Caro Naruto
2 Caro Naruto Parte 2
Caro Naruto,
Eu beijei nosso sensei, agora ele me ignora e eu quero mais.
Largou a caneta, batendo a cabeça no tampo de madeira da escrivaninha. Fazia exatas duas semanas que tinham voltado da missão. Há duas semanas teve aquele sonho, há duas semanas sentiu o rosto dele pedacinho por pedacinho, há duas semanas teve um beijo roubado, trocado, vendado, o que for, e há duas semanas que Kakashi parecia ter descoberto um novo hobbie: não demonstrar interesse por tudo que ela falava ou fazia.
A situação já estava tão insuportável para ela que tinha parado de ir a casa dele, pois das últimas vezes que o fez, sua presença aparentava ser tão incômoda que ela se sentiu mal e desistiu de voltar. O que acreditava não ter feito diferença, ele não a questionou sobre ou retribuiu. Não treinava mais com ela, não a cumprimentava na rua. Isso era estranho, desconcertante e frustrante.
Ainda mais frustrante porque essa onda de seja-lá-o-que que desprendeu dele surgiu na mesma época que o ímpeto de Sakura em querer ficar perto, quase colada. Todas as vezes em que se encontraram ela desejou que ele a tocasse outra vez, tocasse qualquer parte dela, até um abraço estava valendo. Mas nada acontecia e ela se sentia perdida e embaraçada por desejar tais coisas.
Quando sentaram juntos no sofá ela procurou furtivamente pela mão dele, porém quando seu dedo mindinho encostou ao dele, Kakashi sentiu uma vontade louca de massagear os ombros. Laranjas estavam banidas de sua vida por não conseguir mais comê-las sem pensar em lábios sendo chupados.
Sakura tinha contado a Ino sua atual situação e se arrependido, pois a Yamanaka tinha se mostrado absurdamente mais interessada na Sakura vendada e beijada, do que na Sakura surtada e abandonada a sua frente. Perdia horas com os delírios da garota, teorias e questionamentos. Ino estava rodando Konoha atrás de todas as peguetes para descobrir se ele vendava todas com quem ficava.
Ela, por outro lado, nem cogitava isso porque se fosse o estranho fetiche de seu ex-sensei já teria sido espalhado pela Vila, mas Ino devotava seus dias em teorias eróticas e mirabolantes que nada ajudavam e ainda dizia que era possível porque mesmo não tendo provas, ninguém nunca falou sobre o rosto dele também.
Sua única e plausível dica foi que se ela o queria mesmo, tinha que correr atrás, colocá-lo contra a parede e perguntar de uma vez porque tinha dado aquele amasso louco e resolvido brincar de "ignorar a Sakura". Ela sabia o porquê do amasso, era a aposta, ela perdeu, ela pagou... mas ele tinha mudado e parecia ter tanta coisa que... Arf...
O queria mesmo? Estava certa? Ou só desejava o que não podia ter? O que era até conveniente. No entanto o que realmente martelava em sua cabeça era se o colocasse contra a parede e não gostasse da resposta, como proceder depois disso?
— Que pergunta mais estúpida. Vai parar de viver se Kakashi te der uma resposta atravessada?
Não. Não pararia de viver. Apenas perderia mais um e só pensar nisso já era doloroso, imagine se acontecesse...
Era tanta coisa passando pela cabeça de Sakura que tinha até mesmo voltado à velha e péssima tática de falar com espelho. Pensou que se treinasse seus desejos interiores aflorariam, mas só o que a aflorava era vergonha e uma vontade louca de vê-lo, não para falar, não queria conversar nada com Kakashi, queria tocá-lo, só isso. Queria estar com ele mesmo em silêncio, só estar.
Então, decidida a não perder mais ninguém e recuperar o que tinha, Sakura resolveu pôr um plano muito louco em prática. Acordou bem cedo no seu dia de folga e se encaminhou para a rua onde ficava o apartamento de Kakashi, escondendo-se no jardim do prédio em frente ao dele, esperando que aparecesse. Assim que ele saiu, aguardou até que ele estivesse no centro da Vila para segui-lo. Tinha ido treinar, provavelmente não voltava tão cedo. Tendo isso em mente retrocedeu, invadindo o apartamento outra vez e deixando um enigmático bilhete sobre o travesseiro do sensei.
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"Quando as aulas começaram aquela manhã, a turma foi pega de surpresa por um novo professor. Coisa rara, tendo em vista que o semestre já tinha começado e a grade educacional nunca mudava."
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Kakashi revirou o bilhete entre seus dedos, não tinha remetente, nem nada mais do que aquela frase e as duas palavras grifadas. Seu primeiro pensamento foi Sakura, ela o tinha seguido desde o centro até a zona de treinamento, mas ele conhecia a grafia de sua aluna e não era aquela.
Pôs-se a procurar pela casa o resto da pequena história, mas parecia que só tinha aquele bilhete mesmo. Dormiu com a história e a invasora em mente. No dia seguinte saiu de casa no mesmo horário, seguindo o seu ritmo costumeiro, mas ao chegar à zona de treinamento, esperou por alguns minutos e se teleportou para o apartamento. Esperou durante duas horas e nada aconteceu, nenhum sinal de Sakura ou outra pessoa.
Depois disso seguiu sua aluna, mas não tinha nenhuma mudança aparente em sua rotina, ela não passou pela rua dele ou perto e não fez nada de anormal a seu ver. Vê-la causou um ligeiro e desconfortável incomodo, mas estavam melhores assim.
Dormia e acordava todos os dias com aquela frase em mente.
— Parece distraído. — Fitou Iruka ao seu lado no bar, sem desviar o olhar do trabalho que fazia desde que chegara. — Alguma garota?
Há quatro dias, sim. Estava desatento por causa de certa garota de cabelos rosas e agora sua mente estava focada demais nessa brincadeira que tinha até deixado Sakura e seu dilema de lado por um tempo.
— Não, só um jogo que está me perturbando. O que está fazendo?
— Montando minha grade de aulas e... — Kakashi não ouvia mais, tinha puxado do bolso o bilhete que carregava para cima e para baixo durante esses dias, lendo com atenção, os dizeres e fixando-se nas palavras grifadas.
"Grade educacional"
Um sorrisinho surgiu em seus lábios, mas ninguém podia ver. Uma invasão além da casa dele. Tsc. Que ela não tomasse gosto por esses pequenos delitos. Enfiou o papel no bolso, erguendo-se do banco.
— Konohamaru anda pior que o Naruto...
— Imagino! Bem, boa sorte com sua grade e seus alunos. — Despediu-se com um aceno, saindo às pressas do estabelecimento, tomando o caminho da academia ninja.
A última vez que entrou naquele prédio foi para conhecer seu time de gennins e desde então não passava nem mesmo pela porta. O local estava silencioso e totalmente fechado, mas não teve dificuldade em invadi-lo. Seguiu o corredor ladeado por salas de aula, entre uma e outra tinha um mural, passou o olho por ele em busca de uma grade de aulas ou matéria e nada, só avisos variados.
Olhou a cantina, o pátio, o ginásio, a diretoria e por último a sala dos professores e finalmente no mural dessa sala estava uma nota em destaque chamada “grade educacional", estava preso com quatro tachas em cada ponta, soltou as debaixo erguendo o papel fixado, encontrando um segundo bilhete com a mesma grafia do que achou em seu quarto.
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Não conseguia se concentrar, pensar ou estudar direito. Nas aulas sua atenção era só para ele, o cabelo, o rosto, o sorriso poucas vezes vislumbrado. Tanta desatenção teve resultado, pela primeira vez seu nome estava na lista dos alunos para aula de reforço em História, todo sábado na biblioteca.
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No sábado Kakashi foi o primeiro a entrar na biblioteca. Na verdade quando o pobre bibliotecário chegou, ele já estava lá esperando o lugar abrir, porque assim não daria a Sakura chances de escapar. Sim, Sakura, tinha certeza que era ela, seu apartamento invadido, a academia invadida. Tão típico, tão ela.
E a biblioteca, via uma ligeira sagacidade de sua aluna, uma piada interna talvez. Tudo tinha recomeçado com um livro; por que não marcar um encontro na casa de toda história? Essa pequena incursão imposta por ela, fazia com que todas as suas próprias dúvidas se tornassem corriqueiras, menores, perdiam a importância perante o prêmio final e a saudade palpitava.
Não a aguardou em frente à porta, pois sabia que ela desconfiaria, então escondeu-se em um dos corredores que lhe dava uma visão privilegiada da entrada, porém mantinha-o longe da vista de quem chegava. As horas foram passando, a manhã virou tarde, a tarde virou quase noite e Sakura não apareceu. Puxou o segundo bilhete com impaciente.
