Capuz Vermelho - 3ª Temporada

39 Alfa, Beta e Ômega (Parte 3.8)


QG Alternativo do Exército Britânico — 16h20.

O General Holt encontrava-se deitado sobre uma cama com equipamentos ao lado, na área hospitalar da base alternativa, em um quarto branco de uma só janela.

— Ah, merda. — praguejou ele, despertando. Seu rosto estava virado para sua esquerda. — Não deixaram a cama próxima da janela, assim não posso apreciar a bela vista que esse andar... — logo tossira fortemente.

Um soldado entrara no mesmo instante, trazendo um pequeno volume de papéis.

— O médico sugeriu que o senhor evitasse falar muito. — avisou ele, andando em direção à cama.

Holt se limitou a olhar para o teto, entediado, a cabeça confortavelmente sobre o travesseiro.

— Eu nem ao menos lembro como cheguei aqui. — disse ele, ainda sentindo resquícios de exaustão.

— O senhor foi sedado antes de passar pela cirurgia. — informou o soldado, colocando os papéis sobre uma mesinha próxima da cama. — Estes são os relatórios preliminares da força-tarefa de hoje. Acho que os oficiais só chegarão á sua mesa mais tarde, senhor. Está uma correria lá fora.

— Alguém invadiu o QG? — perguntou Holt, alarmando-se ao olhar desesperado para o soldado.

— Não, não senhor... — disse ele, gaguejando, dando-se conta de que escolheu mal as palavras. — Não há invasão nenhuma. Só... estamos um pouco atarefados. — esclareceu, pondo as mãos para trás, de pé ao lado da cama. — A imprensa começará os preparativos para a noticiar a intervenção da nossa equipe na tentativa de contaminação. O prefeito havia sido infectado, mas foi parado por nós quando tentou escapar com outros, também infectados, assim que demos voz de prisão. Felizmente, nenhum civil presenciou eles sendo mortos com tiros na cabeça, cuidamos de tudo para acobertar, recolhemos os corpos discretamente, depois demos um comunicado à população dizendo que tudo não passou de uma armadilha forjada para parecer uma imunização coletiva e que recebemos a informação de uma fonte segura e anônima, além de termos constatado que usariam mesmo a substância tóxica para infectar a população e mostramos para que acreditassem totalmente em nós. — fez uma pausa, pigarreando. — Além disso, o grupo B do pelotão alternativo conseguiu chegar a tempo à rede de esgoto, tiveram bastante sucesso em impedir uma contaminação que se alastraria... até se tornar em nível mundial. Os infectados que iriam cometer esse parte do plano foram levados para becos, amarrados e amordaçados, e depois decapitados em lugares discretos. Recolhemos todo o material tóxico, está tudo armazenado nas cápsulas criogênicas, todas elas para serem transportadas à base no Ártico daqui a quinze dias.

— Menos mal. — falou Holt, aliviando-se.

— Eu não teria tanta certeza. — retrucou o soldado, o tom pesaroso.

— O quê?! — indagou Holt, virando o rosto para o subordinado rapidamente, o cenho franzido. — Soldado, faça-me o favor. Se existe um problema ocorrendo dentro do QG é sua obrigação informar diretamente à mim, não esconda nada com receio de que vá afetar o meu estado, independente do caráter da informação. Eu estou bem. — olhou-o fixamente. — Fale.

O soldado engolira em seco.

— Nós... — hesitou ele, respirando fundo. — ... encontramos o cadáver do soldado Heller... dentro do freezer. Decepado e com órgãos em falta. Não existe um consenso sobre quem possa ser o responsável...

— Sei como estão se sentindo. — disse Holt, interrompendo-o. — Devem estar... confusos. Afinal, Heller estava comigo na operação em Birmingham. Você foi um dos ficaram aqui reunindo as informações que os participantes da operação traziam via rádio. A que horas a descoberta foi feita? — perguntou, o tom de luto.

— Às dez e meia, senhor. — afirmou o soldado, tristonho.

