Caotic
1 CAPITULO UM - A CABANA
,Canada — 15:30
A rotina de uma estudante de fotografia no Canadá não era tão fácil como Savannah esperava, trabalho, faculdade e afazeres em casa eram cansativos demais pra quem tinha uma rotina tranquila e nada agitada no Brasil. O lugar nem era tão agitado, pessoas simpáticas e ruas limpas eram duas coisas que não se via no Brasil e era disso que ela gostava, do simples, das coisas pequenas que pra ela tinham um significado enorme, fazia 11 anos que ela estava la e ainda amava a cidade e tudo que ela oferecia. A Igreja central dava suas três badaladas — Já eram 3h da tarde — e junto com ela o sinal gritava pelos corredores da faculdade, finalmente o final de mais um dia de aula, as pessoas saiam com calma da sala enquanto Savannah corria entre elas como se fosse alguma emergência, uma buzina chamou sua atenção ao sair da escola, ela sorriu e entrou no carro.
— Esta tudo bem? Você esta pálida — O garoto de voz mansa perguntou, passando a mão sobre a mão da garota.
— Tudo ótimo, só me leve para casa por favor, estou exausta.
Sem hesitar ele atendeu seu pedido, o motor do carro roncou alto e partiu em direção a casa da garota. O garoto no volante estava calmo, seus cabelos castanho escuro mesmo no escuro do carro chamavam atenção por seu brilho, seus olhos eram negros e firmes e sua voz por mais mansa que fosse demonstrava força e firmeza enquanto dirigia, revezava seus olhares entre a estrada e a garota que estava lutando contra seu sono. Savannah encostou sua cabeça na janela do carro e por um minuto sentiu alívio por estar ali, mas ela já pensava no outro dia e na correria que seria novamente, seus olhos já estavam se fechando quando o garoto dos cabelos castanhos começou a falar.
— Será assim todos os dias? — ele perguntou.
— C-como? Me desculpe acho que peguei no sono.
— Será assim todos os dias? Eu te busco no mesmo horário e você volta pra casa dorme e assim se repete?
— Desculpa eu não queria te incomodar, pode deixar que a partir de amanhã eu posso pegar o ônibus.
— Não, não é isso. Digo...nós dois, não ficamos juntos faz semanas, eu só te vejo por que te busco na faculdade todos os dias.
— Oh não. Me desculpe, é que esta difícil pra mim fazer tudo de uma vez
— Talvez você precise de mais tempo para você
— Também acho. Me desculpe novamente, prometo que arranjarei mais tempo para nós dois.
— Tudo bem — Sua voz ficou baixa novamente enquanto ele girava a chave no carro — Te vejo amanhã novamente? — Ela fez um sinal de sim com a cabeça e saiu. Por um momento ela parou na frente do carro e só ficou pensando, o motor já estava ligado e ele prestes a sair quando Savannah bateu na janela, fazendo-o abaixar o vidro.
— O que foi?
— Não quer...ficar pra dormir? — Seu sorriso realmente conseguia demonstrar tudo e mais um pouco o que ele sentia. Rapidamente ele desligou o carro e tirou suas chaves e foi com a garota até a porta.
Já se passava das 15h agora, sua família provavelmente estaria descançando, tentaram não fazer muito barulho e logo subiram para seu quarto, um quarto grande com paredes rosa e branca, uma cama enorme no centro e do lado da escrivaninha um mural com fotos do Brasil e suas amigas de la. A garota se jogou na cama e la ficou, o garoto apenas deitou-se ao seu lado e ficaram la até que os dois pegassem no sono. Sonos eram normais, mas os de Savannah nem sempre eram tão normais assim.
