Card Master Sakura
10 Capítulo 8 - Sakura e o mistério do milharal
Notas iniciais
Sakura se diverte numa fazenda!
[Imagem Ilustrativa do Capitulo]
O ônibus escolar amarelo estava subindo uma colina nos arredores da cidade de Yomiyama sob a vigia de um sol firme. Os alunos da 7ª série da escola Tomoeda mal podiam conter sua agitação e tentavam se manter em seus lugares no veículo. O ônibus passa por uma placa indicando a distância para as próximas cidades. Sakura (erguendo os braços no ar): Excursão! Naoko e Chiharu riem. Chiharu (se apoiando no encosto do banco da frente): Pelo visto a Sakura é a mais animada de todas. Sakura (os olhos brilhando de alegria): Vai ser tão divertido! Naoko: Vai sim. Três dias se divertindo numa fazenda e aprendendo coisas novas! Sakura: Vai ser um fim de semana perfeito! Tomoyo aponta sua câmera para Sakura. Tomoyo (os olhos brilhando): E eu vou poder filmar a Sakura andando de cavalo pela primeira vez. Vai ser épico. Sakura (gota caindo): T-tomoyo... Yuriko (rindo maldosamente): Vai ser uma comédia, isso sim. Duvido que essa nanica consiga ficar um minuto sobre um cavalo. Mika e Kaya começam a gargalhar. Chiharu (olhando feio para as duas meninas): Ignora elas, Sakura. Isso é inveja. Rika estava sentada em seu lugar, olhando perdidamente para a janela. Kazuko estava sentada ao seu lado. Ela estava coçando o gesso em seu braço. Kazuko: Está preocupada com ele? Rika: Hã? É... um pouco. Kazuko: Tenho certeza de que o professor Terada está bem. Rika: Eu sei. Ele está de repouso na casa da irmã... mas mesmo assim não consigo parar de pensar nele... Kazuko: Bem... tenho que confessar que também estou com saudades. Essa professora assistente que está no lugar dele é meio estranha... As meninas olham para o primeiro banco atrás do assento do motorista e vêem uma mulher de uns 25 anos de idade, com cabelos ruivos enrolados num rabo-de-cavalo e com um óculos com uma armação quadrada. A professora, que se chamava Yuno Akazawa, estava usando um macacão verde e uma capa de chuva rosa e estava lendo a seção do horóscopo do jornal do dia. Kazuko e Rika se entreolham e sorriem. Kazuko (girando o dedo no ar próximo a cabeça): Capa de chuva num dia de sol? Não está um calor exagerado, mas também me parece que estamos longe de um temporal... Rika: Têm razão. A professora Akazawa é muito estranha. Meiling: Olhem! Meiling havia corrido para a janela mais próxima e atraído a atenção de todos os alunos. O ônibus estava fazendo uma curva numa área mais aberta e era possivel ver uma imensa fazenda não muito longe dali. Sakura: Nossa! É enorme! Naoko: Deve dar muito trabalho tomar conta disso tudo... Meiling (apontando): Ali parece ter um lago. Será que vamos poder nadar? Sakura: Eu quero conhecer tudo. Ainda bem que trouxe minha câmera para tirar muitas fotos. Meiling: Para que você trouxe uma câmera? A Tomoyo vai te filmar o tempo todo... Sakura (coçando a cabeça, sem graça): É verdade... Após mais alguns minutos de viagem, o ônibus pára diante de um portão de madeira reforçado com uma placa com o desenho de um urso pendurada com correntes sobre ele. Professora Akazawa: Muito bem, prodigios do amanhã, já chegamos. Todos para fora. Recolham suas malas e mochilas e se agrupem diante do portão. Os alunos começam a se levantar, alvoroçados, e a descer do ônibus. Professora Akazawa (mostrando o jornal em sua mão): Espero que todos tenham trazido capas ou guarda-chuvas conforme eu recomendei. O horóscopo diz que nesse fim de semana vai chover e ele nunca erra. Mika (num tom de zombaria): Claro que vai... Yamazaki (surgindo de repente atrás da colega): Vocês já ouviram falar das origens do horóscopo? Chiharu (surgindo de repente atrás de Yamazaki): Não vai começar não... Chiharu arrasta Yamazaki para fora do ônibus puxando-o pela orelha. Yamazaki (rindo): Acho que vou ter que contar outra hora... Shaoran e Meiling descem do ônibus. A menina chinesa não deixava o primo em paz, bagunçando seu cabelo a todo momento. Rika e Kazuko descem logo em seguida, conversando sobre receitas culinárias. Tomoyo vêm logo depois, ajustando sua câmera. Sakura acaba sendo uma das últimas a descer e pára nos degraus ao notar que uma mão fora estendida para ela. Shaoran estava na porta do ônibus a sua espera. Sakura: Hoe? Shaoran (sorrindo): Vamos? Sakura pega a mão de Shaoran, que a ajuda a descer do ônibus. Tomoyo: Que momento fofo! Um principe vindo em auxilio de sua amada princesa! Sakura e Shaoran coram violentamente ao notar que Tomoyo estava apontando a câmera para eles. Meiling: Filmou tudinho, Daidouji? Tomoyo: Cada maravilhoso segundo. Meiling (sorrindo maldosamente): Boa menina. Tomoyo põe a mão na boca e dá uma risadinha abafada. Sakura (colocando as mãos para cobrir o rosto): Ai, ai, ai. Que vergonha.
Yuriko: Mika! Kaya! A duas garotas se aproximam correndo e estendem as mãos para ajudar Yuriko a descer do ônibus fazendo uma tremenda pose. Yuriko (olhando para Sakura): É assim que uma verdadeira princesa se comporta. Mika: Você esteve majestosa, líder. Kaya (acenando com a cabeça): Maravilhosa, como sempre. Yuriko (sorrindo): Começo a acreditar que talvez vocês tenham um futuro entre nós da classe alta, meninas. Mika: Obrigada! Kaya: Estamos nos esforçando para isso. Yuriko: Continuem o bom trabalho. E vamos nos afastar dessa ralé. Esse espírito de fracassado pode ser contagioso... Yuriko e suas subordinadas viram o rosto e se afastam. Sakura (confusa): Por que ela só implica comigo e não com vocês? Tomoyo: É porque minha familia é rica. E também por que o Clã dos Li tem muito poder, riqueza e influência. Meiling (abraçando Sakura): Mas não se preocupe. Quando você casar com meu primo e entrar para a familia, você vai poder colocar essa esnobe no lugar dela. Sakura (corando): CASAR?! Shaoran (corando): CASAR?! Meiling sorri maldosamente para o casal. Tomoyo dá uma risadinha abafada. Meiling (apontando a mão fechada): Sim. Casar. E aí de vocês se eu não for convidada para ser madrinha! Sakura (as mãos cobrindo o rosto de novo): Hoeee... Professora Akazawa: Todos aqui? Muito bem. Quero apresentar a senhora Gasai. A professora aponta para uma senhora gordinha com cabelos curtos protegidos por lenço florido que estava aguardando no portão de madeira. Todos: Olá, senhora Gasai. Gasai: Olá, meus queridos. Espero que aproveitem sua estadia aqui. Vamos entrando. A senhora Gasai abre o portão e os alunos começam a entrar. Da entrada era possivel ver ao longe um estábulo e um milharal. Por algum motivo, Sakura sente um arrepio ao olhar para o milharal. Shaoran recolhe sua mala e a mala da namorada. Tomoyo: Tudo bem, Sakura? Sakura (disfarçando com um sorriso): Tudo sim. Foi só impressão. Vamos indo?
