Card Master Sakura

20 Capítulo 13 - A estranha perfeita (PT2)


Notas iniciais
A nova aluna está arrasando corações...


(CONTINUANDO)

Meiling chuta uma lata de refrigerante contra sua adversária. Sekai se esquiva, mas a chinesa acerta um chute com os dois pés no seu peito. Ela cai no chão, mas se levanta rapidamente com uma cambalhota. Meiling, em movimentos muito agéis, acerta dois socos na boca de sua adversária, fazendo-a recuar.

Meiling: Você não tem chance comigo. Tenho treinamento avançado de artes marciais.

Sekai cospe o sangue que estava em sua boca.

Sekai (estalando os dedos e assumindo posição de combate): É mesmo?

Meiling parte para cima de Sekai. Dessa vez, entretanto, a Raposa de Prata se esquiva dos golpes com extrema facilidade.

Meiling: Não pode ser!

Sekai agarra o cabelo de Meiling e bate a cabeça dela contra uma mesa. Em seguida, ela joga a chinesa contra a máquina de vendas com força. Sem se dar por vencida, Meiling logo se levanta, a boca e o nariz sangrando.

Meiling: Como você pode ser tão rápida?
Sekai: Ora, ora. Perdeu a confiança no seu kung-fu ridículo? Você só me acertou porque me pegou de surpresa. Não vai acontecer de novo.
Meiling: Não fique se achando. Vou parar de me segurar e usar meus melhores golpes!

Os meninos começam a gritar com mais força para motivar as lutadoras. Meiling dá um grito e parte para cima de Sekai. Ela desfere uma sequência de socos na altura do peito, seguidos por alguns chutes na altura do rosto. Sekai bloqueia todos os golpes com facilidade.

Sekai: Seus golpes são muito previsiveis, magrela.

Meiling aumenta a velocidade e intensidade de seus golpes. Enquanto brigam, as duas meninas vão se movimentando com habilidade, pulando de mesa em mesa e usando até bandejas como escudo. Sekai tenta um contra-ataque com um chute, mas Meiling se esquiva e desfere um soco contra sua adversária.

Meiling: Te peguei!

Meiling se surpreende quando sente seu pulso gritar de dor. Seu golpe havia parado a milimetros do rosto de Sekai.

Meiling: Arghhh. Mas como?

Sekai fora mais rápida. Ela havia acertado os dois lados do pulso de Meiling com seus punhos, travando o golpe e evitando que seu rosto fosse atingido.

Sekai: Como eu disse... você é previsivel.

Sekai puxa Meiling para perto de si e acerta uma forte cabeçada no rosto da garota. Meiling sente o mundo ao seu redor girar e cambaleia para trás.

Sekai: Você é só uma fraca que acha que sabe lutar. Aposto que nunca esteve numa briga de verdade.

Sekai gira seu corpo e acerta um magnifico chute em Meiling. A chinesa é lançada no ar e colide com uma lixeira ao chegar ao chão. Todos ficam em silêncio, perplexos.

Sekai (olhando ao redor): O que foi? Não acham mais divertido agora?
Meiling: Hmmmmmm...

Meiling havia se levantado com certa dificuldade e encarava Sekai.

Sekai (sorrindo): Já não teve o bastante?
Meiling: Vou ter o bastante quando eu arrancar esse sorriso da sua cara!

Meiling parte para cima de sua adversária, mas de repente uma garota loira se coloca no caminho.

Chiho: Esperem! Vocês não devem brigar! Isso é errado!
Meiling: Sai da frente!

Meiling empurra Chiho para o lado e se joga contra Sekai. As duas acertam socos na cara uma da outra. A chinesa sente sua boca encher de sangue, mas sua adversária parecia não ter se abalado muito com o golpe.

Sekai (um sorriso debochado no rosto): É tudo que você têm? Já levei socos piores.
Meiling: Ora sua...

Meiling sente duas pessoas agarrando os seus braços.

Meiling: Mas o que?

Meiling nota que Yamazaki e Shaoran haviam segurado seus braços, impedindo que ela voltasse a avançar. Alguns meninos haviam tentado se aproximar para fazer o mesmo com Sekai, mas a garota os afasta apenas com um olhar.

Meiling: O que vocês estão fazendo?
Shaoran: Não. O que você está fazendo, Meiling?
Yamazaki: Desde quando você arruma briga na escola?
Meiling: Essa ignorante merece uma surra!
Shaoran: Nem pensar. Vocês duas já fizeram demais.
Meiling: Como assim?

Meiling olha para trás e nota um grupo de garotos com rostos preocupados, alguns até chorando. Estavam cercando Sakura, que tinha Chiho em seus braços. A garota loira estava com um corte no rosto bem próximo ao olho direito.

Meiling: Meu Deus. O que houve com ela?
Yamazaki: Quando você a empurrou, a coitada bateu o rosto contra uma mesa.

Meiling cai de joelhos. Shaoran e Yamazaki permanecem ao lado dela.

Meiling: Me desculpa. Eu não percebi... não fiz por querer...
Garoto 1: Isso é sua culpa!
Garoto 2: Você machucou nossa querida musa.
Garoto 3: Você vai pagar por isso!

Os garotos começam a se aproximar ameaçadoramente. Shaoran e Yamazaki se põem no caminho, preparados para defender Meiling se necessário.

Professor Terada: Podem parar por aí!

O professor Terada e a professora Akazawa haviam aberto caminho em meio a multidão de alunos.

Professor Terada: Já chega dessa confusão.

Os dois professores se agacham junto a Chiho para verificar seu ferimento.

Professora Akazawa: É um corte bem feio... mas ela têm uma aura forte, então deve ficar bem.
Professor Terada (acariciando carinhosamente a cabeça da menina): Sinto muito que você tenha passado por isso, querida Chiho.
Chiho: Não se preocupe, professor. A culpa foi minha. Eu queria tanto parar a briga que fui descuidada...
Garoto 1: Nós devíamos dar uma surra nessas duas. É um pecado estragar um rosto tão lindo.

Os garotos começam a fazer um alvoroço e gritar ameaças para Meiling e Sekai. A Raposa de Prata se mostra indiferente, mas a chinesa fica um pouco assustada.

Chiho: Não! Eu não quero mais brigas. Por favor.

Os garotos se silenciam por um instante.

Garoto 2: Está bem... mas só porque você pediu...

Sekai ri sozinha da situação.

Sekai (murmurando): Tanta babação de ovo nessa garotinha...

A professora Akazawa e Sakura ajudam Chiho a se levantar.

Professor Akazawa: Sakura, me ajude a levar Chiho para a enfermaria.
Sakura: Sim, senhora.
Garoto 3: Nós vamos acompanhá-la também.
Professor Terada: Nem pensar! Não quero ninguém se aproveitando da minh...

O professor interrompe sua frase e coça a cabeça, confuso. Estava confuso quanto ao que estava sentindo no momento. Sem que ninguém perceba, Chiho dá um pequeno sorriso. Rika, que estava assistindo a tudo junto com a multidão de alunos, fica abalada. Antes que suas lágrimas comecem a fluir, porém, ela sente alguém segurar sua mão. Ao olhar para o lado, se depara com um sorriso reconfortante de Tomoyo. Sua amiga estava ali para lhe dar apoio.

Professora Akazawa: Eu acho que o professor quis dizer que muita gente na enfermaria vai atrapalhar a tranquilidade do trabalho das enfermeiras. Vamos evitar tumultos desnecessários.
Garoto 1: Hmmm... faz sentido...
Professora Akazawa: Não se preocupem. Depois eu conto para vocês o estado espiritual e físico dela.

Os garotos do “fã-clube” se ajoelham no chão e fazem uma reverência para a professora Akazawa.

Garotos: Contamos com a senhora, professora.

Sakura e a professora Akazawa conduzem Chiho rumo à saída do refeitório. Elas vêem, de relance, o professor Terada reunir Meiling e Sekai.

