Capuz Vermelho - 3ª Temporada

42 Conhece-te a ti mesmo (Parte 3)


Nick, um dos membros da Ordem, andava de um lado para o outro segurando uma lança cronal oferecida por Chronos, visivelmente aflito e lívido. Era um dos mais confiáveis amigos de Charlie no colégio. Seu porte era atlético, o rosto caucasiano meio fino e os olhos castanhos. Cofiava nervosamente a barba por fazer, fitando o chão com um olhar vago e praticamente aterrorizado.

— Nada pode garantir nossa sobrevivência nisso. — disse ele, convicto, voltando-se para os demais. — Temos essas lanças, uma vingança em comum, mas nenhuma garantia de que vamos sair ilesos!

— Ninguém aqui está falando de vingança, Nick. — retrucou Caleb, um universitário loiro com cabelos ralos e de olhos verdes, mantendo-se de braços cruzados perto do bloco onde ficava o anel cronal. — Tenta ficar calmo.

— Eu, particularmente, não sinto nenhuma outra presença além das nossas. — declarou Liam dando de ombros, um rapaz de cabelo no estilo militar, rosto branco e quadrado e olhos pretos meio puxados.
— Nem eu. — disse Ivan, um franzino jovem de rosto fino e usando óculos de grau médio e cabelo castanho liso penteado de lado.

— E você, Charlie? — perguntou Nick, fitando-o.

— Oh, por favor, sejam mais confiantes, pra variar. — reclamou Charlie, que estava de costas para os irmãos de fraternidade. Virou-se para eles, sério. — Estamos sob ameaça. OK. Mas, até agora, não notamos nenhum sinal que comprove que eles realmente estão aqui.

— Chronos não deu sinal ainda. — comentou Franz, olhando de modo preocupado para o anel cronal imóvel e deitado sobre o bloco. O rapaz barbudo e de face amistosa voltou-se para os companheiros exibindo apreensão. — Uma sessão tão importante ser cancelada sem aviso... acho muito desrespeitoso da parte dele, me desculpe vocês, mas... acho que nós envolvemos em uma cilada.

— O quê?! — indagou Liam, franzindo a testa para o amigo. — Depois de todos esses anos...

— Nossos pais mentiram para nós! — esbravejou Franz, esbaforido. — Nos amaldiçoaram com uma vida que eles não foram obrigados a seguir.

— Não penso que foi um erro Chronos ter nos informado sobre os Coletores. — opinou Ivan. — Precisávamos nos prevenir.

— E de que adiantou todo o peso que carregamos? — questionou Franz, aborrecido. — Foi justo? Não compensa reunir tanto conhecimento, expandir a mente se no fim tudo vai ser reduzido às cinzas.

— Nós não morreremos hoje. — disse Caleb, confrontando as ideias de Franz com desafio pulsando na expressão. — Estamos nesta juntos por cinco anos. Nossos pais por 35...

— Isso não quer dizer nada. — retrucou Franz, olhando-o com tédio. — Chronos pode ter sido sequestrado. Algum outro palpite melhor? — olhou para os demais.

— Cedo demais para aprender sobre viagem no tempo? — arriscou Liam, dando de ombros.

— Nossos progressos recentes dizem o contrário. — redarguiu Franz, logo passando a olhar para Charlie. — Você, Charlie — aproximou-se com passos vagarosos -, tem sido o mais seguro de si hoje. O que o deixa tão convencido de que não há nada estranho acontecendo por aqui nesta noite?

— Só estou considerado as possibilidades mais reais. — justificou Charlie, olhando-o com firmeza. — Julgar antes de qualquer sinal, isto sim é um erro.

— E sobre Chronos? O que tem a dizer? — perguntou Franz, cada vez mais exaltado.

— Chegamos meia hora adiantados. Talvez ele esteja pensando numa melhor forma de nos ensinar . — disse Charlie, andando para um lado, pensativo. — O anel logo logo vai se erguer, fiquem tranquilos.

— É, Franz. Um pouco de otimismo e paciência nunca é demais. — disse Caleb, concordante com Charlie.

