Notas iniciais
Essa história foi uma que inventei enquanto estava no igreja. Espero que gostem ♥

Esta noite foi incrível, não fechei meus olhos um segundo sequer. Bebemos, rimos, ligamos e xingamos nossos amigos, no final eu lhe disse que a amava, ela respondeu que também me amava. Tinha tudo para ser uma noite perfeita.

Ainda de sapatos, deitamos na cama e desligamos as luzes. Pude sentir seu cheiro doce junto ao do álcool, era como estar sobre um mar de flores. Sussurrei boa noite, ela fechou os olhos, em seguida fechei os meus olhos pronto para ter o melhor dos sonhos.

Sim, eu fechei meus olhos.

Sem noção de tempo, acordei. Poderia ser o efeito de ao acordar, mas, estava mais escuro do que o normal, algo estava errado. Eu sentia o fedor de sangue e carne podre. A primeira pergunta que ecoou na minha cabeça foi, “onde estou?”. Eu queria acreditar que na minha cama ao lado dela, mas eu tinha certeza que estava deitado sobre o chão molhado e gelado do inferno, ao menos esperava isso.

Eu estava nu.

Enquanto tentava me levantar daquela lava fria, eu ouvia a sinfonia de afiação de faca atras de mim. Eu senti todos os pelos que ainda me restavam se arrepiando ao ouvir a voz velha que saía de lábios desgastados:”As vezes a morte é a melhor opção. Para aqueles que estão vivos. Seja bem-vindo”.

Mesmo de joelhos eu virei meu pescoço e senti a dor de um possível torcicolo. Aquela figura estava ao lado de um balcão de ferro de açougueiro, ele estava com um cutelo e vestindo um jaleco, ele mais parecia nu com roupa. Minha vista ainda estava embaçada, mas eu pude ver claramente seu olho esquerdo brilhante de vermelho, seu rosto parecia ter sido costurado pelo menos dez vezes cada pedaço. Eu tentei me levantar, mas eu estava pesado demais para isso.

A sala era pequena, mas espaçosa, havia sangue no centro e nas paredes, algumas partes de corpos humanos, estavam sobre a mesa, outros, largados no canto. Eu parecia ser a única coisa viva la presente. A iluminação era péssima, eu estava com medo do escuro.

Com as últimas forças que me restaram, eu me levanto. Estou em pé.

“Morra a vida, e viva a morte.” – o velho disse eu tremi.

Quando minha noção ficou estável, eu me lembrei dela. Ela estava junto a mim na cama.

“Onde esta ela?” – eu perguntei a ele, mas eu sentia que já tinha a resposta. Ele não me respondeu. Ele abaixou o cutelo e andou para o lado, atrás dele eu pude ver, mesmo no escuro. Havia uma cadeira encostada na parede, ao lado da cadeira havia um corpo que havia diversos membros faltando, sendo a cabeça o mais chamativo, “seria o corpo dela?”, eu me perguntei.

Minha pergunta foi respondida ao perceber que em cima daquela cadeira de madeira, havia a cabeça daquele corpo. No mesmo momento eu percebi que a cabeça era dela. Eu podia reconhecer aqueles olhos e lábios de qualquer lugar, mas o seu cheiro já não era mais o mesmo.

“As pessoas vivem demais.” – o velho disse, enquanto segurava um dos braços do corpo dela.

Mesmo com as pernas bambas eu comecei a andar para trás compulsivamente. Eu não queria acreditar no que meus olhos que lacrimejavam estavam vendo, ela estava morta. E eu seria o próximo.

Eu esbarro na parede atrás de mim e sem querer, encosto na maçaneta, havia uma porta. O velho segura firmemente seu cutelo, “Cinco, quatro,…” ele silenciosamente conta. Neste momento eu me viro e giro a maçaneta com toda a velocidade e coragem que ainda me resta. “Três, dois,…” ele continuava contando. Mesmo parecendo um pouco emperrada, eu consigo abrir a porta. O corredor atrás da porta é escuro, há macas com panos cobrindo alguma que não estou curiosos para saber. Eu começo a correr desesperadamente tentando não esbarrar nas macas ou escorregar em algumas poças com algum líquido escuro.

“Um…” mesmo distante eu puder ouvir o final de sua contagem. A porta atrás de onde eu vim se bate contra a parede, seu som ecoa pelo corredor. Então eu ouço a risada daquele velho “Kekeke-keekeee…”, mais parecia um demônio. Eu apenas consigo correr, para onde? não sei. Passo por algumas portas mas não me dou ao luxo de perguntar a maçaneta se ela está aberta.

Quase no meio daquele que parecia ser um infinito corredor, encontrei uma entrada que não havia porta. Não pensei duas vezes em virar a esquerda enquanto ouvia o arranhar no cutelo nas paredes daquele hospício. Então o corredor continuou mais escuro que antes.

Entrei na porta que havia no final. A janela de vidro cor de sangue não me possibilitava enxergar oque havia me esperando dentro daquela sala, mesmo assim eu a empurrei com meu corpo e a abri, fazendo um ranger mais alto que a risada daquele no fundo do corredor.

Quarto 34

Aquele quarto era maior que minha casa, mas não havia janelas, a iluminação era cinco velas no meio do quarto. Havia cerca de dezenas de macas e colchões espalhados aleatoriamente, mais da metade de macas havia um pano quase branco cobrindo oque quer que seja que houvesse embaixo dele. Eu não me importava muito com isso naquele momento.

Eu rapidamente desviei das macas esbarrando em algumas. Me abaixei e me escondi embaixo de uma, realmente fiz muito barulho com isso.

