu rosto.
– Vamos – Ele segura minha mão, me guiando por todo o caminho.
Passamos correndo por todo o campo, eu conseguia sentir a brisa gélida batendo em meu rosto e a enorme sensação da liberdade. Logo ao chegarmos ao balão, Daniel me ajuda a subir e em poucos momentos, já não estamos mais no chão.
Eu conseguia ver todo o mundo de lá. E cada momento, mais espantada eu ficava com a vista. Comecei a reparar o maravilhoso cheiro da brisa, tão doce quanto refrescante. Eu não conseguia para de respirá-lo, enchendo meus pulmões com o cheiro mais doce que já havia conhecido. Comecei a Notar o prado – que por si só, era apenas a grama e as flores – E o sol, que ao espreitar pelas árvores era apenas um raio de luz. Mas quando juntei tudo isso, eu percebi que era algo mágico.
– É tão lindo – Digo à Daniel.
Viro-me para ele, enquanto recebo milhares de selinhos apaixonados. Após alguns segundos, Daniel se afasta de mim para pegar algo. Assim que ele volta, vejo que ele está trazendo consigo um champanhe e duas taças.
– Eu sei – Vejo ele me entregar as taças, já colocando o champanhe.
Assim que tomo o primeiro gole, fico totalmente extasiada. Era como se eu estivesse tomando estrelas...totalmente doces, frisantes e deliciosas.
– Isso é perfeito – Digo.
Daniel se aproxima de mim. Sinto seu hálito doce perto de meus lábios, que logo em seguida já estão perigosamente próximos. Ele exita por alguns segundos, até que passo meus braços por seu pescoço puxando-o para meus lábios.
Notas finais
Mas enfim,espero que tenham gostado...hahhaha
Beijoooos
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