Caoismo

6 A Valquíria que Chora


St. Albert, Canadá

Onze anos atrás

Um turbilhão devastador rodeava Érebos, com a gloriosa chama das valquírias. Lendas nórdicas alegam que; este fogo sagrado, apenas queima aquilo que é profano, ou que, ameaçara o âmbito divino. O tornado ainda estava a todo vapor, por conta disso, o ambiente começa a esquentar, é quando, do centro da devastação, um projétil de cor obscura plasmática, em forma de lâmina em vertical é lançado, as chamas se abrem, formando uma brecha habilitando a passagem do projétil, logo se fecha novamente. A velocidade do poder lançado era excepcional, sua trajetória em linha reta, tinha o rumo a uma das asas plumadas de Margaret.

A valquíria possui asas grandes, com uma plumagem perfeita, a coloração branca junto com seu longo cabelo dourado, acentuavam o divino em seu corpo, mesmo que a sua imagem, fosse a descrição padrão da afeição angelical em obras geralmente de estilo barroco, era o suficiente para encher os olhos humanos de graça divina. O projétil rapidamente passou ao lado direito de Margaret, seus olhos não conseguiram acompanhar, a lâmina obscura, então, corta sua asa direita, apenas em sua metade, a parte cortada seria o equivalente a um osso humano, mas no caso das valquírias, sustenta a asa e toda sua plumagem. Imediatamente Margaret grita de dor, ela fraqueja, soltando a espada que segurava com tanta firmeza, e também, caindo ajoelhada no chão, usa sua mão esquerda para apoiar no seu ombro direito. Algumas penas próximas ao corte estavam tingidas de vermelho, por conta do sangue que se espalhava, Margaret respirava ofegante por conta da imensurável dor.

O turbilhão prateado começa a se dispersar, por fora era possível ver a silhueta de Érebos, aplaudindo, as chamas desaparecem por inteira, o deus, ainda com as palmas, caminha lentamente em direção a valquíria que estava abatida, trajando um sorriso sarcástico:

— Ora! Admirável sua atitude, estava tremendo de medo, mas ainda sim teve a petulância de me atacar. – Retêm suas palmas. – Eu estava planejando cortar suas duas asas, mas por esse ato honrado, digno de uma valquíria, o estrago sera apenas esse, nessa linda plumagem.

Sem misericórdia, Érebos aplica um chute com força, na região estomacal de Margaret, fazendo a soltar sangue pela boca, após o chute, ela dobra seu corpo, como resposta natural para dor. O deus, canaliza sua energia motus, em seu punho: que começa a brilhar em cor de ametista, com este punho, desfere um soco cruzado na valquíria, assim ela despenca ao chão, sem a restar forças para ficar em pé.

Margaret estava deitada no chão, mas ainda consciente, seu rosto estava virado para cima, consequentemente, suas asas no solo. Érebos pisa violentamente na asa que estava cortada, fazendo alguns ossos quebrarem, para valquíria era possível escutar seus próprios ossos se moendo, era agoniante e ao mesmo tempo doloroso.

Apoiando-se no pé que usava para pisar nas asas, Érebos se inclina poucos graus para frente:

— Sabe, passei boa parte do meu tempo, estudando o que tinha acontecido depois dos eventos da era dos deuses, o que eu descobri é entristecedor, os humanos não têm ideia de nada, eles fragmentaram a real história em crenças e mitos. Um exemplo é você: chegaram perto pelo menos, na mitologia nórdica seu nome, Reginleif, significa “Herança dos deuses”, olha conseguiram acertar em cheio, acho que isso se da de conta que a Ordem das Valquírias residia, onde hoje é o norte europeu.

— Já disse, meu nome agora é Margaret. – Quase sem nenhuma força, o interrompe.

Érebos, da um passo para trás com o pé que estava em cima da asa, se agacha para se aproximar da valquíria, com sua mão esquerda, gera uma esfera purpura de energia condensada, esticando sua mão, desfere a espera como um golpe, na região estomacal de Margaret, o poder da esfera se espalha por todo seu corpo, gerando um efeito similar a eletricidade, ou seja, a eletrocutando com motus, esse efeito dura por alguns segundos. Na duração do efeito do golpe, Margaret sucumbe a dor, mas contém seus gritos. Após o término do ataque, começa a sair fumaça do corpo abatido de Margaret.