Professor Terada: Quanto a vocês duas... causaram muitos problemas hoje e não vão sair impunes dessa. Vão me acompanhar até a sala do diretor e depois cuidar dessas feridas na enfermaria.
Meiling: Mas...
Professor Terada: Sem “mas”. Vamos. Agora.

Após uma breve caminhada e uma subida de um lance de escadas, Sakura e a professora Akazawa deixam Chiho na enfermaria. A senhora Haruno coloca a menina sentada num leito e rapidamente pega seu kit para tratar o ferimento dela. Durante o tratamento, a professora Akazawa explica o que acontecera com a pobre Chiho e comenta sobre a briga no refeitório. Em cerca de vinte minutos, a enfermeira termina de limpar a ferida e fazer um curativo.

Sakura: Ela vai ficar bem?
Senhora Haruno: Não precisa se preocupar. O rosto vai ficar um pouquinho inchado, mas logo o corte vai cicatrizar. Ela deu sorte de não machucar o olho. Geralmente os alunos que Sekai Natsume manda para cá têm ferimentos piores...
Sakura: A Chiho não foi o alvo da briga, apenas foi pega no fogo cruzado. Minha amiga Meiling parecia ter se machucado bastante...
Professora Akazawa: Acalme seu espírito. O professor Terada vai trazer as duas meninas para a enfermaria assim que sair da sala do diretor. Precisamos levar a Nanasaki a um hospital?
Senhora Haruno: Eu já dei alguns pontos na ferida antes de fazer o curativo. Talvez os pais queiram levá-la a um hospital depois para prosseguir o tratamento ou ter uma segunda opinião.
Professora Akazawa: Acho melhor ela ir para casa para que seu espírito reúna forças para cicatrizar seu corpo. Vamos chamar seus responsáveis, Nanasaki.
Chiho: Não!

Chiho havia se colocado de pé. Ela fica um pouco sem graça ao perceber que sua reação fora um pouco exagerada.

Chiho (olhando para os lados): Eles provavelmente não estão em casa. Andam muito ocupados com a mudança e com problemas nos empregos...
Professora Akazawa: É parte do protocolo, querida pupila. Temos que avisar os pais quando uma criança se fere dentro do colégio.
Chiho: Mas eu estou bem. Posso até ir para casa sozinha.
Senhora Haruno: Nada feito, mocinha.

A enfermeira força Chiho a se sentar na cama.

Senhora Haruno: Você vai ficar sentada aí e descansar.
Chiho: Mas eu não quero deixar meus pais preocupados...
Professora Akazawa: Eles ficarão muito mais preocupados se de repente sua filha chegar com um corte no rosto em casa.
Chiho: Eu não quero perder meu primeiro dia de aula...
Professora Akazawa: Será só um dia. Amanhã você já estará de volta.
Chiho: Por favor...

De repente a porta da enfermaria se escancara e quinze garotos entram apressados. Todos se ajoelham no chão.

Garotos: Por favor, professora, permita que nossa musa fique conosco o resto o dia.
Senhora Haruno: Que bagunça é essa? Todos para fora.
Chiho: Por favor, não brigue com eles. São apenas bons amigos que estão preocupados comigo.

Chiho ajeita seus cabelos, jogando-os um pouco para o lado. Todos os garotos começam a lançar olhares apaixonados para a garota. Alguns ficam de boca aberta e chegam até a babar. A enfermeira pega uma vassoura e começa a empurrar os garotos para fora da enfermaria um a um. Chiho fica de joelhos diante da professora, chegando até a beijar seus pés.

Chiho (com um olhar de súplica): Por favor, me deixe ficar.

A professora Akazawa olha para os lados, indecisa quanto ao que fazer a seguir. Ela sabia que tinha que seguir as regras, mas gostava de ajudar todos os seus alunos. Ela resolve passar a responsabilidade adiante.

Professora Akazawa: Ok, ok. Não precisa disso tudo. Vamos consultar o diretor. Se ele lhe der permissão, você fica. Mas faço questão de levá-la em casa e falar com seus pais. Certo?
Chiho: Certo. Obrigada, querida professora.

O sinal da escola soa, anunciando o fim do intervalo.

Professora Akazawa: Vamos indo então, Nanasaki.

Chiho se levanta e pega a mão de sua professora.

Professora Akazawa: Obrigada pela ajuda, Sakura. Agora seja uma boa prodigio e volte para sua sala de aula.
Chiho: Muito obrigada, Kinomoto.

E então a professora Akazawa e Chiho deixam a enfermaria. A senhora Haruno começa a arrumar seu kit de primeiros-socorros.

Senhora Haruno: Têm algo errado com essa garota...
Sakura: Hã? Como assim? O machucado dela é grave?
Senhora Haruno (gesticulando para acalmar Sakura): Não, não é isso. É a forma com que todos se apaixonaram por uma menina que acaba de chegar. Parece até que ela tem algum imã que atrai garotos...
Sakura: Ah, tá. Não vejo isso como um problema. Ela é uma menina realmente muito bonita. Acho que isso é normal, não é?
Senhora Haruno: Você também é uma menina muito bonita e gentil e nem por isso está cercada de garotos.
Sakura: Eu não me acho tão bonita assim... e nem quero a atenção de todos os garotos. Só preciso da atenção de um.
Senhora Haruno: Ah. Que bonitinho. Já tem um namoradinho, não é?
Sakura (corando): É... bem... na verdade...

A senhora Haruno dá uma risada e passa carinhosamente a mão na cabeça de Sakura.

Senhora Haruno: Não fique prestando atenção nos lamúrios dessa velha e invejosa enfermeira. Vá para sua aula e se esforce bastante em seus estudos.
Sakura: Pode deixar.

Sakura deixa a enfermaria e volta para sua sala de aula. Meiling e Chiho não retornam a classe, o que podia ser um sinal de que foram dispensadas do resto das aulas do dia. O professor Terada também não retorna, sendo substituído por sua assistente, a professora Akazawa. A aula seguinte, que era de geografia, transcorre sem problemas, embora os alunos ainda comentassem vez ou outra sobre a briga no refeitório. Ainda demoraria um pouco para esquecerem a surra que sua colega de classe levara de uma senpai. Logo o sinal soa novamente, anunciando um pequeno intervalo entre aulas. Os alunos deixam a sala de aula para relaxar um pouco e curtir o sol no pátio por alguns instantes. Sakura acaba ficando para trás, permanecendo na sala de aula para terminar de organizar suas anotações.

Sakura (terminando de escrever): Nossa. Tenho que tirar um tempo para passar essa matéria a limpo direito.

Sakura fecha o caderno e gira um lápis entre os dedos.

Sakura: Vou ver se compro um caderno novo mais tarde.

Sakura se levanta e abre a porta para sair da sala, mas acaba dando de cara com Meiling.

Sakura: Meiling! Como foi na sala do diretor?

Meiling suspira, chateada. Sakura nota que Sekai estava passando por aquele corredor, rumando para sua sala de aula.

Meiling: Fiquei esse tempo todo levando bronca do diretor e do professor Terada graças a encrenqueira ali.
Sekai: Olha como fala com sua senpai, magrela. Quer levar outra surra?

Antes que Meiling faça algo, Sakura se coloca entre ela e Sekai, visando impedir uma possivel briga.

Sakura: Não precisamos de mais confusão. Por favor, siga seu caminho, Natsume-senpai.

Sekai rosna de raiva e levanta a mão, preparada para dar um tapa no rosto de Sakura, mas se detém no caminho. Ela acaba optando por apenas pressionar seu dedo contra o peito de Sakura.

Sekai: Nunca mais faça isso!
Sakura (um pouco receosa): F-fazer o que?
Sekai: Nunca me chame desse jeito. Você tem que me chamar pelo meu primeiro nome!
Sakura: Mas isso seria estranho, Natsume-senpai... você é uma senpai e nós nem temos intimidade...
Sekai: Me chame de Sekai!

