Capuz Vermelho Especiais
4 Deuses e Monstros (Parte 4)
Notas iniciais
09 de Outubro de 1942
Escola Municipal de nome desconhecido
Uma das primeiras missões enfim fora oficializada pelo comitê de aprovação organizado pelos membros iniciais da Resistência e composto por sete caçadores escolhidos por votação uma semana após a primeira reunião entre os integrantes oficiais e os novos incluídos — o trio da Legião — e o selamento do acordo por escrito assinado pelos mesmos. Bertrand Nincoln, chefe de escalação e ex-caçador de aluguel, decidira, naquele dia, enviar o trio da Legião à uma missão cuja meta era liquidar miméticos em estágio de inquietação, tendo boa parte deles estando localizados em uma escola de ensino integral com estrutura inacabada e detectados, previamente, três dias antes por dois caçadores disfarçados de miméticos em completude (nível Beta). A procura do material para a farsa foi árdua, durando cerca de doze dias, mais dois inteiros para a confecção das "fantasias".
Sob um céu cinzento e nebuloso, o prédio do colégio e arredores exibiam um caráter decrépito e rústico, muitos dos pontos mais visíveis com resquícios da substância negra em respingos em meio à um cenário deprimente. Até mesmo parquinho que serviria para crianças do primário se encontrava em estado deplorável, a maioria dos brinquedos visivelmente enferrujados e sujos de gosma preta. Uma brisa leve e gelada fez um balanço se mover, produzindo um rangido fraco. Ao mesmo tempo, o trio da Legião pisara nas areias imundas do parque afim de chegar à alguma entrada dos fundos na escola. Adam portava uma metralhadora que dispararia dez mini-capsulas de nitrogênio líquido por segundo. Já Lester e Êmina carregavam lança-granadas com cápsulas do tamanho de uma lata de refrigerante.
— Fiquem de olho... — disse Adam, soando sussurrante para não chamar a atenção de inimigos ocultos. — Podem estar escondidos em qualquer lugar, até nos bueiros.
— Esse lugar virou um chiqueiro. — disse Lester, andando e observando o gramado da entrada da escola.
— Foi umas das muitas zonas evacuadas em menos de seis meses. — salientou Êmina, a expressão séria e firme, caminhando ao lado de Adam. — Não vejo muita diferença nos padrões que a maioria deles costuma seguir. Veja bem: Boa parte prefere lugares abandonados, silenciosos e que não sejam tão facilmente acessíveis para grupos numerosos.
— Bem, isso é verdade. — concordou Adam, visualizando a escola com olhos estreitados. — Esse lugar, por exemplo, foi vítima de um grande descaso da prefeitura. Sem infraestrutura adequada, trabalhadores mal-pagos, pausas constantes... Não me admira esse ter sido o local predileto desses monstros aqui nesse bairro. — olhou para a caçadora. — Já vez a varredura nas casas?
— Nos três primeiros quarteirões? Sim. — respondeu ela, olhando atentamente para os lados. — Tudo limpo. Com isso eu quero dizer que todos que decidiram permanecer em seus lares estão seguros. Portas trancadas, cercas não-enferrujadas, nenhuma brecha, estão confinados e totalmente privados do mundo externo. — informou ela, estranhando Lester seguir adiante tão à frente deles. — Espera... O que é aquilo ali?
— Aquilo o quê? — perguntou Adam, tentando acompanhar o olhar da parceira.
— Não viu? Lester pareceu ter corrido para detrás daquele muro! — apontou ela com o indicador, logo apressando o passo para chegar a tempo de ver uma descoberta.
Ao escutarem vozes exaltadas, ambos tornaram a correr diretamente para o outro lado do muro com tijolos vermelhos para o qual Lester foi verificar.
— Quem é você? Mãos onde eu possa ver, agora! — gritava o caçador estrategista, apontando o lança-granadas para um homem de smoking preto agachado e de costas.
— Lester! O que foi? — perguntou Adam, em alto som, chegando ao ponto com Êmina vindo atrás. Ao perceber, seu instinto o fez acalmar o amigo imediatamente, olhando fixamente para o homem negro com as mãos para cima e de costas.
— Ele guardou alguma coisa no bolso! — disse Lester, olhando-o suspeito.
— Calma aí, Lester, abaixa a arma. — pediu Adam, sem tirar os olhos do homem, aproximando-se com cautela.
— É impressão minha ou você... conhece esse cara? — perguntou Êmina, olhando-o com estranheza.
