Caos - Afterend
5 Colapso Mental
Zero entrou rapidamente no quarto. Logo depois que a porta fechou algo produziu um som extremamente alto: Era o som do capacete se chocando com a parede com considerável força. Aquela não fora a primeira vez que ele tinha feito aquilo, mas ele não sabia se conseguiria aguentar por muito mais tempo aquela frustração. Um ano e alguns meses. A vida de Lelouch valeu apenas isso?
Alguns meses depois do começo da “Guerra pela Britannia”, como estava sendo chamada a guerra civil na Britannia, Suzaku, não, Zero se viu forçado a vetar um projeto de lei que, em prática, permitiria exércitos individuais para cada país da UFN e aprovar uma operação de paz na Britannia que seria o equivalente de uma invasão.
– Mas eu não tinha escolha, não é Lelouch? – Ás vezes ele sentia que estava prestes a enlouquecer, mas talvez ele já estivesse louco. Quem mais conversava com o amigo morto? – Não é? Diga-me! Eu não posso deixar as pessoas continuarem a morrer, não é mesmo? Mesmo que para isso eu tenha que sacrificar a liberdade delas. Mais nenhuma vida deveria ser sacrificada... Não depois da sua. – Mais uma vez, aquelas memórias voltaram. Ah, o quão arrogante ele era naquela época, acreditando que conseguiria tomar para si o peso da liderança. Ele não sabia que era algo tão grande.
Completamente descontrolado, Suzaku começou a destruir as coisas em seu quarto. – Não era para ter sido assim! E foi ela, sua irmã, a única pessoa que eu não conseguia parar, a única que tinha esse direito, que decidiu destruir isso! – Não, isso era apenas enganação, e ele sabia disso. – Então era esse tipo de pressão que você constantemente sentia. – Ele achava que sabia o peso de vidas em suas mão depois de carregar uma arma com um míssil Freya, mas não havia comparação. – Quantas vezes eu não te julguei segundo suas ações... E olhe para mim agora. No fim das contas eu não sirvo para nada além de servo. Desculpe-me, mas eu não posso ser Zero. – Suzaku ficou uma hora contemplando, e entre lágrimas e desculpas para um amigo cuja morte tinha sido culpa dele, Suzaku chegou a uma decisão.
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Karen achava que nada mais podia cocá-la, mas lá vinha: O novo Zero, não, o falso Zero, pois ninguém podia realmente tomar o lugar de Lelouch, que até agora não havia participado de qualquer forma nas preparações, decidiu que tomaria o comando de toda a operação para a pacificação da Britannia. Não só isso, segundo rumores, ele até aquele momento não havia se envolvido diretamente com quaisquer planejamentos militares. O que poderia ter causado tamanha decisão? Era isso que ela pretendia descobrir na sala de comando, para a qual estava se dirigindo. Quando ela chegou, parecia já haver uma grande decisão.
– Isso é completamente irracional! Você é Zero, o símbolo da UFN, você não deveria sair para uma operação dessas. – Ela nunca havia visto Ougi tão agitado assim desde que o conflito com Lelouch havia acabado.
O falso Zero bateu na mesa com força. – Zero sempre esteve na linha de frente, comandando os Cavaleiros Negros! Considerando a gravidade da situação, você não acha que um pouco de moral a mais agora seria útil? –
Ougi segurou a respiração por alguns momentos, como se estivesse pensando desesperadamente em algo. – Sim, mas... – Ele foi interrompido.
– Não há mais confiança em minhas habilidades? – Ele soltou um som que parecia uma risada.
Uma tosse pode ser ouvida. Li Xingke estava, extraordinariamente, presente. – Sejamos francos, todos sabemos que você não é o mesmo Zero que nos levou a vitória tantas vezes, e pela sua recusa de se envolver diretamente com o funcionamento dos Cavaleiros Negros, qualquer um pode perceber que você sabe que não tem a mesma capacidade que seu predecessor. O que nos leva a uma pergunta curiosa: Por que agora? – Uma pergunta que Karen gostaria de ver respondida.