Sakura recua dois passos.

Sakura: Tudo bem... Sekai...

Sekai respira fundo, procurando se acalmar. Ela dá um leve sorriso e vira as costas para Meiling e Sakura.

Sekai: Já vou indo. Nos vemos quando a suspensão acabar, magrela.

E então Sekai desaparece no corredor.

Meiling (confusa): Não entendi qual é a dessa garota...
Sakura: Vocês foram suspensas?
Meiling: Por três dias. E ainda tenho que providenciar a assinatura de meu responsável legal nessa advertência.

Meiling mostra uma folha para Sakura.

Sakura: Isso vai ser um problema...
Meiling (as mãos na cabeça): Você não faz idéia. Quando souber, minha mãe vai fazer questão de vir até aqui só para me dar uma boa surra e me pôr de castigo...
Sakura: Vai ficar tudo bem. Você vai superar essa e ainda vai guardar a lição que aprendeu.
Meiling (fechando os punhos): Sim. Aprendi que quando quiser dar uma surra numa garota irritante, tenho que fazer isso escondido ou fora do terreno da escola.
Sakura (gota caindo): Não era exatamente essa a lição que você devia ter aprendido...

Sakura mexe no cabelo de Meiling para dar uma olhada melhor nos curativos que ela tinha no rosto.

Sakura: Está doendo muito?
Meiling: Dói mais no meu ego. Fui humilhada na frente da escola toda.
Sakura: Você está exagerando. Foi apenas uma briga.
Meiling: Não foi só uma briga. Minha honra foi manchada. Eu só espero que o pessoal do clube de artes marciais não desista da aprovação da minha inscrição...
Sakura: Você se inscreveu no clube?
Meiling: Sim. Eu gosto de lutar e fiquei sabendo que o pessoal desse clube participa de alguns bons torneios. Gostaria muito de participar também...

Meiling olha para o chão, seu semblante mostrando preocupação.

Sakura: Não acho que você precisa se preocupar. Se você se esforçar nos treinos, tenho certeza que vão te aceitar e ignorar este incidente.
Meiling (estufando o peito e recobrando a confiança): Têm razão. Eu tenho treinado muito, dado tudo de mim. Se eu impressionar o pessoal do clube com minhas habilidades, com certeza serei aceita.
Sakura: Tentar não ser suspensa de novo ajudaria também.
Meiling (coçando a cabeça, sem graça): É... isso também ajudaria.
Sakura (mostrando seu bíceps, não muito confiante): É só você ficar longe de confusão. Se a Sekai resolver te perturbar, pode deixar comigo que eu cuido dela.
Meiling (rindo): Tenho certeza que você daria conta sem problemas.

As duas meninas riem juntas. Meiling recolhe sua mochila e se prepara para sair da sala.

Meiling: Bem... eu já vou indo para casa. Vou “curtir” minha suspensão.
Sakura: Ah. Será que eu poderia conversar com você sobre uma coisa?
Meiling: Hã? Sobre o que?

Sakura acompanha Meiling até o portão da escola. Elas se abrigam na sombra de uma árvore bem próxima ao portão, onde podiam conversar sem ninguém ouvir. Meiling e Sakura ficam sentadas lado a lado.

Meiling: Sobre o que você quer falar?
Sakura: Precisamos conversar sobre a Rika.

O semblante de Meiling muda e ela fica como uma cara de desgosto.

Meiling: Não tem nada para se falar sobre isso.
Sakura: Vocês não podem ficar brigadas desse jeito... vocês sempre se deram bem, todos nós sempre nos demos bem. Eu quero que minhas lembranças da escola sejam marcadas por momentos felizes com todos os meus queridos amigos.
Meiling: Uma amiga de verdade não falaria mal da outra desse jeito.

Meiling se levanta abruptamente, mas Sakura a segura pela minha mão.

Sakura: Não foi culpa da Rika, foi minha culpa.
Meiling: Que?

Meiling se senta novamente.

Meiling: Do que você está falando?
Sakura: Você se lembra que naquele dia estavam havendo algumas brigas estranhas e a maioria das pessoas estava com os nervos a flor da pele? Bem... tem um motivo para isso...

Então Sakura explica sobre o cordão que Amane estava usando em sua primeira visita e sobre o efeito da magia de Belial sobre as pessoas da cidade de Tomoeda. Meiling escuta tudo pacientemente, sem falar uma palavra sequer. Sakura termina seu relato e fica um pouco aflita, pois sua amiga não havia falado nada.

Meiling: Então a magia do caos da Belial, uma criatura que gostava de gerar brigas para se alimentar da raiva das pessoas, causou todos esses problemas? Ela tentou atacar essa cidade e envolveu a meia-irmã da Tomoyo nessa história?
Sakura: Exatamente.
Meiling: A magia se espalhou bastante e afetou você também, que teve uma crise de ciúmes feia na frente do Shaoran?
Sakura (quase mordendo a língua ao se lembrar do momento que quebrara acidentalmente o vaso do namorado): É... pode se dizer que sim...
Meiling: Não vejo como o ataque da Belial pode ser sua culpa.
Sakura: Eu devia ter percebido os efeitos da magia do caos antes. Se eu tivesse...
Meiling: Também não vejo como isso tira a culpa da Rika.
Sakura: O que? Como assim?
Meiling: Você disse que Belial procurava pensamentos que as pessoas guardavam para si e os usava para criar brigas. Isso significa que a Rika pensa em mim como uma garota incompetente que só consegue ser rejeitada por todo mundo.
Sakura: Não é assim! Ela estava abalada por causa dos ciúmes que estava tendo do namorado. E o que ela pensa sobre você é só uma opinião, não quer dizer que ela não goste de você ou que te critique pelas costas.
Meiling: Será que não?
Sakura: A Rika sempre foi uma boa pessoa e você sabe disso. Além do mais, tenho certeza que você também tem opiniões sobre os outros que você sabe que as pessoas não gostariam de ouvir.

Meiling reflete um pouco.

Meiling: Isso é verdade. Sempre achei a Rika um pouco lerda, às vezes até meio tapada...
Sakura: Viu? Você acha que a Rika gostaria de ouvir algo assim?
Meiling: Claro que não!
Sakura: É por isso que você não fica falando sobre isso. A Rika nunca falaria algo daquele tipo se não fosse pela influência da magia do caos.
Meiling: Hmmmm.
Sakura: Todos nós temos esse tipo de pensamento, mas não ficamos criticando os amigos. Procuramos dar conselhos para eles melhorarem seus pontos fracos.
Meiling: Hmmmm.

Sakura percebia pelo semblante de Meiling que ela ainda estava receosa em perdoar Rika. A herdeira de Clow precisava pensar em algo que pudesse reaproximar as duas.

Sakura: Se você está se sentindo incomodada pelo fato da Rika achar que você não leva jeito para romance, por que você não aproveita e prova o contrário?
Meiling: Hã? Como assim?
Sakura: A Rika está tendo problemas com o namorado desde o ataque de Belial. Eu acho que ela precisa da ajuda de uma expert no campo do amor...

Os olhos de Meiling começam a brilhar de excitamento.

Meiling: E eu poderia ajudá-la e mostrar meus conhecimentos para todo mundo. Sakura, você é um gênio!

Meiling dá um abraço apertado em Sakura.

Sakura (sorrindo): Gênio? Você não tem visto minhas notas de matemática, não é?

Meiling pega sua mochila e a coloca nas costas.

Meiling: Obrigada por me contar tudo isso e pelo conselho.
Sakura: Fico feliz em ajudar.
Meiling: O Shaoran por acaso já sabe sobre isso?
Sakura: Não. Ainda não mencionei a Belial para ele também. Não tivemos conversas muito longas desde aquele dia da briga...

Meiling olha para Sakura e suspira.

