Carousel - Eclipse
3 Boatos
Carousel Series — Eclipse
Capitulo 03 – Boatos
“Mas, mudando de assunto, Hiroshi-kun.”
“Hm, o que foi Yoshioka-san?”
“Você acredita em coisas sobrenaturais?”
Fiquei confuso com o tema de assunto que ela quis abordar.
“O que? Como assim Yoshioka-san?”
Ela se vira a mim, chega mais perto e arruma seu cabelo para trás de sua orelha.
“Hm. Coisas sobrenaturais Hiroshi-kun, como vampiros, lobisomens, historias e folclores, ou então até alguns tipos de maldições, espíritos, fantasmas e lendas urbanas?”
“Não. Eu entendi do que se tratava na primeira vez Yoshioka-san. Só não entendi o por que de você me perguntar isso. E bem, eu não posso dizer que eu acredito nessas coisas porque eu nunca vi algo parecido antes.”
“Hmm Hiroshi-kun, então você é daquele tipo de pessoa que só acredita em algo se possuir uma prova ou se você vir com seus próprios olhos? Como se chama esse tipo de pessoa... Cético, não é?”
“Não é isso! É que, simplesmente é difícil acreditar nesse tipo de coisa. Eu geralmente acredito nas coisas que me contam e não fico indagando se realmente é verdade.” – Ela faz uma leve expressão de surpresa e confusa ao mesmo tempo, enquanto tento explicar o mal entendido. – “Simples. Se você ouvisse que um lugar é amaldiçoado por fantasmas, você iria realmente acreditar nisso? Não é uma coisa comum que acontece facilmente. E ainda que na maioria das vezes, na verdade é só uma mentira contada por alguém para enganar as pessoas.”.
“Mas isso é ser cético Hiroshi-kun”
Pensando melhor no que acabei de dizer pareceu mesmo fazer sentido.
“É, você tem razão. Mas o que quis dizer é que é difícil acreditar nessas coisas sobrenaturais. Eu até tenho curiosidade nesse tipo de coisa. Pode ser divertido algo assim, então eu até gostaria que isso fosse existente. Mas então, por que você perguntou isso tão de repente?”
“Hein, Hiroshi-kun, você não ouviu os rumores na cidade?”
Rumores? Eu sou a pessoa mais isolada dessa cidade, não, talvez do mundo, eu não consigo acreditar que ela achou que eu saberia sobre alguma fofoca por ai. Eu não sou nem próximo as minhas irmãs, e meus pais não são de saber dessas coisas. Nem com minha família eu iria saber sobre algum rumor.
“Não, não ouvi nada. Como você bem sabe eu tenho uma reputação a zelar, eu sou ‘antissocial e sem amigos’.” – Bem, até pouco tempo, mas agora eu tenho amigos, mesmo que seja só um, e eu até que consigo interagir socialmente.
“Você tem razão Hiroshi-kun.” – Ela começa a rir, parecendo forcado só para me caçoar, mas em um tom baixo.
“Mas então, que tipo de rumores são esses?”
“Ah. Não é nada de demais. São só rumores de um assassino na cidade. – Ei, ei, isso não é ‘nada de mais’! – “Ele só ataca a noite. Mas o que deixa isso estranho é que todas as suas vitimas morrem por perda de sangue, e algumas vezes são encontrados furos em seus corpos. Mas na maioria das vezes eles são perfurados brutalmente ou até decapitados. Isso é insano.”
Isso é mais que insano. Isso é doentio. Que tipo de psicopata faria isso? Não deve ser um assassino qualquer. Eu absolutamente não gostaria de trombar com um cara desses na rua. Tenho até medo só de pensar no que aconteceria comigo caso isso acontecesse.
“Hm. ‘Furos em seus corpos’? Sangue? Como um vampiro?” – Nessa hora me toquei no assunto sobre sobrenatural que Tsubane-san havia mencionado mais cedo.
“Sim. E ninguém ainda conseguiu ver seu rosto. As pessoas estão sendo ‘aconselhadas’ a não sair de casa a noite, exceto ser for necessário, é claro. Parece muito serio para um rumor só.”
“Mas isso seria muita coincidência, um vampiro vir para essa cidade. Em historias assim ele iria para algum lugar maior com mais concentração de pessoas em alguma cidade grande. Existe algum motivo dele vir para essa cidade?”
“Não sei. Mas ainda não da para ter certeza se ele é realmente um vampiro ou se só é um serial killer que se passa por um, mas se for um serial killer tem chance dele simplesmente ser um psicopata. Além disso, como você disse não da para ter certeza nessas coisas só por ter alguns rumores assim.”
“Hmm. Bem, de qualquer modo. Você disse que ele ataca sempre de noite.” – Igual um vampiro. – “Então é melhor não ficar na rua nesse momento, mesmo não sendo um vampiro ele ainda é um assassino psicopata. Espero que a policia pegue logo esse desgracado.”
Depois disso continuamos a andar aleatoriamente pela cidade enquanto conversávamos, nós não percebemos, mas já tinha se passado muito tempo desde o inicio da conversa e já estava ficando muito tarde.
Yoshioka-san ao ver o céu escurecendo pega o seu celular.
“Ah.” – Yoshioka-san para de repente olhando para a tela de seu celular. – “Já é esse horário?! Desculpe-me Hiroshi-kun, preciso ir. Meu pai esta no hospital, eu preciso ir vê-lo logo, o horário de visita já vai acabar.”
“Não se preocupe, não tem problema. Eu sei que é importante.”
Bem, não posso impedir ela de ir embora.
Vendo seu celular em sua mão acabo pegando o meu para pedir a ela se pode fazer uma coisa.
“Ah. Yoshioka-san, antes de ir.” – Ela olha para mim confusa – “Vamos trocar nossos números de telefone.”
Ela aceita alegremente com um sorriso no rosto.
Depois de trocarmos nossos números ela me avisa de voltar para casa em segurança e sai correndo pela rua. Bem, eu a fiz perder seu tempo conversando comigo, espero não ter atrapalhado ela com o seu pai.
Mesmo com essa amizade repentina, eu me diverti com ela hoje. Eu consegui perceber que ela não é uma pessoa ruim, eu não sei como, eu apenas senti. E por isso mesmo, eu tenho a duvida se eu mereço andar com gente como ela, eu só fiz hoje por eu não ter outra opção.
Hoje foi totalmente inesperado, esse novo amigo, foi uma grande surpresa. Espero que continuemos a conversar mesmo depois das férias.
Hoje foi algum tipo de milagre.
Ficando tarde, decido voltar para minha casa. Subo em minha bicicleta alguns minutos depois de Yoshioka-san partir em direção ao hospital.
Começo a pedalar devagar.
Vou para minha casa.
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