Tokio, Japão — 03:00
Girar de um lado para o outro na Cama não era a melhor visão de noite perfeita para Ichigo. Alguns aviões passavam por cima de Tokio, mas este não era o maior motivo da Insônia da garota. Eram seus pequenos problemas no trabalho que a deixavam perturbada. Algumas reclamações com o Manga, preconceito contra ela ser brasileira, algumas japonesas não gostavam de que a ajudante oficial de Hiro Mashima não fosse propriamente do Japão, e tantas coisas aconteciam em seu meio de trabalho, que antes de dormir, uma inquietação a sugava. Desta vez, os olhos castanhos escuros pregaram no relógio na parede, um pequeno gato azul, Happy, balançava o rabo de um lado para o outro. Eram três da madrugada. No Brasil provavelmente eram três da tarde. Depois de se formar em desenho nas Belas Artes e fazer um curso de manga, foi transferida para o Japão para trabalhar com o que mais ama, desenhar, mas sua família não pode vir. Ichigo é filha de mãe Brasileira e Pai Japonês. Isso a Ajudou muito em se mudar para Tokio, a cidade de seus sonhos. Ela já falava Japonês Fluente quando foi contratada. De começo, pensou que seus pais viriam, mas sua mãe estava gravida de uma outra menina (Yui) e acabaram deixando a menina sozinha.
Não era só pelo fato de estar sozinha que seus pais não se preocupavam e mandavam nela.. O Telefone tocou asperadamente. A garota olhou por cima dos cobertores bufando e vendo o numero passar coloridamente, era do Brasil. Clicou em um botão no viva voz.
- Moshi-Moshi (1) — Bufou, atendendo.
- Espero plenamente em Deus que você não esteja voltando agora de uma festa, filha — A voz de sua mãe parecia estridente e desconfiada.
- Não mãe, eu estou bem. -riu um pouco — eu estava tentando dormir.
- Oh querida, desculpa.. — um silêncio se fez, quebrado novamente por sua mãe — Só queria saber se não estava Bebada, sabe que não gosto dessas suas festas..
- Mãe. Eu to bem! — riu — Arigatô(2) pela preocupação. Te amo, vou tentar dormir.
- Também te amo Moranguinho — a garota corou, mesmo sem ninguém por perto.
- Não me chame assim! Só porque Ichigo significa Morango não significa que todos no Brasil precisam saber disso, mãe. — A senhora do outro lado riu, e ouviu-se um choro de bebe, Yui completaria um ano logo mais, e era uma bebe totalmente mimada — Yui está querendo Mamar mãe.
- Eu sei, eu sei. Beijos filha, se cuida e Juizo.
- Eu tenho Juizo mãee!
- Tem?
- Tenho, só esqueci ele no Brasil — riu — Te amo.
Depois que se mudara pro Japão, começou a dar valor a família, coisa que antigamente nunca fazia. Depois de conversar com seus pais, admirou uma garrafa de vodka em cima da escrivaninha e adormeceu, com medo do que poderia sonhar desta vez. De tanto trabalhar com graficos, desenhos, textos, Ichigo tinha uma mente meio criativa, e sempre que sonhava, alguma coisa estranha aparecia. Mas dessa vez foi tudo real.
Estava sentada em uma cadeira de frente a janela. O lugar era muito frio e escuro, e as poucas frestas de madeira estavam obstruídas por fungos e bolores esverdeados quase pretos que davam a sensação do lugar ser tão antigo quanto os seus antepassados. Ktsune Ichigo, correu até uma fresta de Janela e tentou olhar para fora, mas o bréu não a deixava enxergar. "A porta, como sou idiota.." pensou correndo até a maçaneta, mas como esperado, estava trancada. O lugar era estranho e mesmo a sua imaginação, real demais. Foi passando a mão na madeira aos poucos, úmida. "Provavelmente isso deve ter deixado os bolores piores. esse lugar fede!" Seus olhos passaram perto de um interruptor, e como imaginava, estava desligado. Aos poucos, seus olhos foram se acostumando com a escuridão e começou a destacar detalhes que não havia visto. Um grande candelabro com velas parcialmente novas, caixa de fósforos em uma língua que ela não entendia, E vários desenhos na parede, os que mais se destacavam eram cortes contando os dias de cativeiro. Talvez aquele lugar fosse isso. Um cativeiro. Ichigo teve que se esforçar muito para achar algo para comer, e achar algo para passar o tempo. Nenhum sonho era tão entediante quanto esse, viver presa em uma casa. Talvez já se tivessem passado quase duas horas quando uma garota de cabelos negros se Materializou na frente dela, na mesma cadeira, com o mesmo olhar vago. Ichigo acendera as velas, então a Menina não precisou tatear as paredes e encostar nos fungos.