Havia um longo caminho de pedras que levava até a casa principal da fazenda. Ele era cercado por fileiras de flores de todos os tipos e cores e cujo cheiro perfumava o ar. Sakura saltitava e tirava fotos de tudo sem parar. Ela chega perto de uma das flores e fica maravilhada com o perfume. Gasai: Esse jardim contém flores de todo o mundo. Minha filha Jasmine o criou anos atrás e nós o mantemos da melhor forma possivel. As flores sempre ajudam a alegrar o ambiente. Professora Akazawa: É um lindo trabalho, senhora Gasai. Posso ver muitos tipos de flores que eu realmente não reconheço. E vocês, prodigios do amanhã? Conseguem identificar todas? Rika (apontando para um grupo de flores): Aquelas são margaridas! Meiling (apontando para outro grupo de flores): Aquelas são cravos! Mika: Essas aqui também são margaridas! Professora Akazawa: Não, querida. São girassóis. Sakura arrasta Meiling para perto de um grupo de flores e pede que Tomoyo tire uma foto. Shaoran fica parado ao lado da amiga, só observando a namorada e a prima se divertindo. Tomoyo (batendo algumas fotos): Sorriam! Rika (se aproximando): Olha! Eles também têm flores de cerejeira aqui. Rika pega uma flor na mão. Rika: A flor de cerejeira é a mais bonita de todas, não é? Shaoran (olhando maravilhado para Sakura): Concordo plenamente... Tomoyo (olhando para o amigo e rindo): Ela está falando da flor, Li. Shaoran (abaixando a cabeça e corando violentamente): Hã? E-eu também. Rika e Tomoyo se entreolham e sorriem. Sakura pega a câmera fotográfica das mãos de Tomoyo. Em seguida ela abraça Shaoran e Tomoyo e tira uma foto. Professora Akazawa: Vamos apertar o passo, prodigios. Temos que guardar nossas coisas no alojamento para podermos passear pela fazenda. A senhora Gasai conduz os alunos até o final do caminho das flores, chegando a casa principal. Haviam três galpões rodeando a casa. Eles serviam de alojamento para as diversas excursões escolares que apareciam por ali. Gasai (apontando para o galpão a sua esquerda): Vocês vão ficar no Alojamento A. Fiquem a vontade. Os alunos começam a carregar sua malas para o Alojamento A. Shaoran acaba ficando para trás. Ele fica observando um grupo de jovens conversando em frente ao galpão à direita, que era o Alojamento B. Três garotas e dois garotos estavam conversando alegremente. Uma das garotas, uma menina de longos cabelos azul claro e olhos castanho escuro usando um uniforme escolar vermelho e negro, começa a encarar Shaoran. Meiling surge de repente e cruza os braços diante do primo. Meiling: O que você pensa que está olhando? Shaoran (apontando para o Alojamento B): Parece que tem outra escola fazendo excursão aqui também. Meiling: Espero que você não esteja pensando em trair a Sakura. Deu muito trabalho para juntar vocês dois. Shaoran (fazendo cara feia): De onde você tirou essa idéia absurda? Meiling: Você está olhando muito para aquela garota... Shaoran lança mais um olhar para a garota antes de virar as costas e sair andando para seu alojamento. Shaoran: Estou apenas com a impressão de que ela vai nos causar problemas... O Alojamento A era todo feito de madeira e seu exterior era pintado nas cores vermelho e branco. Na sua lateral haviam algumas pilhas de feno e madeira. O galpão possuia dois andares, sendo o primeiro reservado para as meninas e o segundo para os meninos. Haviam alguns beliches de madeira e alguns armários trancados com cadeados em ambos os andares. Nas paredes haviam algumas cabeças de animais empalhadas e algumas varas de pesca penduradas. O chão era coberto por um carpete envelhecido. A professora Akazawa estava parada na porta. Professora Akazawa: Vamos, vocês dois! Meiling: Desculpe a demora. Professora Akazawa: ESPEREM! Shaoran e Meiling páram de andar e se assustam com o grito. Professora Akazawa: Vocês tem noção do que estavam prestes a fazer? Meiling (erguendo uma das sombracelhas): Entrar no alojamento? Professora Akazawa (apontando para os pés): Vocês iam entrar num ambiente pisando com o pé esquerdo. Isso traz uma aura negativa e não queremos estragar nossa excursão, certo? Shaoran e Meiling se entreolham, confusos. Shaoran: Certo, professora. Então os dois entram no alojamento usando o pé direito. Meiling corre até um beliche vazio ao lado dos beliches ocupados por Tomoyo e Sakura e se joga sobre ele. Meiling: Esse aqui é meu! Shaoran entrega uma mala a Sakura. Sakura (sorrindo): Obrigada. Shaoran: Não foi nada. Vou guardar minhas coisas e já volto. Meiling (suspirando): Estou com inveja... também quero um namorado para me bajular... Assim que todos guardam suas coisas em seus beliches, a professora Akazawa solicita que eles se reúnam diante do celeiro que fica ao lado do Alojamento A. Havia um senhor de roupas velhas se balançando numa cadeira de balanço enquanto fumava. Ele parecia estar murmurando sozinho. Velho: Minha pobre Ritsuko... minha pobre Ritsuko... Sakura e Shaoran, que estavam mais afastados do grupo, acabam ouvindo os lamentos do senhor. Sakura: Ele parece muito triste... Shaoran: Está repetindo um nome. Pode ser que tenha perdido algum parente... Velho: O milharal a levou! Minha pobre Ritsuko! O milharal a levou! O velho havia se levantado e agarrado os braços de Sakura e Shaoran. Estava gritando e fitando os garotos. Os outros alunos se assustam com a cena. De repente a senhora Gasai surge e puxa o senhor para longe. Gasai: Eu já mandei você ficar no celeiro! E tome seus remédios ou juro que vou interná-lo! A professora Akazawa corre até Sakura e Shaoran. Professora Akazawa: Vocês estão bem? Sakura: S-sim. Foi só um susto. Professora Akazawa: Por que esse senhor está atacando meus alunos? Quero uma explicação ou vou levar meus prodígios embora para garantir a segurança deles. Uma jovem e atraente loira de uns vinte anos e um rapaz forte de barba por fazer da mesma idade se aproximam. Gasai: Por favor. Todos fiquem calmos. Jasmine, leve seu pai para dentro de casa. E faça-o tomar seus malditos remédios! Jasmine: Sim, senhora. Gasai (fazendo uma reverência): Eu peço mil perdões. Meu marido anda debilitado mentalmente nos últimos meses. Nós perdemos nossa filha Ritsuko e isso o deixou muito abalado. Por favor, não nos abandonem. Professora Akazawa: Eu sinto muito por sua perda, mas tenho que zelar pela segurança de meus prodígios. Sakura pega na mão de sua professora. Sakura: Está tudo bem. Ele não nos machucou, só estava querendo conversar. Podemos dar um voto de confiança. A professora encara os olhos verdes de sua aluna por alguns instantes e, por fim, se dá por vencida. Professora Akazawa: Está bem. Mas que isso não se repita. Gasai: Eu prometo. Ah. Esse é meu filho Minoru. Minoru (fazendo uma reverência): Sejam bem-vindos. Gasai (sorrindo): Ele vai guiar vocês em seu primeiro dia na fazenda. E quando voltarem, terá um jantar muito especial esperando por vocês para compensar esse pequeno desconforto. Professora Akazawa: Muito bem. Por onde começamos, Minoru? Minoru (olhando curioso para a capa de chuva da professora): Me sigam, por favor. Minoru guia o grupo pela fazenda até chegarem a uma diminuta casa de madeira. Havia diversas galinhas passeando por ali. Ao redor da casa diminuta havia uma cerca de madeira limitando o acesso. Minoru abre a cerca para que os alunos entrem. Minoru: Este é o nosso galinheiro. Nós temos umas quinze galinhas no momento. Se você olharem o interior da casinha... Minoru faz alguns gestos para assustar as galinhas e abrir caminho para os alunos se aproximarem. Minoru: ... poderão ver que cada galinha tem seu espaço lá dentro, com um ninho próprio onde depositam seus ovos. Nós deixamos elas soltas durante o dia e as trancamos no galinheiro durante a noite. Chiharu: Por que prendê-las? Minoru: É para a própria segurança delas. Desta forma evitamos que outros animais as ataquem. Meiling (erguendo a mão): E como vocês as alimentam. Minoru: Com milho e cereais. A professora Akazawa ajeita seus óculos e se vira para seus alunos. Professora Akazawa: Vocês sabiam que os ovos possuem muitas proteínas e são ricos em algumas vitaminhas como a vitamina A e a vitamina D? Eles podem ser muito importantes em nossa alimentação. Mika ergue sua mão. Professora Akazawa: Sim? Mika: Todo ovo tem um pintinho dentro? Minoru (sorrindo): Não, não. Só acontece se houver a presença de um galo para fecundar o ovo. Caso contrário, vai ser apenas um ovo comum, apenas com gema dentro. Mika suspira aliviada enquanto Kaya e Yuriko balançam a cabeça em desaprovação. Minoru leva o grupo até o chiqueiro, onde mostra os porcos e explica sobre o tratamento deles na fazenda. Yuriko fica conversando com suas subordinadas sem dar muita atenção as explicações. Yuriko: Onde já se viu isso? Somos atacados e ela resolve simplesmente ignorar? Kaya: Eu não vou conseguir dormir direito sabendo que aquele velho está por ai... Mika: Ele é assustador... Yuriko: Vou pedir aos meus pais para prepararem uma reclamação formal quando voltarmos. Quero essa maluca longe da nossa escol... Um dos porcos acaba jogando lama em Yuriko. Ela limpa parcialmente o rosto e fica enojada. Yuriko (gritando): Ahhhh! Esse bicho asqueroso me sujou! Os outros alunos começam a rir. Meiling (sorrindo maldosamente): Eu acho que o porquinho gostou de você, Yanagisawa. Professora Akazawa: Não precisa