Card Master Sakura

9 Capítulo 7 - O amor proibido de Rika


Notas iniciais
Sakura e Rika ao resgate!

[Imagem Ilustrativa do Capitulo]

A mulher estava sentada num escorregador, os olhos manchados por lágrimas de tristeza. O parque estava vazio e parcialmente destruído. O ar estava pesado, com uma tensão muito forte no ar. A mulher repentinamente parece notar que alguém está a vigiando. Ela seca seu rosto, ajeita seus longos cabelos e se levanta.

Sakura joga um pouco de água em seu rosto. Ela estava em seu banheiro, terminando de se arrumar para mais um dia escolar. Aquele sonho não acontecia com tanta frequência quanto os outros, mas Sakura sentia que ele era importante. Ela queria se lembrar dos detalhes, mas tinha muita dificuldade.

Fujitaka: Vamos, Sakura! Você vai se atrasar!

Sakura: Já vou, papai!

Sakura termina de pentear seus cabelos, pega sua mochila e começa a descer as escadas. Ela ouve vozes vindo da sala e nota que seu pai estava sentado no sofá conversando com alguém. Era Shaoran Li. Nos últimos dias o garoto vinha quase todos os dias buscá-la para irem juntos para a escola.

“Ai, ai, ai. O Shaoran está sempre tão bonito...”

Sakura (sussurrando): Meu querido Shaoran...

“Não! Eu tenho que me acostumar a chamá-lo de... de namorado.”

Distraída, Sakura erra um degrau e acaba caindo do final da escada. Fujitaka e Shaoran rapidamente se aproximam para ver se ela está bem.

Sakura (sentando no chão e escondendo o rosto): Ai, ai, ai. Que vergonha.

Fujitaka: Você está bem, minha filha?

Sakura (sorrindo sem graça): Não foi nada.

Fujitaka (ajudando a filha a se levantar): Você anda muito distraída, Sakura. Tem que ficar mais atenta.

Sakura: Desculpa.

Shaoran: Ohayo, Sakura.

Sakura encara os olhos âmbar do garoto chinês e cora. Ela se levanta rapidamente, pega suas coisas e começa a puxar Shaoran rumo a porta.

Sakura (marchando): Vamos indo senão chegamos atrasados...

Shaoran (confuso): Hã? Ok. Obrigado pela hospitalidade, senhor Kinomoto.

Fujitaka: Foi um prazer, Shaoran. Espero que tenhamos outra oportunidade de conversar sobre arqueologia...

Sakura: Tchauzinho...

O casal deixa a casa amarela dos Kinomoto. Fujitaka volta a sentar-se no sofá e liga a televisão para assistir o noticiário matutino, cujo destaque era alguns leves tremores que haviam assustado as pessoas de uma cidade vizinha.

Shaoran pega sua bicicleta verde, que havia deixado na garagem, e monta nela, seguido de Sakura. A menina envolve seus braços no garoto chinês e logo a bicicleta começa a ganhar velocidade. Shaoran olha de esgueira para Sakura.

Shaoran: Você está bem, Sakura?

Sakura: Estou. Por que?

Shaoran: Você parece muito preocupada... e realmente anda muito distraída...

Sakura fica observando Shaoran. A ligação mágica entre eles ficava cada vez mais evidente. Era óbvio que Shaoran sentia que ela estava preocupada.

Sakura: É por causa do problema com Zhen... e também por meus sonhos premonitórios...

Shaoran: Você não precisa carregar este fardo sozinha. Você sabe que pode contar comigo para o que precisar, não é?

Sakura (sorrindo): Eu sei. E fico muito feliz por causa disso.

A bicicleta chega a seu destino. Shaoran a prende com cadeado no bicicletário e então caminha até Sakura. Ele tenta pegar a mão dela, mas a menina se afasta.

Shaoran: Hã? Algum problema, Sakura?

Sakura: É melhor não andarmos de mãos dadas... tem muita gente conhecida no pátio olhando... eu fico com vergonha, sabe?

Shaoran (parecendo desapontado): Vergonha?

Shaoran fica olhando para sua mão.

Shaoran: Entendo...

O sinal da escola soa, indicando que era hora de adentrar as salas de aula.

Shaoran: Bem... vamos entrando.

Shaoran vai caminhando na frente. Sakura fica para trás, observando o namorado se afastar. Ela coloca a mão no peito, notando uma estranha tristeza que surgia.

Sakura (sussurrando): Shaoran...

Sakura entra na escola também. No corredor, ela se encontra com Rika Sasaki.

Sakura: Ohayo, Rika.

Rika (com um largo sorriso no rosto): Ohayo, Sakura.

Sakura: Que legal. Você parece estar muito animada hoje.

Rika (corando levemente): É que hoje eu tenho uma coisa muito importante para fazer...

Sakura: Ah é? E o que seria?

Rika: Desculpa, Sakura. Mas não posso te contar.

Sakura: Hã? Tudo bem. Todos nós temos segredos, não é?

Sakura sorri e entra na sala de aula. Rika fica ali, parada no meio do corredor. Do outro lado do corredor estava o professor Terada, com um sorriso amistoso no rosto.

Professor Terada: Ohayo, Rika.

Rika: O-ohayo...

Os dois ficam ali, se observando em silêncio.

Os alunos se concentravam no conteúdo escrito no quadro negro e no que havia em seus livros. O professor Terada passeava por entre as fileiras de cadeiras, repassando seu conhecimento. Vez ou outra, Rika ficava olhando para o professor, suspirando. Sakura olhava distraída para a janela, alheia ao que acontecia na sala de aula. De repente, ela sente uma bola de papel atingir sua cabeça.

Sakura: Hoe?

Sakura desenrola o papel e vê que havia algo escrito ali. Era a letra de Meiling.

“Volta para a Terra, menina. “

Sakura olha para o outro lado da sala e nota Meiling sorrindo para ela. A menina chinesa aponta de Shaoran para Sakura. Depois ela abraça seu livro e começa a simular um beijo. Sakura cora e baixa a cabeça, fingindo estar lendo seu livro.

Professor Terada: Espero que isso signifique que você está apaixonada pela matéria, Meiling.

Meiling fica pálida. Ela olha para Yamazaki.

Meiling: Ele está bem atrás de mim, não é?

Yamazaki (acenando com a cabeça): Aham.

Meiling gira a cabeça lentamente e nota o professor parado bem atrás dela. A menina larga seu livro sobre sua mesa.

Meiling (sorrindo sem graça): Professor! Mas é claro que significa que eu estou apaixonada pela matéria. Eu adoro suas aulas!

Professor Terada: Então não vai se incomodar de ficar depois da hora para aprender um pouco mais, não é?

O professor segue caminhando por entre as fileiras enquanto Meiling começa a bater a cabeça na sua mesa. Tomoyo observa tudo de longe, rindo. O professor volta para sua mesa.

Professor Terada: Muito bem. Agora vamos falar sobre a primeira avaliação de vocês.

Alguns alunos murmuram na sala.

Professor Terada: Decidi dividir a nota de vocês entre uma prova e um trabalho em dupla.

Naoko: E qual seria o tema do trabalho, professor?

