Notas iniciais
Dedico a uma pessoa extremamente importante, aposto que ela jamais saberá que eu postei isso aqui hehe ~ ♥

Era engraçado notar uma daquelas manhãs fracas de inverno, no qual o sol despertava-se preguiçoso, lutando com raros os esforços em fazer a luz entrar por entre as casas, enchendo-as de luz, enquanto o povo, preguiçoso punha-se a dormir, num sono profundo e tranquilo.

Mas em um vilarejo como aquele, aonde par de botas mágicas e seres misteriosos com capas que cobriam seus rostos e áureas fantásticas prevaleciam em volta de seus corpos eram comuns, muita coisa como apenas um simples raiar do sol era ignorado, dando espaço a novas coisas que se destacavam pelo local.

Uma das coisas nas qual se destacava era um garoto, de aparência normal, mediana, assim como todos os garotos de sua idade costumam ser. Cabelos loiros –numa tonalidade tão clara que chegava a ser esbranquiçado- e compridos, caído sobre o rosto, jogados atoa por cima dos ombros, com sua estrutura magra, continha apenas um cisco de braços formados, alguns até acreditavam que o mesmo poderia possuir um abdômen definido, outros que era apenas uma barriga reta, como de uma criança mais nova.

Mas o importante entre sua aparência toda, eram os olhos avermelhados, escondidos por debaixo dos cabelos. Os mesmos tinham um certo dom, um dom nada agradável de poder enxergar a morte. Ele poderia enxergar quem iria morrer, quanto tempo a pessoa ainda tinha e o grau de saúde que a mesma cultivava.

Aterrorizado com seu próprio dom, o pequeno apenas mantinha sua cabeça baixa, e dedicou-se a vida apenas aos estudos e ao violino. Oh! Sim... Aquele instrumento, de todos, era sua paixão, a única porta que transcendia entre o universo no qual todos conhecemos, e o seu próprio. Fazendo com que o mesmo levitasse por seus pensamentos por até horas, apenas conhecendo a si próprio e sem precisar sofrer com as dores do mundo.

Mas um dia ele se apaixonou. Assim, sem mais nem menos. De uma maneira bem peculiar. Enquanto ensaiava com seu violino uma garota, ruiva e baixinha, com nenhum atrativo em especial a não ser pelos seus lábios bem desenhados, carnudos e vermelhos como uma maçã, contendo seus cabelos presos por duas tranças, chegou perto do tal garoto e o cutucou de leve, perguntando-o porquê sempre o mesmo mantinha a cabeça baixa, e não ligava para o que o mundo ao redor tinha a lhe oferecer.

O garoto, que pela primeira vez em anos levantara a cabeça, pode encontrar-se com a estrutura simples da menina. O que o espantou. Não se lembrava direito como era uma garota e de seus traços. Aquela parecia apenas tudo o que ele precisava para completar-se. E num pulsar de seu coração ele se apaixonou pela garota.

Nos primeiros meses o romance tornava-se a cada dia mais forte, parecia sem duvida um conto de fadas que rondeava o casal, no qual morava naquele vilarejo, no meio do vale. Mas com o tempo a garota foi ficando fraca, e uma cor, uma cor na qual só o garoto podia ver foi contornando e colorindo todo o seu corpo. A cor da morte.

Desesperado e sem saber o que fazer, o jovem foi atrás de uma feiticeira. A única que poderia saber o que fazer naquele caso.

Em troca da informação ela pediu seu precioso violino. O garoto a principio receou mas por fim deu-lhe seu bem mais precioso apenas em troca da informação da feiticeira.

Você meu caro amigo, perdeu anos de sua vida apenas dedicando-se ao cultivo fútil do seu bem-estar. Com medo de olhar em volta com seus olhos mágicos, com medo de lutar a favor da realidade. Você poderia ajudar quem estaria prestes a morrer, e fazer com que vivessem mais, porém você apenas preferiu se esconder por entre as sombras e deixar a vida dos outros jogada à sorte. Agora, a única maneira de conseguir curar sua amada é sacrificando seu próprio conforto e doando seu coração a mesma.

E pelo desejo insaciável de poder passar o resto de sua vida ao lado de quem pela primeira vez amara, e amara profundamente, ele fez o que a feiticeira havia proposto, ainda vivo, ele doou seu coração a garota, doendo-lhe parte de sua vida, desfazendo-se do prazer de sentir.

Agora, nenhum sentimento era mais captado por seu pequeno organismo. Apenas um buraco, vazio, sem fim, e no fundo, um vazio tão imenso e perturbador que retirava suas noites de sono. Acordando todo o dia, vendo-se ao lado de uma mulher que não amava mais, que tinha a sensação de que nunca amou. Agora nem seus lábios eram mais atrativos. Apenas uma pintura em branco.

A mesma tolerava aquilo em silencio, reprimindo um choro sofrido e angustiado, enquanto se rasgava por dentro de tristeza.

Até que um dia...

Até que em um dia ela se matou. Deu um fim a toda dor que sentia por causa dele.

E as noites que agora o mesmo passava em claro, viraram dias, meses sem dormir. Mesmo não sentindo nada enquanto acordado, ele tinha um resquício, uma lembrança bem profunda de seus sentimentos durante o sonho. E sempre que sonhava, sonhava com o rosto dela. Não o rosto angelical e radiante de sempre mas sim um rosto sofrido, demonstrando uma angustia enorme e corrosiva.

E assim ele permaneceu com o tormento e com o desespero de não sentir, por culpa de desde o começo temer se machucar pela morte dos outros, até o ultimo dia de sua vida.

Notas finais
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