Capuz Vermelho - 3ª Temporada

20 Quando se rompem as correntes (Parte 2)


Inglaterra — 1933

O som do apito soara fortemente agudo nos canais auditivos dos vigorosos jovens que se empertigavam e atentavam-se para um urgente chamado. A área florestal havia sido emprestada pelos guardas que a mantinham segura e restrita à visitantes suspeitos, sob o argumento de um importante treinamento para futuros guerreiros que lutariam contra forças além da compreensão humana — mas obviamente não justificado desta forma, e sim afirmando que eram testes para o Exército. Com a permissão concedida, as barracas de acampamento foram armadas e assim começara a última fase dos testes de qualificação, na qual passaram cerca de 30 aprendizes.

Aproximaram-se eufóricos, os rostos ansiosos cintilados pela luz alaranjada das tochas colocadas em madeiras fixadas no solo ao redor da área. O resto da floresta era iluminado pela mortiça luz do luar esplendoroso daquela noite. Alguns guias orientavam-os para se organizarem a fim de poderem ouvir o que mentor-chefe da fase estava para dizer.

Era um homem baixinho e careca, com uma face meio ranzinza e que vestia um uniforme de couro marrom escuro com aspecto meio militar e uma boina preta. Subira numa espécie de palco, segurando o que parecia ser uma papelada para ser entregue aos participantes. Olhara para os rostos joviais dos selecionados com calma.

— Muito bem. É com muito orgulho que agora anuncio à vocês o início do último teste. Para os que chegaram até aqui... que enfrentaram as duras provações necessárias... e que tanto almejaram conquistar um mérito honroso por estarem aqui e agora o desfrutam... Vocês terão a chance de contemplarem o perigo e sentirem na pele o desafio de um verdadeiro caçador. — fez uma pausa, olhando de soslaio para sua direita, na qual estavam três caixas quadradas e pintadas de verde, com um orifício na superfície superior. Estavam sobre troncos de árvores retirados e posicionados ali pelos outros guias. Os participantes usavam placas redondas e brancas com um determinado número, colocadas como um broche na roupa.

O mentor da etapa continuara:

— Vejam. — apontou para as caixas. Os jovens acompanharam o olhar o mentor. — Dentro destas caixas existem bolas com os números que vocês possuem nas placas. Para pouparmos tempo, será preciso que vocês formem filas, três grupos de dez para cada caixa. A tarefa será realizada em duplas. O participante terá de tirar a bola com o número de outro, logo este será seu parceiro na caçada.

— Ei, espere aí! — disse um rapaz magrelo, pálido e de cabelo preto curto, levantando a mão. — Você... você disse caçada?! — perguntou, a voz trêmula e o tom incrédulo.

O mentor o olhara com desdém, parecendo pouco se importar com as dúvidas do jovem aprendiz.

— Sim, Cooper. — respondeu, secamente, logo voltado-se para seu público. — O último teste da fase qualificatória consiste em formar duplas que devem seguir pela floresta com o objetivo de caçar uma determinada criatura, aquela que lhe for mais atraente ou que lhe parecer despertar seus instintos de sobrevivência e coragem. — entregara a papelada para um dos guias ao seu lado, sussurrando algo rápido. O homem descera do palco e distribuíra os papéis aos jovens. — Prestem atenção. — continuara o mentor. — Estas folhas são mapas com os quais se guiarão até os trailers onde devem ir. Neles estão bibliotecas onde podem pesquisar a vontade sobre a criatura que desejarem caçar, mas isto por durante um tempo de uma hora. Há vários espalhados por aí com acervos que compreendem mais de 200 livros. Duas ou mais duplas podem compartilhar do mesmo trailer e, especificamente, de uma mesa de leitura, dentro do limite visível. Se assim for, em caso de desentendimentos ou divergências, é obrigatório que alguém relate isto á mim, pois irei punir com uma desclassificação imediata. As duplas que tiverem êxito na caçada, devem trazer a criatura morta. Porém, as que voltarem uma hora após o amanhecer, ainda que tragam seus alvos mortos, não serão classificadas para a próxima fase, mas garantirão licenças para caçadores de aluguel vitaliciamente, não podendo retornar ao Colégio para novos exames. — olhara-os firmemente, a face séria. — Fui suficientemente claro?