Meiling: Bem... acho que vou deixar minha primeira dica como conselheira amorosa.
Sakura: Primeira dica?
Meiling: O Shaoran ficou chateado por perder uma lembrança do pai, mas isso não foi o que mais abalou ele.
Sakura: Não?
Meiling: Ele ficou chateado por achar que você não confia nele.
Sakura: Mas eu confio nele! Se eu não contei uma coisa ou outra, foi só para não preocupá-lo em excesso. Eu compartilho todas as coisas importantes com ele...

“Será que compartilho mesmo? Será que eu dei motivo para ele estar assim? Mas eu não quero que ele se preocupe demais. Não quero que ele saia ferido por minha causa.”

Meiling: O Shaoran anda tendo conflitos com nossa família por causa de problemas de confiança. Achar que você também não confia nele deve tê-lo deixado bem irritado.
Sakura: E-entendo...
Meiling: A situação ficou bem feia lá na China. Ele está até brigado com a mã...
Fai: Mei-chan!

As duas meninas interrompem a conversa ao notar um garoto esguio e loiro de cerca de quinze anos acenando do portão. Meiling abre um largo sorriso e retribui o aceno.

Sakura: Você conhece ele?
Meiling: Vêm comigo. Vou apresentar vocês.

Sakura acompanha Meiling, que abre o portão e fica na frente da escola.

Meiling: Sakura, este é Fai D. Flourite, meu namorado.
Sakura (fazendo uma reverência): Prazer em conhecê-lo.
Meiling: Fai, esta é Sakura Kinomoto, a namorada do meu primo que lhe falei.
Fai: Já ouvi falar bastante de você. É um grande prazer finalmente conhecê-la.

Fai beija gentilmente a mão de Sakura, deixando a garota levemente corada. Meiling dá um golpe com sua mochila na nuca de Fai. O garoto cambaleia e cai sentado no chão.

Meiling: O que pensa que está fazendo? Você só pode ser galanteador comigo!
Fai (rindo e passando a mão na cabeça): Perdão. Não queria ofendê-la. Só estava tentando ser gentil.
Meiling (cruzando os braços): Não precisa ser tão gentil...
Fai: Eu já disse que você fica ainda mais bonita quando fica enciumada?

Fai se levanta e dá um beijo rápido nos lábios de Meiling. A chinesa cora com o gesto repentino e acerta a mochila na cabeça de Fai de novo. O garoto cai novamente no chão.

Fai (passando a mão na cabeça): Ai, ai. Qual foi o meu erro desta vez?
Meiling: É que... é que... é que... você... você... você me pegou de surpresa e não gosto disso!
Fai: Então eu peço perdão novamente. Só queria mostrar meu carinho por você.
Sakura: Vocês formam um casal fofinho.

Meiling olha para Sakura, que estava observando toda a cena com um sorriso no rosto. A chinesa muda de atitude repentinamente e estende a mão para o namorado, ajudando-o a se levantar.

Meiling: Desculpa pela reação exagerada. Você pode mostrar seu amor por mim, afinal somos namorados e somos muito íntimos.

Meiling se inclina para Fai e fecha os olhos. Estava esperando um beijo e seu corpo tremia um pouco de ansiedade. O garoto apenas sorri.

Fai: Não se preocupe. Não vou mais fazer nada que a deixe constrangida em público. Principalmente na frente de seus amigos.
Meiling (abrindo os olhos): Hã?

Meiling acerta outra vez sua mochila na cabeça de Fai.

Fai (rindo): Wow. Desse jeito vou acabar entrando em coma.
Meiling (uma veia saltando na testa): Idiota! Agora que era para você me beijar, você não beija?
Fai (coçando a cabeça, sem graça): Era para fazer isso? Eu ainda tenho que aprender a ler os seus sinais...

Fai se levanta e bate em suas roupas para limpar a poeira. Sakura estava impressionada com a beleza do garoto, seu jeito despreocupado e sua educação.

Sakura: Você têm algo engraçado na sua forma de falar... você não é daqui, não é?
Fai: Na verdade, eu nasci aqui no Japão, mas fui criado na França. Sou filho de pai inglês e mãe chinesa.
Sakura: Nossa. Que mistura.
Fai: É verdade. Meu sobrenome vem de uma pedra que dizem ter propriedades curativas e sedativas.
Sakura: Que legal. É sempre interessante saber o significado de seu nome, não é?
Meiling: É sim.
Fai: A Meiling também logo notou que eu era estrangeiro quando nos conhecemos. Eu não vinha praticando muito meu japonês, então o sotaque está um pouco forte.
Meiling: Mas com o tempo ele vai sumir. Ainda mais agora que você vai ficar por aqui por um bom tempo.
Sakura: Ah. Você se mudou recentemente, não é?
Fai: Sim, sim.
Sakura: Então você e a Meiling se conheceram não deve fazer muito tempo. Há quanto tempo estão juntos?
Fai: Duas semanas.
Meiling: Cinco semanas.

Fai e Meiling se entreolham. Eles acenam com a cabeça um para o outro e tentam de novo.

Fai: Quatro semanas.
Meiling: Três semanas.
Sakura (confusa): Vocês não sabem?

Meiling dá um pisão no pé de Fai e o garoto se controla para não gritar de dor.

Fai: Sabe o que é? Quando se está perdidamente apaixonado, imerso no mar e felicidade que é o amor, o tempo perde seu sentido. O ontem, o hoje e o amanhã passam a parecer os mesmos.
Meiling: Isso mesmo. Estamos tão felizes que não vimos o tempo passar.
Fai: O importante é sermos felizes no tempo que passamos juntos, não importa quanto tempo seja.
Sakura (com a mão no queixo): Mas a Meiling esteve viajando nos ultimos dias, então como vocês parecem estar em tanta sincronia?
Meiling: Hã?

Meiling olha para Fai, esperando uma ajuda na resposta que acaba não vindo. A chinesa agarra o braço do namorado.

Meiling: É que mesmo distantes, nós continuamos nos falando por telefone e e-mail. Já aprendemos muita coisa um sobre o outro.
Fai: Mas como você pôde ver após a surra que levei, eu ainda tenho muita coisa para aprender.

Outro pisão no pé. Algumas lágrimas de dor quase escapam dos olhos de Fai, que começa a rir para disfarçar.

Meiling: Não fale assim. Vai parecer até que sou uma menina agressiva.
Sakura (gota caindo): Você já esqueceu o que aconteceu no refeitório, não é?
Meiling: Ah. Mudando de assunto... por que você está aqui, Fai?
Fai: Além de estar com saudades de minha querida namorada? Eu estava terminando de entregar alguns documentos. Fiz minha matrícula na escola Nataime.
Sakura: Aquela escola que fica depois da estação de trem?
Fai: Essa mesmo.
Meiling (parecendo desapontada): Ahhhh. Pensei que você fosse estudar na mesma escola que eu...
Fai: Eu até gostaria, mas minha mãe prefere que eu estude nessa escola. Ela tem alguns conhecidos lá e já havia deixado tudo devidamente preparado antes de eu me mudar para cá. Seria uma desfeita rejeitar a oferta agora.
Meiling: Desfeita é deixar sua namorada esperançosa e depois jogar um balde d’água desse jeito.
Fai: Eu nunca disse que viria para sua escola.
Meiling: Mas devia. Você não fica com medo de me deixar sozinha nesta escola com tantos garotos de olho em mim?
Fai: Não.
Meiling (batendo o pé no chão): Mas eu fico com medo de deixar você sozinho numa outra escola com um monte de garotas!
Fai (rindo): Adoro essa carinha de ciúmes...

Meiling vira a cara, levemente irritada.

Fai: Enfim... eu terminei meus afazeres mais cedo do que o previsto e resolvi vir buscá-la na escola.
Sakura: Mas ainda falta um pouco para o fim das aulas...
Fai: Eu não fazia ideia do horário de saída, então resolvi arriscar. Se estivesse errado, eu passaria o tempo em alguma lanchonete e depois voltaria para cá.
Sakura: Você deu sorte pois a Meiling foi dispensada mais cedo da escola hoje, então você pode acompanhá-la até em casa.
Fai: Dispensada mais cedo? Mas por que?
Sakura: É que hoje no refeitório ela...