Dessa vez não foram os dizeres grifados que o traíram, mas a frase anterior "reforço de História". Fitou o corredor que estava, uma placa sacudia bem no início informando que aquela era a ala de ficção. Atravessou-o procurando pelo corredor de fatos históricos, encontrando-o bem ao fundo, logo depois da parte medicinal. E como se a charada clareasse perante seus olhos, procurou nas instantes o livro da história de Konoha, mas antigo e surrado que tivesse naquele lugar.
Encontrou-o na última fileira, capa dura gasta, o título em sua lateral quase apagado. Colado à contracapa do encadernado envelhecido estava o terceiro bilhete:
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Já não conseguia mais esconder como se sentia e pela forma como ele a olhava parecia ter percebido, mas ainda assim na última aula de reforço, escreveu no verso da prova: Quero você; e torceu para que seu desejo fosse realizado.
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Não esperou por Sakura, por dia ou por hora, assim que leu, correu da biblioteca para o templo da Vila. Sua garganta seca, templo; miko; última; Quero você; cruzou os grandes arcos de mármore rindo de sua própria tolice. Como poderia ele ter feito tão pouco dela? Ter achado que não pensava direito... ou que não queria, ou que se deixou levar. Não. Quando foi que Sakura fez ou se permitiu algo que não quisesse? Como nunca antes, sentiu-se um velho tolo, mais velho do que era, mais idiota do que foi em qualquer outro momento.
Parou em frente ao último sino e rodeou o poço, não tinha nada colado. Abaixou a cabeça e fitou o interior, no canto esquerdo uma tarja branca se destacava no amarelo ouro, puxou o bilhete:
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A falta de resposta a cortou, a magoou, esperava que ao menos um não ou uma explicação ele se dignaria a lhe dar, mas nada aconteceu.
— Professor, quando vamos saber a nota do reforço? — Riscou com força todas as vezes que tinha escrito o nome dele em seu caderno.
— Bem, quem corrige as provas não sou eu, é a diretora. E só posso passar as notas quando ela me entregar.
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Franziu o cenho virando o corpo em direção a academia, refletindo se alguém já tinha comentado com ele sobre a direção do lugar, ao erguer a cabeça no topo da escada avistou pairando sobre a Vila o monte dos Hokages e a visão quase o fez gargalhou, passando a mão na testa. Ousada, ousada demais. A última avalição dos gennins é feita perante o Hokage. Ela estava, ou melhor, a planta dela estava com o seu quinto bilhete. Só queria saber que maldita planta era essa.
Poderia, muito bem, acabar com aquilo e partir para casa dela agora em busca de uma resposta sensata para aquela brincadeira, mas sua mente dizia que aquele era o jeito errado, tinha um 'q' a mais naquela historinha toda e não se sentiria bem indo, sem ter terminado, sem ter matado sua charada.
— Kakashi? O que faz aqui? — Tsunade retorquiu de sua mesa, tentando esconder o copo de saquê, a entrada dele foi tão abrupta que com toda a certeza a viu beber em hora de trabalho. Mas ele não ligava, estava mais preocupados com os três vasos de planta que tinha na sala, além de um quadro que ele pareceu tomar consciência pela primeira vez. O que era aquilo? A planta do edifício?
— Nada demais, queria saber se o Jiraya lhe mandou alguma notícia. — Passou a mão pelo que se encontrava a porta, nada. Estava desconfiando do quadro, mas seria tão dificil mexer nele que preferiu continuar a observar os vasos.
— Aquele patife... Eu pedi por noticiais semanais já que ele está com o garoto, mas ele mal me manda uma vez ao mês e estou a quase três — ergueu os dedos nervosamente no ar, batendo a mão com força no tampo da mesa — sem saber o que andam fazendo.
Tinha uma em cima da mesa também, mas não precisou checa-la, pois ao se aproximar pode ver o papel fincado na planta as costas de Tsunade, próxima a janela.
— Poderia mandar Katsuyu atrás dele — Fingiu fitar a Vila pela grande janela esperando a mulher desviar o olhar para agachar-se e pegar o papel.
— Pretendo fazer isso, mas só em último caso.
— Entendo.
— Tsunade-sama! — A porta foi aberta e ambos se viraram para uma atribulada Shizune. — Ó! Kakashi?! Não sabia...
— Não se preocupe Shizune, eu já estou de partida. Até! — e sumiu em uma nuvem de fumaça.
— O que foi isso? O que ele queria? — Tsunade abriu a gaveta retirando sua garrafa de saquê.
— Pegar o bilhete que Sakura enfiou na minha planta. — A Hokage deu uma risada dando uma longa golada em sua bebida enquanto o semblante de sua assistente ficava ainda mais confuso. — Era só ter avisado, Sakura também. Dois idiotas, realmente acreditam que não vi. — E girou sua cadeira para janela fitando o Sol se pôr no horizonte, perguntando-se o que esses dois estavam aprontando.
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— Como pôde fazer uma coisa dessas? Tem noção da situação que nos envolveu? — Queria dizer que sim, mas ela bem não tinha, não tinha avaliado nada.
Levou uma mecha de cabelo para trás da orelha, aproximando-se de seu professor que mantinha o olhar atento às luzes da escola.
— Eu só queria estar com você. — Ele se virou fitando os olhos claros tão próximos, um beijo casto foi depositado em seus lábios. — Estarei esperando você retribuir. — E saiu, deixando-o só com suas perturbações.
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Aquela foi tão fácil de deduzir que ele não precisou ler uma segunda vez para entender, sabia qual era seu destino, mas sua incursão ficaria para noite, pois agora ele também precisava pegar algo.
Afundou-se na cadeira, depois de preencher o quinto formulário que Tsunade tinha lhe passado. Estalou as costas, pegando o livro sobre venenos e antídotos, preparando-se para seu sexto trabalho. As vezes se perguntava se sua shishou tinha noção do quanto de coisa que cobrava dela, quase desumano...
— Desistiu das estrelas? — Ao ouvi-lo, sorriu, largando o livro que lia e virando-se para a janela de seu quarto. Estava sentando, no parapeito da janela observando seu céu que hora era todo negro, sem brilho.
— Pensei que seria melhor pintar de outra cor. — Kakashi sacudiu a cabeça em compreensão e o coração de Sakura parecia querer saltar para fora de seu peito.
— Uma pena, eu tinha ideias — estendeu um pedaço de papel que trazia em suas mãos, — para o seu céu estrelado. — Largou-o sobre a quinta carta que começou a escrever para Naruto. Sakura torceu internamente que a frase inicial daquela não falasse sobre ele, ou sua vergonha seria ainda maior.
Levantou, caminhando para o centro do quarto, puxou a camisa que vestia, brincando com zíper do centro da peça. Enquanto ele desencostava do batente e entrava de vez no aposento.
— Bem, devo dizer que achei você fosse aparecer a alguns dias atrás. — Kakashi inclinou a cabeça, encolhendo os ombros e pondo as mãos no bolso.
— Demorei um pouco para entender o ritmo da coisa. — Umedeceu os lábios, a ansiedade crescendo.
— Mas e então... — Kakashi pôs fim ao espaço que havia entre eles, parando em frente ao corpo diminuto de sua aluna. Parecia prestes a dizer, mas então recuou. Sakura mordeu o lábio inferior, segurando-o pelo braço. — Kakashi...
— Sakura, você sabe que é...
— Ultimamente você vive me lembrando que eu fui sua aluna, indiretamente que já sou crescida. — E era verdade, aquela tinha se tornado sua frase favorita. Seu dedo tocou os papéis ainda em seu bolso.
— O que houve com eles? — O cenho dela se franziu, sem compreender o que ele queria dizer. — O casal da história...
— Ah, bem, — Sakura se afastou, fitando-o com atenção, pegou a sua bandana que estava sobre o travesseiro, colocou-a em frente aos olhos, tapando sua visão, dando um nó apertado na parte de trás da cabeça. — Responda-me você como acha que eles ficaram e se ele retribuiu ou não a ela.
O silêncio perdurou entre eles, o coração de Sakura a galope no peito, já acreditando que àquela altura ele teria ido embora. No entanto, sem esperar, mãos enluvadas a puxaram, a máscara não estava mais ali. Sem reservas, ele a beijou, roubando-lhe todo o fôlego e o ar de seus pulmões.
Sakura o segurou pelos ombros, as mãos dele passeavam pelo seu corpo esguio. Levou uma das mãos a nuca, puxando a cabeça de Kakashi contra seu rosto, entreabrindo seus lábios e beijando-o com ainda mais fervor.
Caíram sobre a cama dela, os corpos engalfinhados, os lábios unidos e os suspiros eloquentes. Parte de sua blusa já tinha sido erguida e seu seio esquerdo estava preso entre os dedos grossos, arfou, remexendo-se embaixo daquele homem, regozijando-se com aquela massagem.
— Sakura! Venha comer, a janta está pronta! — Foi impossível não rir, até mesmo Kakashi tinha dado uma risada, a respiração dele acariciando sua bochecha.