Todos responderam "sim" em uníssono.

— Boa sorte a todos. — encerrara o mentor, dando as costas e dirigindo-se à sua tenda armada um pouco mais distante, sendo acompanhado por outros guias.

Os 30 fizeram filas em grupos de 10. Na caixa do meio, o primeiro da fila era um jovem alto, de face séria e com cabelos pretos e lisos relativamente curtos que iam até a nuca. Seu nome era Hector Crannon. Exímio aprendiz que conseguira, com folga, avançar em todos os testes devido ao seu alto grau de estratégia. Apenas os melhores e mais dedicados estavam ali presentes, mas somente poucos conseguiriam apreciar a honra de serem aprovados para a fase preparatória, na qual ocorreria a seleção rigorosa e precisa dos membros que deveriam compor a nova formação da Legião dos Caçadores.

Hector colocara sua mão dentro da caixa, fechando os olhos, mantendo-se esperançoso sobre quem tiraria. Aleatoriamente, escolhera uma bola e a retirara. Virou-a para ver qual número a mesma tinha. 52. Sua expressão parecia satisfeita... olhara para a fila à sua esquerda, na qual o terceiro estava prestes a sortear o seu parceiro. Rapidamente vislumbrou sua placa... e teve certeza. Não o conhecia muito bem, apenas o via sempre conversando com outros participantes em rápidos papos. Os mentores idealizavam que a última tarefa serviria também para abrandar as tensões e incitar o entrosamento entre finalistas.

O número 52 era um rapaz de músculos fortes, truculento, rosto robusto e face sisuda. Quando chegara sua vez, demonstrou uma reação indiferente e sem expectativas. Tirara o número 44... o qual pertencia à Hector Crannon. Olhou para seu novo parceiro, que no momento andava de um lado para o outro analisando o mapa um pouco longe dali.

***

As costas de Hector impactaram-se contra parede de um modo brusco e violento. O caçador caíra de frente contra o chão, expressando dor em sua face. Uma rachadura ficara lá.

Adam se aproximava, bufando em irritabilidade extrema, os punhos fortemente fechados. Enquanto isto, Hector levantava-se, até ficar de um só joelho, recuperando a calma... ou pelo menos deixando que sua raiva recém-adquirida fosse extravasada sem que ele pagasse um preço muito alto.

Olhara para Adam com severidade.

— Não esperava que fosse reagir dessa forma! — disse Adam, bravo. — Tem muita coragem!

— Como ousa... Como ousa me comparar com aquele monstro? — vociferou Hector, revoltado. — O que há com você, afinal? Sendo franco, nem o reconheço mais! — admitiu, frustadamente.

— Eu que o diga! Igualmente Hector! — respondera Adam, aos gritos. — Não tem mais volta! Não há mais como fugir disso!

— Quem? — perguntou Hector, levantando-se. — Eu ou você?

Um silêncio pesara entre ambos por vários segundos. Adam dera um suspiro dramático, os olhos fechados. Abrira-os, fitando seu ex-parceiro ainda com ódio.

— Honestamente... acho que não existe mais nada para provar. Uma coisa é certa: Você é a ovelha negra da nossa equipe. Na verdade, sempre foi.

— Se notava algo estranho em mim desde o dia em que recebemos nossas licenças de caçadores... ao que parece não foi totalmente honesto para expressar esse incômodo. — retrucou Hector, recuando alguns passos.

— Nem pense em fugir. — disse Adam.

— E por que eu fugiria? — questionou Hector, estreitando os olhos, a testa sangrando. — Todas as saídas que eu imaginava para conquistar algum tipo de salvação foram fechadas à mim. — fez uma pausa, limpando o sangue da boca. — Não vou abaixar a cabeça... à comparação infame que você fez. Portanto, eu digo que estou profundamente arrependido. Não passa um dia sem que isso não me torture. — encarara, desta vez, com um olhar tristonho. — Se fosse possível, eu faria tudo para desfazer. Tudo para voltar para atrás. Adam... se o que falo não bastar para que me perdoe... então a porta está aberta para que você saia...