— Não só conheço — disse o robusto caçador, tendo certeza -, como também sei o que representa. Pode se virar... Áker. — falou, surpreendendo aos dois companheiros.
O arauto de Yuga abaixara as mãos, voltando-se para o trio, emanando uma face de tensão misturada com desconfiança.
Adam abrira um sorriso para o auto-proclamado protetor de Rosie.
— E aí? — disse ele, amigavelmente.
— Como é que é? — indagou Lester, a expressão confusa, olhando para os dois. — Você não vai nem checar se ele está limpo?
— Não é necessário. — retrucou Adam, sem olha-lo.
— Se eu não estivesse com meus poderes, eu é quem estaria em posição de verifica-los antes de vocês. — disse Áker, com firmeza no tom. — Olá, Adam. — cumprimentou-o, assentindo e chegando mais perto.
— Poderes? — perguntou Lester, franzindo o cenho. — Que tipo de ser você é, afinal?
— É o arauto de Yuga. — disparou Adam antes que Áker pudesse falar. — Conheci ele quando Rosie me levou para o Casarão. Não precisam teme-lo.
— Ligado à Rosie?! — soltou Êmina, chegando perto ao ficar interessada no mensageiro. — Isso... me faz lembrar uma coisa... Acho que foi na noite nas Ruínas Cinzas... — disse ela, pensativa, — Vamos lá, me ajudem. — disse, dirigindo-se à Adam e Lester.
— Não lembro nem do que comi no café da manhã de ontem. — disse Lester, dando de ombros. — Ah é, falando nisso, falta alguém coletar mais suprimentos ainda hoje.
— Acho que se refere ao que Abamanu disse à Rosie naquele dia... — disse Adam, tentando se recordar, pondo a mão no queixo e ficando pensativo, ao passo em que Áker revirava os olhos em impaciência. — Sobre sua conexão com Yuga... Inimigo de Abamanu devido à uma guerra...
— Pessoal, por favor, devemos nos apressar. — disse Áker, com urgência, gesticulando com as mãos. — É complicado demais ter de explicar com detalhes agora... Mas vou precisar da ajuda de vocês.
— Isso depende. — disse Lester. — Nós estávamos no meio de algo. Você, pelo visto, tem seus próprios problemas.
— E iremos ajuda-lo a resolver. — disse Adam, olhando para Lester de relance com reprovação. O caçador estrategista suspirara, rendendo-se. — De acordo, Êmina? — perguntou à caçadora.
— Olha... Pela primeira vez, em muitos anos, vou ter de concordar com o Lester. — disse a jovem, relanceando o amigo e um pouco insegura.
— Acho que precisamos de um termômetro... — disse Lester, brincando com o fato da alquimista finalmente ter demonstrado apoio ao seu ponto de vista, como raramente fazia, parecendo que ela "delirou" de febre.
— Ahn... Me desculpe, Áker, mas, como pode ver, meus amigos ainda precisam estar convencidos de que você é totalmente confiável. — disse Adam, meio sem jeito para explicar.
— Não, eu não me sinto constrangido, de forma alguma, eu compreendo perfeitamente. — disse Áker, sensato. — Me conheceram assim tão de repente, de modo suspeito, ainda mais sabendo que tenho ligação com o maior algoz de Abamanu, é natural que estejam hesitantes a meu respeito.
— Só pra começar: O que escondeu no bolso? — perguntou Lester, soando indelicado.
— Lester, eu já disse: Não há porque temê-lo. — repetiu Adam, aborrecendo-se com a atitude do caçador. — Obviamente, ele está pedindo por ajuda e vamos apoia-lo. Não trata-lo como um criminoso.
— Era isto. — disse Áker, retirando o que havia guardado no bolso esquerdo do smoking. Mostrara uma bala dourada com um sigilo inibidor "entalhado" na ponta. — Pretendo encurralar um certo inimigo com quem tenho uma rixa pessoal.
— Ah, tá... — disse Lester, levantando uma sobrancelha, em sinal de incredulidade. — Com uma só bala? Belo plano.
— Não sou eu quem vou atirar. — disse Áker, franzindo o cenho para Lester, logo olhando para os outros dois resistentes. — Mas um de vocês.
— Cara, estamos em uma missão extremamente importante! — reclamou Lester, impaciente. Apontou para a entrada da escola. — Tem centenas de desgraçados que sangram gosma preta lá dentro. Não vamos perder tempo com sua vingança pessoal. — dissera, balançando a cabeça negativamente.
— Precisamos que seja breve. A gente não tem muito tempo. — disse Êmina, disposta a auxiliar.