O deus, gentilmente, pega em um dos pulsos da valquíria, que já não possuía forças para lutar contra, aos poucos, vai a arrastando pela calçada. Conforme Érebos a puxava, sua asa cortada deixavam um rastro de sangue e penas pelo solo, ele adentra em um parque que havia logo ali perto, e a solta no gramado. Margaret ainda se encontrava consciente, mas todo seu sistema locomotor paralisado, partes do seu corpo com algumas queimaduras variantes de 1º à 3º grau, e mal conseguia respirar, naquele estado basicamente estava quase morta, com o rosto virado para o céu, ela observa como aquela noite estava mais bonita, então, de seus olhos; começa a emergir lagrimas, em sua cabeça apenas passava a imagem de sua família, relembrando os momentos, isso acaba colocando um sorriso em seu rosto.

“De novo eu iriei quebrar uma promessa para vocês, eu juro que tentei... Me desculpem”

O momento de angustia interna de Margaret, é atrapalhado por Érebos, que a ergue, apenas segurando em seu pescoço:

— Não sabia que valquírias choravam. – Dizia após repara no rosto de Margaret. – Mas não importa, você vai encontrar suas irmãs agora.

A mão do deus começa a brilhar, novamente ele cria a esfera de energia, semelhante a anterior, mas nessa havia mais poder, a pobre valquíria já tinha se entregado ao desespero, e estava aos prantos. Érebos estava prestes atacar, e encerrar com aquilo, mas é quando escuta o som de um carro, que passava na rua deserta, segundos depois, a criatura profana solta o pescoço de Margaret, a fazendo cair bruscamente no chão, se vira e vai em direção ao som que havia escutado anteriormente:

— Sabe o que eu também descobrir estudando todo esse tempo? Humanos tem uma leve mania de tentar entender tudo... Hoje vou fazer um ato generoso para eles, vou deixar essa “cena de crime” mais plausível. A jugar pelas roupas que você traja, parece ser o que eles chamam de classe alta, se eu entendi o sistema capitalista bem, isso significa que você é importante, e a polícia vai investigar sua morte por mando de sua “família” que provavelmente tenha, uma característica humana comum, e pelo visto você está tentando ser uma.

Érebos se aproximava do carro que havia escutado antes, o motorista, aparentemente, estava a espera de alguém, o deus aproveita a oportunidade, e desfere um golpe no vidro do lado do motorista o quebrando, então, com sua mão, agarra no ombro do rapaz e o puxa para fora, escancarando a porta do carro junto. Era um jovem, aparentava ter vinte anos, sem piedade alguma, Érebos com suas duas mãos esmaga a cabeça do rapaz.

Margaret se arrastava com seus braços no gramado, tentando sair dali antes que Érebos voltasse.

“Eu quero viver... Eu quero ficar com meus filhos... Steve... Minha família”

A valquíria com a maior determinação que podia ter, fazia o máximo que podia para sair daquele local.

O parque que se encontrava em total silêncio, de repente surge o som de um motor, pela entrada do parque passa um carro em alta velocidade, no banco de motorista estava Érebos, que estava sorrindo e soltando gargalhadas descontroladamente e de maneira psicótica. O deus estava indo em direção a Margaret rapidamente:

— Nessa velocidade eu vou destroçar você inteira. – Érebos estava em um estado de plena loucura.

Algumas horas depois

Lily e Noah estavam dormindo em seus respectivos quartos, o pai das crianças havia acaba de coloca-los para dormir, estava na sala sentado no sofá com o celular na mão, com várias chamadas perdidas para o número de sua esposa.

“Por que não me atende? Você é poderosa, mas está me deixando preocupado”

O homem tem suas indagações internas interrompida, por a campainha de sua casa, que logo corre para atender:

— Margaret você já estava me d.... – O mesmo para sua fala quando vê quem estava na porta, um policial.

— Steve Edison Haaron?

— Sim, sou eu mesmo, posso ajudar? – Indagava preocupado.

— Sua esposa... Foi encontrada morta.