— Então está me pedindo para ir embora? — perguntou Adam, franzindo o cenho, dando alguns passos lentos à frente. — É isso? É assim que vai ser? Pensa que isso ameniza as coisas? Deixa tudo mais fácil para nós dois? Inacreditável. — dera um riso rápido, denotando deboche. — Eu convivi por 5 anos com alguém que pensava ter um coração puro... alguém que com quem eu gostava de estar próximo e prestar apoio sempre que preciso! Convivi com uma ramificação de um maldito legado... sobre uma fraternidade maléfica. — fez uma pausa, chegando mais perto. — Sabe o que estou pensando agora? Que o inimigo esteve infiltrado na nossa equipe durante todo aquele tempo!

— Está sendo inflexível demais... — disse Hector, em uma tentativa vã de convence-lo. — Sei como se sente. Mas não seria pedir demais para que... se acalmasse e tentasse me ouvir.

— Já ouvi o bastante. Prefiro ser poupado de desculpas esfarrapadas. — atacou Adam, duramente. — Nós dois sabemos como vai terminar. E será agora.

Um mau pressentimento assaltou Hector na forma de um arrepio. "Por favor... se tiver falado a verdade... preferiria que não mostrasse olhos pretos.".

— O que irá fazer? — perguntou Hector. — Vamos, ande! Se quiser me matar, o faça neste exato momento! Faça isto se acredita ser a única saída para você se livrar dessa dor!

— Não! — exclamou Adam, grosseiramente. — Não sou um assassino de seres humanos. Sou algo que você jamais se tornará.

— Ah é? — indagou Hector, franzindo a testa, demonstrando ceticismo. — Então me diz o que nunca serei nesta vida.

— Um caçador com um mérito limpo. Autêntico. — disse Adam, parecendo soar de modo vanglorioso. — Essa é a diferença entre nós dois, Hector. — sua voz ganhara comoção novamente. — Eu não fui concebido para ser parte do mal neste mundo.

— Eu rejeitei vestir aquele manto vermelho. — argumentou Hector, cerrando os punhos.

— Mas ainda assim é filho de um deles. — redarguiu Adam, rapidamente. — Isto pra mim já é o suficiente para que você mereça meu repúdio!

— Isso é deplorável. — disse Hector, balançando a cabeça em negação. — Está completamente cego pela raiva. E pensa que é desta forma que vai conseguir ser um caçador equilibrado?

O sangue de Adam fervera de modo a deixar as veias de sua testa em relevo.

— Não me provoque, seu traidor maldito! — dissera, avançando contra Hector com um forte cruzado de direita.

***

O canto dos grilos e outros insetos eram os únicos sons audíveis naquela floresta.

Hector e Adam (números 44 e 52, respectivamente) caminhavam alertas, iluminados pelo luar. Marcaram no mapa a exata direção que determinaram em seguir. Porém, um lampejo em Hector o obrigou a expressar um detalhe aparentemente passado despercebido pelo mentor.

— Espere um minuto. — disse ele, parando a caminhada, levantando a cabeça e fitando a floresta bastante pensativo.

— O que foi? — perguntou Adam, olhando-o. — Está apertado? Essa floresta parece o melhor banheiro público que existe.

— Não, não é nada disso. — disse Hector, voltando-se para ele, sério. — Será que não passou pela cabeça do mentor Gillian que mais de dois grupos podem optar pelo mesmo trailer?

— Bem, isso é uma hipótese interessante... — disse Adam, pondo uma mão no queixo. Olhou para o parceiro, sorrindo. — Me parece que vai se encarregar em ser o cérebro da equipe. — dera uma risada.

Hector sorrira, rindo levemente.

— Bem... não querendo me vangloriar, mas... Sou muito grato por me sentir dedicado nas aulas físicas e teóricas. Muito disso... foi devido ao incentivo dos meus pais. — contou Hector, suspirando em seguida. Um ar de angústia fora esboçado.

