Caridosa?
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Nico di Angeloé um babaca.
E não digo isso porque sou a garota que ele fez a questão de salvar durante essa guerra. Não, digo isso porque tenho opinião própria e não tenho medo daquele garoto. Não faz sentido as pessoas terem medo de um menino de dezesseis anos que mal saiu das fraldas, é um absurdo até. Não é por nada, mas se eu tivesse oportunidade de salvá-lo, eu provavelmente o deixaria no leito de morte. Não é maldade, é questão de opinião. Sou o tipo de garota de que tem opinião própria, certo?
Mudando de assunto ruim para um quase tão pior, não estou conseguindo dormir essa noite. Poucos de nós conseguem. Estamos montando acampamento no Acampamento (irônico, eu sei), mas vou explicar… Acabamos de derrotar a Toda Poderosa Gaia, o que significa que ela não acordou e demos um jeito de acabar com os gigantes (somos muito fodas, já tô sabendo) juntamente com os deuses (que milagrosamente decidiram colaborar). O que toda essa guerra causou? Danos. Danos enormes que provavelmente nunca vamos superar.
Como toda guerra, pessoas morrem.Semideusesmorrem e meu coração dói quando lembro, porque isso é vida real. Isso não é como no Caça Bandeira ou na Arena durante as aulas. Lá fora você morre.
E muitas pessoas morreram, outras estão feridas, outras perdidas. E tem algumas como eu, que estão totalmente confusas com o que está acontecendo.
Aconchego-me no meu cobertor e tento fechar os olhos mais uma vez. Impossível. O burburinho corre a solta, semideuses gemem de dor e alguns deuses estão tentando ajudar em alguma coisa (os pobres coitados tentam, mas estão quase tão ruins quanto qualquer um de nós. Estão fracos). Desisto de dormir e resolvo sair perambulando por ai. Vai que eu encontre uma alma conhecida. Não no sentido literal, credo.
– Te achei, Lu – diz minha melhor amiga Isabel puxando-me para um abraço. Passo a mão pelas suas costas e ela começa a soluçar. Ok, acho que tenho amigas sentimentais.
– Hey – digo sem graça, querendo acalmá-la. Ah, pelos deuses, Isabel. Eu aqui passando um dilema com meus próprios dramas e você vem fazer os seus? Espaço, por favor, preciso de espaço. Sou egoísta? Problema? – Não fique assim, Isabel. Estamos bem agora, certo?
– Não, não estamos! – Isabel definitivamente surtou, porque saiu do abraço e está quase berrando, com seus olhos vermelhos. Estranho – Olhe a sua volta, Lu. Perdemos nossa casa, perdemos nosso lar. Perdemos o único lugar que fomos realmente felizes. Você não vê isso?
– Vejo que você está nervosa, precisa se acalmar – murmuro, tentando a fazer parar. Mas talvez eu não queira admitir meus próprios sentimentos. Talvez eu não queira chorar. Ainda não.
Porém, por todos os lados o caos toma conta. Chalés foram queimados, estátuas quebradas, a barra de proteção do Acampamento foi desfeita e qualquer monstro pode invadir o que ainda é chamado de acampamento, os deuses não podem fazer nada, os romanos estão conosco, mas mesmo assim… Não vejo nenhuma saída. O Acampamento Meio Sangue caiu.
– Me acalmar? – ela pergunta como se isso fosse a coisa mais idiota do mundo – Lu, semideuses morreram na minha frente e eu não pude fazer nada.
Dou um sorriso para a garota a minha frente. Isabel tem cabelos castanhos lisos, pele cor de amêndoa e olhos castanhos cor de mel que me dão inveja, porque os meus são castanhos-sem-graça e meu cabelo parece um ninho para passarinhos. Ela é a filha de Apolo mais doce, simpática e amável que já tive o desprazer de conhecer. É normal ela estar assim, acho. Ela é diferente de mim. Estou preocupada demais com meu meio mundo de irmãos.
– Tem muitos feridos, Isabel? – pergunto, tentando rumar para um assunto mais confortável a Isabel – O chalé de Apolo está lidando com isso?