- Não é um pesadelo, não é um pesadelo — Sussurou assim que entrou na casa, mas parou abruptamente olhando para Ichigo com um olhar furioso e apontou uma faca para a garota, que por acaso, também surgira do nada .
- q u e m . é , v o c ê? — soletrou, avançando com a faca no nada.
- Kitsune Ichigo.. Você é?
- Seu nome é Kitsune? — vacilou um pouco com a faca, atordoada pelo nome.
- Não, sou Ichigo, Kitsune é meu Sobrenome — riu, percebendo que falava em português com a garota.
- Sou Savannah Skoldberg, Mas Savannah é meu nome mesmo — Falou abaixando a arma — Aonde estamos.
- Não sei — Deu ombros
- O que é isso? — O olhar penetrante e azul de Savannah passava por cima da Garota.
- Uma cabana, eu acho.
- Porque Estamos aqui — Esta pergunta Fez Ichigo rir.
- Não sei, talvez eu esteja bebendo demais antes de dormir — fez uma careta — quer jantar?
As duas garotas se sentaram pra comer, Ichigo já havia terminado então reparou na menina. Talvez uma das garotas mais bonitas que já vira. Olhos azuis claros como o céu, Cabelos longos e negros que caiam até a altura da sua cintura. Boca avermelhada, talvez do frio e rosto branco e palido. Nunca havia visto ninguém assim no Japão. Quando Savannah terminou, Ichigo Estava deitada de bruços desenhando com a faca na parede algum personagem novo de Anime. Savannah a Admirou por um tempo. A garota parecia ter saido de Um Manga. Longos Cabelos loiros que caiam quase até sua bunda, com grandes ondulações logo apos sua parte lisa na raiz, e olhos castanhos escuros quase negros. Sua boxexa era Levemente corada e sua boca de uma tonalidade tão básica que realmente parecia uma boneca. Mas ela parecia quieta e misteriosa. Como se seu rosto fosse só uma enganação.
- Você desenha bem — sorriu Savannah para a menina, que virou o olhar com um sorriso de lado.
- Obrigada — e voltou a Desenhar.
- Já que faz parte do meu sonho, podia pelo menos falar um pouco mais — se frustou os cabelos negros, balançando com um movimento.
- Na verdade, este sonho é meu. — sorriu.
- Ou este sonho pode ser nosso e estamos transitando como espíritos em um mundo paralelo, que tal? — sorriu novamente.
- Você bebe antes de dormir?
- Não! — protestou.
- Devia — sorriu, e Savannah viu uma grande pessoa dentro dela — É muito bom sonhar.
Savannah olhou ao redor. Não era um lugar comum e não parecia nada como outros sonhos que ela tivera. Um lugar frio e escuro, o cheiro não era nada agradável então já se deduzia que o lugar não se era muito novo, os pisos conforme pisava faziam barulhos irritantes e barulhos como pegadas pequenas andando pelo local se espalhavam a cada frestinha de silêncio. Savannah observava a pequena menina fazendo seus rabiscos com materiais bem simples, "Será que ela é real?..." perguntou para ela mesma, ela parecia mais do que real parecia realmente viva, seus cabelos eram de um loiro claro maravilhoso quase alcançando o tom branco e batiam abaixo de sua cintura, sua pele era clara e seus bochechas rosadas, ela era realmente a garota mais linda que ela já tinha visto. Savannah sentou-se no chão e continuou a observa-la tentando conhecer algo mais da garota, mas tudo era bem visível suas roupas mesmo sendo de pijama mostravam seu estilo bem forte. enquanto desenhava Ichigo balançava seus pés de um lado para o outro e cantarolava algo que Savannah desconhecia totalmente, mas ela não se importava.
— Você parece aquelas garotas daqueles desenhos japonês...Tão bela. — Isso interrompeu seus desenhos. Ela virou pra trás e sorriu, parou seu desenho e sentou-se na sua frente sorrindo — Me desculpa, não queria incomodar. Pode continuar.
— Não se preocupe, faço vários desses, posso recomeçar e continuar quando quiser. Obrigada.
— Ah disponha
— Você me parece um pouco cansada
— Eu estou exausta — admitiu.
— Por que?
