Caro Idiota,
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Caro idiota,
Quando Fred Weasley II estava se arrumando para seu encontro com sua nova namorada, a capitã do time de Quadribol da Lufa-Lufa, seus olhos agitados encontraram uma carta em cima de sua cama. Sabendo que chegaria atrasado de qualquer jeito, sentou-se rapidamente, abrindo a carta enquanto ajeitava suas botas em seus pés.
Você deve estar se perguntando “Por que diabos ela está me escrevendo uma carta?”, não se preocupe primo, eu também me pergunto a mesma coisa. Eu realmente não sei o que fazer, mas, a minha conversa com tia Ginny me fez sentar minha bunda na cadeira e começar a escrever, enquanto Lily conversa com Scorpius pelo telefone.
O que tia Ginny me dissera fora útil; encontrara-me na cozinha esses dias, beliscando um chocolate que tio Bill trouxera de uma viagem sozinha e se sentara na minha frente, puxando um pouco do chocolate para ela também. Sorrira, balançara os fios ruivos e dissera, com aquela voz calma, mas coberta de cumplicidade.
“Então, coração partido?”
Exatamente. Não sei como Ginny descobriu aquilo, ao que tento esconder essa merda de coração partido há meses, mas, pelo brilho de seus olhos castanhos, percebi que não poderia esconder isso dela. Ela me mandou escrever o que eu sentia e mandar para a pessoa que estava causando esse coração quebrado, quem sabe ele (ou ela – não importa) não sentiria o mesmo, mas não tem coragem o suficiente para contar.
Bem, eu não sei o que você sente; não posso abrir seu coração e pedir por uma analise de seus sentimentos — uma pena heh, mas, eu sei o que eu sinto Fred Weasley: eu gosto de você, gosto tanto de você que chego a te odiar. Odeio-te por me fazer gostar de você, por fazer qualquer garota se apaixonar por você com apenas um sorriso. Quando contei que gostava de você para Lily, ela riu, mordeu uma maçã vermelha e me perguntou o que eu gostava em você e, acho que estou aqui para contar...
Gosto de seu sorriso, de suas piadas sem graça, do jeito gentil e carinhoso que você trata todos os membros da nossa grande família, de como seus olhos castanhos amendoados se fecham sempre que James diz algo ácido e você joga a cabeça para trás, soltando aquela gargalhada bem escandalosa que eu adoro ouvir.
Tudo. Eu gosto de tudo em você, quando você se machucava ou perdia no Quadribol e saía puto do campo, aquela sua expressão fechada era linda, mas, ficava ainda mais bonito quando James envolvia seus ombros com o braço dele e dizia alguma coisa super-infantil e bem James Potter de ser, que o faz tremer de tanto rir.
Albus me contou que vai a um encontro hoje e, sei lá, não faço ideia se você realmente gosta dessa garota (ou garoto?), e só quero que saiba que a última coisa que quero é me meter em seu relacionamento. Eu quero-te feliz Fred, por mais que pareça que eu te odeie, eu te amo!
Nem se deu o trabalho de ler quem o escrevera, porque descobrira assim que bateu os olhos nas primeiras duas palavras da carta, em uma caligrafia apressada e garranchosa em rosa, diferente do resto da carta, que se encontrava em azul. Caro idiota. Molly Weasley, sua prima quatro anos mais nova era a única que o chamava assim, sempre que Fred dizia algo engraçado, ela cortava sua felicidade com alguma resposta sarcástica e revirava os olhos. Ele costumava achar que ela o odiava, então, aquela carta agitou um pouco seu lado curioso...
Com amor (e duvida para cacete),
Molly Weasley II.
Ao que terminou de ler, jogou a carta de lado e se levantou da cama, procurando pelo seu celular. Encontrou Lily no final do corredor, digitando rapidamente em seu celular com um sorriso no rosto.
— Ei, ruiva. – disse com a voz mais alta e tensa do que ele realmente estava. Lily levantou a cabeça e bloqueou o celular, sorrindo de lado, mexendo no cabelo rapidamente: – Você viu Molly?
A mais nova dos Potter abriu um sorriso ainda maior, mas se fez de idiota, perguntando:
— Você não tinha que estar em um encontro com aquela Karla? – ela piscou inocentemente, apontando o indicador para ele. Fred se aproximou de Lily perguntou mais uma vez:
— Você viu Molly?
— Ela está lá em baixo! Acalma-se, garotão! – Lily não parecia intimidada pela proximidade, afinal, ela era Lily Potter, ela não tinha medo de ninguém. Ela se afastou com a mesma pose de sempre e saiu para seu quarto, voltando a conversar com alguém que Fred duvidava ser ou Dominique ou Scorpius Malfoy.
Desceu as escadas rapidamente, vendo Molly assistindo uma série onde um garoto corria para caramba e conseguia voltar no tempo, ou coisa assim.
— Barry, não! – ela exclamou com James sentado ao seu lado comendo pipoca parecendo entretido também. Oh, Fred não sabia que seu melhor amigo gostava dessa série trouxa.
— Cara, ele é muito idiota! – James sacudiu o pote de pipoca deixando algumas caírem no chão. – Por que ele não aceita logo que não pode trazer a mãe de volta?! Tipo, ele já... – ele se virou para encarar Molly que estava de costas para Fred, mas acabou encontrando seu amigo: – E aí, Fred?
Molly se assustou com a frase e o encarou por cima do ombro. James percebeu o que estava acontecendo ali e ergueu os braços, vendo que a série estava em pause.
— Vou pegar mais pipoca! – disse o Potter, erguendo-se do sofá e caminhando até a cozinha. Molly se encolheu e levantou-se do sofá, vendo que Fred se aproximava dela aos poucos.
— Pelo visto, você... – ela não chegou a completar sua frase, pois Fred Weasley II a puxou pela cintura e grudou suas bocas, segurando com sua outra mão, a bochecha de sua prima. Molly ficou em choque por breves segundos, mas correspondeu o beijo apaixonadamente.
Afastaram-se, com apenas as testas unidas e ficaram em um silêncio, ouvindo apenas seus corações em sincronia; Molly aproveitando o movimento que Fred fazia com o polegar em sua cintura e o rapaz, sorrindo ao que ela acariciava suas bochechas com calma.
— Vocês vão voltar a se beijar ou podemos assistir The Flash?! – a voz aguda e instável de James Potter se fez presente. – Porque o Barry está trazendo a mãe de volta e eu preciso saber o quê vai acontecer nessa merda!
Fale com o autor