Holt assentira levemente, olhando para o nada e imergindo em pensamentos por alguns segundos.

— Isso não lhe parece estranho, senhor? — perguntou o soldado, intrigado com a calma com a qual o General lidava com a situação.

— Honestamente... não. — respondeu ele, seco. — Foi um deles, soldado. — apontou para a ferida enfaixada por gazes manchadas com um ponto vermelho — Um deles perfurou minha carne apenas com a mão. Ele se passou pelo soldado Heller durante um tempo.

— Se passou... — disse o soldado, cético. — Mas como? Ele era uma duplicata ou algo do tipo?

— É difícil explicar... sem um estudo profundo e completo sobre a criatura que me fez de bobo. Ninguém engana assim tão facilmente William Buck Holt. — disse Holt, relembrando a face pentelha e sacana de Mihos. — Só posso dizer que é parte do desconhecido. Pertencente a um alto escalão que enxerga nosso mundo e sociedade como uma fazenda de formigas. — fez uma pausa, olhando enviesadamente para o homem. — E isto não é a anestesia falando, pode ter certeza.

— O que achou que eu estava pensando, General? — perguntou o soldado, incerto.

— Que posso estar delirando. — disparou Holt, soando meio ríspido. — Eu quero acreditar, soldado. Ainda quero inspirar as pessoas a acreditarem no desconhecido. Fui alvejado por esses seres superpoderosos duas vezes... — fitou o vazio por um breve instante. — ... e por duas vezes fui humilhado. Por pouco não tive o outro olho arrancado. — deixara uma lágrima escorrer. — E por causa deles perdi em dias mais do que perdi em anos. Mas não vou parar. Eu fui poupado...

— Ahn... senhor. — interviu o soldado, tocando seu superior no ombro. — Remoer esse fato só vai prejudicar ainda mais seu estado. Não acha melhor... descansar um pouco, dormir agora e poder acordar somente amanhã? — sugeriu ele, esboçando preocupação.

— Só me diga que acredita. Por favor. — pediu Holt, o semblante firme.

— Sim. — disse o soldado, assentindo. — Eu acredito no senhor.

— Não me referia à mim. — retrucou o General, impaciente. — Eu disse... Ah, esqueça. — desistira, sentindo-se bombardeado por uma onda de cansaço súbito. — Me dê os relatórios. Estou disposto o suficiente para ler.

O soldado pegara a pequena pilha de folhas e entregara-a ao General.

Uma reação inesperada por parte de Holt fizera o soldado estacar enquanto se encaminhava para sair do quarto.

— O que é isto aqui? — perguntou Holt, olhando para uma das folhas com estranheza.

— Ah sim. — disse o soldado, pegando o papel de volta e rindo. — É um dos panfletos que os outros compartilharam comigo. Uma série de leilões vai ocorrer em 10 cidades daqui a 1 mês, então não quero perder esta chance. Não está afim de ir conosco, senhor?

— Para mim isto não vale a pena. — opinou Holt, desinteressado. — Muitos dos leilões deste país são forjados por enganadores que falsificam peças para venderem como se fossem autênticas. Por isso coleciono artefatos que consigo de leiloeiros que agem legalmente, o que não é o caso dessa propaganda medíocre. Tenha dó, soldado... — rira fracamente, zombando do panfleto. — Isto aí nem mesmo diz quais peças vão ser ofertadas. Sinceramente, aconselho a vocês a não caírem nesse golpe.

— Pode ficar tranquilo, General. — disse o soldado, dobrando o panfleto e guardando-o no bolso da farda. — Somos bem espertos para saber onde estamos nos metendo. — por fim, abrira a porta e depois fechara-a, saindo do quarto.

Holt suspirou pesadamente, jogando as folhas sobre a cama diante de si, indisposto demais para fazer a leitura dos relatórios.

***

Área florestal de Raizenbool — 20h30.