Meiling se move agilmente e tapa a boca de Sakura.

Meiling: Eu ajudei as cozinheiras a organizar as filas de alunos e evitei uma grande confusão. Como agradecimento, me deixaram ir para casa mais cedo hoje.
Fai: Interessante. Não sabia que escolas podiam fazer esse tipo de coisa. Liberar alunos de aulas como bonificação por bom comportamento...
Meiling (gesticulando, nervosa): Isso é uma prática muito comum nas escolas do Japão, não é, Sakura?
Sakura: Bem...
Porteiro: Ei, vocês duas.

O porteiro da escola, um senhor de baixa estatura com cabelos bem ralos, havia aberto o portão.

Porteiro: Vocês não podem ficar aqui. Ou vão para casa ou ficam no pátio da escola. Vocês já conhecem as regras.
Meiling: Desculpe. Bem... eu já vou indo então, Sakura.
Sakura: Ok. Nos falamos depois. Tchauzinho.
Meiling: Tchau.
Fai: Até logo.

Sakura entra para o pátio da escola e o porteiro fecha o portão novamente. Em seguida ele volta a se sentar numa cadeira próximo ao muro onde passava a maior parte do dia cochilando. Meiling e Fai dão as mãos e começam a caminhar. Sakura observa o casal se afastando.

Fai: Estou curioso sobre uma coisa.
Meiling: Sobre o que?
Fai: O que houve com seu rosto? Por que todos esses curativos?
Meiling (apontando para o próprio rosto): Ah. Isso? É que eu sofri um acidente. Na hora da agitação do intervalo, acabei trombando com outra garota no corredor e caí de cara no pé dela.
Fai: Que estranho. Esses ferimentos não parecem ser de uma queda...
Meiling (sorrindo sem graça): É que foi uma queda muito feia...

Fai e Meiling logo somem do campo de visão.

Sakura (murmurando): Estou torcendo por você, Meiling...

Sakura se vira e se prepara para voltar para o prédio da escola, mas acaba vendo algo que lhe chama a atenção. Shaoran estava sentado na fonte da escola e Chiho se aproxima dele. Os dois conversam brevemente e o chinês logo se levanta e acompanha Chiho para dentro do prédio.

Sakura: Hmmm.
Sekai: O que foi? Está de olho no namorado dos outros?

Sakura se surpreende ao notar que Sekai estava bem ao lado dela.

Sakura: Natsume-senpai?

Sekai rosna para Sakura, seus agressivos olhos caramelo fixos na herdeira de Clow.

Sakura: Quer dizer... Sekai-senpai...
Sekai: Assim está melhor.
Sakura: Eu não estou de olho no namorado de ninguém. Eu nunca faria nada desse tipo.
Sekai: É claro que não. Você é a menina boazinha e perfeitinha da história. Então isso significa que você gosta daquele garoto e está com ciúmes.
Sakura (cruzando os braços): Eu não estou com ciúmes.
Sekai: Nossa. Está se mordendo de ciúmes.
Sakura (batendo os pés): Não estou não.
Sekai: Você deveria correr atrás deles antes que perca o garoto para sempre.
Sakura: Eu confio no Shaoran.
Sekai: Todos confiam até que se vêem traídos.
Sakura: Hmmmmmm.
Sekai: Divirta-se, Sakura.

Sekai acena em despedida e deixa a escola. Em sono pesado, o porteiro nem nota o portão ser aberto e a saída da garota de 14 anos.

Tomoyo: Não liga para ela, Sakura.

Tomoyo e Yamazaki haviam se aproximado de Sakura ao perceber que Sekai estava mexendo com ela.

Yamazaki: Tá na cara que essa garota é um “mundo” de problemas.
Tomoyo: Esse trocadilho foi infame, Yamazaki.
Yamazaki: Aquela garota está querendo te provocar e te deixar nervosa.
Tomoyo: É verdade, Sakura. Não caia na conversa dela.
Sakura: Não se preocupem. Não vou ter outra crise de ciúmes. Eu aprendi minha lição. Confio no Shaoran.
Tomoyo: Isso mesmo. É assim que se fala.
Rina: Hã... com licença...

Os três amigos interrompem a conversa ao perceber a aproximação de uma tímida garota. Ela estava carregando uma pilha de papéis nos braços.

Sakura: Sanehara?
Rina: O-olá, Kinomoto.
Yamazaki: Você conhece ela, Sakura?
Sakura: Essa é Rina Sanehara. Ela é minha companheira no clube de atletismo.
Tomoyo: Ah. Prazer em conhecê-la.
Yamazaki: Muito prazer.
Rina: P-pra... p-pra... pr...

Rina começa a tremer muito e não consegue formar as palavras direito. Por fim, acaba deixando todas as folhas caírem.

Rina: Essa não...

Rina se abaixa e começa a recolher as folhas de maneira agitada. Sakura se agacha e recolhe parte das folhas também, entregando-as para sua companheira de clube.

Sakura: Aqui estão.
Rina: O-obrigada...
Sakura: Você não precisa ficar nervosa, Sanehara. Você está entre amigos.
Tomoyo: Exatamente.
Yamazaki: Você queria nos dizer alguma coisa?
Rina: Eu... bem... eu...

Rina entrega uma folha para cada um. Eram panfletos anunciando um evento.

Sakura: Apresentação do clube de culinária?
Rina: Por favor, compareçam! Minha irmã está contando comigo!

Rina faz uma reverência e sai correndo.

Sakura: Sanehara! Espera!
Yamazaki: Tarde demais.
Tomoyo: Ela é rápida. Faz sentido ela está no clube de atletismo.
Sakura: A coitadinha é muito tímida. Temos que tentar deixar ela mais a vontade, assim ela pode se soltar mais...

Sakura olha para o panfleto.

Sakura (mostrando o panfleto): O que acham de dar uma passada lá?

Os três amigos, então, se dirigem ao prédio auxiliar, mais precisamente ao terceiro andar deste, onde ficava a sala do clube de culinária. A porta de correr estava aberta, mas mesmo assim Sakura bate na porta antes de entrar.

Sakura: Com licença.

Havia um bom número de alunos naquela sala que, mesmo espaçosa, mal os comportava. Haviam enfeites espalhados por todo o lugar e mesas com lanches pratos variados logo na entrada. Cada mesa tinha uma integrante do clube dando explicações sobre os pratos feitos e coletando opiniões dos visitantes. As integrantes do clube, aliás, estavam usando uniformes de empregadas pretos com vários babados brancos e procuravam estar sempre sorrindo.

Sakura: Nossa. Elas ficaram muito bonitas nessas roupas.
Tomoyo: Eu conheço alguém que ficaria sensacional nesses trajes de empregadas...
Sakura (sentindo os olhares de Tomoyo recaírem sobre ela): Tomoyo...

Uma das empregadas se aproxima do grupo.

Empregada: Sejam bem-vindos. Estamos fazendo essa degustação para mostrar a todos o quanto é divertido e delicioso fazer parte do clube de culinária. Sintam-se livres para provar de tudo e, por favor, considerem se unir a nós em nossas atividades.
Sakura: Que legal! É uma boa estratégia para conseguir novos integrantes.
Empregada: Obrigada. Nós pensamos em fazer isso porque a maioria de nós se formar esse ano e não queremos deixar o clube ser fechado por falta de membros.
Sakura: Tomara que vocês consigam.
Empregada: Obrigada. Querem que eu sirva alguma coisa? Que tal experimentar um parfait? Ou tomar um chocolate?
Tomoyo: Eu acho que vou aceitar o chocolate.
Yamazaki: Por falar em chocolate... vocês sabiam que o chocolate era feito de terra nas antigas civilizações da África?
Sakura: Hoeee! De terra? Sério?
Yamazaki: Seríssimo. E fazia sentido, desde que a terra era rica em minerais, era macia e era pretinha. A fabricação era bem diferente. Eles pegavam um punhado de terra, colocavam dentro de panelas feitas de pedra e... unghhh.