– Acho que sim… – ela comenta começando a caminhar. Estamos perto dos campos de morango e quase não vejo pessoas por aqui – Os romanos… São bons no que fazem também. Espero que eles fiquem e ajudem.
– Obvio que eles vão ficar e ajudar – digo prontamente – Nós somos um só agora. Sem isso de gregos ou romanos, somos semideuses. Temos histórias parecidas. É dever ficar todo mundo junto.
– Você deveria falar com eles e tentar persuadi-los – Isabel ri. Reviro os olhos.
– Tenho certeza que vocês vão encontrar uma filha de Afrodite boa o bastante para isso – solto um risinho. Tão bom falar de besteiras e fingir que nada está acontecendo.
Se eu olhar distante consigo ver boa parte dos meus irmãos sentados em pedras, provavelmente discutindo o que vão fazer do futuro (como roubar e sacanear os romanos) ou em algo mais útil como onde vão dormir amanhã, já que as chances do Acampamento se recuperar são mínimas.
– Vamos ficar bem, não vamos? – pergunta Isabel – Quase morri de susto mais cedo quando você quase foi atingida por um daqueles brutamontes…
– Lá vem você – resmungo – Já tinha esquecido isso.
– … Mas graças a Hades, di Angelo te salvou – ela sorriu animadamente – Parece aqueles filmes, em que o herói salva a mocinha.
Fico com vontade de vomitar instantaneamente. Minha amiga é muito sem noção.
– Primeiro, Isabel… Nico di Angelo não é um herói – retruco – E dois, não sou uma mocinha indefesa.
– Você é uma chata, Lu – Isabel murmura dando de ombros – Admita que você ficou animada quando ele interviu. Você ia morrer!
– Não vou ficar discutindo minha quase morte com você – digo. Não é um bom assunto, você tem que admitir.
– Que tal me falar então sobre sua quase queda por Nico di Angelo, uh?
Ok, vou ter que cortar Isabel antes que ela saia por ai espalhando isso. Que é mentira, quero deixar bem claro.
– Não existe queda alguma – digo – Se bem que se ele caísse de um precipício eu não iria reclamar nenhum pouco.
– Sempre venenosa, hein irmãzinha?– comenta uma voz aparecendo ao meu lado.
Ótimo. Era só o que faltava. Dica: Quando Theo aparecer e Isabel estar por perto, corra. Corra o máximo que você pode. A não ser que goste de ficar ouvindo cantadas baratas e ver Isabel corando. Passo por isso há meses e nenhum dos dois quer mudar isso para algo mais sério. Se é que me entende.
– Você não pode querer vir com suas piadinhas hoje, não é, Theodore? – dou logo meu aviso. Theo não é tipo de cara que você pode dar corda.
– Ui, estressadinha – ele responde rindo. Ele é quase um ano mais velho que eu e pensa que manda em mim. Passamos a vida toda brigando, mas de vez em quando, somos amigos. Theo sorri para Isabel e faz um gesto cavalheiresco com as mãos – Boa noite, senhorita.
– Pelos deuses – coloco a mão no rosto, cansada de ter que encarar isso todo santo (ou não) dia.
– Boa noite, Theo – Isabel diz, já corando. Ah, meus deuses, esse é o tipo de coisa que ganho por ter quase morrido? Estamos num mundo pós-guerra e eles só pensam em ficar corando e soltando risinhos por ai? Alô, tem pessoas feridas precisando dos seus encantos, Isabel! – Que bom que você está bem.
– Confesso que me preocupei com você – ele começa. Arregalo os olhos. Não é possível, eu devo ter ouvido errado. Ele está se declarando? Porque Theo não é o tipo de cara que chega por ai e diz essas coisas. – Procurei você por todo lado durante a batalha, só vi você e a Lu no começo e fiquei preocupado.
Theo me encara com sinceridade e eu estou a fim de abraça-lo, mas dou espaço a Isabel, que o faz primeiro. ÓTIMO. Dois desesperados reunidos. Aposto que os dois querem conversar sobre como vão ficar quando não tivermos mais para onde ir. Confesso que estou lidando muito mal com tudo isso e não quero ouvir nada sobre. Não até que alguma coisa seja dita por Quíron ou pelos deuses (que não são muito úteis, mas ok).