— Sobre seus pais... — quis saber Adam, interessado. — Você... deve estar sentindo falta deles. Não é?

— Tudo bem. — amenizou Hector, balançando a cabeça, tornando a andar devagar. — Nos últimos dias, tenho resistido à saudade. Principalmente quando soube do último teste. — olhou para Adam, confiante. — Que tal fazermos um juramento?

— Juramento? — indagou Adam, franzindo o cenho para Hector. — Olha, é o último teste, estou muito nervoso. Do jeito que você tem conquistado a admiração dos outros... a aprovação dos mentores... acredito que não passarei no teste teórico da fase preparatória. Sabe como é né? Nem minha pobre grafia é tolerada. — sorrira levemente.

— Não perguntei se acredita na vitória, perguntei se quer fazer um juramento. — ressaltou Hector, insistente. — No qual possamos prometer um ao outro que iremos vencer... juntos.

Adam dera um riso forçado e nervoso.

— Eu não sei não. — hesitou ele. — Deu pra perceber que somos bem diferentes... Não estou muito de acordo com essa ideia. Tudo pode acontecer.

— Pois eu acredito. — disse Hector, esbanjando certa determinação, andando com mais pressa por entre as árvores. — Sei que devido a meu grau de aprovação, podemos não perder juntos. Mas se agirmos em sincronia, compartilhando do mesmo ideal... você pode se juntar à mim, logo venceremos unidos.

Adam o olhara por alguns segundos, intrigado. Voltou-se para frente, respirando fundo.

— Você... parece ser bem otimista, Hector. — disse ele. — Uma pena só agora estarmos... nos conhecendo melhor. Aquele Lester, por exemplo, olhava você nas provas físicas com uma admiração bem cômica. Parecia que estava prestes a lhe pedir um autógrafo. — dera uma risada.

— Sim, eu também notei. — disse Hector, também rindo. — Eu vi ele mostrando o número que havia tirado. Parece que agora está acompanhado de Êmina.

— A garota que diz ser uma alquimista? — perguntou Adam.

— Exatamente. — respondera ele.

— Acha que eles tem alguma chance? — perguntou Adam, curioso sobre a opinião do parceiro.

— Isto depende. Ela não vai poder utilizar nenhuma de suas habilidades alquímicas durante a caça, mas ela pode tentar alguns truques se a situação se tornar crítica.

— Seria desclassificação imediata se isso acontecesse. — comentou Adam, arqueando as sobrancelhas.

— Não se Lester for dominado pela personalidade forte dela. — disse Hector, quase aos sussurros. — Pelo que tenho visto, ela não parece ser do tipo que aceita parceiros de caçada que lhe pareçam um estorvo.

Riram efusivamente desta vez, quebrando o clima silencioso da floresta.

O trailer logo fora avistado por ambos alguns metros à frente. Da distância em que estavam , podiam ver sua lataria pelas brechas das árvores mais próximas à ele.

— Vamos. — disse Adam, começando a correr. — Vem, rápido. — dera uma rápida olhadela para trás vislumbrando Hector. O rapaz de braços fortes já sumira pelos densos arbustos, embora sendo possível segui-lo e alcança-lo pelos movimentos que as folhagens realizavam devido à rapidez do jovem.

O aprendiz de número 44 cedera ao pedido e também iniciara uma corrida na mesma direção.

***

Hector desferira um novo golpe contra o rosto de Adam na forma de um punho esquerdo fortemente fechado. O braço forte da Legião cambaleara para trás por alguns segundos. Alguns pingos de sangue que caíam de seu nariz quebrado manchavam sua camisa branca. Limpou sua boca e encarara o ex-parceiro com tamanha fúria que o fez novamente bufar como um touro raivoso prestes a avançar mais uma vez contra o toureiro. Socara Hector na face, desta vez em sequência.