A explicação de Yamazaki é interrompida quando alguém coloca um pedaço de bolo na boca do garoto. Era obra de Rika, que havia se aproximado dos amigos durante a conversa.

Rika: Contando mentiras de novo, Yamazaki?
Yamazaki (com a boca cheia): Hmmmmm.
Sakura (surpresa): Era mentira?
Rika: Como a Chiharu não está por aqui, alguém têm que controlar o Yamazaki.
Tomoyo (rindo) Bom trabalho, Rika. A Chiharu ficaria orgulhosa.

Yamazaki mastiga e engole o bolo.

Yamazaki: Nossa. Estava delicioso.
Empregada (sorrindo): Obrigada! Fui eu que fiz!

As empregadas colocam seis mesas no centro da sala. Sobre essas mesas elas colocam utensilios de cozinha e alguns ingredientes. Haviam, inclusive, microondas sobre as mesas. Sakura nota que Rina estava encolhida no fundo da sala, ainda segurando alguns panfletos e observando toda aquela agitação com receio.

Sakura: O que elas estão fazendo?
Empregada: A nossa presidente vai iniciar o nosso jogo.

Uma das empregadas fica diante das mesas, limpa a garganta e começa a discursar.

Ritsu: Olá, pessoal. Eu sou Ritsu Sanehara, presidente do clube de culinária.
Yamazaki: Sanehara?
Sakura: Ela deve ser a irmã que a Rina falou.

Os alunos presentes batem palmas.

Ritsu: Agradeço a todos que vieram aqui. Só a presença de vocês já conta muito. Agradeço também a minha irmã mais nova, Rina, que, mesmo não fazendo parte do clube, ajudou no nosso trabalho de divulgação.

Ritsu aponta para Rina e os alunos aplaudem. Constrangida, Rina esconde seu rosto atrás dos folhetos.

Ritsu: Nós não temos muito tempo, já que o intervalo deve acabar logo. Então vamos fazer um pequeno joguinho para animar as coisas. Tenho certeza que temos bons cozinheiros aqui entre os visitantes. O que acham de um desafio?


Os alunos se entreolham, curiosos.

Ritsu: Quem consegue fazer um prato delicioso em dez minutos com quaisquer ingredientes que estejam a mão? Isso é uma tarefa para grandes cozinheiros! Vamos dividir a disputa em duplas. Os vencedores ganham o direito de ter os doces do clube de culinária de graça em qualquer festa que desejar, mas apenas em uma festa.

Ritsu faz uma pose sexy.

Ritsu: E ainda vamos comparecer a festa vestidas de empregadas!

As outras integrantes do clube se entreolham, perplexas. Aparentemente a presidente havia esquecido de avisá-las sobre esse prêmio.

Ritsu: Quem aceita o desafio? Avisamos logo que seremos bastante rigorosos no julgamento.

Duas meninas do oitavo ano se oferecem e formam uma dupla. Um casal do nono ano também se anima e resolve entrar na brincadeira.

Tomoyo: Você devia tentar, Rika. Não conheço ninguém que cozinhe melhor que você.
Rika: Eu não sou tão boa assim.
Chiho: Eu também quero participar.

Chiho havia se aproximado da presidente Ritsu.

Ritsu: Você é bem-vinda para participar, kouhai, mas precisa de um companheiro ou companheira para formar dupla.
Chiho: Hmmm.

Chiho puxa um garoto do meio do grupo de expectadores. Sakura fica surpresa ao notar que era Shaoran.

Chiho: Pronto. Já arrumei um parceiro.
Shaoran: Ei. Devagar.
Ritsu: Ok. Você pode ficar com aquela mesa ali. Mais alguém?

Chiho tira algo do rosto de Shaoran e ajeita o cabelo dele. Uma veia logo fica saltada na testa de Sakura.

Sakura: Eu também vou participar!
Ritsu: Opa. Mais cozinheiros animados. Tem um parceiro ou parceira?
Sakura: Tenho.

Sakura arrasta Rika para o centro da sala.

Rika: Sakura, eu não sei se...
Sakura: Nós vamos ganhar!
Ritsu: Gostei de ver a confiança. Mais alguém?

Por fim, seis duplas aceitam o desafio. Yamazaki e Tomoyo resolvem participar da brincadeira juntos. Após todas as duplas estarem posicionadas, Ritsu coloca um apito na boca.

Ritsu: Preparar, apontar... começar!

As duplas pensam rapidamente no que fazer e iniciam o preparo de seus pratos. Mesmo se esforçando para se concentrar no que cozinhava, vez ou outra Sakura olhava de relance para Chiho. A menina loira cozinhava tranquilamente e brincava um pouco, sujando o rosto de Shaoran com um pouco de chocolate.

Rika: Sakura...
Sakura: O que foi?
Rika: Por que está cortando esses legumes? Não vamos precisar deles.
Sakura: Ah. Desculpa. Me perdi um pouco...

O fã-clube de Chiho estava presente e rodeava a mesa, dando gritos de incentivo. Dez minutos mais tarde, Ritsu apita mais uma vez e ordena que todos se afastem das mesas. Ritsu e mais duas companheiras de clube vão de mesa em mesa e experimentam cada um dos pratos feitos. A mesa de Sakura é a penultima a ser visitada.

Ritsu (comendo um pouco): Hmmm. Torrada de queijo com mel e nozes. Ficou delicioso. Ficaria perfeito para um café-da-manhã. Bom trabalho, meninas.
Sakura (e Rika): Obrigada!

Em seguida Ritsu se dirige a mesa de Chiho e Shaoran.

Ritsu (se deliciando com um pedaço): Hmmmm. Sensacional. Um bolo de maça, chocolate e canela. O sabor está simplesmente perfeito.

Ritsu se vira para suas colegas de clube e elas cochicham por um breve instante.

Ritsu: E foi unânimidade. Os vencedores foram... imaginem o som da tambores... a dupla do bolo de maçã!

Os alunos presentes aplaudem. Os garotos do fã-clube cercam Chiho para parabenlizá-la e pedir para provar um pouco do bolo. Alguns ainda pareciam preocupados com o ferimento que Chiho tinha no rosto e a menina logo procurava tranquilizá-los.

Rika: Sinto muito, Sakura. Fiz o melhor que pude, mas você me pegou de surpresa e a Chiho realmente cozinha muito bem.
Sakura: Tudo bem. Eu é que tenho que pedir desculpas por te envolver nisso.

Yamazaki oferece um prato com um pedaço de torta com um morango em cima para Sakura.

Yamazaki: Um brownie de chocolate como prêmio de consolação.
Sakura: Obrigada, Yamazaki.

Sakura prova um pedaço do brownie e depois oferece um pouco para Rika.

Sakura: Nossa. Ficou delicioso.
Rika: A Tomoyo fez um bom trabalho.
Yamazaki (cruzando os braços): Não seja injusta. Eu ajudei a preparar também... e ajudei muito.
Sakura: Fiquei surpresa, Yamazaki. Não sabia que você tinha tanto talento para a cozinha.
Yamazaki (estufando o peito, cheio de si): Eu tenho muitos talentos ocultos...
Sakura: Parabéns. O sabor ficou realmente sensacional.
Rika: Qual parte você fez?
Tomoyo (rindo): Ele só colocou os morangos em cima.
Sakura (gota caindo): Devolva meu elogio.

O sinal da escola soa, anunciando o fim do intervalo.

Ritsu: Mais uma vez, obrigado por comparecerem e, por favor, considerem a chance de se juntar ao nosso clube. Garanto que vocês vão se divertir tanto quanto hoje.
Yamazaki (pegando mais alguns doces): Eu acho que o clube ficaria mais divertido se vocês tocassem músicas enquanto fazem doces. Talvez pudesse até ter um chazinho...
Ritsu: Chá e doces misturados com música? Isso nunca daria certo. Mas valeu pela sugestão.

