Capuz Vermelho - 3ª Temporada
18 Senhor Escarlate (Parte 5)
O casarão se encontrava banhado pela luz suave do pôr-do-sol, sobretudo a sala de estar com a ajuda das janelas descortinadas. Rosie e Adam chegaram esbanjando certa felicidade, compartilhando um sentimento mútuo proporcionado pelo reencontro. Antes disso, o caçador de braços fortes passara pela enfermaria de uma base do Exército Britânico, tendo sido medicado com várias pílulas revigorantes e reidratantes orais. Brincara com sua incomum condição natural de ganhar massa muscular em questão de anos, dizendo que as cápsulas continham drogas para deixa-lo mais corpulento do que já era.
— Que estranho... Parece mais alto. — comentou Rosie, estudando-o enquanto entrava na sala de estar.— Impressão sua. — disse ele, com um sorriso misterioso. — Você que ficou mais baixa.Ambos deram gargalhadas.— Olha, Rosie... — disse Adam, parando de andar e virando-se para a jovem. — Novamente: Obrigado. Eu não sei o que pensar... Tudo ainda está tão... embaralhado, confuso. Você me disse coisas que ainda estou tentando processar... ou talvez tentando acreditar. — olhou para ela com semblante de incredulidade. — Você? Servindo de recipiente para um deus solar? Me desculpe... mas é muito difícil de engolir essa.— Eu que o diga. — disse Rosie, seriamente. — Mas é a verdade, infelizmente. Também me senti da mesma forma como você, só que com mais intensidade é claro. É como se... o destino me amaldiçoasse. Como se eu não estivesse destinada a seguir com minha vida da forma como eu queria.— Entendo. — respondeu Adam, olhando-a analiticamente. — Que coisa estranha é essa vida. Cada dia é uma nova caixinha de surpresas diferente. — fez uma pausa, abaixando um pouco a cabeça, parecendo fitar o chão.— O que foi? — perguntou Rosie, notando uma certa alteração no humor do caçador. — Está se sentindo bem?— Hã? Ah sim... — disse ele, tornando a olha-la. — É que... andei pensando. No tempo que passei naquela gaiola subterrânea. Foi como se algo estivesse me apunhalando aos poucos, me arrancando todas as esperanças... — fitou um canto da sala, tristonho. — Acho que uma temporada no Tártaro seria menos doloroso. Eu pensava em Êmina... Lester... na Alexia...— Alexia... — disse Rosie, sentindo-se preocupada ao imaginar como e onde está a vidente. — Só existem mais duas fábricas a serem desmanchadas, me pergunto se ela pode estar em uma delas.— Se formos pela lógica... — sugeriu Adam. — ... se havia apenas eu na que foi destruída hoje... então pode-se presumir que Abamanu determinou que as três maiores fábricas devam ter apenas um prisioneiro.— Ainda há Charlie... aliás, ele é o resgate mais difícil. — disse Rosie, pensativa. — Não adianta especular, só vamos descobrir se avançarmos com as operações.— Estou interrompendo algo? — disse uma voz grave surgindo na sala.Os dois olharam para a figura séria de pé no centro da sala. Adam fizera uma expressão de confuso.— Estou surpreso. Não me contou sobre ter contratado empregados. — disse ele, aproximando-se para ver melhor o mordomo vestido de smoking e de face amigável.Rosie dera uma risadinha nervosa.— Não é bem o que você está pensando...— Muito prazer, me chamo Áker. — disse o arauto, estendendo a mão para o caçador.Adam franzira o cenho, sorrindo.— Nome bem incomum para um norte-americano. — disse ele, apertando a mão do mensageiro.— Esta casca possui duas origens étnicas. — revelou Áker, sem hesitar em esconder o jogo. Rosie, atrás de Adam, fazia uma cara de desconcertada.— Ahn... Como disse? — indagou Adam, parecendo não ter entendido direito.— Este receptáculo, é a única maneira possível para que eu estabeleça uma comunicação direta com os mortais. — fez uma pausa, olhando para Rosie de relance. — Em outras palavras, é a forma mais discreta com a qual posso interagir com Rosie. Aliás, sou o arauto de Yuga, aquele que deve...— Para, para, para, para! — disse Adam, erguendo levemente uma mão e fechando os olhos, incomodado com os detalhes dados por Áker. — Você disse... Yuga?! — olhou-o com ceticismo. — Mas... o que...— Err... — interviu Rosie, rapidamente andando até eles. — Simplificando: Ele está aqui para saber da minha decisão sobre a proposta que Yuga me fez. Uma vez dada a resposta com total certeza, ele vai até Yuga e o informa a respeito. — olhou para Áker firmemente. — E por falar nisso... a resposta continua sendo não.— Estranhamente, não consigo depreender uma total certeza no seu tom. — disse Áker, aparentando estar sendo irônico no modo de falar.Rosie voltara-se à Adam, tendo algo em mente para evitar uma possível longa discussão.— Err... Adam, se você quiser, tem comida na dispensa. A propósito, onde você vai dormir?— Não sei. — disse o caçador, dando de ombros. — Ele dorme aqui? — apontou para Áker com as pupilas.— Definitivamente, não. — disse Rosie, sorrindo. — Você quem sabe. Mas os quartos de hóspedes lá em cima estão bem empoeirados e ainda não tive tempo para limpar tudo...