— Faculdade, tarefas em casa...É difícil, mas uma boa noite de sono me renova — Você me parece um pouco triste, aconteceu algo?
— Nada...— Ela parecia esconder algo, mas Savannah não quis entrar em detalhes, também pudera acabaram de se conhecer, então deixou passar — Só estou cansada também, preciso dormir...Mas meus sonhos não ajudam muito — Ela riu.
Um barulho se fez na porta, parecia querer ser aberta, aos poucos umas partes da porta iam se quebrando e pelas frestas quebradas uma luz forte e totalmente branca entrava, a luz cegava os olhos sendo assim tão forte. O chão também parecia estar caindo, no meio da confusão e do barulho as duas foram para lados diferentes "Pule" Ichigo gritava do outro lado, Savannah ainda tinha medo, aquele sonho parecia ser real demais para ela "Pule, eu pulo com você" a garota não parecia ter medo e em seu rosto havia um sorriso, ela não sentia tanto medo do desconhecido.
— Um — Ichigo começou
— Dois — Elas se olharam
— Três.
Tokio, Japão — Meio dia em ponto.
Ichigo socou o despertador, ele cantava uma musica nova de Vocaloid, com vozes femininas finas no fundo e um homem de voz rouca gritando bom dia. "Aonde será que eu comprei essa bosta?" pensou, se levantando até a janela e abrindo as cortinas automaticas. Tokio voltara a sua rotina. Carros passavam em alta velocidade por todos os lados, Garotas andavam com suas bolsas e uniformes do colégios, garotos atrás tirando fotos ou as convidando para sair. Foi até o banheiro, arrumando o cabelo em uma trança lateral solta e colocou sua jaqueta de couro, parecia frio lá fora. Saiu as pressas, jogando a garrafa de Vodka no lixo. Sua vizinha, Yukino gritou algo que ela pode compreender entre "Meu cachorro morreu" ou "Meu namorado correu" mas não ficou muito tempo para saber. Era hora de trabalhar.
- Ohayo(3) Ichigo-chan — Uma garota de cabelos negros e longos parou Ichigo com um sorriso no rosto. Por um tempo a Menina loira ficou parada pensando em seu Sonho. Savannah.
- Ohayo Mia-chan — sorriu arumando o cabelo de leve quando o vento passou — Atrasada também? — a menina riu, se apressando a subir no onibus.
A rotina sempre foi um problema para Ichigo. Desde criança, odiava acordar cedo, ir estudar, seguir um calendário de horários rigoroso. Seu pai, tinha uma visão bem severa de horas, coisa de Japonês, e acabou a tratando feito um robô. Talvez isso tenha a mudado tanto. Hoje, com 20 anos, Ichigo não sabia mais o que era hora de dormir e acordar.
- Está perdida em pensamentos Ichigo — riu a menina — aconteceu algo?
- Sonhos, como sempre.
O silêncio se deu novamente. Talvez, somente dentro da cabeça de Ichigo, mas seu cérebro denotava palavras e imagens que não saiam de sua mente. Savannah. aquela garota. Uma menina que aparecera em seus sonhos. Porque se lembrava tão bem de seu rosto? Normalmente, sempre que sonhava esquecia de todos, porque eram pessoas que foram gravadas em seu subconciente, mesmo assim, a garota De cabelos negros continuava ali em seus pensamentos, com aquele olhos azuis. Uma princesa.
- Baka(4)! Me ouça! — gritou Mia,
- Gomen(5)! Gomen! Fala.
- Eu também tive um sonho estranho hoje — visualizou a Janela, Evitando os olhares da amiga — Vamos, o estudio é no proximo ponto.
- Eu sei onde trabalho, Mia-chan.
Trabalhar com Desenho era o que acalmava Ichigo. a garota se sentou ao escritório de Mashima. Ultimamente, o homem queria novas personagens para um novo manga, e Ichigo era quem precisava desenhar uma das garotas, ou pelo menos o esboço dela. O Lapis escorregou na mão suavemente com o suor. Agora o Sol saíra e a roupa de couro não era mais adequada a aquele calor. Tirou levemente deixando somente a camisa do trabalho, a marca do Estudio em sua frente e atrás um gato de contorno Dourado, que dizia algo como "Aye Sir!".