— Talvez esteja na hora de você morar sozinha.
Talvez esteja...
(...)
Caro Naruto,
Queria que estivesse aqui, visitei o meu primeiro apartamento. Acha estranho alguém de quase 17 anos querer morar sozinha? Mais privacidade, sabe? Poderei ter aulas particulares com Kakashi-sensei.
Os dias foram passando e as coisas se encaminharam sozinhas para a alegria de todos. Logo após o momento em seu quarto, Sakura não o procurou, estava envergonhada, não apareceu para o treino, mas isso não foi empecilho. Kakashi resolveu que não estava bem e fez uma pequena aparição no Hospital, uma intensiva no armário de remédios que ele melhorou e a vergonha dela passou.
Quando treinavam tudo parecia ter uma segunda conotação: um golpe parecia conveniente para que se chocassem ou se tocassem e, às vezes pensava isso como uma investida ou outra pensava em querer beijá-lo. Às vezes tomavam banho no lago que ficava em uma das zonas de treinamento, também.
O sofá do apartamento já estava quase batizado e Sakura chegava a sentir falta de Kakashi lendo Icha Icha. Às vezes, nem sempre, quase nunca. No entanto, havia um porém em todos esses momentos que eles foram passando nos últimos dias, sempre tinha que ter um porém. Parecia existir um limite pré-estabelecido (não por ela) e eles nunca, de forma alguma, ultrapassavam essa marca silenciosa que pairava sobre sua cabeça, ou melhor, sobre os seus shorts ou sobre qualquer peça de roupa dela.
Suspirou, mais uma rodada de amassos tinha chegado ao fim. Kakashi tinha feito isso ao se levantar, retirou a venda que cobria os olhos e se sentando no sofá. A venda era outra peça chave, queria perguntar se poderia parar de usá-la, mas tinha quase certeza que quebraria algum código ainda vigente entre eles.
Depois do que aconteceu na "missão" e na casa dela, tinha tomado para si a incumbência de se vendar sempre que notava que as coisas poderiam vir a ficar intensas, ele poderia não querer fazer e acabar criando algum tipo de mal-estar entre eles. Fitou a bandana em suas mãos, era uma concessão que ela fazia. Kakashi tinha suas bizarrices e ela não se importava, até aceitava, apesar de não terem nada. Parou, fitando-o enquanto preparava chá. Eles não tinham nada.
Essa pequena percepção a incomodou, remexeu-se no sofá como se essa desagradável sensação pudesse se desfazer com a troca de posição. Focou sua mente no outro tópico, abafando essa realidade. O fato é que ela permitia ser vendada por causa dele, então nada mais justo que ele também permitisse que ela fizesse uso de todo aquele corpo.
Não tinha dito que ele tinha sido a primeira pessoa a beijá-la e, consequentemente, a primeira pessoa com quem foi um pouco além. Agora ela queria que ele soubesse que deveria continuar porque ela achava isso totalmente certo, longe de equívocos.
— Está quente! — Sakura pegou a caneca que lhe foi oferecida, sentido o cheiro de jasmim subir pelo vapor, assoprou, dando uma pequena golada. Observava-o de soslaio. Kakashi tomava sua bebida tranquilamente, lendo o jornal de Konoha sem saber que tipo de maquinações passava pela cabeça de Sakura.
— Preciso ir ao banheiro! — Falou em um fôlego só, levantando no mesmo ritmo e correndo para porta no final do corredor. Respirou fundo, fitando com voracidade o seu próprio reflexo. — Não seja covarde. — Assentiu e com um puxão rápido se livrou do short e da calcinha que usava por baixo da saia.
Voltou para a sala com a palma das mãos coçando de ansiedade. Largou-se em seu assento, girando o corpo em direção ao seu sensei, tocando sem cerimônias o membro dele. Sua nuca pinicava, seu pescoço estava em chamas, suas bochechas estavam um pouco inchadas pelo ar que prendia, os lábios esbranquiçados pela pressão que exercia para mantê-los unidos, mas o olhar de era convicto e obstinado. Kakashi fitou da mão a garota, das bochechas infladas, o semi-bico ao olhar fez. Tomou um gole do chá, erguendo sua sobrancelha visível em questionamento.
— Eu tomei uma decisão.
— E essa decisão seria tocar o meu pau? — O ar de riso não passou despercebido, mas a resposta direta a desconcertou, tirando-a de sua linha de pensamento. A primeira coisa que pensou em dizer foi não, mas a resposta certa era sim, porque a mão dela estava ali e era aquilo que reivindicava. Empertigou-se, erguendo o queixo.
— E se for? Proibir-me-ia de tocá-lo?
— Não.
Soltou o ar que prendia em seus pulmões, porém não pestanejou. Perante aquele consentimento deslizou a mão pela calça, seus dedos passando para baixo, apertou o volume proeminente deslizando a palma de sua mão pela parte alongada. Não esperava por aquela reação e o contato o sobressaltou, por pouco não derramou a bebida quente no colo. Segurou a mão de Sakura, mas com agilidade ela sentou em seu colo enfiando a outra mão por dentro da calça.
— Eu não estou brincando. — Suas palavras foram um sussurro.
— Sakura...
Puxou-o para fora, sua mão deslizando suavemente pelo membro rijo, Kakashi arfou afundando seus dedos no braço dela, Sakura inclinou para frente, sua boca próxima à boca coberta dela.
— Se não consegue entender o que eu quero, eu mostrarei. — Colou sua boca dele, beijando-o sem se importar com o tecido, enquanto seus dedos continuavam a trabalhar no falo, subindo e descendo cada vez mais rápido. Kakashi agarrou-a pelas nádegas, puxando-a de encontro à pulsação crescente, surpreendendo-se com a falta de impedimento. Suas partes se roçaram e Sakura gemeu contra sua boca, arfando contra o tecido, remexendo os quadris desejosa, quente, excitada. O som da respiração pesada dela ecoando por todo o apartamento.
— Não!
A empurrou contra toda a sua vontade, contra seu desejo. Sua consciência jogou-a para trás, Sakura precisou se segurar nele para que não caísse no chão. Estupefata como estava, ergueu-se, enquanto Kakashi levava as mãos à cabeça bagunçando os cabelos.
— Eu não estou entendendo qual é o problema. É comigo? — Ele deu uma risada, fitando-a parada com um ar magoado.
— É sério que está perguntando isso? — Ele fez um movimento sutil para parte ainda exposta de seu corpo. — A questão não é o quanto eu desejo você, porque eu desejo. É que não deveria ser eu.
— Eu não me importo. — Kakashi se ajeitou erguendo-se do sofá e se afastando de qualquer possível insistência vinda dela.
— Você é nova.
— Há uns três meses você vem me lembrando de que não é meu sensei, que sou adulta e que deveria morar sozinha, mas agora eu sou nova.
— Sim! Para isso, sim! — Grunhiu, segurando a vontade louca que a invadia de querer socá-lo por dizer aquelas coisas.
Com sua raiva a pico, saiu do apartamento batendo a porta com força para deixar claro sua indignação. Tinha consciência de que era nova, mas ele não era velho e ela não era nova propriamente dizendo nova. Qual era o problema? Segundo as leis ninjas poderia morar sozinha, se sustentar, ser tratada como adulta. Por que precisava lembrar a idade dela só por querer fazer algumas coisas com ele?
Bufou, fitando o final da escada. Desceu os últimos degraus com demasiada lentidão e ao chegar frente à porta, parou, fitando os próprios pés, notando pela primeira vez que faltava algo muito importante em sua roupa. Ela ainda estava sem short por baixo da saia e principalmente sem calcinha.
Subiu as escadas correndo, segurando a saia para que não voasse e alguém acabasse vendo o que não devia. Nunca tinha subindo aquele lance de escada tão rápido e, ao chegar ao sétimo andar, correu para o apartamento sem bater na porta abrindo-a de uma vez.
— Kakashi, eu...
Sua voz e seu coração engasgaram antes de avistá-lo e informar o porquê do retorno. No meio da sala estava ela: a mulher do bar, a mulher do festival, a mulher íntima. Permaneceu parada na porta com a boca aberta.
— Sua aluninha acabou de invadir o apartamento. Ousada, não? — Fechou o punho com uma dúbia e perturbadora vontade de socá-la.
Como podia aquela mulher estar ali quando ela tinha acabado de sair? Um bolo se formou em sua garganta. Não sabia nem o que responder ao insulto diminutivo que mal foi ouvido, só conseguia fitá-la acomodada no lugar onde há minutos (literalmente minutos!) tinha acabado de dar um amasso frenético.
O som de algo caindo e passos atropelados ecoou e logo Kakashi surgiu tapando a mulher e o sofá, ainda estava sem o colete, com a calça de moletom e a blusa velha. Tão confortável na presença dela quanto esteve na de Sakura. Balançou os ombros, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
— Desculpa, eu não... eu... — Sorriu, balançando a cabeça e voltando pela porta que mal tinha cruzado.