fazer escândalo. Vá até a casa principal e peça a senhora Gasai para tomar um banho. Rosnando de raiva, Yuriko dá as costas ao grupo e caminha em direção a casa principal. Minoru leva os alunos para conhecerem a plantação. Eles passam por um portão de madeira pequeno e começam a caminhar por uma estradinha de terra. Haviam dezenas de hectares para plantação, mas pouco do espaço estava realmente com algo plantado. Durante a caminhada, eles passam por três pessoas trabalhando arduamente na plantação. Minoru (apontando para diversos lugares): Nós temos tomates ali, beterrabas lá. Mais a frente vocês podem ver a plantação de repolhos. E lá naquela colina nós cultivamos o café. Plantamos várias coisas nesta fazenda e cada uma tem seu tempo de cultivo. Tomoyo: Vocês tem tanto espaço aqui... não deviam estar plantando mais coisas? Minoru (sorrindo sem graça): Estamos num período de seca por aqui. Mas logo vai melhorar. Sempre passa. Se vocês vissem todo esse terreno plantado com certeza iriam ficar maravilhados. Mais ainda temos bastante coisa plantada aqui que não mostrei a vocês. Professora Akazawa: Podemos ver o café mais de perto? Minoru: Claro. Vou mostrar a vocês como o recolhemos. Os alunos continuam caminhando seguindo Minoru. Shaoran fica para trás, observando o fazendeiro com um olhar sério. Sakura: O que foi, Shaoran? Shaoran: Ele está mentindo. Sakura (confusa): Como assim? Shaoran: Não é um simples período de seca como ele quis fazer parecer... Shaoran se agacha e pega um pouco da terra em suas mãos. Shaoran (deixando a terra escorrer pelas mãos): Está terra esta apodrecendo. Sakura: Apodrecendo? Shaoran: Olhe mais atentamente cada coisa que é cultivada aqui. Sakura observa atentamente ao seu redor. Sakura: Tem plantas morrendo em todo lugar! Shaoran: Sim. Eles tentaram disfarçar colocando a plantação mais recente na frente para ocultar o que estava morrendo. Sakura: Mas o que será que está causando isso? Shaoran: Não está sentindo a aura mágica? Sakura fecha seus olhos para se concentrar. Sakura: Magia do caos. Bem que eu pensei ter sentido algo estranho quando chegamos aqui... Shaoran: Eu acho que este lugar foi amaldiçoado com algo ligado a magia do caos. Esta terra está morrendo pouco a pouco, logo não será possível plantar mais nada aqui. Sakura (parecendo preocupada): Essa não! As pessoas que vivem aqui vão acabar perdendo tudo! Sakura agarra o braço direito de Shaoran. Sakura (com um olhar suplicante): Temos que ajudar. Shaoran (fechando os olhos para pensar): Podemos tentar encontrar a fonte da magia do caos antes que notem que não estamos no grupo. Sakura (acenando positivamente com a cabeça): Então é melhor agirmos rápido. O casal começa a correr pela plantação, se concentrando na aura da magia do caos. Eles passam por diversos tipos de plantação até que chegam a um imenso e denso milharal. Sakura: A aura parece estar vindo daí... Shaoran: Está ficando mais fraca... talvez esteja tentando disfarçar sua presença. Temos que achar a fonte rápido! Sakura e Shaoran começam a correr pelo milharal olhando em todas as direções. Procuravam por algo suspeito, pois não sabiam o que era a fonte da magia do caos naquele lugar. Logo a presença desaparece por completo, mas o casal não desiste de procurar. Por acidente, Sakura acaba colidindo com algo fincado no meio do milharal. Sakura: HOEEEEEE! A menina havia colidido com uma cruz de madeira fincada no solo. Havia um ser estranho preso com pregos na cruz. Ele tinha corpo de homem, vestindo trapos velhos e escuros e um cinto de espinhos, mas a cabeça era uma grande abóbora com boca e olhos luminosos. Suas mãos e pés eram escuros, como se estivessem podres, e sobre sua cabeça havia um grande chapéu de palha. Sakura se levanta e corre para trás de Shaoran. Sakura (lágrimas começando a surgir nos olhos): O q-que é isso? Jasmine: É um espantalho. Sakura e Shaoran se assustam ao notar que Jasmine havia surgido atrás deles. A mulher sorri meigamente para Sakura. Jasmine: Não precisa ter medo. É apenas um boneco. Sakura olha mais uma vez para a cruz e resolve continuar atrás de Shaoran. Sakura (agarrada ao braço do namorado): Mais por que ele tem que ser tão assustadoramente feio...? Jasmine sorri. Jasmine: Espantalhos servem para assustar aves para que elas não prejudiquem nossa plantação. Temos alguns espalhados por aqui. Sakura: Ele está me assustando também... Jasmine retira a cabeça de abóbora do boneco e a entrega a Sakura, que a segura, receosa. Jasmine: É só um boneco velho feito de palha e feno. Não tem por que ter medo. Sakura: C-certo... Jasmine coloca a cabeça do espantalho de volta. Shaoran (com um olhar sério): Seu pai estava falando deste milharal, não é? Aconteceu alguma coisa ruim aqui? Jasmine fica surpresa com a pergunta do garoto chinês. Ela morde os lábios e fica em silêncio por alguns instantes. Jasmine: E-eu acho melhor voltarmos para os alojamentos. Não é seguro para vocês ficarem aqui sozinhos... Jasmine conduz Sakura e Shaoran pela fazenda até deixá-los na frente do Alojamento A. Logo os outros alunos da escola Tomoeda retornam de seu passeio. Tomoyo: Por onde vocês andaram? Meiling (com um sorriso maldoso): O que estavam fazendo sozinhos por aí, hein? Shaoran: Meiling... Sakura: Nós estávamos investigando uma aura de magia do caos que sentimos. Tomoyo (olhando confusa para o amigo): Aqui? Nessa fazenda? Achei que isso só acontecesse em Tomoeda... Shaoran: Está acontecendo pelo mundo todo e ficando pior aos poucos. Sakura pega as mãos da Tomoyo. Sakura: Ai, Tomoyo... tinha um espantalho horrível dentro do milharal... eu fiquei com muito medo... Tomoyo: No milharal? Professora Akazawa: Prodigios! Que tal tomar um banho no lago antes de anoitecer? Depois vamos comer o jantar que a senhora Gasai prometeu. Todos: Certo. Os alunos vestem seus trajes de banho e correm para o lago. A professora Akazawa fica sentada numa pedra na margem conversando com Minoru. Rika, Chiharu e Naoko começam a brincar com uma bola que haviam trazido enquanto Meiling arrasta Shaoran para nadar com ela. Sakura e Tomoyo ficam sentadas as margens do lago, apenas molhando os pés e conversando. Tomoyo: O Li disse que está terra está morrendo? Sakura: Sim. Mas nós vamos tentar ajudar... Sakura fica olhando para os pés por um momento. Ninguém estava prestando atenção nelas e a menina sentia que queria desabafar com sua melhor amiga. Haviam coisas passando em sua mente que a deixavam perturbada. Tomoyo: Não precisa ficar preocupada. Eu sei que vocês dois vão dar um jeito. Sakura: Não é isso... é que... é que a magia do caos está causando cada vez mais problemas e eu não sei se vou poder ajudar a todos... se sou forte o bastante para isso... e em meus sonhos... em meus sonhos tudo está destruído. Tomoyo: Destruído? Sakura (os olhos enchendo de lágrimas): Sim... eu caminho sozinha pela cidade... tudo está destruído... e... e eu não consigo encontrar ninguém... acho que todos estão... todos estão... Tomoyo pega a mão da melhor amiga. Tomoyo: Não se deixe abater. Nada de ruim vai acontecer. Sakura: Mas meus sonhos... eles são premonitórios... Tomoyo: Mas eles não são precisos, certo? Quando você sonhou com Yue e a torre de Tóquio não sabia que aquilo teria a ver com o julgamento final. Não sabia que haveria um combate com o guardião. Sakura: Não. Não sabia. Tomoyo: Isso significa que você vê apenas momentos incompletos do futuro em seus sonhos... fica tudo aberto a interpretação. Não encontrar ninguém pode significar que todos foram evacuados e você ficou para trás. Talvez tenha ficado para trás para salvar alguém. Sakura: E-eu... eu não havia pensado nessa possibilidade... Tomoyo: Você não pode perder a fé em si mesma. Seja positiva como você sempre foi. As pessoas que te amam estarão sempre com você para te apoiar. Sakura enxuga as lágrimas. Sakura: Você tem razão. Eu tenho que acreditar em mim mesma. Obrigada por me ouvir, Tomoyo. Tomoyo (sorrindo amistosamente): Foi um prazer. Você já comentou sobre isso com o Li? Sakura: E-eu não posso. Tomoyo: Mas por que? Sakura: Se eu contar como estou me sentindo... contar sobre minhas dúvidas... ele vai ficar muito preocupado. Eu não quero ser um problema para ele. Tomoyo: Mas Sakura... vocês possuem uma ligação única. Ele provavelmente já sabe como você está se sentindo, mas está esperando você estar pronta para conversar com ele. Não é melhor você... Yuriko: Kinomoto! Sakura olha para trás e nota que Yuriko havia se aproximado delas. Yuriko: Você e eu. Desafio de natação. Agora. Sakura (gesticulando): Eu não estou a fim de disputar... Yuriko (olhando sério para Sakura): Eu disse agora. E nem pense em usar truques... como no dia em que ocorreram os terremotos... Sakura: Hoe? Yuriko caminha até a margem do lago. Tomoyo e Sakura se entreolham, confusas. Tomoyo: O que ela quis dizer com isso? Sakura (olhando preocupada para Yuriko): Eu não tenho certeza... Sakura se levanta e caminha até ficar ao lado de Yuriko. Kaya se aproxima segurando uma camisa na mão. Kaya: Preparar! Apontar! Vão! Kaya agita a camisa no ar. Sakura e Yuriko se jogam no lago e começam a nadar com todas as forças. Embora se esforce, Yuriko não consegue vencer e vê Sakura chegar a outra margem do lago primeiro. As duas ficam dentro da água se encarando.