No casarão, a luz pálida e inebriante do luar banhava a espaçosa sala de estar. Um pouco mais longe da luz da lua, estava Rosie, parada em frente à lareira, olhando para uma fotografia em preto e branco... na qual via-se ela reunida com seus amigos antes de encararem as forças maléficas de Abamanu no catastrófico futuro, o qual a jovem desejava tratar como um mero pesadelo esquecível.

Àquela altura, a calmaria retornara para os humores antes nervosos e exaltados, com Lester tendo recebido um excelente tratamento médico e psicológico na base de apoio do Exército Britânico, sendo posteriormente encaminhado para um hotel em Liverpool, com a estadia de curta duração previamente paga. Por fim, o caçador resolveu aceitar a sugestão de um dos soldados para que se encontrasse com Rosie, podendo preferir tanto voltar para o hotel e receber visitas por lá ou se estabelecer na casa da jovem nos arredores de Raizenbool, ficando por lá o tempo que desejasse.

Sem pestanejar, Lester escolhera a segunda opção, ainda mais sabendo que Êmina também resolvera ficar por lá para espairecer enquanto a batalha final contra Abamanu ainda não possuía seguimentos planejados. Exatamente no fim da tarde daquele dia, ambos reencontraram-se, dando um forte abraço, seguidos de lágrimas de emoção. Rosie contara para eles sobre Adam... e a inesperada partida do mesmo por não suportar mais estar no mesmo time em que Hector Crannon, seu melhor amigo que escondera um terrível segredo por anos, pertencia, alegando que não seria mais a mesma coisa.

Hector escapou de ter de dar satisfações aos amigos desapontados... embora não partilhassem do mesmo sentimento de ódio apresentado por Adam, algo que ambos concordaram que não passou deu ma reação exagerada. A decepção estava estampada em seus rostos, mas sequer uma ponta de raiva foi vista. Hector, naquela noite, perdera a chance de ter o perdão dos próprios amigos com quem travou várias batalhas juntos. Graças ao Exército, o alvorecer do dia seguinte voltou a ser visto com mais otimismo. A humanidade livrara-se da pestilência sombria que destruiria tudo o que significava ser humano. A pestilência que reduziria a luz em trevas entorpecentes.

Rosie sentiu passos calmos andando até a sala, mas precisamente até ela. Virou o rosto, logo percebendo de quem se tratava. Jogou a foto no fogo da lareira, voltando-se para Hector, que se aproximava com postura tranquila, olhando-a amigavelmente.

O caçador, detalhista, notou algo queimando na lareira.

— O que havia jogado? — perguntou ele, curioso. Estreitou os olhos, analítico. — Me parece ser... um cartão de visita... ou uma foto. É isso mesmo? Uma foto? — olhou para ela.

— Sim, mas... é só uma lembrança que resolvi apagar. — disse ela, evasiva, a luz alaranjada das chamas iluminando parte de seu rosto. — Não me serve mais.

— Áker me contou sobre uma nova ofensiva de Sekhmet contra você em Birmingham. Ele me disse quando me teleportou para cá... depois que eu... depois de ele ter me salvado de um atentado à minha vida.

— O quê? — indagou Rosie, disposta a saber dos detalhes. — Espera... eu acho que devo perguntar do começo. Onde você estava enquanto as operações aconteciam?

— A mesma coisa que tentou me matar naquele dia, tentou novamente hoje, logo depois de eu ter sido mandado para fora da fábrica por Áler. — disse Hector, fitando as chamas. — Agora sei como se sente.

— Sobre o quê? — perguntou Rosie.

— Sobre decepções e desilusões. — afirmou ele, olhando-a.

— E dói profundamente na alma. É, eu sei bem como é. — disse ela, séria. — Me diga como foi.

— Edgar. — disse Hector, direto. — Ele não era quem pensávamos ser. Disfarçou todo o ódio que alimentou de mim por dois anos.

— O quê!? — soltou ela, surpreendida, arregalando os olhos. — Mas... mas como? O que você fez para revelar seu lado assassino psicótico? Eu já desconfiava que tinha algo de estranho nele desde que o vi pela primeira vez hoje.

