Cara Sombra que um Dia me Atormentou
1 One-Shot
Notas iniciais
De qualquer forma, acho que SakuKarin é mais importante, né não?
não é não, estudem para a vida!
De qualquer forma, aproveitem um pouco do pecado que foi escrever algo na noite pré vestibular
Eu nunca tive um papai.
Na verdade, eu nem sei direito como é meu papai.
Desde que eu me conheço por gente, lembro de acordar no meio da noite com uma porta fechado muito forte, e essa figura escura como uma sombra ia direto para o quarto da mamãe, e de lá eu não a via mais. Minha mãe dizia que aquela figura escura era meu papai, mas eu nunca consegui ver muito dele, a única coisa que eu tinha era uma foto de anos atrás, quando minha mamãe ainda estava grávida de mim: ele era um homem com a cara rígida e cabelos negros, e todos diziam que eu era muito parecida com ele, já que tínhamos cores de olhos e cabelos iguaizinhos.
Mas teve um dia que eu ouvi a clássica batida na porta, e depois gritos, e mais gritos, e um vidro quebrando, e a voz da mamãe, para finalmente ouvir a porta de casa batendo de novo, e eu só pude ver minha mão chorando encolhida na mesa da sala.
— Mamãe? Seu braço tá sangrando. — eu dizia com meus cinco aninhos de idade. — Mamãe, quem fez isso com você?
Minha mãe não falava nada para mim, eu estava isolada, tendo a pista apenas do porta-retrato caído no chão, com o vidro espalhado pela madeira.
— Mamãe, tem vidro no chão, você tem que se calçar pra não se cortar. — eu continuava a chama-la, só com o choro como resposta. — Vamos, mamãe, você se machucou.
Eu lembro de ficar quase a noite inteira chamando-a, até então cair aos prantos junto com ela.
Até hoje lembro da primeira coisa que ela me disse depois daquela noite.
— A partir de hoje, o nosso sobrenome será Haruno, tudo bem? — seus olhos estavam tão inchados.
Eu não sabia de nada, mas tinha certeza que algo ruim tinha acontecido, já que minha mãe perdeu muito peso e cortou os lindos cabelos rosados que ela tinha; eu sempre quis ter aquele cabelo legal, não um preto sem graça.
Eu cresci odiando minha aparência, todos sempre diziam como eu era parecida com meu pai, e eu odiava, odiava isso! Eu não era parecida com ele, não queria ser igual a sombra que machucou minha mãe durante muito tempo, ele não existia, ele não tomaria conta de mim.
Eu sempre quis ter um pai, porque aquela sombra nunca fora um para mim.
Meus amigos corriam para seus pais na hora de voltar da escola e ainda faziam vários presentes no dia dos pais; a professora sempre mandava eu fazer um presente para algum tio que eu pudesse ter: não era a mesma coisa. Quando eu tinha sete anos, eu pedi um pai para o Papai Noel, diziam que ele conseguia dar qualquer presente para qualquer criança do mundo! Eu ganhei uma bicicleta, mas acho que deve ser porque ninguém nasce adulto, então quando meu papai tiver idade para ser meu papai ele vai vir, mas acho que eu já vou estar velhinha até lá. Acho que o Papai Noel não pode nos dar tudo, e ele não pode ser meu papai durante um dia do ano.
Era eu e minha mãe, minha mãe e eu, aquela era nossa família e acabou.
Não precisava de um pai, eu juro...
Eu agora tenho onze anos, minha mãe disse que eu começaria a ficar bem chata a partir dali, não entendi muito o que ela quis dizer.
Íamos sair para o cinema naquele dia para ver um filme novo: minha mãe me vestiu com uma saia cor de rosa e uma camisa branca de botão com mangas estilo puff: não gostei muito da roupa, mas aparentemente era o que minha mãe usava quando tinha minha idade, então usei com muito orgulho para parecer ainda mais com ela.
— Filha, desculpa lhe contar só agora, mas hoje vamos ter mais uma convidada no cinema, tem problema? — no momento que ela me contou isso, a campainha tocou.
Quando abrimos a porta, lá estava Karin, sorrindo e cumprimentando tanto eu quanto minha mãe. Karin tinha um cabelo vermelho muito legal, com um lado raspado e o outro longo, parecendo uma roqueira. Minha mãe disse que ainda era muito cedo para eu poder usar um penteado daquele.
— Olá, meninas! — a amiga da minha mãe deu um enorme sorriso, eu gostava muito dela — Estão prontas para o cinema?
— Estamos sim! Tia Karin!
— Vamos, meu carro está lá fora esperando por vocês e... — ela deu uma pausa estranha, me olhando com a testa franzida. — Vamos lá, Sarada, sua mãe que escolheu essa roupa, não foi?
— Oh, como adivinhou? — minha mãe fez uma cara de surpresa, estava engraçada.
— É tão brega que só podia ser você — Karin riu, zombando mais de minha mãe do que de mim.
— Ei, Sarada vai ficar magoada — minha mãe pôs as duas mãos no meu ouvido.
— Na verdade, eu concordo — eu me coloquei do lado da Tia Karin, que riu mais um pouquinho.
— Como assim? Está tão lindinha.
— Ai Sakura, a Sarada já é uma pré-adolescente — pré-o que? — Está mais que na hora de renovar o guarda-roupa, não é? Não se preocupe, Sarada, roupinhas novas hoje por minha conta!
— Eba! — comemorei.
De lá partimos, foi um dia super divertido.