Yuriko: Para variar você venceu de novo... Sakura (coçando a cabeça, sem graça): Eu sempre fui boa em atividades físicas, sabe... Yuriko (murmurando): Você sempre foi boa em saltar de prédios também? Yuriko sai do lago e pega uma toalha para se secar. Sakura a observa, atônita.“Essa não... será que ela sabe sobre minhas aventuras mágicas?” Shaoran e Meiling se aproximam nadando. Meiling: Está tudo bem, Sakura? Sakura (sorrindo para disfarçar): Está sim. É apenas a Yuriko com sua mania de disputar comigo. Meiling: Será que ela não cansa de perder? Que menina boba. Chiharu: Sakura! Li! Meiling! Venham jogar com a gente! Sakura (agitando uma das mãos no ar): Tá. Vamos lá! Sakura e Meiling nadam na frente. Shaoran olha para Yuriko, que estava conversando com suas subordinadas, antes de nadar atrás da namorada e da prima. Minutos depois, os alunos da outra escola também resolvem se divertir no lago e confraternizar com os alunos da escola Tomoeda. Após as brincadeiras no lago, os alunos da escola Tomoeda se reúnem em frente a casa principal para o jantar. A senhora Gasai e seus filhos haviam montado duas mesas gigantes, uma para a escola Tomoeda e outra para a escola Takaoka, a segunda escola a visitar a fazenda. Ambas as mesas estavam abarrotadas de comida e lançavam um cheiro delicioso no ar. Os alunos se sentam nas mesas, agradecem pelo jantar e começam a comer. Shaoran tentava comer sossegado, mas ele sentia os olhares da garota de cabelos azuis sobre ele. Meiling (olhando de cara feia para o primo): Shaoran... aquela garota não tira os olhos de você... Shaoran (bebendo seu suco): Tem alguma coisa nela que não me inspira confiança... Naoko (ajeitando seus óculos): Eu ouvi falar que o nome dela é Hikari Kamiya. Ela tem reputação de ser muito rebelde e sempre se meter em brigas. Alguns dos alunos da escola Takaoka parecem ter medo dela. Chiharu: Ouvi dizer que ela já foi até expulsa de uma escola... Shaoran (murmurando): Kamiya... Naoko: Você a conhece? Shaoran: Não. Yamazaki: Será que ela está querendo briga com o Li? Meiling: Ela que tente. Vou dar uma surra tão grande nela que... Shaoran (parecendo irritado): Você não vai fazer nada. Sei me defender sozinho. Que tal mudar de assunto? Todos ficam quietos após o pedido de Shaoran. Rika: O dia hoje foi bem divertido, não é? A professora disse que amanhã vamos andar de cavalo! Chiharu: Eu estou muito animada. Será que é difícil? Tomoyo: Não muito. Com prática você aprende rápido. Meiling: Você sabe montar, Daidouji? Tomoyo (sorrindo): Minha mãe me fez ter aulas alguns anos atrás. Ela gosta de cavalgar na casa de campo do meu avô de vez em quando e queria minha compania. Rika: Então vai ser fácil para você. Meiling: Não ria da gente pagando mico, tá? Tomoyo: Pode deixar. Eu prometo. Kazuko (olhando para os lado, procurando): Ei, Tomoyo... onde está a Sakura? Tomoyo: Ela está terminando de se arrumar. Já deve estar vindo. Shaoran se levanta repentinamente da mesa. Shaoran: Eu já volto. Sakura estava sentada em seu beliche no Alojamento A, terminando de pentear seus cabelos. Ela guarda seu pente e verifica sua bolsa. As cartas Sakura ainda estavam escondidas lá. Sakura caminha até a saída do alojamento e dá de cara com Yuriko Yanagisawa. Sakura: Hoe? Yuriko? Yuriko: Eu estou de olho em você, Kinomoto. Sakura: Em mim? Por que? Yuriko: Eu vi você saltando daquele prédio no dia dos estranhos terremotos. Você teve algo a ver com aquilo, não é? Sakura (sorrindo sem graça): E-eu não sei do que v-você está falando... Yuriko agarra o pulso de Sakura. Yuriko: Eu sei que você está escondendo algo, algum segredo sujo. É por isso que você sempre ganha todos os desafios. Sakura (fazendo sinal negativo com as mãos): Não. Nada a ver. Eu ganho por que me esforço bastante e tenho um pouco de sorte. Só isso. Yuriko (apertando o pulso de Sakura): Eu vou te expor. Vou mostrar a todos quem você realmente é... e todos vão parar de você como a menina fofinha e queridinha da turma... Sakura: Yuriko... você está me machucando... Shaoran: Algum problema aqui? Sakura e Yuriko se assustam ao notar que Shaoran estava parado ao lado delas. Shaoran: Será que você pode nos dar licença, Yanagisawa? Quero falar a sós com a Sakura. Yuriko fica olhando de Shaoran para Sakura, sem soltar o braço da menina. O garoto chinês se aproxima alguns passos e encara Yuriko de maneira intimidadora. Shaoran: Yanagisawa. Agora. Yuriko suspira e larga o braço de Sakura. Yuriko sinaliza que está de olho em Sakura e deixa o alojamento. Shaoran: Você está bem, Sakura? Sakura: Estou sim. Obrigada. Shaoran: Essa garota já está passando dos limites. O que ela queria? Sakura: Ela está desconfiada... do que fazemos. Shaoran olha confuso para Sakura. Shaoran: Mas por que ela estaria desconfiada? Sakura: Parece que ela nos viu no dia dos terremotos... Shaoran cruza os braços e fecha os olhos, pensativo. Shaoran: Então teremos que ter cuidado redobrado. Não precisamos atrair atenção indesejada agora. Só nos causaria problemas. Sakura: Eu sei. Vamos indo? Sakura e Shaoran deixam o alojamento e vêem Jasmine dando remédios para seu pai, que estava sentado numa cadeira de balanço e protegido por um cobertor. Eles estavam numa pequena varanda com uma escada de cinco degraus na parte de trás da casa principal. O casal resolve se aproximar. Sakura (acenando): Konbanwa, Jasmine. Como está o seu pai? Jasmine: Konbanwa. Está bem mais calmo. E espero que continue assim. Shaoran: Desculpe por hoje mais cedo. Acho que nos intrometemos demais quando perguntamos do milharal. Jasmine (sorri amistosamente): Não. Tudo bem. Eu também ficaria curiosa no lugar de vocês. É só que... a perda da Ritsuko... é um assunto difícil de se falar... Sakura: Não tem problema. Eu entendo o que você está passando. Eu perdi minha mãezinha quando eu tinha apenas três anos. Jasmine: E-eu sinto muito. Jasmine se senta no degrau da escada. Sakura e Shaoran se sentam ao lado dela. O garoto chinês olhava para Sakura, curioso. Ele não a via falar da mãe com muita frequência. Sakura: No começo eu sentia muita falta dela, sabe? Parecia que estava faltando uma parte de mim. Eu não conseguia imaginar crescer sem ter minha mãe por perto. A dor da perda era tão forte que parecia que ia abrir um buraco no meu peito. Mas meu pai, meu irmão e meus amigos me apoiaram. Jasmine (com algumas lágrimas surgindo nos olhos): Que bom. Você tem sorte de ter uma família tão unida. Sakura (sorrindo): É sim. E o apoio deles me ajudou a superar a dor e a perceber que minha mãezinha está agora num lugar muito bonito e tranquilo no céu. E de lá ela está sempre olhando por mim e me dando sua força para que eu possa seguir em frente. Sakura olha para o céu estrelado da noite. Sakura: Tenho certeza de que ela está nos ouvindo agora e que vai cuidar muito bem da Ritsuko por você. Sakura coloca sua mão gentilmente sobre a mão de Jasmine. Sakura: Eu sei que nós não nos conhecemos e que eu sou só uma menina de 13 anos que ainda não sabe muito da vida... mas eu quero que você saiba que se precisar de alguém para conversar, pode contar comigo. Shaoran (colocando sua mão no ombro de Jasmine): Conosco. Jasmine: Obrigada. Aos dois. Sakura e Shaoran fazem uma reverência e começam a se levantar. Jasmine: Vocês gostam de bolo de cenoura? Sakura (e Shaoran): Sim. Jasmine: Estão com fome? Um barulho é ouvido. Sakura coloca a mão na barriga e cora, envergonhada. Jasmine (sorrindo): Eu acho que isso foi um sim. Esperem aqui. Vou pegar bolo e suco para a gente. Minutos