— Me perdoem, mas estou com Franz. — declarou Nick, pondo-se ao lado do companheiro, respirando de modo nervoso. — Por mais incrível que seja, por mais fantástico que seja... eu sinto que, mesmo assim, não era para estarmos aqui.

Charlie parou de andar, encarando com olhos estreitos o irmão de Ordem.

— É um legado. — disse Liam, discordante. — Um aprendizado em que honramos as memórias de nossos pais. Eles morreram por não terem os recursos que hoje temos. As lanças foram aprimoradas. Ora, pessoal, podemos nos teleportar! Nos defender e atacar de um modo que eles não sabiam como naquela época. — fez uma pausa, olhando com súplica para Nick e Franz, tentando convence-los a mudarem de postura. — Nos temos cartas nas mangas para evitarmos que esse conhecimento se perca. É por isso que peço à vocês...

Todas as luzes fluorescentes postas nas partes altas das paredes apagaram-se súbita e repentinamente, fazendo todo o recinto mergulhar em escuridão profunda e insuportável.

— Quem apagou a luz?! — perguntou Franz aos berros.

Um som rascante semelhante ao de inúmeras lâminas sendo desembainhadas de uma só vez ressoou por todo o espaço imerso em trevas de um modo arrepiante.

Pouquíssimos segundos depois, sucedeu-se um som de carne humana sendo perfurada e um gemido fraco e triste.

A perplexidade tomou conta dos humores aflitos daqueles jovens quando as luzes voltaram.

O corpo de Liam estava bambo e havia sido brutalmente perfurado, dos buracos formados um sangue fresco jorrando e derramando-se no chão cinzento do salão. Sua boca também sangrava e seus olhos também perfurados e deles golfando uma grande porção de sangue.

Ivan gritara de horror, enquanto recuava depressa, notando os danificados globos oculares de Liam caídos no piso. O corpo já sem vida do jovem tombara no chão de modo angustiante.

Charlie e os outros recuavam ao mesmo tempo em que notavam uma figura espectral em um canto opaco do salão. O filho de Gustaff Brienord engoliu a saliva, sentindo o sangue gelar. "Eu não entendo. Essa... estranha força... que me motiva a fugir ao invés de atacar! Não consigo lutar contra ela... Seria esse o puro instinto de um mago do tempo diante de seu pior inimigo?".

Das sombras saíra um homem com barba por fazer, cabelo preto curto e banhado com gel, feições sisudas e com vestes totalmente pretas e de mãos nuas. Os braços estavam estendidos e unhas que antes estavam alongadas e naquele instante voltavam ao tamanho normal. O rosto do homem denotava frieza e apatia fora do comum.

— Ele iria pedir para que aceitassem a morte. — disse ele, a voz sombria, andando mais rápido em direção aos rapazes amedrontados.

Outro surgira de surpresa, caindo por trás de Nick feito um espectro fantasmagórico. Este usava um sobretudo de couro preto e tinha longos cabelos prateados.

— Não... — disse o mago do tempo, com a lança em punho, afastando-se. — É bom saber com quem está lidando.

— Você primeiro. — rebateu o outro, movimentando os dedos para atacar.

Os demais saíam pelos diversos corredores do bunker, adentrando em um labirinto do qual temiam não conseguirem escapar até que encontrassem a saída para a superfície.

Charlie corria por um corredor a toda velocidade. Suas pupilas corriam mais freneticamente que suas pernas, vasculhando as paredes para ver se havia algum indício claro de um sigilo de banimento para atrasar os Coletores.

Caleb dobrara para o mesmo corredor que ele, esbarrando com o amigo.

Ofegante, apoio-se na parede. Charlie o tocara no ombro, também recuperando o fôlego.

— Precisamos... continuar. — disse Caleb, a respiração pesada. Arregalara os olhos e abrira a boca para gritar algo. — Atrás de você!

Rapidamente, Charlie virou-se, retirando a lança em sue tamanho menor, logo apertando um botão que a fazia alongar-se de tamanho, assumindo a forma de uma lança combativa.

Charlie, cerrando os dentes e com fúria nos olhos, investira contra o Coletor no mesmo instante em que ele avançara. Involuntariamente, um dos botões da lança acionou o teleporte e ambos sumiram feito fantasmas.