— Garanto a vocês que parte do meu plano servirá como retribuição. — assegurou Áker, andando em direção ao gramado a fim de alcançar a porta principal da escola. O trio o seguira. — Nesta bala há um sigilo inibidor. — jogara-a para trás, fazendo com que Adam a pegasse certeiramente. — A forjei a partir de uma lâmina dourada comum. Deve funcionar.
— Deve? — indagou Lester, fazendo uma expressão de desconfiança.
— Mas, afinal, de quem se trata? — perguntou Adam, pondo-se lado à lado com o arauto na caminhada.
— Sekhmet. Consorte de Yuga. E suposta assassina de Rosie. — disse ele, mantendo-se sério e focado.
— Acredita mesmo que essa... deusa... conseguiu matar a Rosie? — perguntou Êmina, intrigada.
— É meu único palpite. — respondeu o arauto, dobrando em direção à entrada do colégio.
— Então é mesmo uma vingança... por Rosie? — perguntou Lester, aparentando estar finalmente compreensivo quanto aos motivos do mensageiro de Yuga.
— Basicamente. — disse ele, sem querer se prolongar. — Eu vou estar lá para ativar o sigilo após a deterem. Na verdade, existem determinadas lâminas mais efetivamente letais contra divindades, as quais não estão e nunca estiveram ao alcance de seres como eu. Tive como única alternativa arriscar dessa maneira. Ela pode ter se fortalecido graças ao recarregamento de seu amuleto.
— Mas você é mensageiro de um deus bem influente. — disse Adam, olhando-o curioso. — Por acaso, é proibido ter acesso a essas lâminas tão raras?
— Infelizmente, alguém como eu não deve portar adagas tão perigosas. — afirmou Áker, apressando o ritmo de seus passos em direção à entrada. — É uma regra estabelecida pelo meu Lorde. Diziam as más línguas que isto era um artifício para evitar que arautos ou soldados comuns se rebelassem contra o imperador e usufruíssem de tal vantagem proporcionada pela adaga.
Lester dera uma risadinha rápida, embora não achasse engraçado.
— Seu imperador é um exemplo de confiança. — disse ele, irônico.
— Ele tinha suas próprias paranoias. — afirmou Áker, convicto. — Honestamente, eu até creio que ele não deposite tanta confiança em mim. E ao tocar no assunto das adagas especiais, percebo que Sekhmet, de certa forma, tinha razão sobre mim. Não perguntem porque, afinal temos pouco tempo.
Questões emergentes ainda pairavam na mente de Adam, motivando-o a não cessar com a busca por respostas.
— Quando disse que vai ativar o sigilo ao chegar lá... Não se referiu à escola, certo? — perguntou o caçador de braços fortes.
— Os capangas dessa deusa estão caçando você, não é? — questionou Lester, o tom de voz suspeitoso.
— E não deveríamos entrar pela porta da frente. — apontou Êmina, relembrando o curso inicial da missão, desconsiderado graças ao arauto. — Por que não pode nos dizer todo o seu plano aqui?
— Eu já estive aqui antes destes infectados surgirem para se apropriar do local. — revelou Áker, subindo a escadinha de concreto com uns 10 degraus que levava diretamente à porta dupla vitrificada. — Foi uma oportunidade valiosa para premeditar todo o seguimento. Cobri todas as paredes de sigilos invisíveis, internas e externas. Vocês saberão mais tarde com muitos detalhes. — falou, favorecendo um certo mistério. — Por favor, confiem em mim. Deverão fazer tudo o que eu mandar, assim que entrarmos. Está seguro, pelo menos no primeiro andar, eu garanto.
As portas duplas foram abertas pelo mensageiro com determinada cautela. Áker seguira caminhando pelo primeiro corredor com paredes brancas meio cinzentas devido à sujeira acumulada graças a estadia dos miméticos.
— Essa escola me faz lembrar os corredores da fábrica onde eu estava encarcerada. — disse Êmina, tendo péssimas recordações ao visualizar as sujidades nas paredes. Seguia os passos do novo aliado, mantendo o lança-granadas firme em suas mãos. — Nada nostálgico.
— Eu pus os sigilos — disse Áker, andando mais apressadamente. — para mantê-los distantes e avisados de que se entrassem sofreriam consequências. Um dos meus emitiu essa mensagem. Ligaram isto aos sigilos e não aos infectados, claro.
Lester se empertigara, o fitando com o cenho franzido.