depois, Jasmine retorna com uma bandeja com pedaços de bolo e copos de suco de laranja. Os três se sentam num tronco em frente a varanda para comer e conversar. Jasmine: Como vocês se chamam? Sakura: Eu me chamo Sakura Kinomoto. Shaoran: E eu Shaoran Li. Jasmine: E vocês são namorados, não é? Os dois coram e confirmam com um aceno de cabeça. Jasmine ri. Jasmine: Sabe, Sakura... você me lembra um pouco a minha irmã Ritsuko. Ela também era uma menina muito doce e gentil. Sakura: Ela tinha a mesma idade que você? Jasmine: Não. Ela tinha apenas 15 anos. Shaoran: Vocês eram muito unidas, não é? Jasmine: Sim. Costumavámos dizer que éramos quase gêmeas e que podíamos sentir uma a outra... saber como nos sentíamos... saber onde estávamos... Sakura: Eu queria ter uma irmã quando era mais nova. Não que eu não gostasse do meu irmão mais velho... Shaoran: Eu não gosto dele. Sakura: ... mas pensava que seria legal ter uma irmã para brincar e dividir as coisas. Jasmine: E você não quer mais isso? Sakura: Eu encontrei uma grande amiga chamada Tomoyo. Ela é como essa irmã para mim. Jasmine: Que bom. Shaoran: Eu tenho quatro irmãs mais velhas que adoram me perturbar. Se quiserem empresto algumas para vocês. Sakura e Jasmine riem. Jasmine (sorrindo): Uma casa cheia de mulheres? Deve ter sido ruim para você. Shaoran: Você não tem ideia... Os três continuam a comer bolo. Shaoran: Jasmine... o que realmente aconteceu a Ritsuko? Jasmine bebe um gole de seu suco e suspira. Jasmine: Ela estava ajudando meu pai na colheita no milharal como sempre fazia. Então meu pai disse que sentiu o chão tremer e viu uma ventania levantar areia do chão. Ele ouviu Ritsuko gritar e procurou por todo o milharal, mas tudo que encontrou foi o laço rosa que ela gostava de usar. A policia procurou por dias, mas acabram arquivando o caso. Sakura: Por que? Jasmine: Eles disseram que tudo indicava que Ritsuko havia sido sequestrada. E nesses casos, quanto mais tempo a pessoa fica desaparecida, menor a chance de ser encontrada... viva. Já fazem três meses desde o sumiço dela. Não há mais esperança. O senhor Gasai, que estava cochilando em sua cadeira de balanço, começa a murmurar. Senhor Gasai: O milharal a levou... levou minha Ritsuko... Jasmine olha com pesar para o pai. Jasmine: Ele se culpa pelo que aconteceu a Ritsuko. Se enterrou na bebida e começou a falar coisas sem sentido, principalmente depois que soube dos outros incidentes. Shaoran: Outros incidentes? Jasmine: Sim. Algumas pessoas sumiram nas fazendas da região... a policia chegou a achar que os casos estavam relacionado, mas não conseguiu obter provas. Meu pai começou a ver coisas que não existiam e teve um colapso nervoso. Sakura e Shaoran se entreolham ao ouvir isso. Sakura: Coisas que não existiam? Jasmine: Sim. Minha mãe levou ele a um médico e nós temos que mantê-lo calmo com medicamentos desde então. Jasmine olha para as estrelas e suspira. Jasmine: Eu acho que nossa família foi amaldiçoada, sabe? Primeiro a Ritsuko desapareceu, depois meu pai sofreu um colapso nervoso e agora nossa plantação está indo de mal a pior... estamos nos afundando em dívidas... não sei se pode piorar ainda mais. Jasmine começa a chorar e Sakura e Shaoran tentam confortá-la. Shaoran: Você não pode perder a esperança. As coisas vão melhorar. Sakura: Você vai ver... no final tudo vai dar certo. Jasmine (tentando limpar as lágrimas): Querem ouvir uma coisa engraçada? Mesmo sabendo que a Ritsuko não está mais entre nós, eu ainda sinto como se ela estivesse por aqui... talvez ela esteja realmente olhando por nós... Senhora Gasai: Jasmine! Vamos colocar seu pai para dentro! Os três notam que a senhora Gasai havia surgido na varanda. Jasmine (se levantando): É melhor vocês voltarem para junto de seus colegas. Obrigada pela conversa. Jasmine recolhe suas coisas e entra na casa. Sakura e Shaoran dão a volta na casa e encontram seus colegas sentados diante de uma fogueira. Eles se aproximam bem devagar e se sentam perto deles. Todos assistiam a Tomoyo e Kazuko, que estavam cantando juntas como costumam fazer nos ensaios do coral. A professora Akazawa estava acompanhando suas alunas tocando um violão. Tomoyo: “... quando estou assustada, perdendo o chão. Quando meu mundo fica louco, você pode transformar tudo ao redor...” Kazuko junta sua mão com a de Tomoyo. Kazuko: “E quando eu caio você está lá para me levantar. Você está sempre lá, me dando tudo o que tem...” Sakura: A voz da Kazuko é tão bonita quanto a da Tomoyo. Rika: É tão bonito quanto elas cantam juntas, não é? Sakura (sorrindo maravilhada): É sim. O olhar de Kazuko acaba encontrando Shaoran na plateia de colegas e a menina cora levemente. Yuriko sussurra no ouvido de Sakura. Yuriko (apontando disfarçadamente para Kazuko): Você devia tomar conta melhor do seu namoradinho... já tem gente de olho nele... Sakura: Hoe? Sakura observa Kazuko e nota que ela não tirava os olhos de Shaoran. Kazuko percebe que está sendo observada, e se volta para Tomoyo para disfarçar. Sakura fica muito séria e Shaoran nota. Shaoran: Algum problema, Sakura? Sakura: Não é nada. Shaoran: Tem certeza? Parece que tem algo te chateando... Sakura (virando o rosto): Já disse que não é nada. Shaoran (voltando sua atenção para as amigas cantando): Ok, ok. Desculpa. Shaoran olha de esgueira para Sakura, preocupado. Tomoyo: “... por um amigo, por um amor que me defenda e me aqueça. Eu me volto para você.” Kazuko: “Pela força, para ser forte. Pela vontade de prosseguir. Por tudo o que você faz.” Tomoyo: “Por tudo o que é verdade. Por tudo o que você faz.” Kazuko (e Tomoyo): “Por tudo o que é verdade... Eu me volto para você.” Quando a canção termina, todos os alunos da escola Tomoeda aplaudem. Alguns alunos da escola Takaoka que estavam sentados em frente a seu alojamento também aplaudem. Professora Akazawa: Parabéns, meninas. Vocês cantaram muito bem. Tomoyo (e Kazuko): Obrigada! As duas meninas se entreolham e sorriem. Professora Akazawa: Muito bem, meus queridos prodígios... já é hora de irmos dormir. Amanhã teremos um dia agitado. Aproveitem que a Lua está alinhada com Plutão, o que proporciona excelentes sonhos. As crianças prontamente obedecem e se dirigem aos seus beliches no Alojamento A. Quando todos se deitam, a professora apaga as luzes e fecha a porta, se dirigindo para a casa principal onde um quarto de hóspedes a aguardava. Dez minutos após a partida da professora, Naoko acende uma vela e se senta em seu beliche. Naoko (colocando seus óculos): Sabe o que seria legal agora? Sakura (cruzando os dedos): Por favor, não diga história de terror. Por favor, não diga história de terror. Por favor, não diga história de terror. Naoko: Uma boa história de terror. Sakura (apertando o travesseiro sobre a cabeça): Ahhhh. Por que não uma história de romance? Ou então uma comédia? Naoko: Esse escurinho é um clima ideal para histórias de terror, Sakura. Chiharu: E a Naoko sempre conta histórias muito boas. Sakura: Ai, ai, ai. Naoko aproxima a vela de seu rosto, fazendo com que sua expressão fique mais sombria. Naoko: Nossa história acontece numa fazenda numa cidade rural do Japão. Sakura (já tremendo de medo): Numa fazenda não... Naoko: A fazenda tinha um imenso milharal, que era invejado por todos os fazendeiros da região. Certo dia, dois fazendeiros vizinhos resolveram roubar um pouco da plantação e entraram no milharal. Rika: Que malvados! Naoko: Então, repentinamente, eles foram cercados por uma ventania que carregava a terra do chão pelo ar e sentiram que