Professor Terada: Quero que vocês escrevam sobre as mudanças políticas, econômicas e sociais durante o período Meiji no Japão. Os trabalhos deverão conter pelo menos setenta folhas de textos imagens e uma apresentação para os outros alunos da classe.

Os alunos, murmuram, lamentando.

Professor Terada: Eu vou sortear as duplas. A ordem que eu sortear também será a ordem de apresentação dos trabalhos. Vocês terão um mês para se prepararem.

O professor coloca um pote com vários pedaços de papel dentro sobre sua mesa. Ele balança algumas vezes o pote e sorteia o primeiro papel.

Professor Terada: Meiling Li e Mika Inoue.

Em sua cadeira, a jovem Mika vibra junto com suas duas amigas.

Mika: Ufa. Escapei de fazer o trabalho com gente inferior...

Professor Terada: Kazuko Nishimura e Shaoran Li.

Kazuko olha para o lado, encarando o garoto chinês que seria seu parceiro. Ele estava ostentando um olhar sério. Kazuko baixa a cabeça, corando.

Professor Terada: Tomoyo Daidouji e Takashi Yamazaki.

Tomoyo olha desapontada para Sakura. Preferia fazer o trabalho com sua melhor amiga.

Professor Terada: Rika Sasaki e Sakura Kinomoto...

O resto do dia de aula segue tranquilo até que o sinal da escola soa e os alunos arrumam e suas coisas e começam a deixar as salas de aula. Meiling acaba ficando para trás por causa de seu castigo. Rika vai caminhando rumo à saída junto com Sakura e Tomoyo.

Rika: Esse trabalho vai ser um pouco chato de fazer.

Sakura: Vai sim. Mas quanto antes começarmos, mais rápido terminaremos.

Tomoyo: É verdade. Vou conversar com o Yamazaki para começarmos logo.

Rika: Que tal começarmos amanhã, Sakura?

Sakura: Claro. Amanhã depois da aula na minha casa, tá?

Rika: Fechado. Agora eu tenho que ir. Tenho que me preparar para um compromisso.

Rika cumprimenta as amigas e sai correndo. Tomoyo olha para os lados, procurando por algo.

Tomoyo: Onde está o Li? Ele não vêm com a gente?

Sakura: Ele já deve estar vindo. Nós vamos treinar agora...

Tomoyo olha preocupada para a amiga.

Tomoyo (pegando a mão da amiga): Pode me contar. O que aconteceu?

Sakura: Eu acho que o Shaoran ficou chateado comigo...

Tomoyo: Mas por que?

Sakura: Porque eu fiquei com vergonha de andar de mãos dadas com ele aqui na escola...

Tomoyo: Ah, Sakura. Vocês dois são namorados agora. Esse tipo de coisa vai ser natural.

Sakura (colocando as mãos no rosto): Eu sei... é que é complicado... é tudo muito novo para mim... eu fico muito sem graça...

Tomoyo: Não se preocupe. O Li é um menino muito gentil. Tenho certeza de que ele nem deve estar mais pensando nisso.

Sakura: Mas e se ele estiver?

Tomoyo (sorrindo): Então vocês vão conversar e dar um jeito de resolver tudo. É isso que casais que se amam fazem.

Sakura abraça Tomoyo carinhosamente.

Sakura: Obrigada, Tomoyo. Não sei o que seria de mim sem você.

Tomoyo: Você seria uma cardmaster totalmente fora de moda.

As duas meninas riem. Shaoran estava recolhendo sua bicicleta, observando-as de longe.

Kazuko: Li?

Kazuko havia se aproximado silenciosamente. Ela abraçava seus livros contra o peito com força. Seus cabelos negros com pontas roxas voavam guiados pelo vento.

Shaoran: Pois não, Nishimura?

Kazuko: É que nós dois seremos parceiros e... eu... eu queria saber quando... quando podemos começar o trabalho?

Shaoran termina de soltar sua bicicleta.

Shaoran: Podemos começar depois de amanhã. Se incomoda de ir a minha casa?

Kazuko (corando levemente): Não. De maneira nenhuma.

Shaoran: Então está combinado. Amanhã eu te dou meu endereço. Agora eu tenho que ir.

Kazuko (fazendo uma reverência): Até amanhã.

Shaoran monta sua bicicleta e vai até Sakura e Tomoyo.

Shaoran: Vamos indo, Sakura?

Sakura: Claro.

Tomoyo: Eu vou para minha aula de natação agora. Até mais, Li. Até mais, Sakura.

Shaoran: Até mais, Daidouji.

Sakura: Até mais, Tomoyo.

Kazuko fica parada no pátio observando todos se afastarem. Ela se sentia confusa e sozinha. Tinha sentimentos que não sabia explicar e sentia coisas que não eram normais. A menina começa a caminhar e dá a volta no quarteirão, rumando para um ponto de ônibus. Ela vê, de longe, Naoko Yanagisawa parada embaixo de uma árvore ajeitando seus óculos. Uma limusine pára diante dela e Yuriko Yanagisawa abre a porta.

Yuriko: Entra logo antes que alguém nos veja juntas.

Naoko: Mas qual o problema? Nós somos primas, Yuriko. Brincavámos juntas quando éramos pequenas... éramos grandes amigas...

Yuriko: Isso foi há muito tempo. Você é uma pobretona e anda com a ralé. E eu tenho uma reputação a zelar.

Naoko: Yuriko...

Yuriko: Só estou te dando essa carona porque meu pai mandou. Por algum motivo absurdo, ele gosta de sua família. Não espere nada mais de mim.

Naoko baixa a cabeça e entra na limusine, que acelera. Kazuko senta no banco do ponto de ônibus.

Kazuko (murmurando): Pelo visto não sou a única com problemas...

Kazuko fica ali sentada por algumas horas, refletindo. Então ela resolve ir embora quando seu ônibus aparece. Quando a menina entra no ônibus, um homem surge correndo e gritando.

Terada: Por favor, segure a porta para mim!

Kazuko segura a porta e ela e Terada entram juntos no ônibus. Eles se sentam em bancos na parte traseira do veiculo.

Terada: Obrigado, Kazuko. Tenho um compromisso daqui a pouco e não gosto de me atrasar.

Kazuko (sorrindo gentilmente): Não foi nada, professor. Pensei que o senhor fosse ficar passando o castigo para a Meiling.

Terada: Sua nova colega de classe ficou com a minha professora assistente para terminar o resto do castigo. Espero que ela se comporte na próxima aula.

Os dois ficam olhando pela janela admirando as paisagens pelos lugares onde o ônibus passa. Após uma hora de viagem, o ônibus chega a seu ponto final em frente a entrada de uma estação de metrô.

Terada: Você também vai pegar o metrô?

Kazuko: Sim...

Os dois compram seus bilhetes e descem a escadaria para as plataformas subterrâneas. Haviam muitas pessoas espalhadas pelas cinco plataformas aguardando condução. Após alguns minutos, o trem aparece e recolhe seus passageiros. Terada e Kazuko sentam-se lado a lado. O trem fecha suas portas e inicia sua viagem.