— Sakura. — Cada vez que ele dizia seu nome, uma nova pancada. Algo ruía, não se voltou e desceu os primeiros degraus. — Sakura. — Aquilo não deveria ser normal, não deveria sentir nada, porque não era nada. Eles não tinham nada, ela havia chego nessa conclusão. — Sakura! — Seus olhos marejaram quando teve o braço puxado abruptamente, mas não chorou, apenas desviou o olhar focando-se no corrimão de madeira desgastada. — Ela é minha vizinha. — Mordeu o lábio inferior, segurando a vontade de falar tudo que estava pensando.
— Não me importo! Não me interessa. — Remexeu-se tentando em vão se soltar do aperto, mas os dedos dele se mantinham fincado em sua pele.
— Não está ou aconteceu...
— Não? Tem certeza que não? Essa não é a primeira vez que eu os vejo juntos. — O aperto afrouxou e ela conseguiu soltar um dos braços. — Eu os vi em um bar e você sumiu junto com ela. Vai negar que não... que nunca...
— Sakura, só não é isso...
— Você não precisa me explicar, você não me deve nada. Não somos nada, eu tenho consciência disso. — A expressão dele endureceu, mas ela não conseguia parar de falar. — Agora até faz sentido, você só estava se divertindo com a idiota aqui, porque é um maldito pervertido que fica lendo aquelas porcarias de livros. — Deu uma risada desdenhosa. — Pode ficar com ela, sendo mais velha e experiente que a sua aluninha aqui, farei o mesmo. Manter as idades equiparadas deve ser bom.
— Você não é minha aluninha. — A voz dele era grave, enfiou a mão no bolso da calça e tirou de lá o short dela, empurrando-o para o peito de Sakura, voltando a subir as escadas e a deixando ali, parada no meio do caminho e com um gosto amargo na boca.
(...)
Caro Naruto,
Dessa vez a impressão que eu tenho é que eu não estou apenas só, estou vazia também. Já senti isso antes e como é difícil suportar essa dor. O pior é saber que dessa vez a culpa por estar assim é toda minha.
Sua cabeça parecia uma fábrica pervertidamente pecaminosa e, daquele dia em diante, ela se via pensando constantemente, e imaginando ele com a vizinha: o que eles faziam, quando se encontravam e como se encontravam. Tudo preenchido com erotismo, corroía-se de culpa e ciúmes.
Às vezes antes de dormir se pegava pensando no chalé, nos beijos finais, nas caricias sutis e morria um pouquinho com tais pensamentos, porque a saudade estava doendo de novo.
— E aí? Nada de nada?
— Nadica de nada. — Ino largou o crepe que tinha em mãos para fitar a amiga que tentava parecer normal, mas para ela era perceptível o desânimo e a apatia no semblante cansado. — Você fez o que eu disse? — Encolheu os ombros, enrolando a ponta de uma mecha de cabelo entre os dedos.
— Ele não respondeu aquela carta, — sua voz sai em um sussurro, mas a amiga e se empertigava com aquele assunto. — hum, eloquente... que fiz pedindo desculpas. E pela falta de resposta, achei que... — certificou-se de não se virar para a Yamanaka ao proferir a frase final — não tinha cabimento eu procurá-lo.
— Por favor, você tinha que ter ido! Aquela sua cartinha que não tem cabimento. — Cruzou os braços, não voltaria a discutir sobre suas intenções, era uma causa perdida.
— E as desculpas que ele me deve? A explicação sobre aquela mulher? — Ino suspirou, revirando os olhos. Como podia sua amiga ser tão esperta e tão obtusa ao mesmo tempo?
— Ele tentou, mas você não permitiu que falasse. Ou se esqueceu de seu maravilhoso discurso de ego machucado?
— Ino! Como ia se sentir voltando a casa de alguém que você gos... — refreou as palavras, já era tarde para fingir que não diria aquilo, mas mesmo assim manteve sua postura firme. Ao menos a expressão severa da Yamanaka suavizou perante aquela semideclaração. — acabou de sair e já tem uma mulher lá, esparramada...
— Ela estava sentada...
— Como uma rainha! A dona da casa! A-dona-do-dono-da-casa. — Ino não revidou, suspirou, puxando Sakura pela manga do braço.
— 'Tá, tá, é péssimo eu imagino, mas ainda acho que ficar se matando de trabalhar e treinar não vai mudar nada. — Não respondeu. Sua rotina tinha mantido sua sanidade e os pensamentos impróprios bem distantes. — Deveria ficar comigo aqui, ao menos hoje, curtir um pouco, testuda. Nem sei mais quanto tempo faz que não temos um tempo só nosso. — Entortou a boca de um lado para o outro.
Toda a Vila estava enfeitada com bandeirolas, balões, guirlandas, lanternas de papel e tudo o mais, preparada para o Festival das Flores. A avenida principal era a mais animada, cheia de barracas com comidas, lembranças, jogos, crianças correndo de uma ponta a outra.
O Templo brilhava no monte alto, também ornamentado e na praça central de Konoha um palanque tinha sido montado para a cerimônia e o pequeno show que ocorreria em homenagem ao início da Primavera. A beleza do evento era estonteante e em geral ela costumava participar daquele tipo de festividade, no entanto agora só conseguia se imaginar estragando o clima e a festa de quem estava no clima.
— Acabei de sair de um plantão, quero somente a minha cama. Quem sabe amanhã, — emendou depressa ao ver a expressão de Ino se zangar — hoje é só abertura! Vamos ter três dias ainda, calma.
— Amanhã você vai passear por todas as barracas, fazer o que eu quiser fazer, ir no tempo e acompanhar o show e tudo mais que ocorrer? — Fez uma careta pela proposta, mas que seja. Amanhã procurava um meio de fugir. O que importava era conseguir fugir agora. Concordou com um aceno de cabeça. — Tudo bem, eu deixo você ir então, se... comer alguma coisa comigo. — Revirou os olhos.
— 'Tá, mas eu escolho! — Agora foi a vez de Ino de demonstrar desagrado, já sabendo o que viria a seguir. No entanto não protestou, deu de ombros, era melhor que nada. — Ok, vamos comer lamen. — Partiram com os braços enganchados em direção a barraquinha que tinha sido montada para o evento. Não houve protestos, mas a boca da Yamanaka se entortou assim que o vapor da comida subiu.
Sakura estava faminta. Tinha passado o dia inteiro com apenas um sanduíche mais chá e leite. O Hospital se encontrava tão cheio, ela chegou a participar de três cirurgias, não tinha visto a sua hora de almoço e descanso passarem, na verdade teria ficado por lá mesmo se Shizune não fosse rebocá-la para fora do estabelecimento ao fim do plantão. Por causa da fome acabou devorando três tigelas de lamen sem nem ao menos notar para o total horror de uma espantada Ino que apenas observava depois de um prato e alguns rolinhos primavera.
Aproveitando o humor e a disposição de Sakura, Ino pediu uma roda de saquê que também acabou sendo duplicada e triplicada. Era contra beber, ainda mais na idade dela, mas que fosse para o diabo, uma vez não matava. Suas bochechas não demoraram a corar, seu desânimo parecia inexistente e os problemas se tornaram curiosamente menores. Em alguma momento Genma sentou perto delas, mas não se importou, ele provavelmente estava ali por causa de sua amiga.
Virou o quarto copinho de saquê soltando um suspiro e uma risada logo em seguida, parecia leve. Ino estava trepada sobre o balcão tendo uma conversa muito séria com o tio do lamen, Genma ao lado da loira dava gargalhadas, não sabia se da Yamanaka ou de outra coisa. Interessada, virou-se para rir também, no entanto ao fazê-lo a avenida surgiu em seu campo de visão e acabou vendo o que não precisava.
A cerca de umas quatro barracas de distância, Kakashi conversava com a maldita vizinha. Ela usava um quimono vermelho e podia jurar que tinha um decote exacerbado, grunhiu ao vê-la acariciar o braço dele e o mesmo não repelir o contato. Uma ânsia e mal-estar surgiram com força, não precisava mesmo ter presenciado aquela cena e não presenciaria se estivesse em casa. Pulou para fora do banco, todavia o movimento precipitado fez com que sua cabeça girasse por alguns instantes, quase se desequilibrou e foi ao chão. Para sua sorte Genma ainda estava com bons reflexos e a puxou para perto antes que caísse.
— Opa! Opa! Viu um fantasma? — Deu um de seus sorrisos mais galantes, mas Sakura nem percebeu. Ainda estava enojada, franziu o cenho prestes a responder que sim, mas o grito de Ino a fez esquecer a pergunta e todo o resto.