— Não, tudo bem, eu durmo em qualquer um do corredor. — disse Adam, seguindo até a cozinha.— Sim... mas o do meio é o meu. — avisou Rosie, dando uma risada rápida em seguida.— Tranquilo. — respondeu Adam, saindo da salaO semblante de Rosie alterara-se drasticamente quando a mesma virou-se para seu auto-proclamado protetor.— Poderia ter sido mais específico quando disse que queria conversar comigo aqui depois que eu voltasse.— E você poderia ter sido um pouco menos invasiva em minha interação com seu amigo. — disse Áker, reprovando a atitude da jovem.— Muito bem. — apressou Rosie, chegando mais perto. — Eu queria muito ter aproveitado a chance e dado uma boa surra na Sekhmet.— Não é sobre isso. — disse o arauto, tentando ir direto ao ponto. Andara pela sala, calmamente, contemplando a luz solar poente adentrando no recinto. — Eu fui até ele, Rosie. Sekhmet jamais entenderá os motivos que o levaram a escolher você.— Então talvez essa seja a única coisa que nós duas temos em comum. — disparou a jovem, friamente.— Não vim para força-la. — disse ele, virando-se para ela, a luz solar na janela iluminando-o. — Apenas... quis compartilhar com você a sensação que é... ver seu superior meditando incansavelmente, com uma aura inabalável e impenetrável. Mas, ainda assim, tendo a impressão de que ele está temeroso e sentindo-se impotente com o pensamento de que algo possa estar dando errado, algo possa estar tentando frustrar seus planos.— E o que você quer que eu faça? — perguntou Rosie, a fala cansada. — Me sinto capaz de vencer Abamanu apenas com o poder que reservo dentro de mim.— O que a leva a estar tão certa disto? — questionou Áker, aproximando-se de Rosie, sentindo-se contrariado.— Hoje... aqui próximo à casa... — ela hesitou por um momento, olhando para o nada. — Se alguém tivesse flagrado, teria ficado tão espantado quanto eu. — tornou a fita-lo. — Eu senti, Áker. Ardendo dentro de mim. Eu... assassinei um lobisomem, incinerando-o, transformando-o em pó, literalmente. Depois que me dei conta... não tive mais dúvidas.O arauto suspirara, dando a impressão de não estar totalmente convencido.— Está adotando uma perspectiva equivocada. — disse ele. — Pode armazenar um poder inigualável em seu interior, mas é uma tolice acreditar que conseguirá sair vitoriosa se alimentar algo que talvez não consiga controlar sozinha.— Quer saber de uma coisa? Essa é minha única certeza. Se isto foi atribuído à mim, se fui presenteada com esse poder, então não há necessidade alguma de me entregar à Yuga. — argumentou Rosie, categórica e séria. — Eu posso controla-lo, quer você acredite ou não. E quando a hora chegar, eu quero estar mais forte do que penso ser capaz.A sala mergulhara em um irritativo silêncio. Em um suspiro de cansaço, Rosie já determinara sua decisão, ou pelo menos tentando fazê-la parecer suficientemente convincente.— Sei que ainda está indecisa. — disse Áker, por fim. — Mas é bom se apressar.O arauto desparecera em milésimos, deixando Rosie sozinha na sala de estar. A jovem contemplou o pôr-do-sol, bastante reflexiva."Alcançar o sol...". ***Uma batida na porta do quarto escolhido por Adam quebrara o clima silencioso.Adam vestia a camisa de seu pijama branco ao ouvir os sons.— Pode entrar. — permitiu ele.As dobradiças rangeram longamente. Rosie entrava devagar, logo deixando a porta entreaberta.