estavam sendo observados. Sakura (apertando o travesseiro sobre a cabeça): Eu não estou ouvindo... eu não estou ouvindo... Tomoyo: E quem estava observando eles? Naoko: Eles nunca conseguiram saber, pois o chão se abriu sobre seus pés e os engoliu. E os dois nunca mais foram vistos. Sakura começa a rolar em seu beliche, os olhos derramando rios de água. Chiharu: Então o milharal é o vilão da história? Naoko: Sim. Ele havia misteriosamente ganho vida e precisava se alimentar com almas humanas para se manter. Como as pessoas nunca ficavam sabendo o que aconteceu ou não acreditavam, o milharal sempre ganhava novas vitimas e continuava se mantendo vivo... dizem até que ele é capaz de atrair pessoas que fazem maldades com sua aura... castigando elas por toda a eternidade... Chiharu: E ninguém nunca soube por que o milharal ganhou vida? Naoko: Dizem que uma pessoa morreu de maneira violenta lá... e que isso desancadeou a transformação do milharal... alguns também dizem que é o espirito do morto que comanda o milharal... Sakura: Ai, ai, ai. Que medo. Kazuko: Eu já ouvi essa história. Tomoyo: Já? Onde? Kazuko: Os alunos da escola Takaoka estavam comentando sobre ela. Parece que uma lenda urbana da região. E segundo o que eu ouvi, o milharal da história...
Todos olham apreensivos para Kazuko. Kazuko: ... é o milharal desta fazenda. Sakura: Hoeeee! Sakura despenca de seu beliche. Ela se levanta assustada e olha para Kazuko. Sakura: Esse milharal? Você tem certeza? Kazuko: Foi o que ouvi... Naoko (os olhos brilhando): Sensacional. Se for verdade, estamos bem perto de um autêntico cenário de filme de terror. É uma história para se contar por gerações e gerações... Meiling: Será que dá para vocês calarem a boca? Tem gente tentando dormir... Rika: Obrigada pela história, Naoko e Kazuko. Mas acho melhor irmos dormir agora. Chiharu: É verdade. Os outros podem reclamar do barulho da gente conversando. Naoko: Então até amanhã. E com um sopro Naoko apaga a vela. Em questão de minutos todas as meninas pegam no sono, com exceção de uma. Sakura fica se mexendo de um lado para o outro do beliche, mas não consegue pegar no sono. Imagens do milharal e do assombroso espantalho continuam a surgir em sua mente. Por fim, Sakura se dá por vencida e sai silenciosamente do alojamento para caminhar um pouco. Ela começa a caminhar em direção a varanda da casa principal quando nota duas garotas da escola Takaoka acendendo uma tocha improvisada e rumando para o milharal. Sakura: Mas o que será que elas estão planejando? Sakura olha para o milharal e sente um frio percorrer sua espinha. As duas garotas vão se distanciando, e logo seria possível ver apenas a luz de sua tocha a distância.“A aura da magia do caos veio do milharal. Se ela voltar e atacar aquelas duas garotas, elas vão estar indefesas. Eu vou ter que segui-las.” Sakura olha ao redor para confirmar se está sozinha e pega uma de suas cartas mágicas no bolso.“Se concentra, Sakura. É só fazer de forma semelhante ao que o Shaoran faz com seus ofugas.” Sakura segura a carta Fogo na mão esquerda e ergue dois dedos da mão direita diante de seu rosto. Ela fecha seus olhos e se concentra. Após alguns segundos, uma pequena bola de fogo começa a flutuar sobre a carta.“Consegui!” Sakura então começa a seguir as duas meninas da escola Takaoka, mantendo uma distância segura para não ser notada e usando a carta Fogo como tocha para iluminar seu caminho. Logo que entra no milharal, Sakura sente uma forte presença mágica e ouve gritos. Sakura: Essa não! Sakura corre pelo milharal, procurando pela menina e tentando se focar na origem da magia do caos. Ela acaba saindo na outra ponta do milharal, onde havia um grande moinho de vento. A tocha das meninas estava no chão, mas não havia sinal delas. Sakura apaga sua carta mágica e recolhe a tocha das meninas. Sakura: Tem alguém aí? Meninas? Sem resposta. O silêncio continua imperando no local.“Não sinto mais a aura da magia do caos. Para onde as meninas foram?” Minoru: O que você está fazendo aqui? Sakura (levando um baita susto): Hoeeeeeeeeee! Minoru: Por que você está aqui? Sakura (tentando se recompor): V-você me assustou. E-eu pensei ter visto alguém caminhando por aqui e fiquei curiosa... Minoru: Você também ouviu a história do milharal e resolveu ver com os próprios olhos, não é? Isso aqui não é brincadeira. Se vocês crianças se machucarem por aí a responsabilidade será nossa. Vamos indo. Vou te levar de volta para seu alojamento. Minoru começa a conduzir Sakura de volta a seu alojamento. Eles dão a volta pela lateral do milharal e Sakura nota o espantalho fincado no solo quase na saída do milharal.“Que estranho. Achei que esse espantalho ficasse mais para o meio do milharal...” Então Sakura volta ao Alojamento A para dormir junto com seus colegas. O dia seguinte logo chega e o sol da manhã começa a banhar o alojamento com seus raios. Sakura desperta lentamente e se senta em seu beliche. Havia uma cadeira ao lado dela, e sobre a cadeira uma bandeja com um café da manhã. Meiling (sorrindo): Ohayo, dorminhoca. Sakura: Ohayo, Meiling. Sakura olha ao redor e percebe que o alojamento está vazio. Sakura: Onde estão todos? Meiling: Estão lá fora terminando de tomar o café da manhã. O Shaoran pediu para não te acordarem ainda, pois você parecia muito cansada. E ele deixou essa bandeja ai para você, com medo de que não sobrasse nada do café da manhã para você. Sakura olha para a bandeija e sorri. Meiling: Levanta logo que daqui a pouco a Jasmine vai nos levar para conhecer os animais da fazenda. Sakura (acenando com a cabeça): Certo. Sakura toma seu café rapidamente e troca de roupa. Ela e Meiling se juntam ao resto dos colegas, que aguardavam em frente ao celeiro para continuar a excursão. Sakura se aproxima por trás de Shaoran e dá um beijo na bochecha dele, deixando-o corado de vergonha. Sakura: Obrigada pelo café da manhã. Shaoran: N-não foi nada. Sakura olha brevemente para o Alojamento B e nota que haviam alguns alunos da escola Takaoka conversando agitadamente lá. Jasmine: Muito bem, crianças. Estão prontos? Agora pela manhã vamos ordenhar vacas! Yuriko (arregalando os olhos, surpresa): O que? Jasmine e a professora Akazawa conduzem o grupo de alunos da escola Tomoeda pela fazenda até um pasto depois do lago. Haviam cerca de trinta vacas vivendo por ali. Kazuko, animada, é a primeira a correr em direção as vacas e acariciá-las. Meiling: Nossa. A Nishimura gosta mesmo de animais. Tomoyo: Gosta sim. Ela sempre deu muito bem com eles. Ela até adotou uma cachorrinha perdida que encontrou na rua, não é, Sakura? Sakura: É sim. Ela chamou a cachorinha de Ametista. Sakura imediatamente se lembra do dia em que Ametista ficou gigante e causou muita confusão no templo Tsukimine. Ela balança a cabeça para afastar a lembrança. Jasmine puxa uma das vacas e coloca alguns baldes e um banquinho de madeira embaixo dela. Jasmine: O leite é uma das coisas mais gostosas que existem e é essencial na nossa alimentação. Ele fica ainda mais gostoso quando está recém-saído da vaca. Jasmine se senta no banquinho e começa a apertar as tetas da vaca, com uma mão em cada teta. Leite começa a jorrar das tetas e a encher um dos baldes. Jasmine pega um copo e enche de leite no balde. Yuriko (fazendo cara de nojo): Eca! Nunca mais bebo leite na minha vida. Jasmine oferece o copo aos alunos. Jasmine: Quem quer ser o primeiro a provar? Sakura? Sakura: Sim. Sakura bebe o leite com gosto. Sakura: Hummm. Delicioso. Tomoyo: Você ficou com bigodinho