Após esmurra-lo incontáveis vezes, Adam aparentava querer encerrar aquele embate de uma vez por todas, dando um giro e um chute no tórax de Hector em seguida. O caçador amaldiçoado voara contra uma estante com portas envidraçadas- a que segunda, restada após a invasão de meta-simbiontes na casa. Arrastando-se no chão pronta e rapidamente para escapar dos finos estilhaços de vidro que caíam, Hector idealizara poder escapar pela cozinha, visando a porta da mesma enquanto seu rosto repleto de hematomas cortava-se com ínfimos cacos. Usara os cotovelos para chegar até o destino... mas mãos brutas agarraram seu sobretudo e o lançou de encontro à uma pequena mesa de madeira no centro da sala. O impacto fora sentido por todas as vértebras de sua coluna. Rolara pelo chão por poucas vezes.

— Adam... — dissera Hector, a voz entrecortada, posteriormente tossindo uma certa quantidade de sangue enquanto se esforçava para se reerguer. — Isto... é completamente... desnecessário. — ficara de joelhos, sendo isto o máximo que suas forças permitiam. Seus olhos roxos e inchados visaram um ainda furioso Adam.

— Está errado. — devolveu ele, aproximando-se mais, a respiração pesada podendo ser ouvida. — Estou lhe dando o que merece. Se tem algo que não tolero são traições e segredos a longo prazo. Sinceramente, tenho que dizer que isto me deixa muito, mas muito irritado!

— Então esta punição vai culminar em minha morte... — disse Hector, mal conseguindo falar devido aos ferimentos no rosto. — Pois... não contei exatamente tudo...

— Repito: Já ouvi o bastante! — bradou Adam, fechando os olhos e abrindo-os em seguida. Rangera os dentes e agarrara Hector pela gola do sobretudo. — Isto está doendo mais em mim do que em você. Não faz a menor ideia, droga! Eu tenho que liberar esta raiva... para no futuro não ter que me sentir culpado por reprimir sentimentos que me dominam.

— Você... — tentou falar Hector, parecendo estar tonto. — ... possui todo o direito de externar sua fúria e descarrega-la em mim. Mas a agressividade... a punição através dela é vazia, irrelevante.

— Não seja hipócrita, você começou e revidou várias vezes...

— Por que é assim que funciona, Adam! — disse Hector, esbaforido, aproximando seu rosto altamente machucado ao do ex-parceiro. — Não foi isso que aprendemos juntos... no acampamento? Ação e reação. Acho que... deve se lembrar... tem que se lembrar... do juramento que fizemos... sobre lutarmos juntos, vencermos juntos.

Adam virara o rosto em ojeriza, fechando com intensidade os olhos e rangendo os dentes. seu rosto estava vermelho em ira e suas mãos agarravam Hector cada vez mais apertadamente.

— Nós lutamos com todas as nossas forças naquela noite... e perdemos. Perdemos feio! — retrucou o caçador robusto. — Abamanu está comandando seus novos monstros e liberando um veneno para matar a raça humana. Acha que depois daquilo eu vou retomar aquela ideia? Não existe mais juramento algum. — uma lágrima caíra de seu olho esquerdo. — Eu estou vendo... tudo o que construímos juntos... ruir diante de mim. Você vencia sozinho... Será que é forte o bastante para perder sozinho?

Um minuto de silêncio parecia durar mais do que deveria. Apenas o tic-tac do relógio ocupava o emudecimento. Hector pegara no braço esquerdo de Adam, denotando querer levantar-se.

— Ao menos... deixe-me levantar. — pediu, com carência.

Olhando-o com desprezo puro, o caçador o soltara rápido, afastando-se.

— E não me toque! — afastara seu braço esquerdo das mãos de Hector.

— Sobre eu não ter contado tudo à você... — disse Hector, sem temer as possíveis consequências que sua última revelação traria. — Lamento profundamente... que seja dessa forma. Lamento que duvide do meu arrependimento. — fez uma pausa, virando as costas, cabisbaixo. — Não tenho outra escolha...

Numa fração de segundos, de modo súbito, Hector virara-se para Adam dando um rugido feroz e apresentando uma face monstruosa. Pelos em seu rosto, sua pele meio enrugada e, sobretudo, presas pontiagudas.

O líder da Legião imediatamente recuara vários passos, encarando com horror, logo dando um gutural urro de susto... e principalmente de decepção.

CONTINUA...