Cap. 5 Beautiful Day

It's a beautiful day
Don't let it get away
It's a beautiful day

Hoje não acordei com um beijo na bochecha, tampouco com o cheiro de loção pós-barba dele. Não era minha cama, e o corpo que me envolvia era outro. A sensação daquele abraço era gostosa e eu gostaria de não perder aquilo. No geral, a garantia que temos de ter amor para a vida toda, é nossa família. Sempre tive muita sorte de poder ter os braços da minha irmã, não importa quando, ela sempre esteve lá para me acolher e me acalmar. Amanda dormiu sentada, de pernas cruzadas em cima de um travesseiro, comigo em suas pernas. Ficamos abraçados até eu pegar no sono, e os braços dela permaneciam envoltos ao meu pescoço, em um abraço frouxo, vencido pelo sono. A noite de sono dela deve ter sido péssima. Saí da posição de lado e me virei para ver seu rosto adormecido. Os cachos alaranjados estavam presos em um coque frouxo, uma mecha grande cobria parte de seu olho direito, deixando as pontas negras do cabelo em evidência. O tom de pele dela é interessante, indescritível, é como quando fazemos leite com açúcar queimado, mas colocamos leite demais. Um tom longe de ser muito claro, mas distante de ser escuro. No corpo, sua tez é bem marcada por cicatrizes e algumas pintas escuras. Cada uma dessas coisas nela contam uma história. Algumas são anedotas, outras são bem tristes, porém, quando olho para ela, vejo uma vida bonita, e de repente meu dia fica melhor. Ela tem o rosto da nossa mãe e os olhos do nosso pai.

Ela abriu os olhos um pouco relutante, como se não quisesse acordar. Olhando diretamente para baixo, a primeira imagem que teve acordar foram meus grandes olhos castanhos encarando sua face. Ela bocejou e murmurou um 'bom dia', enquanto levava a mão a boca para conter o bocejo.

– Dormiu bem? – perguntou.

– Sim, dormi. – respondi com a voz rouca. Rolei para outro lado no colchão e ela se levantou, bagunçou meus cabelos, abriu as cortinas e, como parte de seu ritual matinal, disse em alto e bom som:

– Bom dia, sol! Hoje o dia será lindo!

Sorri para ela.

Sim, o dia hoje provavelmente seria adorável, não importa o que vá acontecer, nada vai estragar nosso dia. Segui Mandy até a cozinha e fizemos o café da manhã juntos. Assamos pães de queijo e comemos com nutella e café com leite enquanto conversávamos sobre coisas triviais. Em determinado momento da conversa, tocamos naquele assunto.

– E o que vai fazer quanto ao Júlio?

– Vamos pegar minhas coisas primeiro. Depois eu decido pra onde eu vou, o que eu vou fazer com ele, eu decidi quando ele me deixou pra trás daquele jeito.

– Uau. – ela segurou a caneca com as duas mãos. – Pensei que seria mais difícil... vocês dois eram tão...

– Eu sei, mana. Olha, me desculpe por isso, mas eu realmente não te contei tudo sobre minha vida com o Júlio. – olhei para baixo – Eu omiti coisas importantes...

– Eu nunca quis um raio-x da sua vida, rapaz. – rimos juntos. – Ele tinha te agredido antes? – sua face séria se mostrou, enquanto ela puxava um cigarro do maço.

– Não, não... – observei ela acender seu vício enquanto tomava coragem para falar. – Ele... ele sempre foi ciumento.

– Sei disso.

– Algumas vezes ele me ameaçou, ameaçou tanto que deu no que deu.

– Você quer voltar lá e ver ele? Não prefere mandar alguém buscar suas coisas?

– Não sei...

– Vou ligar para a Anna, nós vamos com você. Você fica no carro e nós pegamos suas coisas.

– E depois?

– Vamos comemorar sua solterice gastando o dia no shopping, cinema, pipoca, comprinhas, livraria. O que acha?

– Mais tarde rola um barzinho?

– Certeza, moço! – ela piscou. – Que o dia comece!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.