O falso Zero respirou profundamente. Respondendo então com convicção. – Meus motivos são meus. E não te interessam.
Ougi não via graça nisso. – Você é Zero, o pilar central da UFN, você não pode mais se dar ao luxo de ter segredos próprios.
O falso Zero ficou imóvel por alguns segundos. Karen não podia saber por causa da máscara, mas algo lhe dizia que, quem quer que estivesse debaixo da máscara, estava sorrindo. – Meus caros, não se preocupem, pois isso não é uma proposição, é uma ordem executiva. Se você não concordam, ponham a voto, e vejam por si mesmos quantas pessoas não querem que eu me envolva. – A sala ficou silenciosa.
Karen finalmente conseguiu uma chance. – Posso interpretar essa decisão como um voto de não confidência em minha habilidade de comando? Afinal, originalmente quem deveria comandar essa operação era eu. – Ela esperava que o tom de voz carregasse sua insatisfação.
O falso Zero andou lentamente até ela. – Minha cara, ninguém duvidaria de sua habilidade de comandar, afinal ela é inexistente. Apenas faça o que sabe fazer melhor, ok? Destruir aquilo para o qual te apontam. – Karen ficou chocada demais para responder. Ela mordeu os lábios de frustração. Ela tinha algum pressentimento ruim quanto a esse falso Zero, mas sabia o porquê.
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Suzaku se arrependeu quase que instantaneamente, mas felizmente ninguém pode ver seu rosto. Ele andou rapidamente até chegar ao hangar onde estava seu Knightmare: Um belíssimo Lancelot Albion pintado quase que completamente de preto. O mesmo modelo do “falecido” Knight of Zero, mas quem suspeitaria dele? Mesmo que alguém da mídia tenha percebido o fato de que Lelouch tomou controle do Damocles usando o Shinkirou, que era o Knightmare de Zero, ou ninguém teve coragem de investigar mais, ou os Cavaleiros Negros amordaçaram a informação sem que ele soubesse. Mesmo que eles percebessem quem ele era, era improvável que fizessem algo a respeito. Logo ele poderia fazer o que sabia que o acalmaria: Pilotar um Knightmare, e seguir uma decisão até o final.
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Jeremiah Gottwald não gostou dos conteúdos daquele relatório, nada de bom podia vir daquilo, mas aquilo era um motivo a mais para mostrá-lo para Nunnally. – Senhora, há um relatório urgente que... – Mas no momento em que ele abriu a porta, quem apareceu foi E.E.
– Ah, garoto laranja, boa hora. – A irritação pareceu explodir dentro de Jeremiah, como se ele fosse um vulcão em erupção.
No momento seguinte E.E. estava a alguns centímetros do chão, a lámina de Jeremiah entrando por um lado e saindo por outro. – Ninguém. Eu repito, ninguém tem o direito de me chamar assim, a não ser meus senhores. – Ele gostaria que tal ação não fosse inútil. Jeremiah não conseguia deixar de sentir extrema desconfiança em relação a esse homem, ele tinha se juntado aos monarquistas para proteger Nunnally dos republicanos, mas logo que chegou, ele percebeu que os republicanos não eram o único problema.
– Ai ai, isso não é nem um pouco legal, eu posso não morrer, mas eu também sinto dor. – E.E. sorriu, como se estivesse tentando irritar mais ainda Jeremiah. A irritação aumentou mais ainda, mas ele teve cuidado de não deixar nenhum pingo de sangue cair no relatório.
Nunnally observou calmamente a situação que já havia se repetido diversas vezes. – Gottwald, eu gostaria que você não fizesse isso tantas vezes, o senhor E.E. ainda é um estimado aliado. – Ela estendeu os braços para receber o relatório. Não havia muito que ler. – Isso realmente é preocupante. Nossas chances de vitória agora estão consideravelmente diminuídas. –
E.E. leu o relatório por cima do ombro de Nunnally. – Parece que agora não temos escolha a não ser dar uma olhada naquele laboratório abandonado. Lá está o nosso possível trunfo.
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