— Testuda, sua danada! — A risada extravagante da amiga dominou a barraca, atraindo olhares. Não entendeu bem o que ela queria dizer, até perceber que ela e Genma realmente pareciam próximos demais. — Vamos, vamos. Cansei daqui. Genma faz um drinque para a gente. — Ino a puxou pela mão e por alguma razão sem explicação, seguiram os três de mãos dadas e ela no meio.
O drinque a qual Ino se referia era a mesma bebida que um dia Kakashi tinha aparecido em seu quarto segurando, mas dessa vez parecia um tanto mais doce e fraca, já que não sentia o gosto do álcool tão acentuado e nem desceu queimando por sua garganta, o que era um perigo, pois conseguiu dar longas goladas naquela bebida e se sentiu ainda mais amortecida após isso. Fechou os olhos ouvindo a música distante, àquela altura não estava mais tão afastada da praça. Algo tocou em seus cabelos.
— E ai? Você é pupila da Hokage, né? — Assentiu perante o questionamento — Como está o seu treinamento? — Era Genma, segurava um copo parecido com o dela, franziu o cenho achando a pergunta estranha. Nunca tinha trocado mais do que ligeiros cumprimentos com o rapaz. Como ele lhe ajudou mais cedo deu de ombros, deixando a desconfiança de lado.
— O de sempre... — mas ele não tinha como saber o que isso significava, continuou a fitá-la em busca de um assunto melhor enquanto Sakura esquadrinhava o lugar em que estavam, notando apenas agora que Ino tinha sumido.
— Você é uma graça sabia? — O fitou, aturdida pelo comentário e sem saber o que dizer em seguida. Talvez só Naruto e Lee a tenham elogiado assim, tão abertamente, mordeu o canudo da sua bebida.
— Você viu a Ino?
— Eu queria te beijar.
Trocaram um olhar surpreso e desconcertado, as frases ecoaram ao mesmo tempo e ao ter noção das palavras dele, Sakura não conseguiu segurar a onda de risos que a cometeu. Genma não se sentiu incomodado pela reação da garota e riu junto, puxando-a pela cintura e a abraçando. Uma mão firme na cintura alva e a outra descendo pela coluna dela, não era ruim, mas não era o que queria.
O toque era diferente, o cheiro era diferente, até o calor do corpo dele não parecia o certo. Seu queixo foi erguido, pôde ver com clareza os pontinhos mais claros do olho castanho dele, podia sentir a respiração de Genma e todo o seu corpo se retesou, ela não queria beijá-lo. Não aquela boca, desejava outra.
— Nã... — Um baque oco no ombro dele fez com que o percurso que a boca seguia se desviasse, ao se virarem ambos ficaram surpresos e Sakura corou, soltando-se do rapaz com uma agilidade imprescindível.
— Kakashi! Não te vi por aí essa noite. — Os homens se cumprimentaram e entraram em uma conversa que Sakura não prestou atenção. Tê-lo tão perto não era bom para os seus nervos alcoolizados. Largou seu copo em cima de um banco qualquer, ajeitando sua roupa.
— Eu vou indo, até logo. — Genma tencionou falar algo, mas foi Kakashi quem se precipitou, segurando-a pelo ombro.
— Eu te acompanho. — Já ia dizer que não precisava, mas não houve tempo ou espaço. A mão dele desceu para o seu pulso e a puxou, rebocando para longe da multidão, segurando-a com firmeza e sem um pingo de delicadeza.
— Realmente não vejo necessidade... — Soltou um gritinho ao ser pega no colo. Com uma pressão crescente em seu estômago, a praça e a viela para onde ele a tinha arrastado desapareceu e agora o que via era o céu falso de seu quarto, junto a bagunça em toda parte. Kakashi a soltou e ela caiu sentada aos pés da cama.
— Imaginei que não fosse querer que seus pais a vissem assim. — Havia um claro e óbvio tom de reprimenda em sua voz, mas preferiu ignorá-lo.
— Acredito que eles ainda estão no festival.
— Que decepção seria se a vissem? — Fitou-o indolente, escorando a cabeça na lateral da cama.
— É, seria terrível se eles me vissem beijando alguém. — A ironia não o agradou, mas a bebida tinha dado a Sakura uma coragem meio suicida e ela riu do olhar enfezado que recebeu. — O quê? Desculpa, não me foi informado que só podia beijar você. — Suspirou, arrepiando ainda mais os cabelos grisalhos.
— Você está bêbada, levante do chão e se ajeite para dormir. — Empertigou-se com o tom e se ergueu, não era uma criança para que a tratassem daquele jeito, puxou-o pelo colete com um sorriso audacioso no rosto.
— Isso é ciúmes, senseii? — Deu uma risada colando seu corpo ao dele, Kakashi não moveu-se nem um centímetro, nem mesmo para repeli-la.— Que coisa feia, quer dizer que só você pode querer beijar outras bocas? Ou a minha boca?
— Então você queria?
— Talvez. Talvez eu quisesse até mais... — O rugido que ele soltou a assustou um pouco, deu dois passos para trás até ser erguida novamente, jogada por sobre os ombros fortes dele como um saco de grãos. — O que está fazendo? Ponha-me no chão!
Balançou as pernas, socou as costas dele, mas nada surtiu efeito, Kakashi cruzava o corredor de sua casa, esticou o pescoço para tentar ver para onde ele a levava, mas o balançar estava embaçando sua visão e embrulhando seu estômago.
Uma porta foi aberta e uma luz acesa e logo Sakura estava sendo jogada ao chão gelado, não conseguiu nem se levantar antes da água gelada entrar em contato com o corpo quente dela, soltou um gritinho puxando-o pelos braços para debaixo d'agua também.
— Você é um idiota! — Tentou passar por ele, mas foi segurada e ambos caíram no box molhado. Kakashi fechou a porta de vidro mantendo os dois presos ali dentro. — Qual é o seu problema?
— Eu é que pergunto qual é o seu problema. Não deveria ter bebido, não deveria ter... — fitou os olhos verdes a uma curta distância e suspirou. — Por que precisa ser tão complicada, Sakura?
— É você que complica tudo! É você que me rejeita e fica de assunto com aquela mulher e depois me sequestra. — Chutou a perna dele para longe, sentando-se no extremo oposto, Kakashi se aproximou, permitindo que água voltasse a cair por seu corpo.
— Eu não tenho nada com a minha vizinha. Sakura. E não é sequestro se te trouxe para a sua casa.
— Mas já teve! Ela vive... — mordeu o lábio inferior, virando a cabeça para o extremo o oposto.
— Não pode me recriminar por já ter saído com outras mulheres. — Remexeu-se cruzando os braços em frente ao corpo, fitou as próprias pernas nuas e molhadas. — Não tenho nada com ela.
— Ela seguiu você, ela tá sempre por perto e você não...
— Sou educado. — A resposta a irritou, mas ele deu uma risada por baixo da máscara. — Quer que eu trate mal todas as outras mulheres da terra? — Sabia que o rosto dele estava ainda mais próximo, a voz rouca, fazendo com que ela se arrepiasse. Sakura cruzou os braços sobre a barriga ficando os dedos na lateral de seu corpo. — Realmente acredita que eu não desejo você? — Assentiu com um aceno nervoso. — É confuso, estranho, ligeiramente perturbador e particularmente imoral... — ergueu a cabeça confusa, mas não foi capaz de pronunciar uma palavra sequer.
Após pronunciar tal frase Kakashi a puxou pela cintura para cima de seu colo bem abaixo da queda d'agua. Seus rostos próximos, Sakura o observava com o coração pulando dolorosamente contra sua caixa torácica.
Mas a falta de tempo ou raciocínio se deve ao que aconteceu em seguida, quando já acomodada, a máscara dele foi abaixada sem cerimônia alguma como se fosse apenas um detalhe incomodo. Sakura o fitou por segundos, breves segundos que não seriam o suficiente para captar toda a perfeição que era aquele homem, pois assim que sua boca ficou livre foi logo colada a de uma Haruno pasma demais para esboçar qualquer reação contraria ou a favor.
Não respirava, não pensava, não reagia.
Ela tinha visto nariz, boca, queixo. Ele a beijava sem máscara, sem venda, sem nada. Os dedos dele afundavam em sua carne, os lábios a clamavam com urgência e ela conseguiu despertar de seu torpor, passou os braços em volta do pescoço dele, afundando os dedos nos cabelos molhados, enquanto sua boca desliza pela dele correspondendo com vigor.
Os corpos molhados se encontravam, mãos percorriam com avidez peças grudadas na pele, buscando uma brecha para um contato direto. Com brutalidade, Sakura arrancou o colete de Kakashi, mordiscando e puxando o lábio inferior dele e em resposta ganhou um risada e um tapa na bunda, acompanhado de uma apertada de mão cheia.
Podia senti-lo pulsar embaixo de si, remexeu os quadris, mas como em todas as outras vezes, a investida dela bateu de frente com a recusa dele. Kakashi parou o beijo abruptamente, forçando-a a fazer o mesmo e fitá-lo, o coração de Sakura disparou. Ele era lindo, seu sensei era o homem mais belo que já tinha visto.