Caleb, ainda encostado na parede, olhou para o quadro ao lado e viu um traço semelhante ao de um sigilo banidor.

Não perdera a chance assim que outro Coletor, parecendo ser o mais velho dentre os outros, aparecera no corredor, do lado em que havia vindo de encontro à Charlie.

Derrubara o quadro, o Coletor correndo em sua direção. Por fim, o sigilo se revelou e o jovem batera com sua mão direita a tempo de não ser atacado. O símbolo irradiou uma intensa luz branca que parecia preencher todo o espaço. Caleb protegeu os olhos enquanto o Coletor gritara alto ao sentir a poderosa força que o repelia contra o mundo dos mortais, seu corpo desaparecendo como uma fumaça negra e dissipante como se um vento tempestuoso o atingisse.

No salão principal, o Coletor de cabelos longos e branco-prateados tivera êxito no horrendo serviço, limpando as mãos.

Ele andou até uma das portas que davam para um dos corredores enquanto olhava com desdém por cima do ombro para o corpo decapitado de Nick caído no chão... e para a cabeça do jovem enfiada na ponta da lança ensaguentada que havia sido cravada no piso pelo assassino.

Charlie caíra em uma sala espaçosa, cuja lâmpadas acesas tremeluzia assombrosamente, alternando claridade e escuridão em questão de milésimos formando um cenário de puro terror.

— Apareça, maldito! — berrara Charlie, levantando-se com dificuldade, sentindo fortes dores nas costas. Sua lança estava caída e à uma certa distância.

Perto de uma parede, o Coletor que o atacou surgiu na velocidade de um relâmpago. Percebendo-o, Charlie recuava, claramente assustado e desconfortável com aquela instabilidade de luz.

Encarando-o com forte desprezo, o Coletor — um homem careca e pardo com as mesmas vestes que o primeiro surgente — aproximava-se ameaçadoramente de Charlie.

— Seu pai o instruiu muito bem a não medir o preço de um saber tão poderoso. — disse ele ,logo dando uma risadinha zombeteira, metade de sua face, em rápidos segundos, apresentando uma monstruosidade com vários dentes afiados, uma pele preto-azulada, além de olhos totalmente vermelhos.

Um extremo arrepiou abateu Charlie como um choque elétrico, o jovem fitando seu opressor com tremulação incontrolável no corpo.

— Admita, mago do tempo: Está com medo. — disse o Coletor, ainda se aproximando, o tom humilhador.

O Coletor avançara contra Charlie com uma supervelocidade arrasadora, fazendo-o impactar com suas costas na parede, logo em seguida aplicando um esmurramento contínuo contra o rosto do jovem mago do tempo.

Àquela altura, Charlie mal sentira seus músculos faciais, apenas uma dormência no maxilar que aumentava quanto mais socos potentes eram desferidos contra sua face. O mundo ao redor não passava de um mundo borrado, confuso e disforme e os punhos de seu infame agressor soavam como sombras que iam e voltavam incessantemente.

"É o meu fim.", pensou Charlie, sentindo-se às portas da morte certa.

Caíra no chão após o último e mais violento soco, a seguir sendo reerguido pelo Coletor que o espremia contra a parede enquanto levantava-o, amassando sua túnica cinza. O rosto de Charlie sangrava e algumas feridas nas bochechas pareciam cortes abertos.

Seria apenas uma questão de tempo até que o golpe de misericórdia fosse dado.

— A brincadeira acabou, pequeno aprendiz. — disse o Coletor, apertando-o mais contra a parede. — Se Chronos recusou em dar a foice, nós tomaremos suas vidas. É perfeitamente justo dentro da nossa política.

Discretamente, Charlie movia os dedos da mão esquerda, estimulando sua lança, com ose quisesse acionar um comando especial para se livrar daquela situação agoniante — seus olhos relanceavam-a mesmo com aquele espetáculo sinistro de alternância entre luz e trevas. A arma foi movimentando-se lentamente, aos poucos sua ponta sendo direcionada precisamente ao Coletor.

O dedo anelar foi erguido e, automaticamente, a lança se ergueu do chão, naturalmente flutuando no ar, a ponta mantendo-se mirada no Coletor.