`Limpou o suor das mãos e colocou sua borracha anti-derrapante na caneta. Aos poucos, os traços foram saindo do papel. a nova personagem de Mashima. Seja lá qual era a nova história, a Garota parecia um princesa misteriosa, com segredos inimagináveis. Primeiramente os cabelos Negros e longos, com uma franja de lado que caia. Tinha um sorriso fofo e ao mesmo tempo reprimido, com medo do que pudesse existir. Usava um vestidinho branco com um grande laço. e assim que terminou os últimos detalhes, o olho azul e grande, percebeu que a garota que desenhara parecia demais com uma menina que vira em seus sonhos, Savannah. assinou seu nome em baixo e a data do desenho e correu até o Escritório de Mashima. O homem, jovem, sorriu para ela.
- Novas Idéia Ichigo-chan?
- Aqui, Senhor — entregou a folha.
- Bonita, simples, sincera, misteriosa — ele a olhou nos olhos, a fazendo corar — será uma ótima ideia para personagem. Obrigada e... Me chame de Hiro, ou Mashima... Eu pareço um senhor, Kitsune?
- Não senh.. não Mashima, não.
O homem sorriu e ela se afastou da mesa. Não acreditava de forma alguma que Mashima havia aceito o desenho tão de boa. Quando voltou ao escritório, viu que já passara seu horário e saiu correndo para a rua, dando um breve adeus a todos que a elogiavam pelo desenho, finalmente um dia bom para ela. A primeira coisa que fez foi ir ao bar. Não era horário para beber, mas na noite anterior deixara sua moto lá pois estava bêbada demais para dirigir. O Dono do Bar a dirigiu um olhar preocupado quando a viu, mas assim que o comprimentou, percebeu que a mesma não estava bêbada e a deixou ir. Pegou a moto e foi para sua casa. Provavelmente já deviam ser oito horas da noite quando seu celular tocou. Era Cristian, um garoto Brasileiro que também morava no Japão.
- Moshi-Moshi Ichigo-kun — riu o menino.
- Moshi, Cris, já sei, a casa está vazia, pode vir.
- Arigatô Ichigo.
Não se passaram meia hora e a campainha da casa de Ichigo não parava de tocar. Tinha sorte de sua vizinha Yukino ser surda. As pessoas entravam sem parar na casa, e algumas até que ela nunca havia visto na vida. A casa já estava totalmente em desordem. Pessoas bebadas em cima do sofá, garotas dançando semi-nuas, o que fazia Ichigo ser uma delas quase sempre, música alta e muito video-game. A festa rolou até as cinco da Madrugada quando Cris se virou (mais sóbrio que ela) e deixou a na cama, arrumando a Casa. O garoto era mais novo e estava fazendo faculdade. Ultimamente, era o melhor amigo dela.
- Pode dormir, Ichi. — ele sorriu, a olhando somente com uma camisa de banda de Rock Japonesa e calcinha — Não vou te estuprar.
- Não seria um estupro — riu — não pra mim.
- Não me tente Ichigo, sério — ele se aproximou do rosto dela — Nossa amizade nunca teve limites, lembra?
- Sim, nunca terá, me beija vai? — o garoto se aproximou e a beijou. Suavemente, mas não havia sentimentos, era só diversão para os dois.
- Agora dorme, você não está sóbria para o resto.
- Mas Crisinho — fez bico — Só um pouco vai?
- Hun, Amanha, pode ser? — a garota sorriu safadamente.
- Só se me prometer que mesmo quando começar a namorar, não vai esquecer de mim.
- Nunca Ichigo, Nunca.
Ichigo fechou os olhos. A bebida a deixava mais alegre do que o normal, e ela dormiria rápido. A imagem de seu melhor amigo foi sumindo. O garoto de cabelos castanhos claro, barba aparada, algumas sardas no rosto, sorriso fofo e olhos verdes foi se desfazendo de sua mente e então estava entrando em um sonho. Ela só não podia acreditar que ainda estava lá na cabana. Sozinha. E pela primeira vez, pensou em alguem. Savannah.