Os alunos começam a dispersar e se dirigirem para suas salas.

Ritsu: Os vencedores depois passem aqui na sala do clube para conversarmos sobre o prêmio.

No corredor, Shaoran se aproxima de seus colegas de turma.

Shaoran: Nunca pensei que alguém pudesse cozinhar melhor que você, Rika.
Rika: Vocês sempre exageram. Não sou nenhuma super cozinheira.
Tomoyo: Mas você também ajudou, não é, Shaoran?
Shaoran: Eu praticamente fiquei só olhando. Ela não me deixou ajudar em quase nada.
Yamazaki: Vocês se deram bem. Ganharam doces de graça para uma festa.
Shaoran: Eu vou deixar para a Nanasaki. Não tenho nenhum interesse nisso e ela se esforçou tanto que merece essa recompensa. Fiquei impressionado com o talento dela.

Shaoran nota que Sakura estava muito quieta e com um semblante sério.

Shaoran: Algum problema, Sakura?
Sakura (virando a cara): Não é nada.
Shaoran: Você parece chateada... quer conversar sobre isso?
Sakura: Na verdade...

Chiho se aproxima repentinamente e agarra o braço de Shaoran.

Chiho: O jogo foi muito divertido, não é, pessoal? Estou adorando essa escola. Vocês são muito mais animados e gentis que meus antigos colegas.
Shaoran: Fico feliz por você, Nanasaki.
Sakura: Nós estávamos conversando aqui.
Chiho (colocando a mão na boca): Oh. Desculpa. Não queria interromper.
Shaoran: Não se preocupe. Eu sei que foi sem querer. Não precisa ser rude, Sakura.
Sakura: E ela não precisa ser mal-educada.
Shaoran: Desculpe a grosseria da Sakura, Nanasaki. Não sei o que deu nela hoje.
Sakura (murmurando): É uma certa presença que está me irritando...
Chiho: Está tudo bem. Foi minha culpa mesmo.
Sakura (bufando de raiva): Vamos apertar o passo ou chegaremos atrasados na aula.

Sakura dá as costas para Shaoran e segue caminhando. Ela sentia um forte incômodo no peito, mas não queria parar para pensar nisso. Estava sentindo muita raiva no momento. O grupo de alunos chega a sala de aula, onde aguardariam sua professora. Após cinco minutos de espera, Naoko abre a porta da sala.

Naoko: Pessoal... a professora Hashimoto pediu para avisar que hoje vamos ter aula prática de educação física lá na piscina.
Mika: Que ótimo! Nesse clima quente nada melhor do que um bom banho de piscina para refrescar.

Os alunos recolhem suas coisas e se dirigem para o ginásio aquático, um galpão que ficava na parte lateral da escola. Assim que entram no galpão, eles se dividem entre os vestiários masculino e feminino, onde colocariam seus trajes de banho escolares. Sakura termina de vestir seu maiô e guarda sua mochila no armário. Ela resolve ajudar Tomoyo a prender seu cabelo antes de seguir para a piscina. Tomoyo percebe que sua amiga estava visivelmente chateada.

Tomoyo: Você disse que não ia ficar com ciúmes, Sakura.
Sakura: Estou fazendo o melhor que posso, mas está dificil. O Shaoran ajudou ela no jogo do clube de culinária, a defendeu e me deixou de lado.
Tomoyo: Vocês dois tem que sentar e conversar direito. Só assim vão resolver tudo.
Sakura: É... acho que você tem razão...
Naoko: Estão falando da Nanasaki?

Naoko havia se aproximado das amigas enquanto tirava seus óculos e colocava uma touca. Sakura e Tomoyo se certificam que ninguém mais está prestando atenção, principalmente Chiho, antes de responder.

Sakura: Sim. Ela está muito grudada no Shaoran.
Naoko: A maioria das garotas da escola está com raiva dela. Afinal, ela conquistou os corações de todos os garotos da escola. Parecem estar até hipnotizados.
Tomoyo: Mas será que ela fez por mal?
Sakura: Eu não sei, mas não estou gostando de vê-la muito perto do Shaoran.
Naoko: Eu ouvi uns boatos estranhos sobre ela, sabe...
Tomoyo: Boatos?
Naoko: Sim. Parece que ela nem tem matricula nessa escola ainda. Segundo o que ouvi, a Nanasaki chegou à escola hoje, conversou com o diretor e o convenceu a deixá-la estudar ali mesmo sem apresentação de documentos e aprovação dos pais.
Sakura: Mas isso é contra as regras. A escola estaria em problemas se alguém descobrisse isso.
Tomoyo: Pior ainda... a Nanasaki se machucou no nosso refeitório sem nem ao menos ser aluna daqui. A escola poderia ser processada.
Sakura: Será que isso é verdade? O diretor sempre me pareceu muito sábio, não acho que ele cometeria um erro desses.
Tomoyo: Pode ser apenas um boato espalhado pelas meninas que estão com muita inveja.
Naoko: Eu não acho que seja um boato qualquer... eu ouvi algumas professoras brigando com o diretor quando fui a sala dos professores. Elas pareciam estar reclamando da situação da Nanasaki. Elas queriam mandar a novata para casa.
Sakura: Bom... eu ajudei a levar ela para a enfermaria e a professora Akazawa disse que seria melhor ela ir para casa mesmo.
Naoko: Parece que a Nanasaki bateu o pé e disse que ia ficar até o fim das aulas. O diretor e os professores apoiaram a menina e as professoras foram obrigadas a acatar as ordens.
Sakura: Elas devem ter ficado irritadas...
Naoko: Estavam soltando fogo pela boca, mas sabem que não podem fazer nada que o diretor seja contra.
Sakura: Espero que essas coisas sejam mentira. Não gostaria que nossa escola tivesse problemas...

Tomoyo coloca uma touca e fica se olhando num espelho de mão para ajeitá-la em sua cabeça. Pelo reflexo no espelho, Tomoyo percebe que Chiho a estava a observando a distância, estando encostada na porta. A menina loira sorri e puxa conversa com uma garota que estava próxima.

Tomoyo (com a mão no queixo): Hmmmm.
Sakura: O que foi, Tomoyo?
Tomoyo: Estou começando a achar que tem algo estranho com ela... e não consigo deixar de lado essa sensação de que a conheço de algum lugar... aquele rosto é familiar...
Professora Hashimoto: Vamos logo, meninas! Todas para a piscina!

Quando as meninas deixam o vestiário, notam que os meninos estavam a beira da piscina cercando Chiho, que usava uma maiô rosa com alguns babados.

Garoto 1: Você está linda!
Garoto 2: É a garota mais linda que eu já vi.
Chiho: Ah. Que isso, meninos. Vocês estão exagerando. Esse maiô é velho. Como não tenho o maiô dessa escola ainda, fui obrigada a usar esse...
Garoto 3: É tão bonita e cheirosa...
Garoto 2: É boa aluna, é prestativa, é simpática, se preocupa com os amigos, é boa cozinheira...
Garota 1: Ela é perfeita!
Garoto 4: Não consigo parar de pensar em você, Nanasaki.
Yamazaki: E eu não consigo parar de te olhar.

A professora Hashimoto estava alheia a situação. Ela estava na porta do galpão tendo uma conversa com a professora Akazawa. As garotas da classe, visivelmente enciumadas, abrem caminho no grupo de garotos e tiram Chiho de lá.

Rika: Você tem que ficar nessa piscina aqui. Os meninos que ficam naquela piscina lá.
Chiho: Desculpa. Eu não sabia.
Yamazaki: Você é uma estraga-prazeres, Rika.
Rika: Quero ver o que você vai fazer quando a Chiharu descobrir que você está bancando o bobo.
Yamazaki: Não estou nem aí para o que ela pensa.
Sakura (surpresa): Você não devia dizer isso, Yamazaki...