— Ei, eles podiam ter nos feito um favor. Sabia? — disparou Lester. Adam virou o rosto para o amigo com uma expressão que denotava pura estranheza.
— Que bobagem é essa que a sua cabecinha duvidosa criou hein? — perguntou o líder da Legião.
— Ué, é lógico. — disse ele, parecendo estar certo daquilo. — Se Áker não tivesse feito esses sigilos invisíveis, obviamente permitiria eles entrarem e agirem livremente... para dar cabo dos desgraçados.
A ideia do caçador fez Áker estremecer de impaciência.
— É esse seu genial plano? — perguntou Êmina, reprovando o amigo. — Deixar que os inimigos de Áker fizessem o trabalho pela gente? Só pode ser brincadeira, não é?
— É estratégico. — defendeu-se Lester, sem olhar para a companheira.
— É comodista. Isso sim. — retrucou ela, aborrecida com tal ideia estúpida.
— Não fique envergonhado, Áker, eles são assim na maioria das vezes. — disse Adam, pensando que a breve discussão tenha o constrangido ou o deixado nervoso. — Quase nunca se entendem. — virou o rosto para os amigos, olhando-os com desaprovação. — Não é?
Lester dera de ombros, desviando a visão para um lado, enquanto Êmina revirara os olhos.
— Sugiro que mantenham suas vozes baixas. — disse Áker, dobrando à uma escadaria de ferro, localizada em uma área discreta e pouco iluminada, que descia vários degraus a um depósito trancado. Descera com cuidado. — Ou não falem.
— Áker — disse Adam, estando próximo do arauto ao descer a escada no mesmo ritmo. -, me tire uma dúvida: Se os sigilos o manterão distantes... O que realmente pretende fazer depois de nos mandar para o outro local onde Sekhmet está?
— Vou apaga-los. — afirmou ele, direto. — E permitir que eles passem.
Os três abalaram-se com aquela decisão súbita e inesperada.
— O quê?! — soltou Adam, atordoado, soando um pouco mais alto do que deveria. — Não pode fazer isso. Nos mandar cumprir a parte menos pior do plano e deixar você se arriscar com um exército deles.
— Eu posso e o farei. — redarguiu Áker, o tom severo. — Como eu disse: Vão saber mais tarde. Prometo não esconder nada depois que terminarem.
— Não faz o menor sentido você querer se sacrificar por nós. — opinou Êmina, afligindo-se com todo aquele mistério alimentando.
— Não é um sacrifício. — retrucou Áker, sem rodeios, descendo os últimos degraus.
Alguns estalidos agudos ressoaram de forma a deixa-los alertados à um perigo de proximidade. Miméticos em estágio de submissão e de nível Beta recém-infectados poderiam estar escondidos em áreas que acreditavam serem discretas ou quase ignoráveis para seus alvos. Mas julgando pelo tempo em que os inimigos entravam na escola, sem produzir nenhum alarde, seria o momento ideal para saírem de suas "tocas" e procurarem os caçadores sorrateiramente.
Os três seguiram descendo a escada, mantendo a concentração em Áker e sua estratégia àquela altura ainda tão ocultada.
O arauto procurou fazer o mínimo de barulho de possível ao abrir a porta com as mãos, sem precisar usar sua termocinese para destrancar as desgastadas maçaneta e fechadura. As dobradiças rangeram estridentemente, para o desprazer de Áker, mas o risco era aguardado.
Lester, hesitantemente, olhou para o topo da escadaria, sendo dominado pela tensão e o medo em se deparar com miméticos atraídos pelo estardalhaçante barulho.
Áker fez sinal com uma mão para entrarem, mas também fazendo um contanto visual que parecia dizer "Venham rápido". Ligou o interruptor, acendendo uma fraca lâmpada fluorescente de luminosidade amarela no teto.
Após todos adentrarem no recinto, a porta, enfim, fora fechada rapidamente, produzindo um barulho menos intenso que a abertura.
— Está devidamente seguro. — disse Áker, dirigindo-se à outra porta do depósito vazio e empoeirado. — O sigilo que desenhei vai impedi-los de realizar uma invasão. — passou seus dedos na porta, gravando mais o sigilo que seria responsável por envia-los ao local exato.
— Isso está ficando bem estranho... — disse Lester, intrigado, fitando-o com suspicácia.
— E quanto a seus aliados? — perguntou Adam. — Não são eles que deveriam fazer esse trabalho?
— À esta altura, meus únicos aliados... — disse ele, terminando de desenhar o sigilo invisível, logo virando-se para o trio. — ... são vocês.
