Canções de Westeros
7 Desespero
Notas iniciais
"Desespero"
Winterfell
Jon
Uma das coisas que Jon mais gostava no fim da guerra, era visitar o Bosque Sagrado e sentar-se lá em silêncio, pois, mesmo que tivesse voltado á vida devido ao deus vermelho, mantinha-se fiel aos deuses de Eddard Stark, seu tio, como veio a descobrir.
Ficava perto da árvore-coração, até que ao cair da noite, Sansa o procurava, acompanhada de Fantasma. Ela sentava-se ao seu lado com o lobo, sem dizer uma palavra, e ambos esperavam que Jon decidisse ir embora.
O silêncio entre os dois não era estranho, na verdade, ele achava reconfortante.
Sansa tinha agora vinte e três anos e era Senhora de Winterfell.
Jon tinha vinte e cinco. A mesma idade que Robb teria caso estivesse vivo. Arya, no auge dos seus dezanove anos, vivia em Ponta Tempestade desde o fim da guerra, com Gendry Baratheon, que tinha sido legitimado pela Rainha Daenerys. Não tinham noticias de Rickon, apesar de saberem que estava vivo. Bran vivia Além-Da-Muralha e escrevia-lhes ocasionalmente.
Apesar de tudo, sentia-se sozinho.
Á noite dava por si muitas vezes a pensar nos cabelos ruivos de Ygritte e na sua ousadia, mas nos ultimos tempos, os seus pensamentos voltavam-se para cabelos mais longos e cor de sangue. Sonhava em passar as suas mãos por pele leitosa e com olhos azuis gelados, outrora tão cheios de vida.
Sansa não falava da sua estadia em Porto Real, nem do Vale, mas acordava algumas noites aos gritos com pesadelos e Jon ouvia as suas criadas correrem para acudi-la. Na manhã seguinte, era como se não tivesse acontecido nada.
Mas numa noite foi diferente.
Jon estava acordado, remexendo-se na cama, quando a porta do seu quarto abriu.
Alertado, viu um vulto caminhar na sua direção.
As mantas foram puxadas, e a figura deslizou para o seu lado.
Relaxou quase de imediado, sentido as mãos pequenas e quentes pousando sobre o seu dorso e soube, pelo seu cheiro quase demasiado doce, que era ela.
– Dorme comigo – Virou a cabeça na sua direção, completamente pegado de surpresa. Conseguia distinguir os traços da ruiva, pois estavam demasiado perto, e a respiração quente de Sansa batia no seu rosto. Ficou mudo, sem saber o que lhe dizer – Dorme comigo, Jon – Ela repetiu, num sussurro, como se ele não tivesse entendido o duplo sentido da frase.
Jon sentiu-se incapaz de respirar, sentindo todo o ar fugir-lhe dos pulmões – Sansa, eu não posso – Disse, embora a sua vontade fosse diferente. Ela afastou-se, sentando-se na cama.
– Sinto-me sozinha e estou desesperada por um filho, não o teria procurado se não fosse esse o caso, bastardo. – A palavra magoou-o mais do que se ela lhe tivesse batido.
– Ora, Senhora, caso tivesse um filho de um bastardo, não seria ele também um? – Sentiu-a respirar ruidosamente ao seu lado e então, começar a chorar.
– Por favor, Jon, por favor, por favor – Repetiu inumeras vezes, então, aproximou-se dele e começou a beijar-lhe o corpo. Jon permaneceu quieto, sem saber como agir – Só não me quero sentir sozinha, pode fingir que sou qualquer pessoa, eu não me importo. Não sou donzela, Petyr, bem, ele..
Parecia errado sentir desejo por ela. Eddard tinha-o criado como um filho. Sansa era sua irmã.
– Por favor, Snow – Sussurou, perto demais da sua boca, para ele resistir.
Beijou-a, sentindo-a estremecer de surpresa, e passou os braços ao redor da sua cintura, puxando-a para mais perto. Sansa acomodou-se em cima de si, sem oferecer resistencia, e quando se soltaram para puxar o ar, ele pôde ver os olhos azuis brilhantes bem pertos dos seus, antes de puxá-la para mais um beijo.
Na manhã seguinte acordou sozinho, certo que ela estava arrependida.
Sansa agiu como se nada tivesse acontecido, repetindo a sua rotina de sempre.
Nas noites seguintes, procurou-o, pegando-o de surpresa.
Jon sabia que ela o fazia desperada por uma criança, mas não podia deixar de se sentir desejado quando ela gritava o seu nome, controcendo-se debaixo do seu corpo, ou sobre ele.
– Acho que devia acender muitas velas hoje, sei que lê de noite, assim não danifica a sua visão – Disse-lhe uma noite, depois de jantar. Jon encarou-a entendendo o sentido da frase, e mais tarde, deixou as velas acesas.
Nunca antes tinham estado juntos sem que fosse completamente às escuras.
Jon pensava que isso facilitava a Sansa o facto de se deitar com um homem que por tantos anos julgou ser seu irmão, não que lhe fizesse qualquer diferença a ele.
Naquela noite, sob a luz nas velas, Jon julgou que ela fosse uma deusa. O cabelo vermelho, longo e solto, espalhava-se pela pele clara e suave, que ele percorria com as mãos. Os olhos azuis brilhavam de desejo e a boca, entrearberta, gemia o seu nome.
Sansa tinha-o procurado com desespero, e agora, ele sentia-se desesperado com receio de ser abandonado por ela. Sabia que era só um meio para atingir o fim.
Quando os enjoos começaram e Sansa parou de aparecer no seu quarto, os seus medos confirmaram-se. Desesperado, passava dias sem dormir, até que uma noite ela foi até ele. Deitou-se ao seu lado e abraçou-o, respirando fundo.
– Eu o amo, Jon, amo tanto – Pediu que ese calasse quando ele ia para lhes responder, e continuou a falar – Sei o que vai dizer, é errado, mas tenho certeza que o meu pai ficaria feliz, se havia um homem a que ele me confiasse sem qualquer objeção, esse homem seria você Jon, é tão parecido com ele, tão justo, tão, honrado – Ela suspirou, enquanto contornava os seus lábios com o dedo – Espero um filho seu, o meistre confirmou, e talvez não o amasse quando o procurei a primeira vez, mas agora amo. Sonho em criar o nosso filho em conjunto, quero que ele saiba quem é o pai, quero casar Jon, e não caso com mais ninguém a não ser consigo, quero o mesmo amor que os meus pais tinham um pelo outro. Dar-me-ia essa felicidade? Sei que posso ser dificil de amar, fui... – Ele calou-a com um beijo, abraçando-a e cheirando os seus cabelos de seguida.
– Nada me faria mais feliz. Qualquer coisa Sansa, eu daria qualquer coisa que pedisse.
Ela riu, chorando ao mesmo tempo – Bom, estive a pensar, se for um menino quero que se chame Eddard, se for menina, que acha de Lyanna? Como a sua mãe.
– Acho que seria perfeito – Respondeu. O seu desepero tinha sido infundado, afinal de contas.
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