Canadá: 00h00
Não era um jeito muito legal de acordar, Savannah acordou sentada com a respiração ofegante e suando. Olhou o relógio bem no centro da escrivaninha, ainda era 00h00 e tinham algumas horas pra frente antes do começo do dia, ela observava Cole deitado sobre a cama com seu sono pesado, ele parecia um anjo com pele de porcelana e mesmo deitado seu cabelo continuava ajeitado e com um topete impecável. O canto de seu quarto lembrava o canto da cabana com a pequena Ichigo balançando os pés enquanto rabiscava uns desenhos, a lembrança ainda era bem recente, aonde estaria Ichigo? Ela parecia tão real "Foi apenas um sonho, apenas um sonho" ela repetia para ela mesma enquanto caminhava em direção ao banheiro, se olhou no espelho e viu seu rosto pálido e cansando "Realmente preciso de um tempo para mim" pensou ela, suas roupas eram leves e saiam com facilidade por seu corpo frágil, pouco a pouco ela tirou as peças de suas roupas e entrou dentro do chuveiro. A água percorria por todo canto de seu corpo digno de uma brasileira, curvas e curvas eram lavadas e aos poucos ela sentia a sensação de alivio voltando, um barulho na porta a fez desligar o chuveiro e puxar a toalha.
— Não sabia que já tinha acordado, perdeu o sono? — Cole apareceu com os braços cruzados na porta, ambos não tiveram uma boa noite de sono.
— Sim, eu...tive um pesadelo e acordei suada. Achei melhor tomar banho, te acordei com o chuveiro?
— Não não, eu apenas perdi o sono. Trouxe suas roupas — Disse apontando para a tampa do vaso onde em cima havia um short e uma blusa.
— Muito gentil da sua parte — Ela sorrio. Era impossível resistir ao sorriso de Savannah, seus olhos azuis eram penetrantes e seu sorriso meigo escondia um mistério que se juntava com seus olhos. Cole também não ficava para trás neste quesito, um pouco mais alto que Savannah, o garoto não tinha um corpo escultural, mas era um físico admirável. Ele a puxou com delicadeza e a encostou em seu corpo, seu sorriso marcava um jeito malicioso que ela já conhecia, então finalmente veio o beijo, finalmente os dois estavam ali juntos depois de tempos separados. Ela pôs suas roupas e foram para o quarto. Cole sentou-se na janela da varando-a, abrindo ela para que a luz do luar preenchesse todo o quarto de ponta a ponta e a lua realmente estava maravilhosa, Savannah avistou sua maquina em cima de mesa de seu computador e buscou-a para fotografar a nova fase da lua. Fotografias realmente eram sua paixão, elas conseguiam capturar todos os momentos e todos os locais, eram recordações maravilhosas de momentos que também poderiam nunca mais se repetir, dois cliques e pronto, lá havia uma grande recordação daquela noite.
O vento soprou forte naquele momento, seus cabelos dançavam conforme a força do vento e a garota fechava o olhos aproveitando a sensação de leveza e tranquilidade que a noite lhe trazia, seus pensamentos continuavam confusos na cabana, mais dois cliques. Ichigo.
— Como foi seu pesadelo — O garoto apareceu de surpresa passando seus braços pela sua cintura magra.
— Não foi exatamente um pesadelo...— Ela dizia buscando em seus pensamentos as imagens que eram nítidas — Meio que foi um sonho, nesse sonho havia uma garota, o nome dela era Ichigo, ela era tão linda, Cole...Ela parecia ter sido muito bem desenhada e além disso ela desenhava extremamente bem, deveria ter tirado uma foto dela. Seria uma foto perfeita.
— Amor, você é lésbica?
— Cole — Ela o olhou brava — Eu não conto mais nada pra você — ele riu.
— Só foi uma brincadeira, calma. — Ela riu, mas já havia esquecido.
— Queria vê-la de novo
— Quando o sonho é bom uma hora ele volta — Ele a abraçou forte e a levou para a cama novamente — Agora durma, quem sabe você não volta ao sonho? — Ele a colocou delicadamente na cama e deitou-se ao lado dela.
Nem sempre os sonhos se repetem, "Talvez seja só mais um sonho bobo" ela pensou consigo mesma...Talvez, no mundo do talvez, quem sabe Ichigo fosse real.
Notas finais
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