Yuriko, Mika e Kaya estavam sentadas nos trampolins, aguardando o inicio da aula e observando toda aquela agitação de longe. Yuriko estava lendo um livro de capa negra.

Kaya: A novata está causando muita agitação.
Yuriko: Tenho pena dessas meninas. Estão se sentindo ameaçadas por tão pouco.
Mika: Eu achei que você também estava se sentindo ameaçada... você passou o intervalo todo resmungando sobre a Nanasaki...

Yuriko acerta o livro na cabeça de Mika, fazendo um galo surgir na cabeça dela.

Mika (passando a mão na cabeça): Ai, ai.
Yuriko: Idiota. Não fale besteira. Eu estava apenas fazendo comentários e análises pertinentes. A minha única e real rival é a chatinha de olhos verdes.
Mika: D-desculpa, destemida líder...

Kaya recolhe do chão o livro que fora arremessado na cabeça da amiga.

Kaya: Que livro estranho. Ocultismo? Desde quando você lê essas coisas?
Yuriko (ficando sem graça): É para um trabalho que estou fazendo.
Kaya: Trabalho? Que trabalho?
Yuriko (recolhendo o livro): Está fazendo perguntas demais. Garotas fofoqueiras não são nada elegantes.
Kaya: Tem razão. Desculpe pelo meu desleixo, majestosa líder.
Professora Hashimoto (chamando a atenção de todos com seu apito): Todos se aquecendo! Vamos começar logo essa aula!

Após uma breve série de exercícios de aquecimento, a professora inicia a aula. Os meninos começam fazer várias voltas na piscina número 2 praticando o nado de costas. Para as meninas, que ficam na piscina número 1, é solicitado a prática do nado de peito. A professora segura Chiho, impedindo que ela entre na piscina também.

Professora Hashimoto: Nada disso, mocinha. Você está proibida de entrar na piscina.
Chiho: Eu não posso ir?
Professora Hashimoto: Você têm esse machucado no rosto. Não quero que essa ferida acabe abrindo.
Chiho: Que pena. Eu queria tanto nadar também.
Professora Hashimoto: Você pode ficar molhando seus pés na beira da piscina e assistindo a aula. Mas nada além disso, entendido?
Chiho (parecendo um pouco triste): Certo.

As meninas seguiam nadando tranquilamente. Yuriko salta do trampolim algumas vezes e demonstra habilidade ao sempre fazer mergulhos perfeitos. Ela acaba atraindo a atenção de outras meninas da classe.

Garota 1: Você viu? Ela repetiu de novo. A Yuriko é muito boa.
Garota 2: Ela é boa no mergulho e tem excelentes tempos na piscina.
Garota 1: Ela é um verdadeiro prodigio... é tão boa em tantas coisas...

Cheia de si, Yuriko se prepara para fazer mais um mergulho.

Garota 2: E ela é tão bonita. Todos os garotos ficam sempre de olho nela.
Garota 3: Ela tem muitas qualidades, mas eu acho a Sakura muito mais bonita e simpática que ela.
Garota 1: É verdade. E a Sakura é excelente nos esportes também. Ela agora está no clube de atletismo e deve participar de um importante torneio.
Garota 2: As duas são praticamente do mesmo altissimo nível se formos analisar qualidades e defeitos... é dificil escolher a melhor...
Garota 3: Eu acho que escolheria a Sakura...

Yuriko erra o movimento e cai de barriga na água. Kaya e Mika logo se aproximam para ajudá-la.

Mika: Esportiva líder... você está bem?

Sakura pára para descansar após algumas voltas e nota Rika distraída na raia do lado. Ela nota que a amiga estava ligeiramente corada.

Sakura (se apoiando na corda que separa sua raia): O que foi, Rika?
Rika: Ele... ele veio me ver nadar...

Sakura segue o olhar de Rika e percebe que havia alguém observando a aula de uma plataforma no segundo andar. Era o professor Terada.

Sakura: Parece que o seu admirador ficou com saudades e veio dar uma espiadinha.
Rika: Será que nadei bem? Será que estou bonita? Quero impressioná-lo e...

Sakura joga o cabelo molhado de Rika para trás e sorri para menina.

Sakura: Relaxa. Você está muito meiga, como sempre. Não precisa se esforçar demais. É só agir naturalmente.
Rika: Será que ele quer conversar? Pode ser a minha chance de consertar tudo...
Sakura: Olha lá. Ele está acenando para você.
Rika: Para mim? Mas seria muito arriscado...
Sakura: Tem vários alunos aqui. Ninguém deve suspeitar.
Rika: Olhando com mais calma... ele não parece estar acenando para mim...

Rika olha para a outra ponta da piscina e percebe que Chiho estava retribuindo o aceno. A menina loira e o professor trocam sorrisos.

Rika: Primeiro a Akazawa, agora a Nanasaki... por que eu não sou o bastante para ele?
Sakura: Ah, Rika. Não fica assim...

Rika soluça um pouco, mas segura o choro. Ela afunda na água e começa a nadar para longe.

Sakura: Espera, Rika. Vamos conv...
Yuriko: Kinomoto!
Sakura: Hoe?

Yuriko havia surgido do fundo da piscina e agarrado o braço de Sakura, impedindo que ela fosse atrás de Rika.

Sakura: O que você quer?
Yuriko: Desafio aquático. Vou provar de uma vez por todas quem é a melhor da classe.
Sakura: Agora não é um bom momento p...
Yuriko: Vamos para o trampolim. Agora.

Yuriko arrasta Sakura para fora da piscina e convence a professora Hashimoto a liberar uma disputa entre as duas.

Professora Hashimoto: Às suas marcas...

Yuriko e Sakura sobem em trampolins. A herdeira de Clow perde um pouco do foco ao perceber que Chiho havia se agachado próximo a piscina número 2. A menina loira estava conversando animada com Shaoran e acariciando os cabelos castanhos dele.

Yuriko: Ei! Esquece seu namorado e se concentra aqui. Não quero desculpas esfarrapadas depois que eu te vencer. Leve isso a sério!
Sakura: Eu... vou tentar...

Sakura estava sentindo uma sensação estranha no peito. Essa sensação vinha acontecendo desde mais cedo. Antes parecia apenas ódio, raiva, mas agora a herdeira de Clow podia sentir também medo, terror, uma bizarra mistura de sensações que confundia sua mente. Sakura começa a se sentir enjoada.

Professora Hashimoto: Preparar...

Sakura sente sua visão ficar embaçada e sua respiração fica mais pesada. Tomoyo, que estava sentada na beira da piscina tentando se recuperar de uma câimbra, é a primeira a notar que algo não está certo.

Tomoyo: Sakura?

"Minha cabeça está doendo. Estou sentindo meu corpo fraquejar. O que está acontecendo comigo? É como se estivesse usando muita magia... mas eu não estou. Tem algo oculto nessa onda de sensações estranhas... é uma presença... magia do caos!"

Professora Hashimoto: ... JÁ!

Yuriko salta e dispara rumo a outra ponta da piscina. Sakura fica parada sobre o trampolim, ainda sem reação.

Professora Hashimoto: Kinomoto? Você está bem?

Sakura sente o mundo a sua volta girar. Enquanto cai em direção a água, ela ouve os gritos assustados das colegas de classe e percebe Shaoran e Chiho na outra ponta da piscina, as mãos entrelaçadas fortemente. O sorriso maligno de Chiho é a última coisa que Sakura vê antes de ser engolida pela escuridão.

(CONTINUA...)

Notas finais
Curiosidades:

- Senpai significa "veterano". É usado para se referir a alunos de séries mais avançadas na escola. Serve, também, para denotar hierarquia.
- Kouhai significa calouro (a).
- O nome Sekai significa mundo. Daí surgiu o trocadilho feito por Yamazaki.
- Parfait é um tipo de sobremesa preparado com sorvete e frutas.