– Vou indo, crianças! – digo sorrindo. Não quero ser chata. Não hoje que Theo resolveu admitir que ficou preocupado com a minha amiga. Você não tem noção de o quão bizarro foi ou por quanto tempo esperei por esse momento. O bom é que me livro dos dois. Assim que falo, Isabel me encara com seus olhos cor de mel e a mensagem deles é clara“não me deixe sozinha”. Hoje eu estou muito legal, por isso ignoro sua mensagem – Juízo, hein? Não quero ter sobrinhos agora.
Ainda vejo os dois me encararem chocados antes de me virar para ir embora. Não sei o que está acontecendo comigo hoje, estou sendo tão legal e boazinha. Acho que é o espírito solidário de acolhimento, ou quaisquer nomes que deem a esses ataques de “legalzisse”.
No caminho de volta para onde deixei meu cobertor e meu saco de dormir (provavelmente alguém do meu próprio chalé já o pegou emprestado, mas fazer o quê) encontro um garoto que não deve ter mais que sete anos cochilando perto de alguns arbustos. E como estou caridosa hoje, acolho o garotinho nos meus braços e sigo para meu saco de dormir. O garoto nem se mexe ou dá sinal de vida, mas graças aos deuses eu sei que ele está vivo. Ele tem alguns hematomas na pele e nos braços, o que significa que deve ter lutado ou se escondido, mas alguém o encontrou e machucou. Eu seria capaz de encravar uma lâmina no peito de quem fez isso.
– Lu? – uma menina de Afrodite que está sentada perto do meu saco de dormir solta, chocada. Ela não precisava ser tão indiscreta. Só porque estou sendo uma boa pessoa e não rindo da roupa dela hoje? Que mundo injusto! – Essa é você ou estou tendo uma visão de você numa versão melhorada e generosa?
– Engraçadinha. Generosa eu vou ser quando puxar seu cabelo, lindinha – digo cerrando meus olhos.
– Nossa – ela solta.
Ignoro-a. Depois de um tempo você aprende a fazer isso, mesmo quando ela está comentando sobre seu cabelo ou sobre como um garoto é bonito e blá blá blá, conversa fiada. Coloco o garoto no saco de dormir e franzo o cenho. Legal. E agora?
– Você sabe quem é? – pergunto a garota. Sempre esqueço o nome dela, juro a você, parece maldição… Começa com Camila… Camz…
– REBECCA, preciso de ajuda aqui! – alguém grita, a garota de Afrodite dá um tchauzinho se desculpando e sai. Ok, Rebecca parece um pouco com Camila, admita.
Sento no chão e tento me conformar. Minha amiga deve estar em um lugar qualquer se pegando com o Theo, o garotinho parece estar dormindo tranquilamente e eu estou pensando besteiras, obviamente.
– Você não vai procurar seu pai? – ouço uma voz atrás de mim e digo a mim mesma para relaxar. Não ataque. Garota boazinha. Relaxe. Hoje é dia de ser caridosa. Até com ele.
– Você não pode largar do meu pé? – pergunto num tom mais agressivo, sem ao menos olhar para a cara dele. Desde quando ele está ai? E o mais importante, por quê? Eu não posso merecer esse tipo de coisas, deuses, podem dar uma olhada ai no livro da minha vida, não posso ter feito tantas maldades. Ok, teve aquela vez que tentei dar remédios e matar minha prima Vanessa. E aquela que sem querer coloquei nitrato de sódio no… TALVEZ eu tenha feito uma ou duas coisas, mas foi tudo sem querer, juro.
– Não estou – ele responde num tom irritado. Aha! Ponto para Luzinha! Consegui deixar Nico di Angelo irritado. Esse dia vai pra história. Sim, foi sarcasmo. Toda vez que encontro com ele, dou um jeito de fazê-lo sentir-se irritado e com vontade de me matar. Pensando agora, eu provavelmente faço isso com todo mundo que conheço…
– É o que parece – digo observando as coisas ao meu redor. O que não é uma boa coisa, porque tem muita gente ferida e os cortes não são bonitos de se ver.
