Carmesim
1 Único
Notas iniciais
Minha primeira oneshot. Escrevi esta a pouco mais de um ano e só decidi postar agora. Espero que gostem e boa leitura!
Sentiu um aperto no peito e caiu de joelhos, os olhos arregalados fitando o chão. Enterrou as mãos no tapete felpudo e começou a chorar compulsivamente. Aquele telefonema lhe dera a pior notícia que poderia receber, uma notícia que já esperava. E mesmo assim, a cada minuto, rezava para que aquele telefone não tocasse.
E agora era a campainha que tocava. Dedos apressados anunciavam a chegada de alguém cuja presença não era muito apreciada. O som irritante persistia, mas ela já sabia quem era: um policial insistente com mais uma de suas histórias. E ela sabia a verdade. Era a única que conhecia a verdadeira versão daquele maldito drama policial.Enxugou as lágrimas e se levantou, respirou fundo e cambaleou até a escada. Sentiu um calafrio ao descê-la e ver um vulto negro sob a porta, o peito apertado sendo atravessado por uma angústia que lhe consumia o coração. E ali, no último degrau, parou. Ficou imóvel ao pé da escada. Ela sabia. Sempre soube que terminaria assim. Sempre soube que era só uma questão de tempo até chegarem a ela, mas ainda assim, convenceu-se de que deveria se agarrar a qualquer fio de esperança que ainda vivia em seu coração. Agarrou-se ao último fio de coragem que ainda lhe restava. Não fugiria mais. Não mais.Olhou para a cômoda em sua frente, móvel este que agora estava entre ela e a porta. Aproximou-se do mesmo e, da segunda gaveta, retirou uma arma. O homem ainda aguardava do lado de fora. Chamou-a diversas vezes e estava começando a perder a paciência, quando tocou novamente a campainha e vociferou:“Senhorita Gray, já descobrimos tudo. Temos provas suficientes para incriminá-la pelo assassinato da Madame Claire. Sabemos o que você fez, o que vocês dois fizeram. Abra esta maldita porta. Não há escapatória”Ela olhou para baixo, a sombra do demônio impaciente do lado de fora. Tal monstro girava incansavelmente a maçaneta, alertando que arrombariam a porta a qualquer momento. E ela não mais chorava. Suas mãos já não estavam trêmulas. Virou-se para a porta e colocou a arma na boca. Não havia escapatória: este era o único jeito. Não iria presa, prometera isso a ele. E ela sempre cumpria suas promessas. Uma última vez. Viu uma movimentação apressada por baixo da porta. Havia mais sombras agora. Deu um passo para trás.“Nós vamos contar até três, Elizabeth”. Oh, é claro que vão. E não precisava de mais do que isso.“Um”, gritou o policial. Ela levantou a cabeça.“Dois”. Respirou fundo, os dedos firmes no gatilho.“Três”, e o puxou. O baque surdo de seu corpo caindo no chão foi abafado pelo estrondo da porta sendo arrombada. Havia sangue no último degrau da escada. E no pé da cômoda.
Notas finais
Bom, é isso. Espero que tenham gostado. Se possível, comentem.
Muito obrigada e um ótimo ano para todos!!!
Muito obrigada e um ótimo ano para todos!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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