Terada: Você mora um pouco longe, não é?

Kazuko: Na verdade eu sou meio nômade... às vezes eu durmo na casa da minha tia, às vezes na casa do meu avô...

Terada: E seus pais?

Kazuko: Meu pai está sempre viajando a trabalho. E minha mãe faleceu quando eu ainda era um bebê...

Repentinamente a voz de Sakura vêm a mente de Kazuko: “É tudo mentira!”. A menina balança a cabeça para afastar aquele pensamento.

Terada: Sinto muito.

Kazuko: Obrigada.

As luzes do trem repentinamente piscam e o trem sofre uma leve chacoalhada. Terada se levanta de seu banco, preocupado.

Terada: O que foi isso?

Kazuko: Não sei. Será que o trem está com problemas?

As luzes piscam novamente e então se apagam. Os freios do trem são acionados e um ruído agudo toma o vagão. As pessoas se levantam de seus lugares, assustadas. O trem começa a chacoalhar muito.

Terada: É um terremoto!

Todos os passageiros se jogam no chão. Após alguns segundos os tremores passam. As pessoas começam a se levantar, acreditando que o pior já havia passado. Então, de repente, o trem se parte em pedaços e os vagões começam a ser engolidos por uma imensa cratera.

Sakura e Shaoran haviam terminado seu treino e resolveram passear um pouco no centro de Tóquio. Como de costume, o centro estava apinhado de gente. Shaoran compra sorvetes para eles tomarem enquanto passeiam diante das lojas. Eles páram diante de uma loja de bichos de pelúcia.

Sakura (os olhos brilhando): Nossa! Eles são tão lindos. Olha aquele sapo... é tão fofinho...

Shaoran (com as mãos atrás da cabeça): É. Todos parecem bonit...

Sakura puxa Shaoran para dentro da loja e corre de prateleira em prateleira, admirando os diversos bichos de pelúcia à venda.

Sakura: Olha aquele coelhinho... e aquele cachorrinho... e aqueles ursinhos!

Sakura abraça dois travesseiros em forma de urso. Shaoran pega um dos travesseiros para observar.

Shaoran: Você gosta realmente de bichos de pelúcia, não é?

Sakura: Sim, sim. Eu acho eles muito bonitos. Principalmente os ursinhos.

Shaoran olha do travesseiro que estava na mão de Sakura para a própria Sakura. Então ele pega os dois travesseiros e chama uma vendedora.

Shaoran: Com licença. Eu gostaria de levar estes aqui.

Vendedora: Claro.

A vendedora pega os travesseiros para embrulhar.

Sakura: Shaoran... você não precisava...

Shaoran: Você gostou tanto. Acho que deve ficar com eles.

Sakura (sorrindo sem graça): Obrigada.

O casal deixa a loja minutos depois, com Sakura carregando uma bolsa com seu presente. Eles andam mais um pouco e resolvem comer algo numa lanchonete. Eles optam por sentarem nas mesas que ficam na calçada em frente. Enquanto come, Shaoran fica olhando para o horizonte, pensativo. Sakura fica olhando de esgueira para ele enquanto bebe seu refrigerante.

Sakura: No que você está pensando?

Shaoran: Estava pensando no próximo treinamento... temos que melhorar sua habilidade em convocar seus itens mágicos...

Sakura: Hmmmm.

Sakura bebe mais um pouco de refrigerante. Ela olha para os lados, um pouco aflita. Depois olha para a pulseira rosa com estrelas que ganhara de presente do namorado. Então resolve pegar a mão de Shaoran.

Sakura (com um olhar triste): Me desculpa.

Shaoran: Hã? Pelo que?

Shaoran olha para a namorada e nota que ela estava quase chorando.

Sakura: Desde que você voltou tem se esforçado tanto para me fazer feliz... tem cuidado de mim... e como eu retribui? Eu fiquei com vergonha de andar de mãos dadas com você na escola...

Shaoran: Sakura...

Sakura (algumas lágrimas escorrendo): Eu não quero que você fique chateado comigo... eu quero que você saiba que tenho orgulho... que estou muito feliz de ser sua namorada...

Shaoran: Sakura...

Sakura: Eu só estou meio perdida... eu não sei como lidar com isso ainda... mas eu...

Sakura pára de falar quando Shaoran beija sua mão carinhosamente.

Sakura: S-shaoran?

Shaoran: Eu não estou chateado. Estou feliz por estarmos juntos. E você não precisa se sentir pressionada. Quando você estiver pronta para falar a todos sobre nosso namoro, você falará.

Sakura: Shaoran...

Shaoran (com um olhar sereno): Eu te amo, Sakura.

Os dois ficam se olhando fixamente. Os corações batem acelerado, a respiração fica mais rápida, os rostos levemente corados. Então eles vão se aproximando lentamente.

Rika: Sakura? Li?

Sakura: Hoeeeeeee!

Sakura e Shaoran se afastam, assustados. Sua amiga Rika havia se sentado na mesa ao lado. Estava usando um vestido florido vermelho com um broche com a imagem de um coração, e um laço preto sobre a cabeça.

Sakura (sorrindo sem graça): Rika? Nem vimos você ai...

Rika : Eu acabei de chegar. Vocês estão sozinhos aqui?

Shaoran (corando): Estamos... estamos esperando a Tomoyo.

Rika: Estranho... achei que ela tinha aula de natação hoje.

Sakura: É que... ela vêm depois da aula...

Rika: Sei...

Sakura e Shaoran ficam se olhando, sem saber o que mais dizer. Eles notam que Rika estava olhando preocupada para seu relógio.

Sakura: Está tudo bem, Rika?

Rika: Eu marquei um encontro... mas a pessoa já está um pouco atrasada...

Sakura: Está esperando seu namorado?

Rika cora levemente.

Sakura (agitando as mãos): Ai, desculpa. Não é da minha conta. Mil desculpas.

Rika: Tudo bem.

Os três se assustam ao ouvir um forte estrondo. Eles sentem as mesas tremerem levemente. Então gritos começam a ser ouvidos.

Rika: O que será que foi isso?

Shaoran: Parece que o estrondo veio do outro quarteirão...

Sakura: Vamos lá ver!

Os três amigos correm até o quarteirão mais próximo e encontram uma multidão de curiosos se aglomerando. Havia carros de policia e bombeiros por todo o lado.

Shaoran: Parece que aconteceu algum acidente...

Sakura: Mas não dá para ver com tanta gente na frente...

Rika (parecendo um pouco aflita): Temos que chegar mais perto.

Sakura: Rika! Espera!

Rika sai correndo, empurrando as pessoas em seu caminho, até que é parada num cordão de isolamento da policia.

Policial: Opa. Calminha ai. Fiquem todos atrás da faixa amarela.

Sakura e Shaoran logo alcançam a amiga. Eles ficam atônitos ao ver que a rua fora quase que completamente engolida por uma enorme cratera. Shaoran se aproxima do policial.

Shaoran: O que aconteceu?

Policial: Houve uma série de terremotos pela cidade. Muitos lugares ficaram destruídos. Ainda não sabemos se os terremotos pararam de vez... então, eu peço a todos que se afastem e procurem abrigo. Mas nada de pânico. Isso é o que menos precisamos agora...

