Careful

1 Careful — capítulo único.


Havia um personagem pixelado levando golpes consecutivos de um grande dragão, que ele só conseguia ter a certeza de ser tal criatura pelas chamas que soltava e seu tamanho colossal, que quase engolia o pobre personagem que ele controlava. A sala parcialmente escura propagava a iluminação do televisor e das embalagens de salgadinhos e bebidas que o servamp da preguiça deixava por seu caminho.

Essa era a sua rotina desde que chegara naquele apartamento, em sua forma de gato, por descuido de um certo colegial em pensar que ele fosse um mero gato de rua.

Pobre garoto.

Mahiru Shirota havia assinado sem ler o contrato que marcava seu destino ao lado de Kuro. Ou melhor, Sleepy Ash, o líder de uma família de vampiros criada a partir de mãos humanas, ele mesmo sabendo muito pouco sobre sua própria origem, se limitando a fugir de suas obrigações como o cabeça da família vampiros que personificavam os sete pecados capitais.

Kuro fugira bastante. Até que seu encontro com Mahiru mudasse certos detalhes que ele, a preguiça, pouco se preocupara antes de sair de casa. Ele era o irmão mais velho, afinal.

O gato, o leão adormecido, a maior força dentre eles.

E ele estava mais do que contente em poder se esconder de suas responsabilidades por debaixo do manto acolhedor que o rapaz oferecia, com um lugar confortável do qual não precisava (e não queria) sair, recheado de besteiras comestíveis e vídeo game até que ele estourasse, e estaria tudo bem se continuasse dessa forma, estava mais que perfeito. Mas até mesmo os bons momentos uma hora precisam ser forçados abaixo por ações externas, e Kuro estava no centro disso.

Por mais que houvesse tido sucesso em anos de fuga, uma hora ele teria de encarar a cadeira na cabeceira da mesa de forma definitiva. Seus irmãos o esperavam, assim como os maus entendidos que ele deixara intocados no fundo de sua mente.

A insegurança, o medo.

— Kuro! Quantas vezes eu tenho que dizer para não deixar essa zona na sala?!

Mas ele não queria ter de arrastar Mahiru para o meio dessa situação familiar, aquele não era um problema para ele resolver.

"Se você está certo ou errado não sou eu quem pode dizer, somente você tem a resposta"

Por mais que no final, ter ele do seu lado acabasse sendo sua maior solução.

Chegara uma hora em que ser cuidadoso, se atentar aos outros, ao que os outros poderiam pensar não era o suficiente.

E ter de vencer a comodidade de sua própria preguiça era uma árdua batalha.

— Você sabe que eu não me dou bem com tarefas domésticas.

As mãos ágeis de Mahiru o puxaram pelo gorro do casaco, para longe do televisor.

— Não sou eu quem deixa rastros por onde anda.

— Era só você não ter me dado um nome.

Os olhos do rapaz ficaram sérios por um breve momento, como se ponderasse aquelas palavras.

Eles só estavam juntos por causa do nome que Mahiru dera a ele, se "Kuro" nunca houvesse sido chamado por esse nome e ganhado uma coleira com um sino, então aquele momento jamais existiria.

Por fim, ele apenas balançou a cabeça, ignorando o dito.

— Eu prefiro as coisas do jeito como estão, é só você aprender a comer sem deixar a sala nessa bagunça.

Notas finais
Em resumo, Servamp é realmente bacana eu só tinha ficado desanimada depois de não ter encontrado os capítulos traduzidos do mangá. Poxa, todos os servamps são bem legais até ;w; e Kuro é um bobão na maior parte do tempo!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!