— Minha primeira transformação ocorreu na primeira missão conjunta entre caçadores e soldados do Exército. Os primeiros infectados chegavam em veículos para invadirem as casas e sequestrarem inocentes. Edgar me falou, antes de chegarmos, que ficava próximo de onde seus tios e primos moravam... — sua face passou a adquirir pesar. — ... eu só não sabia que viviam naquela casa. A última da vizinhança. estava prestes a ser atacada, então eu entrei... impedi de serem pegos... mas eu já me encontrava no meu completo limite, mal conseguir distinguir o espaço à minha volta. Depois vieram mais deles para invadir... e não tive outra escolha. Deixei a fera sair da jaula... e cravei minhas garras nos corpos daquelas pessoas. E... uma parte de mim se sente culpada por usar como justificativa o fato de que não havia como eles serem salvos, de que mata-los foi a única saída. — olhou para Rosie, desalentado. — Mas... uma outra parte de mim... me diz que fiz a coisa certa.

— Olha... — disse Rosie, fitando o chão pensativa, sem estar muito no clima para lidar com aquele drama. — ... não vou julga-lo. Estava sendo... vítima de um monstro dentro de você... completamente fora do controle. Sei que a atitude da minha avó foi... impensada, desesperada...

— É sobre ela mesmo que queria saber, não é? — perguntou Hector.

— Quando fiz aquela pergunta eu não pensei nela. Mas já que tocou no assunto... — disse Rosie, olhando para a lareira. — Prefiro falar sobre ela do que sobre seu assassinato forçado. Sei que no fundo não queria fazer aquilo.

— O que a leva a pensar nisso? — questionou Hector, olhando-a intrigado.

— Eu não vi você transformado enquanto ainda estava com seus poderes divinos. — disse ela, relembrando a inesperada aparição do caçador na fábrica. — Eu me sinto vitoriosa. Alem de eu ter impedido você de ser possuído por aquele monstro, eu consegui ver que... você assumiu o absoluto controle da licantropia.

— Verdade. — aquiesceu Hector, baixando um pouco a cabeça, pensativo. — Eleonor foi uma peça fundamental para que eu me controlasse mais. Ela reuniu toda a energia que Abamanu depositou nas Ruínas Cinzas quando levou Charlie com a ajuda do talismã... lembra?

— Sim. — disse ela, assentindo.

— Graças aos feitiços de absorção, ela inseriu a pedra energizada no meu corpo e adquiri cerca de 20% de energia divina.

— Mas espera. — cortou Rosie, erguendo levemente a mão direita, afim de entender. — Como ela foi e voltou das Ruínas Cinzas em tão pouco tempo? Isso tudo aconteceu hoje?

— Sim. — disse ele, sorrindo de leve, assentindo positivamente. — Magia de teleporte.

— Ah sim, claro. — compreendeu Rosie, satisfeita. — Agora só restam dois resgates. — disse ela, determinada.

O caçador virara o rosto para ela, franzindo o cenho.

— O quê? Dois resgates? Negativo. — disse ele, balançando a cabeça.

— Charlie e Alexia. Esqueceu? — retrucou Rosie, olhando-o de soslaio.

— Alexia está junto de Eleonor. — revelou ele, sem rodeios.

Rosie voltara-se para ele com perplexidade na face.

— Sério?

— Por que eu mentiria sobre isso?

— Não, é que... — disse ela, fechando os olhos, sem muita paciência. — Sei que perdi muita coisa, então... acho melhor deixar os detalhes sobre minha vó ter conhecido Alexia para amanhã, minha cabeça está cheia, minha mente está muito carregada, me conte tudo amanhã.

— De pleno acordo. — aceitou Hector, pondo suas mãos para trás, contemplando o fogo. — Garanto à você: Alexia está segura.

— É bom mesmo que esteja. — disse Rosie, parecendo preocupada. — Lembro que disse sobre minha avó estar sendo perseguida por outras bruxas vingativas.