de leite, Sakura. Sakura (limpando o rosto agitadamente): Ai, ai, ai, que vergonha. Os alunos riem. A professora Akazawa, que hoje estava usando uma capa de chuva vermelha, coloca os alunos em fila. Professora Akazawa: Agora todos vão experimentar como ordenhar uma vaca. Mas tenham cuidado. Não queremos machucar a coitada. Yuriko (dando alguns passos para longe): Eu não vou pôr minhas mãos nisso aí... Professora Akazawa: Vai sim se não quiser perder pontos na sua prova final. Aliás, você pode ser a primeira, querida prodigio. A professora conduz Yuriko gentilmente até a vaca e a coloca sentada no banquinho. Jasmine cuidadosamente explica como proceder. Yuriko: Ai... que nojo... Yuriko aperta a teta e acaba jogando leite na própria cara. Yuriko (se levantando num pulo): ECA! Yuriko sai correndo em direção a casa principal, ignorando os protestos da professora. Professora Akazawa (gota caindo): Pois bem... vamos prosseguir. Você é a próxima, Rika. Um a um os alunos vão até a vaca e aprendem o básico de como ordenhar. Depois Jasmine conduz o grupo por um passeio na fazenda. Eles passam por um grupo de bois, quando a professora aproveita para passar algumas explicações. Depois eles continuam a caminhada e passam por patos e coelhos, com os quais as meninas ficam maravilhadas e brincam muito. Kazuko: Eles são tão fofinhos! Sakura: São sim. Dá vontade de abraçar e não largar mais. Jasmine: Crianças... que tal conhecer os cavalos? Todos: Oba! Os alunos da escola Tomoeda são levados ao estábulo, onde Minoru havia preparado dois três cavalos para montaria. Os cavalos são levados para dentro de um cercado e os alunos começam a se pendurar na cerca de madeira para tentar ver os animais mais de perto. Professora Akazawa: Não precisam ficar tão agitados. Todos vão poder experimentar. Jasmine organiza as crianças em fila e faz uma palestra sobre montaria. Ela deixa que Tomoyo seja a primeira a montar porque ela já havia tido aulas de montaria. A menina cavalga com elegância e facilidade, dando duas voltas pelo cercado. Seus colegas a aplaudem, animados. Jasmine: Viram como é fácil? Você só tem que conquistar o animal, mostrar que ele pode confiar em você, na sua liderança. Professora Akazawa: Os outros podem montar também, mas nada de tentar correr ou vão se machucar. Kazuko resolve ficar no estábulos conversando com os cavalos, o que alguns acham meio estranho. Sakura monta um cavalo branco e fica acariciando a cabeça dele. Após algumas instruções de Jasmine, ela consegue cavalgar e dar uma volta completa no cercado. Tomoyo filma tudo com sua câmera, os olhos brilhando de animação. Tomoyo: Você esteve maravilhosa, Sakura! Sakura desce de seu cavalo e se aproxima da melho amiga. Sakura (acenando para a câmera): Obrigada, Tomoyo. Até que não foi muito difícil, não é? E também muito divertido... As duas notam um cavalo marrom passar diante delas com Shaoran pendurado de cabeça para baixo e com os pés presos na cela. O garoto chinês estava com cara de poucos amigos. Minoru vai correndo atrás do animal para ajudar. Sakura (gota caindo): Eu acho que o Shaoran está com um pouquinho de dificuldade... Tomoyo (gota caindo): O Li não parece estar se divertindo muito... De repente um dos empregados da fazenda se aproxima correndo e ofegante. Empregado: Jasmine! Minoru! Temos problemas urgentes! Jasmine: O que houve? O empregado leva os dois filhos da senhora Gasai para onde não poderiam ser ouvidos. Empregado: Duas alunas da escola Takaoka desapareceram ontem a noite... Minoru: O que? De novo não! Jasmine: Isso vai nos gerar muitos problemas... Empregado: A professora da escola Takaoka ficou revoltada. Ela ficou sabendo das histórias sobre o milharal e está nos culpando por tudo. Está organizando seus alunos para irem embora. E ela chamou a policia! Jasmine: Essa não! Isso vai acabar de vez com a reputação de nossa fazenda... Professora Akazawa (se aproximando): O que está acontecendo? Minoru (sorrindo para disfarçar): Apenas um probleminha na nossa plantação. Nada demais. Os alunos da escola Takaoka se reúnem em frente a casa principal e tentam apartar uma briga entre sua professora e a senhora Gasai. Jasmine e Minoru correm para ajudar a segurar a mãe. Logo todos, curiosos, se aproximam para tentar descobrir o motivo da confusão, inclusive Yuriko, que estava sentada na varanda da casa principal tentando ler um livro. Senhora Gasai: Você não pode dizer isso da gente, sua ingrata! Professora: É claro que posso, sua velha gagá! Professora Akazawa: Meu Deus! Por que tanta agressividade? Professora: Por que? Deixa eu te contar um segredinho, cara colega de profissão. Essa fazenda está recheada de gente maluca. Eles esconderam de nós que pessoas desapareceram naquele milharal nos últimos meses. E ontem duas de minhas alunas sumiram! Senhora Gasai: Eu já disse que não temos culpa... tem alguém usando nossa fazenda para encontrar vitimas para sequestrar... Professora: E vocês não tem ideia do que realmente está acontecendo, não é? Não pode acreditar que somos tão ingênuos... A professora Akazawa se volta para a senhora Gasai e seus filhos. Professora Akazawa: Isso é verdade? Jasmine (cabisbaixa): Sim... algumas pessoas desapareceram por aqui... Professora Akazawa (suspirando): Então eu não tenho escolha. Sinto muito. A professora Akazawa se volta para os alunos da escola Tomoeda. Professora Akazawa: Comecem a recolher suas coisas. Vou chamar o ônibus para nos buscar. Senhora Gasai: Por favor... não nos abandonem... o dinheiro das excursões está praticamente mantendo essa fazenda... se perdermos isso, perderemos tudo... Minoru: Acho que já é tarde demais para isso, mãe... Professora Akazawa: Vocês já chamaram a policia? Professora: Já sim. Eles estão a camin... Todos ficam em silêncio de repente. Eles sentem uma ventania estranha percorrer toda a fazenda. Ao olhar para as plantações, percebem que todas as plantas estão misteriosamente apodrecendo e morrendo. Olhares assustados são trocados. Sakura se aproxima de Shaoran, Meiling e Tomoyo para sussurar no ouvido deles. Sakura: Temos que ajudar de alguma forma. Shaoran: Como? Sempre que tentamos encontrar a fonte, a aura se esconde... Tomoyo: E como vocês vão sair de perto dos outros alunos sem serem notados? Meiling (com um sorriso vitorioso): Eu acho que tenho uma ideia... Yuriko nota Sakura, Shaoran, Tomoyo e Meiling se dirigirem sorrateiramente até o Alojamento A. Ela os segue e fica parada do lado de fora, tentando ouvir o que estão conversando sem ser notada. Sem sucesso, ela resolve entrar e supreender eles. Yuriko: Peguei vocês! Yuriko nota que os quatro colegas estavam sentados em seus beliches, apenas arrumando suas malas. Meiling: Pegou a gente? Shaoran: Não entendi. Yuriko (olhando, incrédula): Vocês estão só... só arrumando as malas? Sakura: E o que mais estaríamos fazendo? Yuriko: Eu... bem... eu achei que você estava... A professora Akazawa e os outros alunos entram no alojamento para arrumar suas malas. Professora Akazawa: Arrumem suas coisas rápido... estou sentindo uma energia ruim tomando esse lugar... é melhor partirmos o quanto antes... Sakura e Shaoran saem pelos fundos do alojamento e correm para o celeiro sem serem notados. Sakura: Foi uma boa idéia usar a carta Espelho para criar cópias nossas. A Meiling mais uma vez foi brilhante. Shaoran: Foi sim, mas a Daidouji não parecia estar muito feliz em perder a oportunidade de te filmar. Sakura: Seria muito perigoso para ela... é melhor desse jeito. Shaoran: Bem... estamos livres... mas