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10 Capítulo 09 - Fuga
– O que você quis dizer com isso? – Perguntou ele – Você os conhece?
– Eu não deveria ter dito isso – Lamentou ela, com as mãos na cabeça – Droga, droga, droga, eu não deveria ter dito isso.
– Por que não, Charli?
– Vá embora – Disse ela, nervosa.
– Charli, quem são eles?
– Vá embora! – Ela gritou e empurrou-o para fora do apartamento.
Antes que a garota fechasse a porta, Ethan segurou.
– Eu quero saber o que está acontecendo.
– Não, você não pode, por favor, me deixe em paz!
Cada um empurrava a porta de um lado, Ethan queria entrar e ela queria que ele ficasse longe. Charli acabou ganhando. Fechou a porta e trancou as seis fechaduras de dentro. Ethan pôde ouvir os cliques.
– Mas que merda! – Exclamou ele, batendo com força na parede do corredor. Ao fazer isso, as luzes começaram a piscar, como havia acontecido antes.
Ele, assustado, recuou, olhando todas as lâmpadas fazendo movimentos, esperava encontrar algum dos espíritos caminhando pelo corredor, mas não havia ninguém, então ele correu para o seu apartamento e trancou a porta.
Olhou ao redor, procurando por alguém, mas felizmente o apartamento estava vazio. Ele correu para o quarto, pegou uma mochila no guarda-roupa e começou a colocar suas roupas. Não aguentava mais ficar naquele lugar, iria passar algum tempo na casa de seus pais.
Com as mochilas nas costas, ele saiu do quarto, pegou a chave do carro pendurada em um prego acima da TV e saiu.
Depois de descer as escadas e cruzar o pequeno saguão, ele caminhou pelo parque de diversões abandonado, sempre olhando para trás, desconfiado. O grande portão enferrujado estava aberto, como sempre, então ele apenas saiu, com passos apressados, caminhando até o seu carro.
***
Minutos depois, estacionou seu carro em frente à casa de seus pais.
Saiu do veículo, trancou-o e caminhou até pequeno portão branco, que estava entreaberto. Parou, pensando se aquilo era o certo a se fazer. Decidiu que era e então foi até a porta. Tocou a campainha e segundos depois sua mãe abriu a porta.
– Oi mãe – Disse ele, abrindo os braços – Estou de volta.
– Oh meu deus, Ethan! – Ela exclamou, abrindo um grande sorriso e abraçando-o – Que surpresa boa... Vamos entre.
Os dois entraram na sala de estar, onde não havia ninguém.
– Frank, venha ver que está aqui! – Gritou ela, no início da escada. Em seguida, voltou a falar com Ethan – Você vai ficar desta vez?
– Vou – Ele sorriu, fazendo-a sorrir também.
– Seu antigo quarto ainda está vago...
Neste momento, Frank desceu as escadas apressado.
– Ethan! – Exclamou ele, correndo para abraçar o irmão, que o segurou nos braços.
– E aí?
– Você vai dormir aqui hoje?
– Eu vou sim, vou passar um tempo aqui.
Frank soltou um “oba” e voltou ao chão.
– Seu pai está lá em cima, vou chamá-lo – Disse a mãe.
– Ok.
Ela subiu as escadas.
– Quer ver a nossa casa na árvore? – Perguntou o irmão pequeno.
– Casa na árvore? Parece legal.
– Vamos!
Frank segurou na mão de Ethan e o levou até o quintal, onde, do lado direito, havia uma grande piscina, e do lado direito, uma árvore de tronco grosso. Em cima, mais ou menos no meio do caule, havia a casa da árvore da qual seu irmão havia falado. Estava quase completa, exceto pelo telhado.
– Eu quero mostrar a parte de dentro, mas ainda não está pronta, eu e o papai estamos trabalhando nela há um tempão.
– É linda – Disse Ethan – Sabe, meu sonho era ter uma dessa quando criança, mas o papai nunca teve tempo, que bom que agora ele tem.