A aberração estava prestes a alongar suas garras e crava-las na carne fresca do reles mortal que tanto repudiava.

Ao baixar o dedo indicador, Charlie acionara um disparo de energia divina que a lança gerava. O raio retilíneo de cor alaranjada atingira em cheio o lado direito do rosto do Coletor, lançando-o contra o chão e livrando o mago do tempo de suas mãos encharcadas de sangue.

O Coletor contorcia-se no chão, gritando de dor enlouquecidamente e pressionando suas mãos no ponto do rosto atingido pela rajada de energia. Uma fumaça branca elevava-se dele, indicando a extrema gravidade do ferimento.

Trôpego e bastante machucado, Charlie correu em direção à lança para apanha-la. Quando o fez, acionou o comando para se teleportar, logo sumindo em piscar de olhos e deixando o Coletor sofrer sua dor terrível sozinho na enorme sala.

Em um dos muitos corredores, Caleb ainda tentava fugir das garras do Coletor que o perseguia. Definitivamente, era inútil. O sigilo permitia um banimento que durasse, no máximo, dez minutos, um ínfimo tempo para barrar uma ameaça daquele porte. Já fazia mais de quinze minutos que o rapaz cruzava corredor após corredor na tentativa de, ao menos, escapar com ferimentos mas com vida.

Ao deparar-se com uma porta entreberta de um recinto, correra até lá a toda rapidez.

Abrira-a a porta por completo... mas travara abruptamente antes de por um pé, sua expressão adquirindo um pavor excruciante.

Para seu total desespero, o Coletor anteriormente banido ressurgira à sua frente com um sorriso cínico, comemorando sua vitória consigo mesmo.

— Fim da linha, verme. — disse ele, deixando as garras alongarem-se nos dedos.

Seguido do grito apavorado de Caleb, uma grande quantidade de sangue espinchara na parede cinza, criando uma imensa mancha de líquido escarlate.

Após ver todos os seus amigos combalidos e mortos nos lugares em passou em sua fuga, Charlie corria sem rumo pelo labirinto, a expressão de trauma estampada em seu rosto... e que ficaria marcada para sempre em sua memória.

***

O ar pesado do subterrâneo castigava os pulmões de Charlie a cada minuto que se passava. O mago do tempo permanecia a escrever em seu pequeno diário — o qual não percebera que portou antes, durante e após a árdua missão para impedir o cumprimento da profecia nas Ruínas Cinzas. A luz alaranjada das chamas da tocha fixa na parede iluminavam parte de sua abatida face. Seu cabelo castanho curto estava um tanto desgrenhado e as roupas bastante sujas por conta do precário ambiente.

"Estarei morto antes que este caderno seja preenchido totalmente.", pensou ele, pessimista acerca de seu destino aparentemente já traçado pelas forças corrompedoras do Cavaleiro da Noite Eterna.

Agarrara tremulamente a caneta com a mão direita, como se suas forças para continuar escrevendo estivessem findando-se. Estreitou os olhos verdes, visando fixamente a página em que discorria sobre sua vida até ali.

Antes que pudesse recolocar a ponta da caneta novamente ao papel, sua linha de pensamento fora rapidamente rompida.

— Olá, pequeno transeunte. — a voz monstruosamente soturna era inconfundível.

Levando um súbito susto, Charlie virara o rosto para sua direita, logo escondendo o caderno.

— Você nunca veio... — gaguejou ele, atônito, levantando-se com pressa. — Por que só agora? — perguntou, recuando alguns passos.

O jovem encarcerado fitava com horror a figura malévola à sua frente. Abamanu postava-se diante das grades da masmorra, esbanjando sua imponência física através de sua robusta armadura prateada Seu tom soava praticamente fantasmagórico e seu olhar de frieza parecia destacar-se em comparação aos demais detalhes.

— Imagino o que possa estar pensando agora. — disse Abamanu, o tom da voz calmo e sombrio. — "Oh, enfim chegou o momento derradeiro de minha patética vida, finalmente serei submetido a cooperar com um deus que possui intentos erráticos". Ledo engano, meu caro mortal. — disse ele, sorrindo sacanamente, as presas à mostra.