A porta foi quebrada em diversas partes pelo velho, que empunhava seu cutelo. De onde ele tira tanta força, seu avental já não estava mais tao branco como antes, o fedor de sangue e o medo só aumentavam. Ele lentamente anda pelas macas, mas não olha embaixo de nenhuma delas.

Ele anda como se já soubesse onde eu estivesse, mas como estivesse muito cedo para me encontrar.

Ele anda em direção as velas, neste momento meus olhos já não o acompanham por conta da posição da maca que estou embaixo. Eu também não queria saber onde ele estava. Eu tampo minha boca para minha respiração não soar tao alto.

“Sem medo por favor, é um desperdício de sofrimento. Eu prefiro desespero.” disse o velho que já devesse estar enfrente as velas.

Ele chuta uma das macas, e elas se empurram ate chegar em mim. Uma das rodas da maca de onde estou passa por cima de meu pé, aquilo doeu muito, mas eu não podia gritar. Tampei minha boca e me forcei ao máximo pra isso, mas eu não acreditei no que me apareceu após isso.

O quarto começou a pega fogo, e tudo começou com aquelas velas. O tempo de eu fechar meus olhos e abri-los foi o tempo de todas as macas estivesse ateadas.

O corpo que caiu a minha frente após o empurrão das macas começou a pegar fogo rapidamente, eu não tive tempo de memorizar seu rosto. Eu estava em meio a um dos meus medos, o fogo. Eu sai de baixo da maca rapidamente, me levante e olhei aos lados em busca de uma saída, o fogo não permitia eu localiza-lá.

Mas mesmo eu não conseguindo enxergar nada com a fumaça, o fogo e as macas no meio, eu pude ver claramente a silhueta do velho, que empunhava seu cutelo que tanto se orgulhava, ele estava sorrindo. Ele parecia já estar me olhando a muito tempo, mas eu só o percebi agora. Ele começa a correr na minha direção, empurrando as macas incendiadas uma-a-uma, ele não ligava que sua pele nua estivesse queimando perante a aquilo, ele queria a mim.

Por instinto, eu começo a empurrar a maca de onde tem menos fogo. Queimo minhas mãos mas isso não me para. No final de incontáveis macas empurradas, lá estava, uma porta dupla. Empurro ela com toda a força do mundo, ela se abre e sua porta esquerda cai no chão, me apresso e continuo minha fuga.

A tontura da fumaça continua a bater, oque me fez cambalear aos poucos. Esbarro em armários, derrubo papeis e remédios enquanto fujo. Ele continua atrás de mim. “Isso, isso, issoooo, keke-keeee”. Eu me viro meu rosto e me deparo com a figura flamejante correndo atrás de mim.

Após alguns metros de corrida, eu me deparo com um corredor que me leva a dois caminhos, direita e esquerda. Qual lado eu vou, eu olho para a direita o caminho continua mal iluminado mas havia alguns caminhos alternativos que deviam haver portas trancadas, eu mal podia ver seu final mas parecia longo. Então olho para a esquerda, o caminho não tem iluminação alguma, me sinto cego, mas eu consigo ver uma saída, no final há um porta única, há uma vela em frente a ela que me possibilita ver isso.

Dentre esses milésimos de segundos, eu posso ouvir vozes, algumas de pessoas agonizando nestes quartos, ao do velho, de objetos queimando, mas uma em especial. Eu ouvi a voz dela, sim ela. “Socorro, alguém me ajude, por favor”. Sua voz veio do caminho da direita, sim o caminho que não havia fim. Na hora eu pensei se não fosse uma mentira isso, ela estava morta. Confiar em um caminho onde não tenho segurança, mas em sim em um onde eu possa ver o final, oque eu faço?

Um segundo se passa até eu tomar minha decisão, eu olho para trás rapidamente, ele parou de andar, levantou a cabeça e começou a correr freneticamente na minha direção, na hora eu não pensei duas vezes.

Peguei o caminho da direita.

O corredor

Comecei a correr com medo de ser agarrado pelo cutelo. Eu ouvia cada vez mais a voz dela, ela continuava pedindo ajuda. Quartos e quartos eu passei, de nenhum eu pude ver dentro e de nenhum a voz veio, apenas grunhidos e rangeres, eu não pararia minha corrida para verificar. A voz dela, inconfundível, estava sempre vindo da minha frente, nunca dos lados. Eu continuei correndo reto, ele continuou me perseguindo reto, a claridade do fogo que o velho emitia estava se apagando rapidamente conforme eu corria. Oque dificultava minha visão.

Mesmo com a má iluminação do lugar e do velho, eu pude ver uma porta no final do corredor, faltava pouco.

“Por favor, por favor, alguém me ajude” sua voz estava vindo daquela porta, certamente eu a encontraria se a abrisse.

Eu finalmente chego perto da porta, falta poucos passos. A iluminação já é pior que a do caminho da esquerda, jã não me sinto só cego, mas sim surdo. A voz dela já havia sumido, mas mesmo assim eu pude sentir um perfume que eu conhecia exalando da porta, certamente ela está la. As luzes se apagam, tanto as que estão na parede, quanto a do velho, eu não me dou ao luxo de olhar para trás para conferir.

Eu encosto na maçaneta, tudo ao meu redor se muta, eu não ouço nada, eu não sinto mais nada. O cheiro de sangue e carne, o frio do lugar, meus batimentos, e principalmente, o medo. Eu já não sentia mais nada, eu já não sabia mais oque eu encontraria atrás daquelas porta.

Eu girei a maçaneta…

Notas finais
Nenhuma das personagens tem nome pois sou horrível com nomes, me desculpem kk
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.