— Isso é verdade. — disse Hector, firme. — Elas não vão parar até que alcancem seu objetivo. Mas sinto que Eleonor vai saber contra-atacar e se manter um passo á frente, não se preocupe. — olhou para ela. — A propósito, onde estão Êmina e Lester?

— Já foram dormir. O fogão está enferrujado, então Lester decidiu ir pra cama cedo pra acordar disposto a cortar lenha.

— Precisamos achar um modo de fazermos Mollock expulsar Abamanu. — propôs Hector, ansiando para voltar à luta.

— Falou como se fosse a missão mais simples do mundo. — retrucou Rosie, revirando os olhos. — Como acha que vamos estabelecer contato com Mollock? Sequestro é impossível, só pra constar

— Tentativa de sequestro com certeza fora de questão. — disse o caçador, concordante. — Áker deve saber uma maneira. Ele me devolveu o amuleto para que eu entregasse à você, amanhã você pode chama-lo e, quem sabe, talvez consigamos pensar em um plano, não só para o objetivo citado, mas também para encontrar o cativeiro de Charlie, sei que existe uma localização secreta. Não, pensando bem, acho que... devemos dar, no mínimo, uns 5 dias até que ele recarregue suas energias. Não custa nada esperarmos um pouco mais.

— Concordo. — falou Rosie, esfregando levemente as mãos. — Porém... — ficara alguns segundos em silêncio

Hector olhou para ela, arqueando as sobrancelhas.

— Porém...?

— Não vai dar para contactarmos Áker daqui a cinco dias. Êmina vai visitar sua cidade natal, ela quer rever a família e os amigos que tem por lá, e eu aceitei acompanha-la. E justamente ela marcou a viagem para daqui a cinco dias.

— Estão cientes do clima tenso lá fora, certo? — perguntou Hector, denotando preocupação.

— Sim, claro, ela vai tratar de escolher uma linha ferroviária segura. — disse Rosie, tranquilizando-o. Suspirou longamente, andando devagar até o corredor que onde ficava seu quarto. — Bem... eu vou indo. Vai ficar aí parado até o fogo se apagar?

Hector dera uma risadinha bem-humorada.

— Não, eu... — tirara um livro meio grosso do bolso interno do sobretudo. — ... vou aproveitar a chama acesa e ler este compilado de poemas de Lord Byron. Aliás, reler. — tornou a rir.

Rosie assentiu, sorrindo de leve, ora olhando-o ora relanceando a lareira.

— Bom, ainda vou decidir se escrevo algo no meu diário, que finalmente recuperei, ou leio um livro na estante. — disse ela, andando para trás em vagarosos passos. — Até amanhã. — virara-se para o corredor.

— Espere, Rosie. — chamou Hector, ainda com uma dúvida a ser sanada.

A jovem virou-se para ele, seus olhos azuis realçados.

— O que foi?

— Sobre eu ter quase aceitado o acordo de Abamanu... você se sentiu vangloriada por pensar ter impedido que eu fosse possuído. Mas não impediu. Você apenas chegou em um instante onde eu já tinha percebido a verdadeira jogada dele, sabendo que se eu revelasse minhas reais intenções ele mudaria os termos, em nenhum momento eu estive nas mãos dele. — olhou-a estreitamente, sorrindo de leve. — Mas a pergunta é: Como sabia que eu corria o risco de ser possuído?

Rosie se limitou suspirar, fitando o nada por alguns segundos.

— Se eu lhe dissesse... você não acreditaria. — afirmou ela, tornando a andar até seu quarto. — Boa noite e boa leitura.

— Idem. — retribuiu Hector, satisfeito.

O caçador voltou-se para a lareira, abrindo o livro, logo retirando de dentro um envelope branco e retangular... e, por fim, jogando-o às chamas.

Com um olhar aliviado, Hector encarava o papel ser consumido pelo fogo crepitante, a luz alaranjada iluminando seu rosto meio robusto e barbudo.

Havia se livrado de um item que tocara por pouquíssimas vezes.

A carta que recebera de Eleonor há um 1 ano... a qual jamais lera.