O maxilar firme, os lábios bem delineados, o nariz arrebitado, um pequeno sinal charmoso no canto esquerdo abaixo da sua boca, apenas completando a obra. Sakura soltou um muxoxo desesperado. Como o desejava, essas paradas chegavam a ser cruéis.
— Por que parar quando eu posso sentir — tocou-lhe o queixo com a ponta dos dedos, roçando seus lábios pela maçã do rosto até o ouvido dele, remexendo os quadris sobre a ereção palpitante —, que quer continuar? Por que tão decidido a nos torturar? — Arfou pelo atrito maravilhoso, seu interior queimando.
— A casa dos seus pais — ele a segurou para que parasse de mexer, mas não foi uma boa ideia, porque ela continuava, sentada, quente e molhada sobe sua parte mais dolorosa — não é o lugar. — Queria dizer que já era "quase adulta" e que estar ou não na casa dos seus pais não era nada, mas essa era frase mais imbecil do universo e só pioraria a situação.
— É a minha casa também e se depender de você nunca vai ter um lugar, sempre vai ter uma desculpa. Meu corpo, eu decido o que é melhor para ele e o melhor é você...
— Mas o que você quer é uma parte do meu corpo dentro do seu... — Grunhiu afundando a cabeça no ombro dele, escorregando para o meio das coxas dele. — Entendo, você você tem opções melhores. Nem sei o que faz aqui, vai lá, corre atrás...
— Não há outras opções. — Um lampejo esbelto e de cabelos castanhos surgiu na cabeça de Sakura e ela não pôde reprimir a expressão de desagrado em sua face.
— Já contou isso a sua vizinha? — ia sair do colo dele, mas Kakashi a puxou de volta, fazendo com que ambos se chocasse debaixo d'agua quando pensava que o clima estava desfeito era só tocar nesse homem outra vez para que tudo voltasse a se reacender.
— Não, porém não pensei que devia. — Kakashi se esticou e ela o fitou, empertigando-se com aquela resposta. — Afinal, achei que nós não tínhamos nada. — Aquilo doeu da mesma maneira como quando chegou à conclusão sentada no sofá da casa dele. Doeu ainda mais por saber que ele estava apenas repetindo as palavras dela, seus ombros afundaram abaixou a cabeça fitando a pequena poça que se formava entre eles dois, a água martelando sua cabeça. — Foi o que gritou na escada do meu prédio. — Fechou os olhos, não precisava ser lembrada. — Que importância teria dizer algo a ela? — Sua voz um sussurro no ouvido de Sakura Ele roçou a ponta do nariz no pescoço delicado, tocando o queixo dela com a ponta dos dedos.
— Você entendeu errado. O... o... o — afastou a mão dele, erguendo a cabeça, com as bochechas coradas — o nada... tem... questões.
— Hum... explique-as. — Kakashi cruzou os braços em frente ao corpo. Engoliu em seco.
— Às vezes quando você não tem nada com alguém isso quer dizer que esse alguém em questão só pode ter nada com você e mais ninguém. — Kakashi ergueu o rosto, fitando-o os olhos esverdeados de sua aluna com atenção.
— Mesmo? — Sakura assentiu com agitação. — Entendo. Esse é o nosso nada? — Deu de ombros, desabotoando o colete ninja dele.
— Poderia ser, mas você andou levando gente para o seu apartamento. — O colete foi retirado e as mãos dele foram erguidas e Sakura puxava a luva de couro, dedo por dedo.
— Levando? Você tinha acabado de sair como teria tempo de eu levar alguém até lá? — haviam tantas formas de se chamar a vizinha para ir lá logo após sua partida... — Não chamei ninguém e achei que o assunto estivesse resolvido.
— Não, não está! O que ela fazia lá?
— Foi me ver. — A frase foi dita com tanta displicência que Sakura precisou se segurar para suprimir uma vontade nova de entortar aquele nariz.
— O que vocês fizeram?
— Nada, fizemos nada. O outro tipo de nada, não o nosso. — Ficaram quietos, passou a ponta da língua por entre os lábios, as mãos dele repousando sobre as coxas molhadas. Seus dedos finos rasgaram a camisa de malha negra que ele vestia, retirando a sua blusa logo em seguida, um tremor lhe percorreu toda a espinha, mas não havia volta, não queria voltar.
— Eu não entendo para que continuar a negar o que nós dois queremos. Nunca entendi, mas não da mais. — As mão dela se fecharam nos punhos dele e o arrastaram até os seios redondos e perfeitos. Sua palma foi fechada contra a palma macia. — Eu o quero, eu preciso de você, não me faça. — Ela não precisava, o pedido foi entendido, foi aceito. Seus lábios rosados foram tomados com volúpias e eles quase tombaram se o cubículo não fosse tão pequeno e estreito.
As costas de Sakura bateram no vidro e ela arfou, os lábios dele se fecharam no canto de seu pescoço, um frisson maravilhoso a assolou. Não tinha como ela entender o que se passava em sua mente, o debate interno que ele enfrentou, dia após dia, noite após noite. As mãos dela afundaram nas costas dela, cravando seus dedos finos a boca percorrendo ombros e pescoço.
Como foi difícil quase impossível resistir até o mínimo suspiro, se conter a cada olhar, a risada, a cabeça no ombro dele. Como não pensar que estaria abusando da fragilidade, sofrimento, da saudade que ela sentia de todos e da dor que a perfurava de uma forma tão distinta e ímpar. A dor que só um adulto poderia sentir, não os jovens.
A risada dela ecoou, quando eles se encaixaram tortamente, batendo em uma das quinas do boxe, ela estava novamente por cima, puxando a calça dele para baixo, sorrindo e corando, tocando e experimentando. Não poderia abusar de Sakura, nunca se permitiria fazer e era isso que fazia, era que ele se via fazendo. Tortura e culpa e ele não a enxergou, não quis enxergar. A boca dela afundou na carne de seu pescoço, puxou Sakura pela cintura fazendo-a ficar de pé, abaixou short e todo o resto que ela usava de uma vez só.
Outro tremor, outro espasmo, agora ela estava nua e os olhos dele queimavam. Kakashi a trouxe de volta para o chão molhado. Uma mão inclinando sua cabeça para trás a boca percorrendo sua pele inflamada, enquanto os dedos dele percorriam a parte interna de sua coxa, agarrou-se aos ombros largos quando o primeiro dedo entrou, arfou, a ardência incomoda apaziguada pele toque gentil. Aconteceria, no chão do seu banheiro, ou estava acontecendo, ou já tinha acontecido em partes. Ele apertou contra os braços, a pressão na boca do seu estomago se fez presente as cores se misturaram e voltaram a clarear sem água batendo contra o seu corpo. Estava de volta ao quarto, uma cama macia embaixo dela e uma boca voraz descendo pelo seu ventre.
Os lábios dele envolveram sua parte mais sensível, uma nova pressão surgiu, outro dedo, talvez, não dava para saber enquanto seu corpo convulsionava por um puxão e uma roçada de dente maldita que a levou a um grau de dor e prazer nunca antes sentido por ela. Arquejou, erguendo o ventre, sem conter os gemidos que escapavam, sua mão espalmou no dorso da cama, segurando-se em algo para mantê-lo em terra enquanto a língua de Kakashi a levava aos seus subindo, descendo, percorrendo toda parte, enfiando-se em aberturas e a boca sugando e puxando-a, estremeceu, violentamente e ele se pôs a frente, corpo pesando contra o dela.
O rosto dele estava próximo, segurou-o pelos ombros e quando a investida veio, soltou uma exclamação, boca contra boca, os dedos ágeis a relaxaram, Kakashi ergueu uma das pernas dela e ela o enlaçou pela cintura quando os movimentos de quadril começaram, sua respiração rasgando o silêncio da noite. Estranho, desconfortável e bom, o movimento tão calmo e sensual, levando-a mover os quadris no mesmo compasso, suas bocas se esbarravam e ela o queria por inteiro, porque necessitava se agarrar a alguma coisa.
Os dedos continuavam em seu clitóris, privando seus sentidos da razão, afastando tudo, até mesmo seu juízo, quando as estocadas se tornaram mais ágeis, Sakura desmontou, porque ele já tinha preparado a cama e tudo mais, entregou-se de corpo e alma.
— E agora?
Tinha ficado em um silêncio contemplativo a cabeça dele repousada sobre o colo dela, os dedos cruzando seu ventre o que a arrepiava e a excitava, mas talvez não tivesse pique para outra vez, não agora. Não quando parecia tão difícil assimilar tudo que tinha acontecido em seu quarto. Kakashi ergueu a cabeça fitando o rosto dela.
— Topa um treino amanhã?