Rika olhava incrédula para a cratera. Seus olhos estavam cheios de lágrimas. Ela tenta pular o cordão de isolamento, mas o policial e Shaoran a seguram.

Shaoran: Sasaki! O que está fazendo?

Policial: Que parte do “nada de pânico” e “se afaste” você não entendeu, mocinha?

Rika (se debatendo): A estação de metrô! A saída era nessa rua!

Policial: Tirem ela daqui!

Shaoran e Sakura arrastam Rika para longe, levando ela para uma cafeteria. Eles a sentam num banco e ficam preocupados, já que ela estava pálida e tremendo. Shaoran logo consegue um copo d’agua para a amiga.

Shaoran: Se acalme. Beba um pouco de água.

Rika: Eu tenho que ir lá!

Sakura (limpando o rosto manchado de lágrimas da amiga): Você não pode, Rika. É perigoso.

Sakura observa a amiga, preocupada.

“A Rika sempre foi muito madura e controlada. O que poderia ter feito ela perder o controle dese jeito?”

Shaoran: Você ouviu o policial, Sasaki. Os terremotos podem voltar. As equipes de resgate vão cuidar de tudo.

Rika (falando muito rápido): Vocês não entendem... ele sempre descia naquela estação... e ele está atrasado... ele nunca se atrasa... alguma coisa aconteceu...

Shaoran: De quem você está falando?

Rika: Da pessoa que estava esperando... do meu grande amor!

Sakura e Shaoran se entreolham, surpresos. O garoto chinês puxa Sakura para o lado para sussurrar em seu ouvido.

Shaoran: Quando você estava lá... você sentiu... ?

Sakura (acenando positivamente com a cabeça): Magia do caos.

Sakura e Shaoran haviam aprendido a sentir e identificar a aura negativa da magia do caos durante os treinos com Yue e Kerberos.

Shaoran: Temos que achar a fonte do terremoto rápido.

Sakura: Mas primeiro temos que levar Rika para um lugar segur... Rika?!?

Os dois notam que Rika havia sumido. Eles correm para fora da cafeteria e olham para os lados procurando pela amiga.

Shaoran: Temos que achá-la antes que ela faça uma loucura...

Sakura: Por aqui!

Sakura puxa Shaoran para um beco próximo. Quando ela se certifica de que estão sozinhos, ela puxa sua chave mágica do cordão em seu pescoço.

Sakura: LIBERTE-SE!

Sakura gira seu recém-transformado báculo de estrela no ar e saca uma carta. Ela puxa Shaoran para junto de si.

Shaoran: Eu não acho isso uma boa ideia...

Sakura: Vamos logo... SALTO!

Sakura salta para o telhado do prédio. Shaoran se segura nela com força, temendo cair. Eles vão saltando de telhado em telhado em busca de um sinal da amiga. De repente os tremores voltam a castigar a cidade e os prédios começam a tremer e a rachar. Quando Sakura desce momentaneamente sobre um prédio, o telhado do mesmo começa a ruir. Sakura perde o equilíbrio e começa a capotar em meio aos escombros do prédio desabando. Três andares desabam em segundos. Sakura bate uma pilha de escombros e consegue se segurar. Ela olha para o lado e percebe que Shaoran não tivera a mesma sorte, deslizando rumo a beirada do prédio e desaparecendo.

Sakura: SHAORAN!

Assim queos tremores desaparecem e o prédio parece parcialmente estabilizado, Sakura corre até a beirada. Shaoran havia fincado sua espada numa parede e estava pendurado.

Sakura: Me dê sua mão!

Sakura ajuda Shaoran a subir e o abraça com força.

Shaoran: Calma, calma. Eu estou bem. Você se machucou?

Sakura: Estou bem. Só arranhões.

Shaoran: Os prédios estão instáveis. Acho melhor seguirmos a busca por terra.

Sakura: Certo.

Sakura passa seu braço pela cintura de Shaoran e ambos saltam para a rua. Eles vêem Rika entrando num terreno abandonado ao longe.

Sakura: Temos que alcança-la!

Os dois seguem correndo pela rua sem notar que sua proeza tinha sido observada por uma menina de cabelos ruivos que estava se protegendo dos tremores atrás de um carro.

Yuriko (olhando incrédula): Mas aquela era a Sakura... como foi que ela pulou do telhado para o chão?

Sakura e Shaoran pulam uma cerca e adentram o canteiro de obras. Sakura olha para os lados procurando a amiga, enquanto Shaoran observa a placa informando o objetivo da obra.

Sakura: Rika! Rika! Cadê você?

Shaoran: Sakura...

Sakura: O que foi?

Shaoran: Isso é uma obra de ampliação das linhas do metrô... ela vai tentar resgatar o namorado sozinha!

Um leve tremor faz o canteiro de obras tremer. Shaoran aponta para um túnel escuro na outra ponta do canteiro.

Shaoran: Ela deve ter descido para o subterrâneo por ali.

Sakura: Vamos segui-la.

Shaoran: Pegue isso.

Shaoran joga uma lanterna para Sakura. Os dois entram no túnel e descem uma escada de metal até chegarem num imenso túnel cheio de máquinas de construção e materiais de obra. Havia algumas lâmpadas acesas penduradas pelo túnel, mas elas não forneciam muita iluminação.

Shaoran: O túnel têm duas saídas. Para qual nós vamos primeiro?

Sakura: Teremos que nos dividir.

Shaoran: O que? Nem pensar. Não vou te deixar sozinha aqui embaixo. Já é perigoso o bastante estarmos aqui.

Sakura: Separados cobriremos mais terreno. Temos que tirar a Rika daqui rápido.

Shaoran: Mas Sakura...

Sakura coloca suas mãos no ombro do namorado.

Sakura: Eu vou tomar cuidado.

Shaoran (suspirando): Certo.

Shaoran segue para a saída sul do túnel, enquanto Sakura pega a saída norte. Ela vai andando rápido pelos túneis, a lanterna balançando em sua mão vascilante.

“Ai, ai, ai. Por que é que esse lugar tinha que ser tão escuro?”

Sakura colide acidentalmente num latão de gasolina e dá um grito de susto.

Sakura (respirado fundo): Calma, Sakura. Se acalma. Sua amiga precisa de você.

Sakura continua andando e chega num trecho onde o túnel ainda está mal escavado e sem qualquer iluminação. Havia apenas uma escavadeira naquele trecho. Não havia para onde seguir, já que o túnel seguinte estava coberto de pedras derrubadas pelos terremotos. Sakura passa a luz de sua lanterna pelas paredes e chão até que vislumbra um objeto no chão.

Sakura (recolhendo o objeto): O broche da Rika!

Sakura nota que perto do broche ainda havia um pequeno vão nas pedras, por onde uma pessoa pequena poderia passar. Ela se agacha e rasteja cuidadosamente até sair em outro túnel. Um ruído é ouvido no meio da escuridão.

Sakura: Rika? Rika! Cadê você?

Sakura dá alguns passos, então o chão aos seus pés cede e ela é engolida por uma cratera.