O filme foi muito legal, e logo depois fomos na loja comprar algumas roupas para mim: Karin tinha um estilo de moda muito melhor que o da minha mãe, mas devo admitir que eu ria muito assistindo minha mãe chorar interiormente pelo preço de uma nova armação de óculos vermelha que Karin havia me dado.
Era sempre divertido ter Karin por perto: ela estava conosco já tinha dois anos, e sempre foi divertido ficar com ela, inclusive quando ela ia dormir lá em casa. Espero algum dia ter alguma amiga que nem ela.
O final do dia chegou rápido, eu tomava um picolé de morango sentada ao lado de minha mãe enquanto esperava Karin ir ao banheiro. Minha mãe parecia muito inquieta, era como se ela quisesse ir ao banheiro também, mas não pudesse pois tinha que cuidar de mim para nenhum estranho chegar e me levar; foi o que me ensinaram na escola, pelo menos.
— Pode ir no banheiro, mamãe! — sorri e fiquei meio constrangida, estava ficando meio vergonhoso chamar minha mãe de mamãe em público. — Eu sou forte! Nenhum estranho vai me levar para longe!
— Quê? Não, não! Não é isso querida. — minha mãe corou, seu rosto ficou parecendo seu cabelo. — Não quero ir ao banheiro, eu só preciso perguntar uma coisa para você.
— Perguntar? O que? — dei uma mordida no picolé, congelando o cérebro.
— S-Sarada. — minha mãe se preocupou, mas logo mostrei que estava bem — Enfim... Você gosta da tia Karin?
— Gosto sim, por quê?
— É que, bem, vamos ver... — ela parecia dar engolidas rápidas no meio das palavras. — Digamos que ela vá fazer parte da nossa família a partir de agora, o que você diria?
— Como? Vocês são irmãs? — quase me engasguei. — Mas faz sentido, vocês são iguaizinhas quando estão com raiva.
— Não, assim não!
— Como então?
O rosto da mamãe estava corado, seus olhos verdes brilhavam e ela parecia ganhar coragem para falar alguma coisa:
— Sabe, Karin e eu fomos da mesma faculdade, e nós nos reencontramos ano retrasado. Nós nos interessamos muito pela outra e decidimos então começar a namorar
— Namorar? Tipo uma beija a outra na boca? Como aquilo que você me falou?
— Isso filha, acontece que sua mamãe também gosta de garotas, e Karin foi uma pessoa pela qual eu me apaixonei. — ela riu, minha mãe parecia tão feliz falando da tia Karin. — Então, recentemente Karin me pediu em casamente, e eu, por amar ela, aceitei.
— Você e a tia Karin... Vão se casar?
— Sim querida, eu sei que a ideia vai ser um pouco nova para você agora. Olha, eu lembro que você pediu há um tempo um pai para o Papai Noel, mas infelizmente ele não pode atender seu pedido na hora. Em compensação, ele lhe trouxe uma segunda mãe, uma mãe que, mesmo não tendo ligação de sangue, já te ama muito.
— Segunda... — engasguei, deixando uma lágrima cair. — ...Mamãe?
— Olha Sarada, eu sei que você pode achar estranho no começo, mas...
— Que legal! — eu saltei tão alto que senti que estava voando. — Uma segunda mamãe! Eu tenho uma outra mamãe agora!
No momento que vi Karin sair do banheiro, ainda ajeitando sua roupa, corri para o seu colo, sem nem me importar com o picolé que caiu no chão. Eu a abracei com tanta força, sem parar de chorar, só a chamava de mamãe e mamãe, e seu sorriso radiava tão brilhantemente que sentia sua alegria no topo de minha cabeça.
Senti minha mãe Sakura me abraçar por trás, finalmente fazendo um enorme ninho de amor com o qual eu sempre sonhei.
— E-Eu sempre quis ter um papai, mas agora eu tenho duas mamães que me amam! — eu estava eufórica — Estou tão feliz, feliz de verdade!
— Estou tão feliz que me recebeu assim, Sarada. — Karin só me abraçava mais forte.
— Ei, ei, você vai me buscar na escola? E receber presentes que eu faço lá? E que tal me comprar algumas roupinhas? E brincar de boneca ou futebol comigo? Vai dar um boa noite antes de eu dormir? — ela assentiu tudo com a cabeça. — Que legal!
Estávamos em um abraço infinito, um abraço que aqueceria nossos corações para sempre.
Cara sombra que um dia me atormentou, eu estou muito bem, continuo parecendo com você, mas isso só na minha aparência, eu garanto. O casamento das minhas mamães foi lindo demais! Conheci muita gente legal da minha maior família, inclusive um menino da minha idade. A gente continua morando na mesma casa que você batia a porta, mas não se preocupe, não temos mais a atmosfera pesada que você deixou. Outra coisa legal que estamos vendo é se podemos adotar um cachorrinho! Sempre gostei de cachorro e a mamãe Sakura também, mas ela dizia que você não gostava de animais, por isso nunca deixou a gente ter um. Karin está sempre me mantendo antenada sobre a moda e me ensinando várias brincadeiras legais, mas ela ainda dorme no meio de algumas histórias que lê para eu dormir.
Nunca vi a mamãe Sakura tão feliz, realmente encontramos alguém que realmente amamos, e continuaremos a amar até o fim. Sabe aquele porta-retrato que você quebrou? É, minha mãe o encontrou depois de uma faxina aqui em casa; consertamos o vidro e agora botamos uma foto nossa, estamos super bonitas!
Cara sombra, você não me assusta mais.
O luz que minha família me trouxe é bem mais forte que o frio que sua presença traz ao meu coração.
Espero que você encontre alguém que lhe faça isso.
Um grande abraço, Sarada.
Notas finais
Um grande beijo e até a próxima!
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