Capítulo 1-Acampamento Meio-Sangue

1 Capítulo 1- Acampamento Meio-Sangue


Notas iniciais
Bom... Acho que ficou legal ^^.

Capítulo I – Acampamento Meio-Sangue

Pris abriu os olhos. Doeu um pouco por causa da claridade, mas em seguida se acostumou. Exceto pelo fato de não fazer ideia de onde estava. Um par de olhos azuis acinzentados fitava-a. Pris sufocou um grito, ao ver que aqueles lindos olhos pertenciam a um garoto. E ele até que era bem gato. Cabelos loiros ondulados emolduravam-lhe o rosto. Ele vestia uma camisa xadrez de flanela e uma camiseta laranja com um Pégaso e outros dizeres desfocados aos olhos disléxicos de Pris. Olheiras começavam a surgir sob seus olhos, supondo que ele devia ter passado umas três ou quatro noites em claro cuidando dela. Que fofo.

O garoto tratou de se ajeitar sob a cama ao lado dela.

- Você baba enquanto dorme- disse, olhando para o chifre pousado na mesa de cabeceira ao lado da cama.

Pris seguiu o olhar do garoto e imediatamente se lembrou de tudo que havia acontecido. Estava viajando com a mãe, ela disse que tinha de leva-la a um lugar seguro. Ou importante, qualquer coisa assim. Mas então um touro gigante com corpo humano usando fraldas apareceu do nada do meio de um rebanho de vacas a as atacou. Pris lembrou-se daquela última lágrima escorrendo pelo seu rosto quando a mãe fugiu com o carro e a deixou ali sozinha, a mercê daquele monstro horrível. Mas então, ela tirou do bolso uma caneta... A caneta que o seu professor, o Senhor Brunner, havia li dado. Quando Pris destampou, virou uma espada de quase 1 metro de comprimento com lâmina de bronze. Ela lutou, derrotou o minotauro e depois... Nada. Apenas a vasta escuridão que povoava sua mente quase sempre.

Pris tentou se sentar, mas cada célula de seu corpo gritou de dor. O garoto virou-se imediatamente ao seu grito e a acomodou de volta na cama.

- Não faça movimentos bruscos. Isso só te prejudica.

- Onde... Onde eu estou...? O que aconteceu?

- Você está apagada a cinco dias – respondeu o garoto, soltando Pris- Uma mulher deixou isso aqui pra você, acho que era sua mãe- completou, alcançando uma caixa amassada a Pris.

- Obrigada- disse ela, sorrindo de leve.

Pris abriu a caixa. Dentro havia um bolinho azul. Pris largou a caixinha na mesa de cabeceira ao seu lado. Não queria saber dos bolinhos azuis de mamãe. Não agora.

- Desculpe. Acho que ainda não me apresentei. Anthony Chase, filho de Atena, a seu dispor- Disse o garoto com um sorriso sincero, apertando a mão de Pris.

- Espera, você disse... Filho de... Atena? Mas ela não é uma deusa, tipo, não existe certo? – Balbuciou Pris.

- É o que cada um de nós aqui já pensou um dia, até descobrir que nossos pais divinos têm as mesmas necessidades carnais que meros mortais. E nós, semideuses, pagamos o pato. Seja bem vinda ao Acampamento Meio-Sangue.

- Você tá brincando... Tudo isso não passa de um sonho. É TUDO UM SONHO, NÃO PODE ESTAR ACONTECENDO! – Pris botou as mãos em volta da cabeça e gritou. As lágrimas corriam pelo seu rosto, ela não conseguia segurar. O que estava acontecendo, ser filho de deuses? Aquilo simplesmente não podia existir. Pris tentou se recompor – Mas... Que merda de lugar é esse... Acampamento Meio-Sangue...?- perguntou a garota entre soluços.

- É como um Acampamento de verão- respondeu Anthony, pousando a mão quente sobre o ombro de Pris. Seu toque a acalmou- Tem uma quadra de vôlei, campos de morangos, floresta, e uma praia legal. A diferença... É que foi feito para semideuses- Nunca ninguém lançara a Pris com olhar mais triste. Parecia que Anthony não tinha mais uma vida normal há muito tempo.

- O que... O que você quer dizer com isso? – perguntou ela, botando um punhado de seu cabelo negro atrás da orelha esquerda.

- O que quero dizer é que tudo isso aqui não é um acampamento de verão normal. Nós treinamos e aprendemos a lutar, pra um dia derrotar os monstros que nos perseguem desde o início dos tempos. Nós nos machucamos o tempo todo. Ninguém aqui tem uma vida fácil

- Eu... Eu não entendo- disse Pris, olhando para as próprias mãos.

- Então dê uma olhada ao seu redor- respondeu Anthony.

Pris olhou. Era um cômodo grande cheio de janelas grande, que mantinham o local sempre arejado. Havia uma fileira de leitos em cada lado do cômodo. Enfermeiras andavam pra lá e pra cá distribuindo chás, ervas e outros remédios, enquanto outras estavam sentadas ao lado da cama de algum jovem enfaixando um corte profundo ou uma perna quebrada. A maioria deles usava armaduras semi-completas ou tinha armas ao lado dos leitos. Um garoto de uns doze anos estava com o braço direito todo enfaixado. Ele brincava com algum tipo de boneco sentado em uma mesinha no canto do cômodo.

- Isso que você vê é o comum por aqui. Todos dão duro no treinamento. Agora estamos em um período de paz, já foi bem pior. Temos até um portal que serve de comunicação entre nós e o Acampamento Júpiter, nosso equivalente romano. Pode-se dizer que estamos vivendo a famosa “Pax Romana”, como no tempo do Império.

- Equivalente romano?

- Eu acho melhor eu parar de falar, só vou cansar você. É que eu me empolguei- Anthony corou e desviou o olhar.

- Está tudo bem- disse Pris- Obrigada por tudo. De verdade.

-Tome- disse Anthony, alcançando-lhe um cantil com uma bebida cor de mel em seu interior- É néctar, a bebida dos deuses. Cura qualquer ferimento. Só não tome se mais, se não pode queimar até virar cinzas. Depois posso até pensar na hipótese de levar você para conhecer o acampamento- completou Anthony sorrindo.

Pris retribuiu o sorriso, apanhou o frasco e bebeu. A bebida tinha um sabor agradável de mel e Pris não queria parar de beber. Quando sentiu sua garganta queimando, parou imediatamente.

- É, tome cuidado- advertiu Anthony, pegando o cantil das mãos de Pris e recolocando-o sob a mesa de cabeceira- Como se sente?

Pris se sentou na cama e não sentiu nenhuma dor.

- Melhor- respondeu. Bem melhor.

- O que acha de conhecer o Acampamento agora, Srta. Priscila Jackson?- perguntou Anthony sorrindo.

- Ótima ideia- respondeu a garota- A propósito. Eu odeio quando me chamam de Priscila. Prefiro só Pris.

- Tudo bem, Pris. Acho que consigo me lembrar disso. Vamos?

- Vamos!

Anthony ajudou Pris a se levantar e eles saíram da enfermaria com cheiro de sangue e doença em direção ao ar fresco da floresta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.