Neste momento, ele sentiu uma mão tocar seu ombro.
– É, eu resolvi relaxar um pouco, diminuir o trabalho – Disse o pai, que estava bem atrás dele. A mãe estava ao lado dele.
– Pai! – Exclamou Ethan, abraçando-o.
– É muito bom tê-lo aqui, filho.
– Me desculpe pela forma que eu agi no começo, eu estava errado e me arrependi amargamente de me mudar para aquele lugar asqueroso.
– Ainda bem que você percebeu isso – Falou a mãe.
– Então, o que achou da casa? – Perguntou o pai, apontando para a casa da árvore.
– É magnífica.
– Nós ainda não terminamos, mas do jeito que esse garotinho trabalha – Ele apontou para Frank, que deu um sorriso sapeca – Vai ser bem rápido.
– Eu vou terminar de fazer o almoço, chamo vocês em alguns minutos.
A mãe entrou, voltando para a cozinha, enquanto os três homens da casa ficaram no quintal.
– Quer uma cerveja? – Perguntou o pai.
– Demorou pra perguntar, hein, é claro que eu quero – Brincou Ethan.
– Eu posso tomar também? – Questionou Frank.
– Um pouquinho, mas não conte pra sua mãe.
***
À noite, Ethan estava deitado na sua antiga cama, no seu antigo quarto, sem conseguir dormir. Não conseguia parar de pensar no que Charli havia lhe dito. Fique longe. Ele sabia que deveria ficar longe, e não era isso que o incomodava, mas sim ela saber de alguma coisa. O fato de ela ter dito aquilo mostrava que ela não só sabia da existência daqueles fenômenos, como também conhecia algo mais. E não era nada agradável.
Ele precisava descobrir.
Fechou os olhos, para tentar dormir, mas um barulho o acordou. Um prato caindo no chão talvez, ou um copo. Algo de vidro, provavelmente.
As luzes do corredor estavam acesas, então ele pôde ver quando um par de pés parou em frente à porta do seu quarto. Tinha alguém ali.
O dono dos dois pés ficou parado por algum tempo em frente à porta, até que resolveu bater. Três batidas.
Ethan não foi abrir, se fossem seus pais, ele diria depois que estava dormindo.
Mas não eram seus pais, se fossem, já teriam anunciado, mas ao invés disso, a pessoa ficou apenas batendo na porta.
– Ethan – Disse uma voz fina do outro lado. A voz do seu irmão, Frank.
– Oh meu deus – Disse ele, aliviado, levantando-se da cama para abrir a porta.
Quando a abriu, Frank estava parado do outro lado, esfregando os olhos.
– O que foi amigão? – Perguntou o irmão mais velho.
– Você tem uma namorada nova?
– Não tenho não, por que você perguntou?
– Seu mentiroso – Disse ele, com uma voz sonolenta.
– Por que você acha que eu estou mentindo?
– Porque eu a vi.
– Como assim? – Ele ficou assustado.
– Você pode pedir pra sua namorada parar de andar pela casa? Ela não me deixa dormir.
– O que você disse? – Ethan sentiu um calafrio percorrendo seu corpo.
– Ela está me assustando, mande-a parar de andar por aí.
– Frank, tem certeza de que você não era a mamãe?
– Tenho... Ela estava no meu quarto, conversou comigo e até elogiou meus brinquedos.
– Oh meu deus.
– O que foi?
– Nada, só fique aqui comigo, tá bom?
– Por quê?
– Eu não tenho namorada.
– Então quem é ela? É sua amiga?
– Não, eu não sei quem é ela, Frank.
Os dois entraram no quarto e Ethan trancou a porta. Poderia ter sido apenas um sonho de seu irmão, uma ilusão, mas ele já havia passado por muita coisa estranha para acreditar que era apenas um sonho.
Ele estava preocupado. Não havia dado certo, eles haviam o seguido até a casa de seus pais. Precisava acabar com aquilo de uma vez por todas, tinha que fazer Charli falar.
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