— Ora, pare de rodeios. — disse Charlie, encarando-o enraivecido. — Normalmente algum soldado seu vem até aqui para me informar sobre o julgamento de Chronos... mas nunca sobre meus amigos! Por que? — questionou, corajosamente dando alguns passos adiante.

— Não vim para discutir a respeito deles. — retrucou Abamanu, ligeiramente desconversando. — Obviamente é sobre seu propósito... sua vantajosa importância. — inclinou-se um pouco, observando-o dos pés à cabeça. — Está em favoráveis condições físicas e psicológicas. Sabia que se comportaria para manter-se forte até que chegue a hora.

O mago do tempo rangera os dentes em repúdio total, virando seu rosto para não ter de olhar para aquele monstro infame por mais tempo do que o necessário.

— Diga logo... Por que veio? — olhou-o de soslaio, sério. — Certamente é algo bem mais relevante do que simplesmente observar meu estado.

— Sim, é claro... — disse, pondo as mãos para trás e andando para um lado. — A sua sobrevivência é mesmo um assunto de extrema relevância.

O mago do tempo sentira seus pelos eriçarem-se após as palavras daquela frase passarem pelos seus ouvidos. Arregalando os olhos em profunda curiosidade, Charlie voltara-se novamente para Abamanu, olhando-o com um misto de expectativa e desconfiança.

— Do que realmente está falando?

— Ah, não vamos enveredar pelo caminho do fingimento... — disse o deus, revirando os olhos.

— E por acaso eu estou com cara de quem está fingindo? — indagou Charlie, aproximando-se um pouco mais, aparentando estar irritado. — Já sobrevivi a diversas coisas...

— Está bem, está bem. — interrompeu Abamanu, virando-se para ele com seriedade. — Não pense que escapou pelo que os mortais chamam de sorte. O acordo havia sido oficializado já naquela época.

— Refere-se ao último massacre... — disse Charlie, estupefato. — Espere... acho... — andou para um lado, pondo uma mão na cabeça. — ... acho que estou começando a entender o que acarretou na minha salvação. — virou o rosto para Abamanu, enfurecendo-se. — Então foi exatamente desta forma que ocorreu. Fui poupado para que eu estivesse reservado ao seu maldito plano.

Um sorriso de satisfação formou-se na animalesca face do deus.

— Você compreendeu mais rápido do que qualquer outro mortal inteligente. — fez uma pausa, pigarreando — Seus passos foram postos sob vigilância apenas para que os Coletores se certificassem de que não cometeria um ato estúpido contra si mesmo, dada a crise em que você vivia.

— Então vamos para a questão óbvia: Por que eu? — perguntou Charlie, exasperando-se para obter uma resposta rápida e direta.

— Se não fosse pelo fabuloso poder de meu escriba, sua importância nada mais seria do que fruto de uma mera aleatoriedade. — disse o imperador, soberbo. — Graças à ele, pude saber que seu destino estava traçado... destinado a viver à sombra do meu poder.

Em um surto de fúria, o mago do tempo avançara contra as grades de ferro oxidado, agarrando-as fortemente. Seu olhar de cólera era um prato cheio para Abamanu saborear cada segundo.

— Sou capaz de acabar com minha própria vida antes do dia chegar. — garantiu ele.

— E tenho várias maneiras a meu dispor para que eu possa trazê-lo de volta. — o olhou estreitamente. — Pelo visto, meu contraponto prevalece, como sempre, é claro.

Charlie afastara-se das grades, demonstrando um semblante de ojeriza profunda.

— Serei salvo. Vou reaver minha liberdade. Custe o que custar. — disse o mago do tempo, tentando exibir otimismo.

— E farei este mundo testemunhar minha vitória perfeita. — prometeu Abamanu, os olhos faiscando de arrogância. — Doa a quem doer.

Uma fração de segundos passada... e o deus lunar desaparecera instantaneamente. Charlie correu os olhos pelo espaço do lado de fora da masmorra subterrânea, sentindo ter visto uma ilusão por conta do veloz teleporte.

No dado instante, somente teve forças para ajoelhar-se, fitando o nada com um olhar vago e sem expressão.

Uma única lágrima escorrendo pelo seu rosto bastou... para que abandonasse-se a esperança.