– Ok,Lu– ele diz. Desde quando ele me chama assim? Isso é só para os íntimos.
– Não me chame assim, isso é para íntimos – rosno.
– Desculpe,Lu– um a zero para ele – Achei que por te salvar umas… Três vezes?… Desde que essa Guerra dos Gigantes começou, merecia te chamar assim.
– Não seja presunçoso – resmungo.
– Nunca vou chegar aos pés da sua presunção – ele está querendo brigar hoje, uh? Viro-me para ele, ignorando a pobre criança e quase caio em cima do pobre menininho – Mais cuidado, garota.
– Não me mande ter cuidado – retruco, conseguindo sair sem matar ou esmagar a pobre criança. Levanto-me e encaro meu inimigo.
Nico di Angelo parece estar segurando uma risada quando nossos olhos se encontram. Sem aquela babaquice emocional toda. A única coisa que sinto por ele é vontade de matá-lo.
– Tem alguma coisa errada com você hoje – a voz de di Angelo sai rouca e cansada.
– Comigo? – pergunto chocada. Ok, eu não deveria ter dado atenção a ele, obviamente isso tudo é joguinho e como estou sendo uma boa pessoa hoje, Nico vai ganhar.
– Pode me dizer qual é a sua – diz ele estreitando os olhos para mim – Colocou bomba de gás na minha mochila?
Nem sabia que ele tem uma mochila. Haha. Boa, di Angelo, vou usar essa informação na minha próxima vingança.
– Não seja idiota, não vou perder meu tempo te zoando – digo convencida, já pronta para sair por cima naquela conversa.
– Você perde sua vida tentando me fazer mandá-la para o Submundo – diz Nico. Claro que eu não podia o deixar falar uma coisa dessas assim de mim.
– Oh – digo fingindo surpresa – Você está recrutando? Não creio, Nico! Vou chamar todos os meus amigos, vai ser incrível. Talvez você até consiga ser sociável, hein?
Haha. E como está nosso placar de hoje, galera? Lu, 2. Nico, 1.
– Pelo menos eu não finjo que não sei quem é meu pai – diz Nico. Isso. Talvez eu tenha merecido por tê-lo chamado de antissocial. Não, pera. Não mereci. Só eu posso me chamar de idiota e mentirosa.
– O que isso tem a ver com você? – quase berro, indignada. Ele está invadindo a droga da minha vida. Nico dá de ombros e levanta-se. Certo. A coisa ficou séria agora.
Pode ser um tipo de mania moribunda, mas sempre me sinto mais superior quando converso com alguém que está sentado. Besteira, mas vale muito se sentir superior na hora de uma discussão.
– Tem razão – ele me encara – Não tenho nada com sua vida.
– Obrigada por admitir isso. Agora finalmente posso seguir minha doce e bela vida, enquanto você sofre por ter admitido – digo falsamente.
– Você… – Nico começa, depois solta um tipo de barulho irritado. Grunhido. Uh, evoluindo, di Angelo? – Já que… Gosta tanto de me fazer admitir coisas, Lu… Porque não admite que gosta de mim e acaba logo com esse joguinho?
… WHAT? Tipo, sério, di Angelo? De onde diabos você tirou isso? Será que foi porque tentei fazer um filho de Poseidon te afogar semana passada? Ou foi porque coloquei baratas no seu lanchinho matinal? Quem sabe por causa do roubo misterioso que ocorreu no seu Chalé?
– Não seja ridículo, queridinho – digo calmamente. Qualquer coisa que eu falar ou fizer pode ser usada contra mim no futuro. E eu não quero meus irmãos me zoando porque tenho um caso com Nico di Angelo.
– Você é impossível – ele retruca, ficando vermelho. Fofo. Certo. Não pensei isso. Foi apenas meu cérebro que ficou perturbado com muita coisa que aconteceu mais cedo…
Todo mundo deve estar se perguntando quando comecei a odiar di Angelo. Não sei a resposta, certo? Só não fui com a cara dele, nem ele com a minha e com o tempo as brigas foram acontecendo naturalmente. Talvez eu sinta falta disso quando sair do Acampamento. Tipo,amo zoar ele por usar roupas maiores.