— Sim... Não... 'pera... treinar?! — Seus olhos desceram para o ponto mais óbvio das roupas de seu sensei e ele deu uma risada. Sakura remexeu-se inquieta, aquele sorriso foi mais fundo que o outro.
— Treinar de verdade, se bem que talvez eu pense em retribuir o fato de ter me feito rodar a Vila inteira atrás de "pistas" — Com esforço e um pouco relutante ele se levantou recolhendo as peças largadas. — Estamos combinados? — Acenou com a cabeça, sua atenção fixada no perfil bonito. — vou estar esperando na zona de treinamento de sempre.
— Espera! Vai sair sem máscara? — Kakashi levantou sua rupa de malha rasgada. Corou, a culpa era meio que dela pela situação, mas não se arrependia de tê-lo feito.
— Não vou sair... ah! Não se esqueça de levar aquela meia — apontou para uma meia preta 8/4 em cima do seu criado-mudo. Sakura franziu o cenho sem entender a necessidade da peça.
— Vai voltar a me vendar? — Kakashi parou e a fitou com sua expressão chateada, parecia ter um ar divertido no rosto dele, mas quando falou sua voz era séria.
— Só te vendei uma vez.
— É, mas nas outras vezes eu me vendei e você não falou nada. — Deu de ombros fazendo pouco caso da situação.
— Era excitante tê-la vendada.
— O que? Calma ai... — levantou, com o dedo em riste, fitando-o com muita atenção. — Quer dizer que esse tempo todo eu poderia ter visto o seu rosto e não vi... por... por... nenhum motivo!? — Kakashi encolheu os ombros.
— Achei que você gostasse de algo só tato, sem visão, que era um fetiche seu. — para Sakura estava óbvio que aquele ar inocente e cínico era falso, suas bochechas avermelharam-se. — Não iria impedi-la de se divertir, porém fique tranquila que pretendo usar as meias para outra coisa. — Sumiu em uma nuvem de fumaça antes que todo o conteúdo do quarto fosse atirado em sua direção.
A raiva de Sakura durou até as palavras serem assimiladas. Ela tinha visto o rosto dele, poderia continuar vendo, foi chamada para um treino, mas que – seu estômago se revirava perante a perspectiva; não tinha bem ar de treino, fitou a cama e seu corpo ainda nu.
Afundou a cabeça no travesseiro reprimindo um grito. Dormiu como uma pluma sem se importar quando sua mãe invadiu o quarto no meio da noite para exigir saber o que era aquele aguaceiro e em seguida mandar que o secasse. Secou sem reclamar, sob o olhar questionador dos pais que não entendiam o que era aquele sorriso bobo da filha.
Ninguém entenderia, ninguém tinha porque entender que ela sonhou com aquele rosto perfeito, aquela boca beijando-a por inteiro e mais um pouco. Acordou ainda suspirando, arrumou-se como nunca antes tinha feito para um treino. Tomou um banho demorado usando cremes e loções que só passava após o treino, afinal não tinha sentido usar tais coisas para suar depois, mas hoje o suor seria de um outro tipo. Depois passou mais cremes e secou os cabelos, pegou sua roupa menos surrada e até pôs uma saia sobre os shorts que não costumava usar para treino.
Tinha se dedicado em sua arrumação e ido pessimamente para a luta.
Quando chegou no campo, ele não estava. Era Kakashi afinal, então esperou por um tempo até ele aparecer. Quando apareceu, esperou que dissesse algo sobre o que fariam durante o dia e ele disse: treinar.
— Mas... eu achei que...
— Eu lembro te ter mencionado que íamos treinar, não?
— Sim, mas...
Ficou quieta ao notar o olhar inquisitivo, corou, passando as mãos na saia, batendo a poeira, pondo-se de pé e em posição de defesa. Apesar da vestimenta incomum isso não a atrapalhou, o que acabou com sua concentração foi sua mente que parecia querer que ela pensasse em todos os mínimos detalhes do rosto de Kakashi, dos beijos trocados, das caricias e esquecesse completamente que estava em uma luta.
O rosto dele pairava em sua cabeça e se via analisando a pele coberta em busca das formas óbvias que seu rosto possuía, até o mesmo o pequeno o sinal negro ela se deu ao trabalho de procurar escondido pela máscara. Tudo parecia tão óbvio agora, tão lindo... tão... e perdeu a luta, como já deveria saber que perderia. No entanto, dessa vez, isso não a incomodou. Seus instintos a alertavam que hora que o treino que ela esperava começaria. Estralou os dedos, remexendo as mãos com inquietação.
— Vem.
O chamado fez com o que o estômago de Sakura se revirasse, caminhou um pouco atrás dele com todo o seu corpo vibrando em expectativa. Estava disposta até mesmo a ler Icha Icha outra vez. Uma leitura sensual, ao pé do ouvido, ela abaixando a máscara dele... suspirou, sentindo suas bochechas queimarem mais que tudo.
Acompanhou-o até os três pilares onde tudo tinha começado; jejum; os guizos; célula tripla; Naruto amarrado e faminto; essas lembranças pareciam fazer parte de um passado tão distante que a impressão que tinha era que outra Sakura viveu essa vida e ela estava lembrando agora, sem razão alguma.
— Trouxe as meias? — Assentiu retirando de sua bolsa de armas o pequeno bolo com as meias pretas.
Kakashi puxou-a pelo braço, parando-a em frente ao pilar do meio de costas para a zona de treinamento e de frente para a floresta que tinha naquela parte. Escorou as costas de Sakura no mastro e amarrou os punhos finos e delicados atrás do corpo, usando as meias como corda.
Sakura soltou uma exclamação assim que ele juntou as mãos dela atrás do corpo, mas quando ele começou a prendê-la, protestou com vigor, se remexendo violentamente. Não queria apelar para sua superforça, mas era a única opção que lhe restava enquanto ele a segurava.
— Esse é o meu espólio. — Ficou quieta, virando a cabeça para tentar ver alguma coisa dele, mesmo que de perfil. — Lembra? Meu jogo.
— O meu jogo só te fez andar. — Respondeu indignada e só o que ouviu foi um muxoxo e uma risadinha.
— Cada um se diverte como gosta —Engoliu em seco —, pensei que não precisasse explicar isso. — O dedo dele subiu pelo antebraços dela e Sakura se arrepiou. — Está muito apertado? — Acenou com a cabeça e ele pôs-se a frente dela. Retirou o colete ninja, as luvas e abaixou a máscara.
A imagem dele ainda estava fresca em sua cabeça, no entanto, o efeito foi o mesmo que na noite passada, deixando-a sem ar, sem estruturas por um pequeno tempo, com certeza com cara de idiota, mas não ligava. As coisas foram largadas ao lado dela.
— Não precisava se preocupar, farei o que tanto me pede — o coração dela deu um salto. Remexeu-se, achando pouco provável que pudesse... daquela forma, quer dizer, ela estava amarrada a um tronco. Kakashi virou a cabeça de um lado para o outro examinando-a por inteiro — ...em partes.
Estremeceu perante a risada faceira e o olhar sedutor. Como um felino pronto para dar o bote, ele se aproximou, a beijou e ela se desmanchou. Uma das mãos nuas repousou sobre o pescoço fino, o beijo se intensificando despertava nela a vontade de se soltar e agarrá-lo. Porém foi advertida com o maneio de cabeça todas as vezes que se sacudiu com um pouco mais de violência.
Os beijos a consumiam, a devoravam. Os lábios de Kakashi logo desceram pelo rosto dela, ao pescoço e em seguida para o colo. Uma trilha flamejante de mordidas e chupadas que não demoraram em deixar a pele alva avermelhada. Com assombro e prazer, ela o viu começar a descer o zíper de sua blusa com a boca, abriu a boca sem emitir som algum apesar de um gritinho ter se formado em seu interior perante aquela cena. Por fim ele chupou a sua barriga lisa, fazendo com que gemesse, segurando a vontade de gritar.
— Alguém... alguém, pode aparecer.
— Você está de costas, digo que está de castigo — Um sorriso tão perverso e sedutor surgiu no rosto dele que se tornou difícil até respirar. — por ser uma garota tão má. — Sakura manteve as pernas grudadas, seu interior em reboliço, remexia-se, roçando joelho contra joelho, coxa contra coxa.
Seu peito subia e descia pela respiração arfante, seus seios cobertos pelo protetor e pela rede. Kakashi se aprumou, repousando uma mão em cada um, dando início a uma breve massagem, os ombros de Sakura tencionaram, cruzou as pernas, o único som presenta era sua respiração sôfrega.
A rede foi abaixada, os dedos calejados foram as costas dela soltando os ganchos da bandagem que usava como protetor. Kakashi começou a desenrolar tira por tira, até libertar os seios alvos deixando a mostra os mamilos rosados já eriçados. Uma profunda timidez acometeu perante o olhar famigerado, um dos seios foi tomado por uma mão vigorosa.
Massageado, apertado, puxado, torturado.
