Carousel
11 Capítulo 10 - Vizinhos
Ethan estacionou seu carro, freando bruscamente em frente ao grande portão do prédio, fazendo os pneus produzirem um ruído agudo ao entrar em atrito com o solo.
Ele desceu do veículo e bateu a porta, correndo para o portão em seguida. Empurrou o grande objeto metálico e ele abriu, fazendo um rangido.
Passou correndo por entre o parque de diversões abandonado, chegando ao prédio em poucos instantes. Não havia ninguém na portaria, então ele apenas subiu os quatro lances de escadas com pressa. Quando chegou ao corredor correto, correu até a porta do apartamento de Charli, ao lado do seu. Bateu três vezes, como sempre fazia. Ninguém atendeu, então ele bateu novamente.
Quando bate pela quarta vez e ninguém atendeu, ele resolveu tentar entrar. Girou a maçaneta e abriu a porta, que, para a sua surpresa, estava destrancada.
Ele entrou no apartamento e se surpreendeu com o que encontrou. Charli não estava lá, mas seu apartamento estava praticamente destruído. O sofá estava rasgado, assim como as coloridas almofadas, cujo conteúdo estava espalhado pelo chão. Os quadros estavam jogados no chão e os que haviam restado na parede estavam rasgados. A TV estava no chão, com os fios ligando à tomada e os cacos de vidro espalhados ao redor dela.
– Charli? – Ele chamou por ela, mas a garota não respondeu.
Ethan caminhou até o quarto e bateu na porta, mas entrou ao não ouvir ninguém do outro lado. O cômodo estava intacto, tudo no lugar e a cama estava com um belo lençol florido cobrindo-a, sem nenhuma dobra ou lugar amassado.
Ele foi até o banheiro e novamente bateu à porta. Depois de repetir o ato por duas vezes e nada acontecer, ele entrou no cômodo, o qual, assim como o quarto, estava arrumado.
Ethan olhou para trás e observou a sala novamente, se perguntava sobre o que havia acontecido ali?
Saiu do apartamento e fechou a porta, iria em direção ao seu, para ver se estava tudo bem ou até mesmo para ver se Charli estava lá, mas parou quando ouviu um rangido atrás de si, seguido pelo barulho de uma corrente caindo no chão.
Olhou para trás e percebeu que a porta do apartamento 203, a alguns metros de onde ele estava, havia sido aberta.
O cadeado e a corrente estavam no chão, bem à frente da porta aberta.
Ele caminhou devagar até lá e olhou o interior do apartamento, estava totalmente escuro, não tinha janelas e se tivessem lâmpadas, estavam desligadas. Não era possível enxergar nada lá dentro.
Ethan se aproximou mais da porta, tentando enxergar o interior do apartamento. Apertou os olhos, mas não enxergou nada, até que viu algo. Uma silhueta alta e magra surgindo da escuridão.
– Você nunca vai sair daqui – Disse uma voz fantasmagórica e cansada.
Quando a pessoa se revelou, Ethan ficou aterrorizado. O homem usava um terno preto e sua cabeça, repleta de cortes e sangue, estava totalmente envolta por arame farpado, deixando apenas sua boca e seus olhos à mostra, dois olhos totalmente brancos e fantasmagóricos.
Ethan correu pelo corredor até o fim, onde ficavam as escadas, e quando olhou para trás, viu que o homem estava o seguindo, andando lentamente. No entanto, não estava sozinho. Havia uma mulher ao lado dele, segurando sua mão, mas ela não tinha nada acima do pescoço além de carne podre rodeada por moscas. Era um corpo sem cabeça e ele só sabia que era uma mulher por conta do vestido rosa que ela usava, coberto de sangue.
Os dois caminhavam devagar pelo corredor, com calma.
Ethan, horrorizado, começou a descer as escadas, olhando para cima. Cada andar que ele descia, conseguia enxergar o casal de fantasmas no andar acima dele. A mão pálida da mulher estava no corrimão, enquanto eles desciam.
Quando chegou ao térreo, o porteiro, Sr. Morris, finalmente estava lá, folheando sua tradicional revista de automóveis.
– Ei filho, para onde está indo? – Perguntou ele, quando Ethan passou correndo pela portaria.
Ethan não respondeu, apenas passou pela porta e correu pela passarela de pedra no meio do parque de diversões até o portão. Quando chegou, parou para respirar um pouco e olhou para trás, na janela de vidro da porta de entrada do prédio, ele viu o casal de fantasmas parado, o homem olhava enquanto a mulher apenas estava virada em direção à ele, já que não tinha olhos e cabeça. O mais perturbador, porém, era o fato de o Sr. Morris, o porteiro, estar parado ao lado dos outros dois, observando-o também.
Ele virou-se e empurrou o portão, mas ele não abriu. Estava trancado com várias correntes e cadeados.
– Merda! – Exclamou Ethan, batendo com força nas grades do portão.
Ele percebeu que havia algumas pessoas na rua, um homem molhando o jardim com uma mangueira azul e uma mulher com seus dois filhos na varanda de sua casa, então gritou.
– Socorro!!! – Gritou ele, mas ninguém o escutou – Me ajudem, por favor!!! – Desta vez escutaram, mas ao invés de correr ficaram apenas olhando para ele, como os outros. A mulher, suas crianças e o homem aguando o jardim.
Olhou ao redor e percebeu algo totalmente aterrorizante. Não eram só o casal e o porteiro que estavam observando-o na porta de entrada, em todas as janelas do prédio havia alguém parado observando-o, até mesmo na do seu quarto.
– Mas o que porra é isso? – Perguntou ele para si mesmo, quando um calafrio percorreu o seu corpo.
Ele se sentia ameaçado e assustado.
Resolveu correr para a lateral do prédio, pensando se talvez pudesse pular o muro, então entrou à sua direita, onde havia a roda gigante, árvores e algumas barracas.
Atravessou todas elas, pisando nas folhas secas, mas quando chegou ao muro, ficou decepcionado.
Era muito alto.
Ethan estava diante do muro de grades que cercava o prédio e o parque, mas não tinha chances de conseguir sair dali, então se preparou para voltar e pular o portão, mas deu de cara com Charli. Estava assustada e pálida como nunca.
– Oh meu deus, que susto! – Exclamou ele – O que está fazendo?
– É uma longa história, nós precisamos nos esconder.
Ela segurou a mão dele e puxou, mas ele soltou-a.
– O que está acontecendo?
– Ethan, confie em mim, você está correndo um grave perigo, precisa vir comigo.
– Quem são aquelas pessoas?
– É justamente sobre isso que eu quero te falar, mas não aqui, vamos.
A mão dela estava estendida no ar, esperando ele segurá-la.
Ethan pensou um pouco, desconfiado.
– Por favor, vamos – Disse ela, com uma expressão de medo naquele rosto angelical que o fazia lembrar Laura.
Ele finalmente segurou a mão fria dela e os dois começaram a correr pelo mesmo caminho pelo qual ele havia passado.
Ethan olhou para cima, quando voltaram ao centro do parque, perto do carrossel, mas não havia mais ninguém nas janelas. Eles caminharam até a porta da frente do prédio, onde também não havia ninguém, e entraram na portaria.
– Para onde estamos indo?
– Para um lugar onde eu vou quando quero pensar.
Fale com o autor