Caoismo

2 Quem é Você?


Nevada, EUA

Uma mulher sai da porta de uma casa, com algumas cédulas guardando em sua mini bolsa, com ela havia um homem, que a acompanha apenas até a porta:

— Pelo menos você faz valer a pena esse dinheiro – O homem dizia com um sorriso asqueroso, fechando a porta.

Após o fechamento da porta, a mulher, pela calçada, segue andando reto pela sua esquerda, já era madrugada, a cidade estava envolvida em escuridão, a única iluminação vinha dos postes na rua a garota era a única na rua, mas ainda andava com certo receio, suas mãos estavam em seus cotovelos e olhava para todos os cantos. Aos poucos a mulher começa a desacelerar os passos, até um ponto que estava parada na calçada, se encosta em um poste próximo, e começa a chorar, primeiro poucas lagrimas escaparam de seus olhos deslizando pelo seu rosto até encontrarem o chão e se desfazerem, logo após a mulher desaba em prantos, apoiada no poste lentamente vai se agachando, até estar sentada com a cabeça entre as pernas, chorando sem parar. Após uns vinte minutos se debulhando em lágrimas, a garota com os olhos vermelhos de tanto chorar, se levanta, é quando de um beco próximo dela, uma luz roxa intensa brilha por instantes, a moça de primeira se assusta, a mesma de imediato pensa em correr dali, mas quando a luz se apagada, do beco, sai um garoto com: vários cortes no corpo; tinha várias queimaduras de terceiro grau pelo corpo; exalando uma fumaça; e seu corpo carregava altas voltagens de energia, indubitavelmente o garoto caí no chão sem força alguma, estava abeira da morte.

“você é tão patético, Ezekiel” uma voz rondava o inconsciente do rapaz abatido, em seguida uma risada ecoando, então, o garoto se via de joelhos em uma vasta imensidão, um lugar escuro e solitário exalando hostilidade, uma figura vinha em sua direção, não conseguia enxerga-la perfeitamente pois sua visão estava turva, era possível apenas ver os olhos que brilhavam em sangue. A figura com apenas uma mão, agarra a cabeça do garoto por cima, e o levanta até a altura de sua própria face:

— Deixe-me sair – disse a criatura ao garoto.

Expressando desespero, o rapaz, luta desesperadamente para se libertar, mas repara que é inútil:

— Não adianta persistir, eu sou seu demônio interior, não adianta fugir de você mesmo, no final, você estará sozinho, ou melhor, só eu e você...

Com a sua mão que ainda estava livre, o demônio, com um golpe certeiro, a crava na região estomacal do garoto o perfurando, a criatura se desfaz em uma gosma negra que se espalha no chão, aos poucos a gosma se move até o garoto, tomando o seu corpo, enquanto ele apenas conseguia sentir medo e desespero.

Em um pequeno quarto, Ezekiel acorda ofegante, com suas pupilas delatadas, estomago embrulhado e suando frio, seu coração estava acelerado e tinha uma dificuldade extrema de respirar, era como um ataque de asma, com sua mão tremula, passa em torno da sua região estomacal, afim de saber até que ponto aquela “visão” foi real, felizmente ou infelizmente para ele, a única coisa que sentia foram ataduras e esparadrapos por todo seu tórax, até a cintura, tranquilizado volta a deitar na cama de onde levantou assustado. Após deitar-se, o garoto volta a si, e repara que não sabia onde estava, era um quarto pequeno com alguns moveis comuns como: guarda-roupa, estantes, criado-mudo, entre outros, a janela estava aberta soprando uma leve brisa matutina, com isso ele presumia que havia mais alguém no recinto, além disso, Ezekiel acaba reparando que seu corpo estava cheio de ataduras, isso indicava que seus ferimentos haviam sido tradados de maneira devida, “Há algo estranho aqui, sendo sincero, eu não esperava nem ao menos estar vivo” pensava consigo mesmo, perdido em os devaneios dos seus próprios pensamentos, Ezekiel é atrapalhado quando a maçaneta da porta começa a girar, indicando que alguém do outro lado, estava tentando entrar, rapidamente, fica na sua posição de luta, a maçaneta completa seu giro, a porta se abre lentamente, de trás dela, vinha uma voz feminina:

— Que bom que você ainda está vivo.

Uma mulher entrava, possuía cabelos em estilo long bob medianos com ondulações, em sua cor castanho mel, seu rosto harmônico, um delicado queixo num rosto com traços suaves, destacando-se seus olhos profundos azuis semelhante à uma safira, e por fim sua pele branca, mas com tonalidade quente, por conta do clima local. Ezekiel por alguns segundos fica encantado, já dentro do quarto, a mulher tinha um recipiente com água morna em suas mãos:

— Calma, relaxa, eu não sou uma sequestradora, ou seja lá, o que for que você esteja pensando.

— E você é...?

— Você que deveria se apresentar para mim, foi você quem apareceu de repente, todo quebrado de um beco, e quando digo repente é literalmente.

A moça tenta se aproximar de Ezekiel, mas, o mesmo mostra resistência, se afastando:

— Oras, agradeça a mim por ainda estar vivo, eu sei que o motus lhe concede regeneração, mas oh céus, você estava abraçando a morte. – Resmunga com um tom sério.

Quando escuta as palavras dela, ele começa a lembrar, curtos flashbacks vêm em sua mente da batalha que teve com Érebos, e logo começa a entender a situação:

— Desculpa... Vamos recomeçar, meu nome é Ezekiel e obrigado por me salvar.

A garota aproveita a deixa, se aproxima dele, e tenta remover os curativos com a água morna, obrigando o a sentar em uma cadeira que estava próxima:

— Ezekiel, sou Alice.

— Por que me ajudou? Da maneira que descreve, qualquer pessoa normal teria se assustado e logo corrido, ainda sim, fez todos esses curativos em mim.

Após um tempo em silencio ela o responde:

— Você é o primeiro usuário de motus que eu vejo além do meu pai, eu simplesmente senti que tinha que ajudar.

Ela já estava a terminar o processo de remoção dos curativos:

— Aliás, repare, a posição que nós estamos, ambos estão com a guarda baixa, para falar a verdade, apenas eu estou, se eu quisesse te matar já teria feito, pode já desativar seu poder, ou acha, que eu acreditaria que seus olhos são vermelhos naturalmente? – ela ria ao terminar a frase.

Após a frase de Alice, os olhos de Ezekiel voltam a sua coloração normal, que seria um castanho escuro, mas ainda continuava desconfiado:

— Quem é Kairon e Lily? Você estava sussurrando alguns nomes enquanto inconsciente, tinha outros, mas já não me lembro.

Quando ouve os nomes, Ezekiel apenas direciona seu rosto para baixo, mostrando não querer falar sobre o assunto. Alice enfim termina o processo que estava fazendo, reparando no corpo do garoto que ainda apresentava cicatrizes, havia uma que mais chamava atenção, em seu ombro tinha a marca de um corte, aparentemente, profundo, sem pensar muito, ela passa com a mão por cima, mas é parada, com sua mão direita, Ezekiel a segura com firmeza.