temos que agir rápido e voltar para nosso grupo antes que o ônibus chegue. Alguma ideia de como encontrar a fonte da magia do caos? Sakura pensa por um momento. Sakura: Eu tenho um plano! Sakura e Shaoran correm até a casa principal e batem a porta. Jasmine atende e eles a puxam para longe da casa. Jasmine: O que vocês estão fazendo? Sakura: Precisamos de sua ajuda. Nós podemos resolver está confusão, mas dependemos de você. Jasmine: Do que você está falando? Sakura: Sua irmã Ritsuko... você disse que tinha uma forte ligação com ela e que ainda podia a sentir por aí, certo? Jasmine: Sim, mas... Sakura: Precisamos que você se concentre nesse sentimento e nos ajude a encontrá-la. Jasmine, com lágrimas nos olhos, empurra Sakura. Shaoran olha para a namorada, finalmente compreendendo o que ela estava planejando. Jasmine: Isso não tem graça... brincar com os sentimentos dos outros... Shaoran: Não estamos brincando. Podemos realmente ajudar. Sakura (pegando a mão de Jasmine): Por favor... confie na gente... Sakura fica olhando para Jasmine com seus poderosos olhos verdes. Jasmine tenta achar um motivo para duvidar da garota a sua frente, mas não consegue. Jasmine (suspirando): Está bem. O que devo fazer? Shaoran: Feche os olhos e se concentre em sua irmã. Pegue as lembranças mais felizes que encontrar dela e procure aquele sentimento que sempre ligou vocês. Sakura: Agarre esse sentimento com força. Nós vamos te ajudar a seguir essa ligação e encontrá-la. Jasmine: Certo. Jasmine fecha os olhos. Ela, Shaoran e Sakura dão as mãos. Os dois jovens feiticeiros usam suas auras mágicas para fortalecer a ligação de amor de Jasmine e Ritsuko. Eles ficam assim por alguns poucos minutos até que Jasmine abre repentinamente os olhos. Jasmine: Eu posso senti-la... Sakura (sorrindo): Que bom... significa que funcionou. Jasmine: Eu sei onde ela está... eu sei onde ela está... Jasmine sai correndo de repente. Sakura: Espera! Sakura e Shaoran sai correndo atrás de Jasmine, tentando não perdê-la de vista. Eles correm por metade da fazenda, cruzam o milharal e páram diante do moinho de vento. Jasmine começa a rodar de olhos fechados e então se agacha, pegando um pouco de terra em sua mãos. Sakura se aproxima de Jasmine. Sakura: Você está bem, Jasmine? Jasmine: Eu posso senti-la... ela está bem aqui, mas não consigo vê-la... não faz sentido... será que ela é um espírit... Um pequeno tremor começa repentinamente e o solo do milharal se abre. Diversas raízes começam a se mover e agarram Jasmine, puxando-a para o buraco aberto no solo. Sakura: Jasmine! Shaoran saca sua espada mágica e salta em direção a Jasmine. Ele efetua vários golpes, tentando libertá-la, mas as raízes passam a tentar agarrá-lo também. Antes que Sakura possa reagir, o buraco se fecha sobre seus pés, engolindo Shaoran e Jasmine. O milharal volta a ficar em silêncio, como se nada tivesse acontecido. Sakura (umas poucas lágrimas de desespero nos olhos): Shaoran! Jasmine! Sakura se ajoelha e começa a socar o chão, desesperada. Ela bate com violência, sem se preocupar em machucar suas mãos. Sakura (se levantando com confiança): Você não vai ficar com eles! Sakura pega sua chave mágica no cordão em seu pescoço. Sakura: Chave que guarda o poder da minha estrela... Um reluzente círculo mágico se forma aos pés de nossa heroína. Sakura: ... mostre seus verdadeiros poderes sobre nós e ofereça-os a valente Sakura que aceitou esta missão... Sakura estende seus braços. Sakura: LIBERTE-SE! A chave mágica cede lugar ao poderoso báculo de estrela. Sakura gira o báculo no ar e saca uma carta. Sakura: TERRA! Sakura faz um gesto com seu báculo e o solo aos seus pés se abre, revelando uma caverna escondida abaixo do milharal. Havia dezenas de pessoas presas em estranhos casulos gelatinosos, entre elas a própria Jasmine. Os casulos estavam presos às paredes da caverna por troncos esverdeados. No centro da caverna, Sakura podia ver, surpresa, Shaoran combatendo alguém com suas habilidades. Sakura: O espantalho? As mãos do espantalho haviam se tornado lâminas de espada e ele tentava cortar o garoto chinês. Shaoran esquiva de uma série de ataques e nota que Sakura havia aberto a entrada da caverna. Shaoran: Sakura! O espantalho é a origem da magia do caos! Sakura (sacando uma carta): Certo. SALTO! Sakura salta para dentro da caverna. Assim que chega ao chão, saca uma nova carta. Sakura: FOGO! Uma bola de fogo atinge o espantalho, que mesmo defendendo o ataque com seus braços-lâmina cambaleia para trás. O espantalho cai de joelhos e põe os braços em seu peito. Os casulos começam a piscar uma luz fraca. Sakura (procurando o olhar do namorado): Ele é uma das criaturas banidas...? Você sabe o que ele está fazendo com essas pess... ? Sakura se assusta quando Shaoran parte para cima dela com sua espada, mas então nota que o garoto chinês a estava defendendo de um ataque. Uma garota de cabelos azuis e com o uniforme vermelho e preto havia tentando golpear Sakura por trás com uma lança e Shaoran havia defendido o golpe com sua espada. O garoto chinês chuta a menina de cabelos azuis, afastando-a. Ela logo se recupera e sorri, um pouco de sangue escorrendo de sua boca. Shaoran: Fique longe dela, sua traidora! Sakura olha de Shaoran para a garota, confusa. A garota estava segurando uma lança com cabo dourado e com um dragão vermelho desenhado em sua extensão, além de uma grande e afiada lâmina com vários símbolos chineses entalhados. Seu olhar era confiante e parecia ser uma pessoa que não se abala fácil. Sakura: A arma dela... é parecida com a do Shaoran... Hikari: Traidora? Não me faça rir, filhote dos Li. Você e seus amigos Anciões é que são ingênuos. Sakura (apontando seu báculo de maneira ameaçadora): Quem é você? Hikari: Eu sou Hikari Kamiya, última representante do Clã Kamiya, e vou ficar com esta relíquia da magia do caos para mim. Repentinamente, diversas raízes surgem das paredes da caverna e começam a atacar os três jovens. Shaoran e Sakura se esquivam e se jogam para um lado, enquanto Hikari se joga para outro. Sakura: Você conhece essa garota? Shaoran: Conheço a história da familia dela. Os Kamiya eram uma familia tradicional e muito respeitada, mas caíram em desgraça quando quebraram as regras dos Anciões e tentaram usar magia do caos para se fortalecerem. Os dois dão uma cambalhota para se esquivar de mais um ataque. Sakura: Mas eles não sabem que isso é perigoso? Shaoran: Eles não se importavam. Os Anciões caçaram e prenderam todos os membros dos Kamiya, impedindo que eles causassem problemas. Mas sempre houve o boato de que uma mulher do clã havia conseguido fugir e constituído familia em outro país...
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Peço desculpas pela demorar em postar um novo capítulo. Espero que, ao terminar de lerem, vocês achem que a espera valeu a pena. Em breve tem mais.
Curiosidades:
- No Japão a flor de cerejeira é conhecida como Sakura. Daí a confusão de Shaoran Li quando Rika conversava sobre as flores.
- A música que Tomoyo e Kazuko cantam na fazenda se chama I Turn to You, da Christina Aguilera.
- Shaoran usou um de seus ofugas como fogueira no episódio do anime em que ele e Sakura ficam presos no elevador. Neste capitulo, Sakura se inspira nessa habilidade do garoto chinês para usar suas cartas Sakura de maneira diferente.
- Neste capítulo usei nos nomes dos personagens algumas referências a outros animes. (Vocês conseguem identificar quais são? Rsrs)
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