Sakura: HOEEEEEEEEEEEEEEE!

Sakura bate contra algumas pedras e vai escorregando pela terra que descia pela cratera. Após o que parece ser uma eternidade, nossa heroína cai num riacho subterrâneo. Sakura limpa o rosto, sujo de água e lama, e ouve passos. Ela rapidamente levanta sua lanterna.

Rika (apontando a luz de sua lanterna): Sakura?

Sakura: Rika!

Sakura se levanta da água e abraça a amiga com força.

Sakura: Eu estava preocupada com você! Nunca mais faça isso!

Rika (confusa): Você veio atrás de mim?

Sakura: Claro que sim. Vamos. Nós temos que sair daqui.

Sakura tenta puxar a amiga pelo braço, mas ela não se move.

Rika: Eu não posso ir, Sakura.

Sakura: Mas por que?

Rika: Eu tenho que achá-lo. Eu sinto que ele está com problemas e eu quero ajudar.

Sakura: Ele pode ter perdido este trem e pego outro...

Rika: Eu sei que ele estava nesse.

Sakura: Mas se houverem mais tremores, você pode acabar presa aqui embaixo...

Rika olha firme para Sakura.

Rika: Se fosse a sua pessoa mais especial... você a deixaria para trás?

A pergunta pega Sakura de surpresa. Ela imediatamente pensa em Shaoran ficando preso embaixo de escombros. O pensamento lhe dá calafrios e ela logo o afasta.

Rika: Eu não posso ir... e eu sei que você me entende.

Sakura: Então eu vou com você.

Rika olha surpresa para a amiga. Sakura estava ostentando um olhar determinado.

Rika: Mas...?

Sakura: Você tem razão. Eu te entendo. E não vou deixar você sozinha.

Rika (com um olhar triste): Mas, Sakura... eu não posso deixar ninguém descobrir quem ele é... as diferenças das idades... nos teríamos problemas e tentariam nos separar...

Sakura (piscando): Então eu fecho meus olhos quando o encontrarmos, que tal? Juntas nós daremos um jeito de achá-lo.

Rika olha comovida para Sakura. Ela sempre dava seu melhor para ajudar as pessoas e sua energia e determinação eram contagiantes. Rika sorri para a amiga.

Rika (tirando uma folha enrolada do bolso): Está certo. Eu achei um mapa dos túneis e cavernas...

Rika mostra o mapa para Sakura e aponta uma região.

Rika: Acho que estamos aqui. A estação não fica muito longe. Se formos naquela direção, podemos encontrar os vagões.

Sakura: Então vamos indo. Cuidado onde pisa.

Sakura toma a frente, iluminando os cantos mais escuros com sua lanterna. Rika segue logo atrás, usando sua lanterna da mesma forma. Enquanto as meninas caminham, Sakura olha de esgueira para Rika.

“Como sou boba. Estava com vergonha de andar de mãos dadas na escola... a coitada da Rika é obrigada a esconder seu romance das pessoas para não perder sua pessoa especial. Eu devia estar aproveitando a liberdade que tenho...”

Após descer com cuidado uma rampa de pedra, as meninas encontram os primeiros destroços do trem, mas nada de pessoas. Elas passam por uma rocha que se assemelha a ponta de uma flecha e, então, notam um feiche de luz vindo do teto. A equipe de resgate estava começando a abrir um túnel para chegar ao subterrâneo.

Rika: Vamos marcar esse lugar no mapa.

Sakura (estalando os dedos): Sim. Podemos mandar todas as pessoas que encontrarmos aguardarem socorro aqui.

Rika uma pedra e faz um pequeno furo no mapa para efetuar a marcação. As duas meninas voltam a caminhar cuidadosamente. Elas chegam até um trecho em que o túnel se divide em três.

Rika (apontando sua lanterna para várias direções): Você ouviu algo?

Sakura: Acho que sim...

Sakura fecha os olhos e procura se concentrar nos sons.

Sakura (apontando): Parecem vozes... estão vindo daquela direção!

Sakura e Rika saem correndo pelas cavernas até que se deparam com um vagão cortado ao meio. Havia uma pilha de pedras bloqueando sua entrada.

Pessoa: Tem alguém ai?

Pessoa 2: Podem nos ouvir... ?

Sakura: Vocês estão bem?

Pessoa: Estamos feridos, mas todos vivos... não conseguimos sair... o vagão está cercado por pedras...

Rika: Nós vamos tentar ajudar!

Rika começa a tentar tirar as pedras da frente, mas ela não consegue mover muitas delas por causa do peso.

Sakura: Eu vou ver o outro lado.

Sakura dá a volta no resto do túnel e nota que a outra parte do vagão estava aberta, mas dava num precipicio onde eles não haviam caído por pouco. No fundo do precipicio havia um rio com uma correnteza muito forte. A distância era grande para que as pessoas saltassem daquela parte do vagão até onde Sakura estava.

Sakura (olhando pensativa): Eles não vão conseguir pular... mas talvez...

Sakura saca sua chave mágica.

Sakura: LIBERTE-SE!

Sakura tira uma carta de seu bolso.

Sakura: BOSQUE!

Sakura cria alguns cipós e os testa, garantindo que estavam fortes o bastante.

Sakura guarda seus itens mágicos e volta até Rika. Ela pede que a amiga pare de tentar tirar as pedras.

Sakura: Olá?

Pessoa 2: Sim?

Sakura: Prestem atenção. Vão até o outro lado do vagão e saiam por lá.

Pessoa 3: Já pensamos em fazer isso... mas tem um precipicio lá.

Sakura: A distância de uma borda do precipicio até a outra não é tão grande. Têm uns cipós lá que vocês podem usar para se balançar.

Pessoa: Tem certeza?

Sakura (tentando passar confiança): Sim. Vocês vão conseguir. Vamos lá.

Sakura e Rika dão a volta no túnel. As duas pegam os cipós e os balançam até os sobreviventes, que ficam meio receosos a principio. Eles vão saindo de dois em dois do vagão, os mais fortes ajudando os mais feridos, e se balançam até alcançarem a margem segura do túnel. Eram um total de quinze pessoas sobreviventes, todos com algum tipo de ferimento e surpresos por terem sido salvos por duas meninas. Uma senhora com o braço ferido se ajoelha e abraça Rika e Sakura afetuosamente.

Senhora: Obrigada por nos ajudarem.

Rika (apontando para a amiga): O crédito é todo da Sakura. O plano dos cipós foi dela.

Sakura (sorrindo sem graça): Não foi nada.

Senhora: Só achei estranho que nós não vimos aqueles cipós antes...

Sakura (gesticulando nervosa): Ah... sabe o que é... deve ser a escuridão... sabe...

Rika: Vocês por acaso... viram mais pessoas... ? Mais sobreviventes?

Homem: Tinha um homem de terno e uma garotinha de uniforme de escola.

Mulher: Eles caíram no precipicio quando o vagão caiu aqui e foram levados pela correnteza.

Rika (baixando a cabeça): Oh...

Sakura (colocando a mão no ombro da amiga): Não se preocupe, Rika. Não vamos desistir.