– To sabendo, di Angelo – replico, colocando a mão na cintura. É autodefesa, me faz sentir mais forte – Se já acabou com a falação, vou indo.
Giro os calcanhares, toda animada por ter vencido mais uma briguinha com Nico di Angelo.
– Lu – chama Nico. Contra a minha própria vontade giro meu corpo para frente. Anotação mental: Nunca façam isso, você pode dar de cara com um Nico di Angelo muito irritado e cansado MUITO perto de você – Você não me agradeceu por hoje.
Ele deu um sorriso muito convencido. Não é porque a pessoa te salva, que você tem que andar por ai beijando os pés dela ou sei lá. Porque eu estou falando em beijar, santa Hera?
– Não vou agradecer a você, esquece isso, é a vida, amanha você nem lembra mais disso – murmuro, consciente do pouco espaço entre nós. Tudo bem que é meio suspeito Nico vir com essas coisas de “você gosta de mim” agora, mas não sou boba, muito menos inocente.
Sou uma garota e tenho hormônios! Você tem ideia do que é estar a poucos centímetros da boca de Nico di Angelo? Não? É assustador. Minhas pernas estão bambas e meu coração está pulando rápido demais. A única coisa que consigo pensar é mantenha-se longe do perigo. Perigo nesse caso é sinônimo de Nico di Angelo. Ele pode parecer antissocial, inocente e bobo, mas sei que no fundo, consegue tudo o que quer de alguma maneira.
– O q-que? – gaguejo quando tento sair dos seus braços (que me envolveram misteriosamente, sem que eu percebesse), mas ele empurra meu corpo contra uma arvora. Sim, isso está errado.
– Cansei disso, Lu – Nico diz. Fito seus olhos por um segundo e já sei o que vem a seguir. Estou ferrada! Nos olhos dele vejo um milhão de coisas e ao mesmo tempo, nada. São impossíveis de se descrever e droga, só to pensando besteira. É o efeito Nico di Angelo perto.
Acho que ele está esperando que eu grite por alguém, ou chute as partes intimas dele (aconteceu uma vez, episódio muito engraçado, conto outra vez), mas apenas o encaro com as sobrancelhas levemente levantadas (aprendi com ele, infelizmente). Acho que ele entende isso tudo como um “Nico di Angelo, eu sou completamente apaixonada por você. Vamos nos casar. Teremos filhos. Deixo você escolher o nome” e todo esse tipo de babaquice emocional, porque coloca a mão na minha cintura (pausa para me arrepiar toda e o encarar chocada) e roça seus lábios nos meus. Ok, a boca dele é… Macia e quente. Eu sei que ainda posso empurrá-lo e alegar uma desculpa qualquer como “desculpe, comi uma FDL a mais hoje e não sabia das reais consequências…”, mas quando ele pede passagem para a minha boca, droga, eu aceito e toda feliz da vida, coloco as mãos na sua nuca.
Se você estiver passando por aqui e ver um casal se agarrando encostados na árvore, somos eu e Nico (não, não estou orgulhosa por isso estar acontecendo, muito menos por estar acontecendo com ele). Achei que di Angelo fosse tímido e esquisito, mas parece que tudo isso sumiu dele enquanto me beijava. Eu tentava recuperar a respiração enquanto ele mordia meu lábio inferior. Provocador imbecil. Ai eu passei a mão pelos seus ombros largos e o puxei mais para mim, porque se ele aproveitava da situação, eu poderia tirar uma casquinha também, né?
– A garota de Afrodite tem razão, Lu – diz Nico sorrindo, quando nos largamos e eu me afasto dele tentando entender o que aconteceu há poucos segundos – Você está muito caridosa hoje.
Ele sorri e se afasta indo em direção as sombras.
E eu fico aqui, lembrando mais uma vez a mim mesma: Nico di Angelo é uma babaca. Se bem que tenho que fazer uma pequena alteração: Nico di Angelo é um babaca que beija bem.
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