— Mas havia dito que um deles enviou a mensagem para os inimigos. — lembrou Êmina, ainda sem entender o total objetivo daquela missão. — E essa escola foi ocupada há dois meses. É meio estranho terem largado você para trabalhar sozinho, sem mais nem menos, em um curto período de tempo. Deveriam estar aqui, do seu lado.
A caçadora tocara em um ponto extremamente relevante, mas bastante doloroso para o arauto.
— Eu os perdi. — revelou ele, ficando ao lado da porta, pensativo. — Mas não estão mortos, muito pelo contrário. Foram coagidos a não seguirem meus passos. Graças à morte de Rosie. Estou sozinho.
— Não, não está. — disse Adam, intencionando consola-lo. — Nós também perdemos Rosie. E se essa deusa, ou seja o que ela for, pra mim não importa... for a responsável, nós a vingaremos.
— Claro, com a montanha de provas que temos. — retrucou Lester, irônico e aborrecido.
Adam voltou-se para o amigo, suspirando pesadamente ao emanar um ar rigoroso.
— Lester, se não quiser ser parte disso, eu entendo. — disse ele, a expressão séria. — Mas isto se trata de Rosie, a melhor amiga que já tivemos a sorte de conhecer.
— Graças a Hector, que deveria estar aqui conosco. — disse Êmina, relembrando a figura do caçador que se entregara à Abamanu sem alcançar a redenção.
Adam virou o rosto, trincando os dentes, irritado ao ouvir o nome daquele que um dia considerou mais do que um amigo.
— É... Êmina, tem razão. — disse ele, forçadamente.
— Muito bem. — disse Áker, estalando os dedos da mão direito ao ativar o sigilo. O símbolo brilhara com uma luz amarela na porta. — Já está na hora. Eles chegaram.
— Vai conseguir contê-los? — pergunto Adam, o semblante de preocupação, andando até a porta.
— Irei tentar. Embora estejam um pouco mais fortes do que mereciam. — disse o arauto, exibindo uma segurança inigualável. Tocara no ombro do caçador. — Boa sorte. — vislumbrou Lester e Êmina. — Aos três.
Adam entrara primeiro, abrindo a porta lentamente.
Um aposento ligeiramente diferente do qual estavam surgiu à vista do grupo. Lester entrara por último, fechando a porta sem perceber enquanto esquadrinhava aquele galpão abandonado.
— Esse truque me faz lembrar... de uma certa pessoa que conhecíamos. — disse Êmina, olhando para ambos com um semblante triste.
— Charlie. — disseram Adam e Lester em uníssono, ambos assentindo devagar e com expressões sérias.
O galpão parecia uma cadeia de andaimes, além do imenso conjunto de tubulações. As janelas localizavam-se na parte mais alta das paredes cinzentas e gastas, deixando a fraca luz solar alcançar o chão coberto em poeira. Uma outra construção inacabada para servir de refúgio aos infectados.
— Precisamos ir. — disse Adam, dando início ao plano ao andar com cuidado em direção a um corredor elucidado através de uma porta escancarada. Sacou um revólver calibre 32, puxando a trava do mesmo com a bala dourada carregada. — O silêncio desse lugar nos oferece uma boa vantagem.
— Só se for apenas para você, já que nasceu com a audição de um morcego. — disse Lester, com uma pequena inveja do líder caçador.
— Ouvi passos... — disse adam, em tom bastante baixo, entrando no corredor com a arma em riste.
— Você realmente ouviu ou foi apenas impressão? — questionou Êmina, atrás dele, não muito convencida. — Afinal de contas... é uma deusa poderosa, pelo jeito como Áker falou dela.
— Se bobear, ela já deve saber que estamos no encalço. — especulou Lester, visualizando o semi-escuro corredor.
— Não consigo duvidar disso. — aquiesceu Êmina, tensa.
— Segunda vez a meu favor? Esse dia ficará para a história. — disse Lester para a alquimista, soando meio alegre.
— Não confunda as coisas. Ainda acho você um idiota, apesar de útil. — disparou ela, sem dó.
— Vocês dois, quietos. — ordenou Adam, caminhando cuidadosamente pelo corredor. — Ela pode estar bem mais próxima do que pensamos. Portanto, silêncio é fundamental. — avisou ele, sua testa suando e seu coração descompassado. "A primeira e última vez que lidamos com uma divindade... foi naquela maldita noite nas Ruínas Cinzas. Áker está confiando em nós, nos viu como suas últimas opções. Eu me odiaria se decepcionássemos-o.".
CONTINUA...
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