Sakura pega sua lanterna e a entrega a senhora.

Sakura (apontando): Sigam por esse túnel direto até encontrarem uma rocha que se parece com uma flecha. A equipe de resgate está abrindo um túnel lá.

Senhora: Mas e vocês?

Rika: Nós estamos procurando... um amigo.

Senhora: Mas é perigoso vocês duas ficarem sozinhas aqui embaixo...

Sakura: Nós ficaremos bem.

Antes que os sobreviventes protestem, Sakura e Rika saem correndo pelo túnel. Após terem certeza de que não foram seguidas, elas abrem novamente o mapa.

Rika: O rio segue por aqui e desemboca nesse lago...

Sakura (passando o dedo pelo mapa): Se seguirmos por esse túnel paralelo chegaremos ao lago. Podemos encontrar os outros sobreviventes lá.

Rika: Mas e se não for ele?

Sakura: Nós ajudamos quem encontrarmos no caminho e seguimos procurando até que encontremos seu namorado.

Rika: Certo.

Rika, segurando a lanterna, lidera o caminho. Após alguns minutos de caminhada, elas chegam a uma escura caverna onde estava o lago. Ali, bem na beirada, haviam alguns trapos e um pouco de sangue.

Rika: Essa não! Estão feridos!

Sakura: Eles devem ter rasgado as próprias roupas para fazer curativos.

As duas meninas ouvem vozes não muito ao longe.

Rika: É ele!

Sakura: Rika! Espera!

Mas já era tarde. Rika Sasaki já havia saído em disparada por um túnel não muito grande a leste dali.

Sakura (gota caindo): Ai, ai, ai... Ela me deixou sozinha no escuro...

Um leve tremor balança a caverna. A escuridão e o silêncio se mostram tão aterrorizantes quanto os tremores. Sakura sente um leve calafrio percorrer sua espinha enquanto algumas poucas lágrimas surgem em seus olhos. Ela imediatamente se repreende por isso.

Sakura (limpando as lágrimas): Não! Se o Shaoran estivesse aqui ele me diria que chorar não resolve nada.

Sem ter muita opção, Sakura vai tateando as paredes à procura de uma saída. Ela resolve não usar sua magia com medo de Rika voltar e a pegar no flagra. Sakura não encontra o caminho seguido por Rika, mas encontra um outro túnel e rasteja para passar por ele. No caminho ela sente os pequenos tremores vindo com mais frequência. E parecia haver algo mais.

“A aura da magia do caos... parece que estou me aproximando de sua fonte...”

Terada: Espere... é melhor pararmos um pouco...

Kazuko: Certo, professor.

Kazuko e Terada estavam encharcados e feridos. Kazuko havia quebrado um braço, imobilizado por uma tala improvisada, e sofrido alguns cortes pelo corpo. Terada tinha fraturado um braço e uma perna e andava com dificuldade, apoiado em sua estudante. Os dois estavam andando pelos túneis e haviam ido parar numa grande caverna com várias pontes feitas de pedra seguindo para diversas direções. Os dois estavam no limite da caverna. Abaixo das pontes havia um precipicio cujo fim não era visivel. Kazuko coloca Terada apoiado numa rocha. Terada pega um isqueiro no bolso e o acende para conseguir um pouco de iluminação.

Kazuko: Parece que estamos andando em circulos...

Terada: Não podemos desistir... temos pelo menos que voltar aos destroços do vagão para que a equipe de resgate possa nos encontrar.

Terada ergue o isqueiro. Ele nota um outro túnel ao fim de uma das pontes.

Terada: Veja. Se atravessarmos aquela ponte de pedra, pode mos passar por aquele túnel. Pode ser que haja algum caminho para subir lá.

Kazuko: Eu não sei... Essas pontes não parecem muito firmes e os tremores estão aumentando de novo...

Terada: Temos que tentar. Passaremos um por um para garantir.

Kazuko: Mas o senhor está com a perna fraturada...

Terada: Eu consigo. Agora vamos.

Kazuko ajuda Terada a se levantar. Os dois caminham lentamente até a ponte. Terada entrega o isqueiro a Kazuko, que inicia a travessia. No meio do caminho, alguns tremores balançam a caverna e Kazuko perde momentaneamente o equilibrio. A menina cai de joelhos e consegue se segurar na ponte. Segundos depois os tremores cessam.

Terada: Kazuko! Você está bem?

Kazuko (tremendo de medo): E-eu acho que s-sim.

Kazuko respira fundo e se levanta novamente, continuando sua caminhada pela ponte de pedra. Então ela e Terada notam uma estranha luz vindo do fundo do precipicio.

Sakura: Ai, ai, ai. Onde será que esse túnel vai dar?

Sakura seguia rastejando pelo túnel, que parecia não terminar nunca. Havia uma pequena correnteza no túnel, mas tão rasa que não poderia afogar nossa heroína. Sakura pára por um instante. Tateando o chão, ela nota que o túnel ficava mais vertical e ela não pretendia cair por ali sem saber onde ia parar. Restava apenas dar meia-volta e retornar. Entretanto o cordão de Sakura acaba arrebentando por acidente.

Sakura: A chave mágica!

Sakura tenta agarrar a chave mágica e acaba escorregando pelo túnel molhado. Ela se esforça, bate suas mãos em várias pedras, até que consegue se segurar num galho. A menina dá uma olhada ao seu redor. Abaixo dela havia um precipicio emanando uma estranha luz. Sobre o galho estava a chave mágica.

Sakura: Hoeee. Por que essas coisas só acontecem comigo?

Sakura nota que haviam várias pontes de pedra naquele lugar e dois túneis visiveis, um em cada ponta da caverna e cada um com uma pequena plataforma para ficar. E haviam duas pessoas tentando atravessar uma ponte de pedra.

Sakura (forçando a vista): Kazuko? Professor Terada?

Kazuko consegue terminar sua travessia e assiste seu professor tentar fazer o mesmo. Ele vinha com dificuldade, tentando ignorar a dor em sua perna.

Kazuko: Vamos, professor. Você já está quase lá...

Rika: YOSHIYUKI!

Kazuko olha para trás e percebe que Rika havia surgido pelo túnel as suas costas.

Kazuko (murmurando, confusa): Ela o chamou pelo primeiro nome?

Terada: RIKA! Não se aproxime! Eu vou até...

Os tremores ficam extremamente violentos repentinamente. A ponte de pedra se quebra e Terada se vê em queda livre.

Rika: NÃO!

Rika ameaça correr em direção ao precipicio, mas o teto da caverna começa a desabar e algumas pedras vão na direção dela. A menina sente Kazuko a agarrar com força e as duas atravessam voando a entrada do túnel, que acaba fechada pelas pedras. Ao pousarem, Rika acaba batendo a cabeça e desmaia.

Kazuko: Rika! Rika! Acorda!

Então Kazuko percebe que havia algo diferente. Ela olha para suas costas e nota que haviam duas grandes e belas asas brancas ali.

Kazuko: E-Eu... voei?

O tremor derruba a chave mágica e Sakura larga o galho, se jogando atrás dela.