— Oi. — disse Adam, afofando o travesseiro, sorrindo amigavelmente para ela.— Oi. — disse Rosie, parecendo tímida. — Só vim ver se estava se sentindo confortável. Não é a melhor casa na floresta que existe no mundo, mas a decoração dos quartos é bem modesta. — olhara para as paredes verde-escuro do quarto.— Não podia estar melhor. — respondeu Adam, colocando o travesseiro de volta na cama. — Eu só espero que minha estadia aqui não a deixe pouco à vontade.— Eu lhe ajudaria a pagar uma reserva num hotel barato. — sugeriu Rosie, aproximando-se vagarosamente. — Mas não tenho dinheiro.Um breve silêncio entre os dois parecia sufocante. Adam parecia impaciente, com um sentimento irreprimível. Olhou para Rosie de modo sério.— Preciso que seja honesta comigo: Hector morou com você aqui por alguns dias?A pergunta pegara-a de surpresa. Arregalara os olhos, sem saber muito bem como responder.— Sim. — respondeu, lacônica. — Além disso, esqueci de falar com Áker sobre ele ter desaparecido...— Ele sumiu? — perguntou Adam, desconfiado. — Como?— Não sei. Na verdade, eu esperava que ele se juntasse à mim na operação. Assim nós dois iríamos resgatar você juntos.— Talvez ele tenha decidido abandonar você. — conjeturou Adam, dando de ombros.Rosie franzira a testa, um tanto intrigada.— Por que diz isso? — perguntou ela, soando desconfiada.— Esqueça. — desconversou Adam, balançando a cabeça negativamente.— Há algo te incomodando? — perguntou Rosie, interessada em ajuda-lo em qualquer coisa.— Na verdade... sim. — disse Adam, olhando-a suavemente, aproximando-se cada vez mais. — Odeio conter meus desejos mais profundos. Entende?— Sim... entendo perfeitamente. — respondeu Rosie em voz baixa. Uma estranha atração acometeu-a inesperada e repentinamente. — Gostaria muito que fôssemos mais próximos...— Eu também. — disse o caçador, seu rosto ganhando proximidade com o de Rosie aos poucos. Sua fala mais calma a inebriava. — Não posso mais... não consigo...Ambos os lábios tocaram-se até transformar-se em um acalorado beijo. As mãos de Rosie automaticamente envolveram o robusto corpo. O caçador o fizera também, criando um forte abraço. À medida que a sensação fervia cada vez mais, os dois corpos se envolviam mais intensamente. Rosie tirara a camisa de Adam. O caçador a despira completamente, beijando seus seios.Deitaram-se na cama... hipnotizados pelo desejo que acabavam de abraçar e que ambos compartilhavam desde o primeiro em que se viram. Nus, entrelaçavam seus sexos como um perfeito elo. Fazendo balançar um pouco a cama, Adam forçava o máximo, simultaneamente beijando-a na nuca.Os gemidos de Rosie eram inquietantes, mas ignoráveis.— Esqueceu de fechar a porta. — disse Adam, no pé do ouvido de Rosie, baixinho.— Ela ficará assim... durante a noite inteira. — disse ela, no mesmo tom, logo sorrindo de olhos fechados, sentindo um prazer há muito desejado. ***A vários quilômetros da área florestal de Raizenbool, em um corredor do QG do Exército Britânico jazia um soldado no chão. Estava inconsciente.Próximo à ele havia a figura visivelmente soberba de um homem poderoso.O General Holt segurava uma seringa com agulha... cujo conteúdo era um líquido negro e espesso.Olhara para o homem caído com certa expectativa.— Muito bem. É hora do teste.
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