Sem mais delongas inclinou-se, abocanhando um dos frágeis mamilos, circundando-o com a língua, chupando-o com deliberada lentidão. Sakura girou a cabeça, batendo a nuca contra o tronco e arrastando suas costas na madeira, os gemidos irrompendo completamente o seu controle.
Seu corpo ouriçado, dilacerado, deliciado.
Quando ele roçou os dentes no mamilo eriçado, ela pensou que iria enlouquecer, fechou os olhos desejando que aquela tortura não tivesse fim, porque ela precisava demais. Cruzou as pernas outra vez, Kakashi trocou, repetindo o mesmo processo no outro seio, até por fim, mordendo o topo de um deles desceu. Seu hálito quente resfolegando em sua pele, as mãos chegaram primeiro que a boca.
Apalpando, acariciando, apertando.
Tocou-lhe os joelhos, pressionando seus cantos com a ponta dos dedos, forçando-a descruzar as pernas. Tentou manter a postura, mas estava cada vez mais difícil, as mãos dele foram subindo e ela foi inclinando o corpo para frente, ele apertava as pernas delgadas, as coxas até as nádegas, dando um tapa nessa região.
Dedilhou a borda do short por baixo da saia e o puxou até os joelhos, levando a calcinha junto. Sakura soltou um gritinho, prendendo a respiração. Desejando que suas pernas não começassem a tremer.
Kakashi continuou a descer as peças, apertando a batata de uma das pernas de Sakura e ela a ergueu, fazendo a mesma coisa na outra, retirou os dois empecilhos e os largou junto ao colete. Então, com outro de seus sorrisos, as mãos calejadas voltaram a subir, apalpando com mais vigor da batata da perna ao vão entre os seus joelhos, fazendo com que ela perdesse as forças por um breve momento.
Os dedos longos pressionando a carne macia das coxas bem torneadas, as mãos espalmavam algumas vezes e ela estremeceu, foi deslizando pela parte interna até a virilha, a pele suave e imaculada com famigerado prazer. Ia e vinha, deixando-a em polvorosa espera. Um dedo roçou em um dos lábios externos, o ventre se contraiu, o dedo progrediu, abrindo caminho. Sakura precisou se controlar para não fechar as pernas enquanto ele se divertia com aquela pequena e deliciosa tortura.
Quando os dedos dele finalmente tocaram o seu centro umedecido, Sakura quase gritou, porém Kakashi sorriu, abanando com a cabeça, afastando os lábios e deslizando os dedos por sua cavidade, tocando o pequeno nódulo com familiaridade, observando-a se contorcer e gemer.
— Sakura, Sakura... você não sabe o quanto parece apetitosa. — Ao dizer isso ele ergueu parte da saia que ele usava, afastando um pouco mais suas pernas, inclinou-se para frente.
Assim que Sakura percebeu o que ele faria, jogou a cabeça para trás fitando o céu nublado, desejando desesperadamente que aquilo não fosse um sonho, não podia, ela não podia acordar e descobrir que estava sozinha deitada numa cama de solteiro. Ela morreria se fosse isso, mas a língua dele a tocou e a sugou e a vibração foi tão forte que aquela sensação que a transpassou não poderia ser de sua imaginação, era palpável, real e devastadora.
Sua mente foi obliterada pela onda de prazer, Kakashi ergueu uma das pernas dela, acomodando-se melhor e sua língua a invadiu, fazendo com que Sakura se contorcesse violentamente. Seu corpo parecia em chamas, penetrou-a com um de seus dedos, sugando o pequeno nódulo.
— Kakashi-sensei. — As palavras saíram sem que ela pudesse se conter, a coerência a muito abandonada, mas ele parou o que fazia e ergueu a cabeça, fitando-a com tanta intensidade que ela ficou presa naquele olhar. — Eu, eu, não sei, eu pensei, não pensei...
— Não, não... fale de novo. — a voz era rouca, o pedido quase uma súplica. Sakura observou-o curiosa, não disse e ele prendeu seu clitóris com dois dedos, arquejou.
— Kakashi-sensei!
Parou seu assombro, pareceu um som gutural, um rosnado, um gemido, uma exclamação, o que fosse, não importava. Ela estava perdida demais em seu próprio prazer para analisar isso.
— Ok. Ok. Acho que podemos dizer que eu voltei a ser o seu... sensei. — Não fazia mais diferença, ela já não queria saber como deveria chamá-lo, não ali, não agora.
Em um determinado momento ela não conseguiu se aguentar e acabou rasgando a meia, mas isso não fazia mais diferença, não fazia a menor diferença para nenhum dos dois. Caiu no chão por cima dele, mas as posições foram invertidas, as peças de roupa foram retiradas e as coisas aconteceram no meio de seu clamor suplicante.
Retorceu-se embaixo do corpo forte, enquanto Kakashi continuava a brincar com ele, enquanto seu corpo obedecia ao dele em um ritmo sensual e intenso.
Os vergões em seus pulsos demoraram quase três dias para sumir, poderia curar, mas gostava de fitá-los e lembrar de tudo que vivenciou naquela zona de treinamento, além do que ela tinha compensado isso com três marcas no pescoço de Kakashi que ficaram por ali por quase uma semana.
(...)
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Então foi estranho?
— Não.
— Ruim? — balançou a cabeça em resposta, separando as orquídeas brancas das amarelas. — Murcho? — Franziu o cenho.
— Não!
— Indecoroso?
— Ãn? Como poderia ser indecoroso, Ino?
— Não sei — a garota deu uma risadinha puxando a amiga pela cintura e fazendo um som gutural com a garganta, como se imitasse uma fera. — Ela pode ser do tipo selvagem e te arranhar toda... — Kakashi era uma fera de diversas maneiras e selvagem levando em conta as coisas que gostava de fazer, mas não a machucou. Ah não, isso não.
— Ele não foi indecoroso.
— 'Tá. Só me diz se é grande. — Sakura riu fitando a amiga que tinha largado completamente o trabalho na loja para tentar arrancar qualquer informação que pudesse do que Haruno Sakura andava fazendo com Hatake Kakashi.
— Não posso te dizer isso, porca.
— Pode! Deve! É a sua obrigação perante a sociedade por ter tirado o homem do mercado! — Recitou tão depressa que Sakura até chegou para trás em seu banquinho. Remexeu-se, puxando duas flores e escondendo o rosto atrás delas.
— Bem, bem... como posso dizer, ele tem pedigree...
O grito de Ino poderia ter despertado qualquer um que estivesse tirando uma soneca em todo o quarteirão. Sakura deu uma risada longa quando a amiga levou esporro da mãe pela falta de compostura, mandando que voltasse para o trabalho. No entanto, isso não a abalou. Continuou seu interrogatório para descobrir o que sua amiga andou fazendo desde que apareceu a sua porta com os pulsos vermelhos e meio descabelada falando alguma coisa sobre gennins fuxiqueiros.
E, de fato, muita coisa tinha acontecido desde então. Ler Icha Icha tinha deixado seu "sensei" – termo que só poderia usar perante ele e em momentos muito particulares – um tanto quanto peculiar e ela descobriu os prazeres de fazer as mesmas (ou quase) estripulias imaginadas por Jiraya. Quase foram pegos três vezes em uma semana, mas estavam se tornando muito bons com suas desculpas e escapulidas emergenciais.
Não contou a Kakashi, mas na verdade um certo dia após escaparem do topo da montanha dos kage, Sakura tinha tido até uma ideia: escreverem os seus próprios Icha Icha. "Táticas de Sagacidade" – ABC do Amor.
Sorriu ao pensar em fazer concorrência para Jiraya, com um codinome é claro. Deu uma leve beliscada no mamilo de seu sensei, ouvindo-o grunhir logo em seguida, as mãos deslizando suavemente pelas suas costas em um ritmo constante a acalentando, suspirou mantendo sua atenção focada nas caixas ainda vazias.
— Sakura...
— Hum?
— Que ordem foi essa que pôs nas suas estrelas? — Abriu os olhos, estavam agora no quarto dela, seus pais dormiam já a bastante tempo. Deveriam estar empacotando suas coisas para a mudança, mas bem, Kakashi queria que ela mostrasse todos os pontos vitais de uma pessoa. Fitou o teto, observando as linhas brilhantes e ordenadas.
— A constelação de lúpus. Eu achei que um lobo solitário combina muito mais do que um simples cão. — Ergueu a cabeça, tocando a ponta de seu nariz no queixo dele. — Ao menos você me parece um lobo. — Ele sorriu e a beijou e ela tinha certeza que poderia ser beijada por aquela boca para todo sempre.
— Já terminou sua carta para Naruto?
— Não, mas acho agora eu sei bem o que dizer para que ele me responda o mais depressa possível.
Caro Naruto,
Eu consegui ver o rosto do Kakashi-sensei.
Página: Fleur D'Hiver
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