Sakura: Chave que guarda o poder da minha estrela...

Um reluzente círculo mágico se forma as costas de Sakura.

Sakura: ... mostre seus verdadeiros poderes sobre nós e ofereça-os a valente Sakura que aceitou esta missão...

Sakura estende seus braços a frente.

Sakura: LIBERTE-SE!

A chave mágica se converte no báculo de estrela e Sakura consegue agarrá-lo no ar. Em seguida ela saca uma de suas cartas.

Sakura: ALADA!

Duas grandes asas brancas surgem nas costas de Sakura, que voa em alta velocidade rumo ao fundo do precipicio.

Sakura: VENTO!

Correntes de vento se espalham pelo precipicio e diminuem a velocidade da queda de Terada.

Sakura: FLUTUAR!

Terada é envolvido por uma bolha invisivel e fica flutuando no ar. Ele se assusta ao ver algo passar em alta velocidade ao seu lado.

Terada (os olhos arregalados de medo): Mas o que era aquilo!?! E por que eu não estou mais caindo?!?

Sakura chega ao fim do precipicio e nota que havia algo preso numa rocha. Era um estranho objeto de metal que se bifurcava com o formato da letra Y. Havia alguns escritos em sua superficie que Sakura imaginou, pela sua experiência com Shaoran e Meiling, parecer chinês.

Sakura (coçando a cabeça): Eu já vi um desse antes... foi num dos ensaios do coral... É um diapasão!

Os inscritos do diapasão começam a brilhar e o mesmo começa a vibrar. As vibrações começam a se espalhar e mais um terremoto se inicia, sendo o mais violento de todos. As ondas vibratórias vão se espalhando por todas as cavernas, provocando terremotos por toda a cidade.

Sakura: Então é isso que está causando os terremotos!

Sakura tenta se aproximar do objeto, mas as vibrações estavam formando uma barreira que a impede. Ela saca uma nova carta.

Sakura: ESPADA!

Sakura tenta romper a barreira, mas sua espada não surte efeito. Algumas pedras começam a cair e ela é obrigada a ficar se esquivando. As vibrações começam a empurrar nossa heroína para trás. Sakura coloca as mãos nos ouvidos, incomodada com o som que o diapasão estava fazendo para provocar os terremotos. Agora que ela estava perto do objeto, era possivel ouvir o som com clareza. Não só ouvir, mas também podia sentir as vibrações fazendo todo o seu corpo tremer.

Sakura (balançando a cabeça): Não dá para pensar com esse barulho na cabeça!

“Espera ai... barulho? Ele está usando o som!”

Sakura saca mais uma carta e a joga no ar, tocando-a com seu báculo.

Sakura: SILÊNCIO!

Uma mulher vestida de branco surge da carta e coloca suas mãos ao redor do diapasão. O som produzido é roubado e o diapasão pára de vibrar, cessando o terremoto. A mulher de branco se abaixa diante do objeto, colocando um dedo sobre seus próprios lábios, como se pedisse silêncio.

“Agora é só eu fazer como o Shaoran e o Yue me ensinaram.”

Sakura pousa diante da rocha e aponta seu báculo para o diapasão.

Sakura (com os olhos fechados): Artefato imbuído com o poder maligno do caos, retorne ao seu plano de existência original, onde não causará mais mal. Assim ordena Sakura, detentora do poder da estrela!

Um reluzente círculo mágico se forma aos pés de Sakura. O báculo emite uma luz rosa que envolve o diapasão. O objeto vai se desfazendo em partículas de luz, até desaparecer por completo. Sakura, então, se senta na rocha, suspirando aliviada. Por um momento ela pensa ouvir a risada assustadora de Zhen. A bolha gerada pela carta Flutuar pousa o professor Terada diante de Sakura.

Terada (incrédulo): S-sakura?

Sakura: O senhor está bem?

Terada (gesticulando agitado): S-sim... você tem asas? O que é esse bastão na sua mão? O que foi aquilo que você fez? Como estou voando? O que está acontecendo?

Sakura saca uma carta e a mostra para seu professor. Em seguida, ela sorri.

Sakura: Não se preocupe. Tudo vai ficar bem. APAGAR!

Kazuko andava pelos túneis carregando Rika com dificuldade Ela se depara com Shaoran Li no fim de um túnel.

Kazuko: Li!

Shaoran coloca sua lanterna no chão e ajuda Kazuko a colocar Rika encostada numa rocha.

Kazuko (não sabendo para onde olhar): Olha... eu não sei como explicar isso... pensei que essas coisas só aconteciam com a Sakura e... simplesmente aconteceu...

Shaoran (com um olhar confuso): Do que você está falando, Nishimura?

Kazuko olha para suas costas e nota que suas asas haviam sumido.

Kazuko (baixando a cabeça): Nada.

Shaoran: Hmmm. Rika parece estar apenas desmaida. Você viu a Sakura?

Sakura: Eu estou aqui.

Sakura atravessa a parede, trazendo consigo o professor Terada preso numa bolha flutuante. A bolha pousa o professor no chão e se desfaz. Shaoran vai até Sakura e a abraça assim que ela desfaz seu báculo de estrela.

Shaoran: Que bom que você está bem.

Sakura: Estou sim. Obrigada por se preocupar.

Shaoran: Eu não sinto mais a aura da magia do caos... você...?

Sakura (sorrindo): Eu cuidei disso.

Sakura olha para o professor Terada.

Sakura: Ele me viu usar magia... tive que apagar sua memória.

Shaoran: Você fez o que era necessário. Ele vai ficar bem.

Os dois olham para Kazuko.

Kazuko (ficando de cara feia): Ninguém vai mexer com a minha memória!

Sakura (gesticulando): Não se preocupe, Kazuko. Confiamos em você.

Rika: YOSHIYUKI!

Rika desperta e corre até Terada, abraçando-o. O professor também desperta e sorri, feliz, ao ver Rika lhe abraçando.

Terada (acariciando o rosto de Rika): Eu sonhei que... que tinha visto um anjo com asas... acho que era você... Rika...

Rika (com lágrimas nos olhos): Yoshiyuki... eu pensei que fosse te perder...

Sakura, Kazuko e Shaoran ficam observando a cena, confusos.

Sakura: A pessoa mais especial da Rika é... o professor Terada?

Imediatamente Sakura se lembra do dia em que Rika fora possuída pela magia da carta Espada. Para libertar a amiga, Sakura usara a carta Ilusão para mostrar a pessoa mais amada como forma de distração. Rika sussurrara algo na época, mas só agora Sakura entendia o que era.

Sakura: Ela disse “professor”...

Shaoran: O que?

Sakura (balançando a cabeça): Hã? Nada não. Pensei alto.

Kazuko: Um professor e uma aluna?

Shaoran: Parece inapropriado para mim.

Sakura (dando uma leve cotovelada em Shaoran): Não existe nada de errado em se amar. Meu pai me disse uma vez que o amor é uma coisa linda e pura e que não pode ser limitado por idade ou raça. Se isso fosse um impecilho, meu pai e minha mãe nunca teriam ficado juntos... e eles foram muito felizes...

Shaoran (coçando a cabeça): É... acho que você tem razão...

Rika e Terada notam que estavam sendo observados e coram.

Terada: E-eu não sei o que dizer... eu...

Rika (tentando limpar suas lágrimas com seu vestido): Sobre o que vocês viram... sobre nós...

Sakura se ajoelha diante de Rika e do professor Terada. Ela sorri amistosamente.

Sakura: Do que você está falando? Nós não vimos nada.

Sakura pisca para Rika.

Rika (sorrindo): Certo. Obrigada.

Terada: Muito obrigado. Por tudo.

Shaoran: Vamos indo. Eu marquei o caminho para a saída.

Shaoran e Sakura ajudam Terada a se levantar e o grupo começa a caminhar rumo à saída.

DIA SEGUINTE

Sakura, Shaoran, Meiling e Tomoyo caminhavam juntos rumo à escola Tomoeda. Meiling vinha a frente do grupo carregando um jornal.

Meiling: “... os terremotos cessaram misteriosamente e os estudiosos ainda não conseguiram descobrir suas causas. Só o que se sabe é que alguns dos sobreviventes estão muito agradecidos a duas meninas não identificadas que se aventuraram nos túneis inacabados do metrô e os resgataram...”

Tomoyo (os olhos brilhando): Que legal! É a primeira manchete de jornal sobre nossa destemida cardmaster!

Sakura (gota caindo): Tomoyo...

Meiling: A cidade agora têm uma heroína misteriosa...

Tomoyo (tomando o jornal para si): Eu vou emoldurar e guardar essa manchete junto com os maravilhosos filmes que faço de você, Sakura.

Sakura (coçando a cabeça): Tomoyo... você está me deixando sem graça de novo...

Meiling: Só acho injusto não falarem do Shaoran... ele também estava lá.

Shaoran: Não estamos nisso para ganhar fama. Estamos tentando salvar pessoas. E Sakura fez um excelente trabalho lá embaixo.

Sakura (corando): Obrigada.

Meiling (fazendo cara feia): Tem horas que você é muito chato, Shaoran.

Tomoyo: E vocês descobriram o que estava causando os terremotos?

Sakura: Era uma espécie de diapasão mágico.

Shaoran: A Sakura descreveu o objeto e Eriol fez uma pesquisa. Parece que era um instrumento amaldiçoado por uma mulher desesperada que havia sido traída por seu amado centenas de anos atrás.

Sakura: O diapasão funcionava a base de magia do caos e havia sido usado pela mulher para destruir a sua própria cidade e seu amado.

Meiling: Que maluca...

Shaoran: Ela acabou morta também e o diapasão ficou perdido por ai até que os Anciões o baniram para outro plano quando selaram a magia do caos.

Meiling: Por causa do problema com o lacre da magia do caos, esses objetos podem acabar vindo parar aqui, não é?

Shaoran: Infelizmente sim.

Tomoyo: Mas eu tenho certeza de que a Sakura e o Li vão estar prontos para nos proteger, se necessário.

O grupo chega ao pátio da escola.

Tomoyo: Como será que Kazuko e o professor Terada estão?

Meiling: Eu soube que eles ainda estão nos hospital se recuperando. Devem ter alta em poucos dias.

Sakura (apontando de si mesma para Shaoran): Nós vamos fazer uma visita a eles após as aulas. Vocês também podem vir, se quiserem.

Tomoyo: Claro.

Os quatros amigos caminham pelo corredor até chegarem a frente da sala de aula. Sakura olha para Shaoran. Estava feliz de poder estar perto dele. Ela respira fundo, procurando ganhar confiança, e resolve pegar a mão de Shaoran.

Shaoran: Sakura?

Sakura (sorrindo): Vamos entrar, meu querido namorado?

Shaoran (segurando firme a mão da namorada): Claro.

Então os dois entram na sala de aula de mãos dadas, atraindo a atenção de seus colegas e provocando murmúrios.

Rika havia resolvido matar aula. Mas ela tinha um bom motivo. Ela caminhava pensativa pelos corredores dos hospital geral de Tomoeda carregando um presente nos braços. Rika pára diante do quarto 215.

Kazuko: Ele está acordado, Rika.

Rika: Kazuko?

Rika nota que Kazuko estava sentada num banco no corredor. Ela estava tomando um refrigerante. Seu braço estava engessado e seu corpo tinha alguns curativos.

Kazuko: Tenho certeza de que ele vai adorar sua visita.

Rika (suspirando): Ele provavelmente vai me dar uma bronca por estar matando aula...

Rika se senta ao lado de Kazuko.

Rika: Sabe, eu não tive a chance de dizer... obrigada.

Kazuko pára de beber seu refrigerante e observa Rika.

Rika: Você me salvou durante o desabamento e você ajudou o Yoshi... o professor Terada a sobreviver lá embaixo. Sou muito grata por isso.

Kazuko sorri. Ela fecha os olhos e volta a beber seu refrigerante.

Kazuko: Você devia aproveitar a oportunidade de estar sozinha com ele agora...

Rika (corando levemente): É verdade... com licença.

Rika se levanta e entra no quarto 215. Terada estava deitado numa cama, um braço e uma perna engessados e alguns curativos espalhados pelo corpo. Ele fica surpreso ao ver Rika entrar no quarto.

Terada: Rika?

Rika: O-oi...

Terada: Você devia estar na escola agora!

Rika baixa a cabeça.

Terada (sorrindo): Mas já que está aqui... estou feliz em te ver.

Rika puxa uma cadeira e se senta ao lado de Terada. Ela estende o pacote que trazia.

Terada: Hã? Para mim?

Rika: Sim. Lhe desejo melhoras.

Terada (colocando o presente numa mesa): Muito obrigado... isso me lembra uma coisa...

Rika: O que?

Terada estica seu braço até seu paletó, pendurado numa cadeira, onde também estavam outros pertences seus. Ele retira uma pequena caixa do bolso e a abre diante de Rika. Ali dentro havia um anel com uma pequena pedra brilhante.

Rika: P-para mim?

Terada: Sim. Eu ia te entregar ontem... contudo não consegui devido a tudo que aconteceu...

Terada coloca o anel no dedo de Rika.

Terada: Esse é um anel de compromisso... mas espero que um dia ele se torne um anel de casamento.

Rika olha para o anel em seu dedo e sorri.

Rika: Eu também...

FIM DO CAPITULO

No Próximo Capitulo: "Oba. É dia de excursão e nós vamos visitar uma fazenda. Mas por algum motivo pessoas começam a desaparecer toda vez que chegam perto de um milharal que dizem ser assombrado. E agora? O que eu devo fazer? Ah. Eu espero que vocês estejam comigo no próximo capitulo de Card Master Sakura para dizermos juntos... LIBERTE-SE!"

Notas finais
Curiosidades: - A cena final deste capitulo em que Terada entrega um anel para Rika foi inspirada numa cena do mangá. O anime preferiu evitar polêmica, deixando a relação dos dois no ar. - O broche que Rika aparece usando neste capitulo é o mesmo que ela ganhou de Sakura no episodio do anime (episodio 09) em que a carta Espada foi capturada.