Canções da Juventude
1 Um novo inicio
— Marcus! Ta na hora de acordar! — exclamou minha mãe da porta do meu quarto, levantei de forma preguiçosa, esfreguei meus olhos e bocejei de leve, olhei em volta.
Eu estava na nova casa.
Nos mudamos faz uma semana, minha mãe teve de vir pra Ronland por causa do novo emprego e claro, me arrastou junto.
Me levantei rapidamente, fui ao banheiro, tomei uma ducha fria, escovei os dentes e depois olhei para o meu uniforme, o uniforme do novo colégio, erá só uma blusa social branca e um blazer azul escuro com o emblema da escolha, um falcão dourado com um diploma na boca e uma coroa de louros em seu torno da mesma cor, suspirei, eu era horrível em novos locais, o motivo de tanta dor de cabeça pra minha mãe era o meu maior problema.
Eu era altista.
Não pensem errado, eu não escolhi isso mas eu tinha medo das pessoas, eu tento parecer durão na minha mente mas só lá, eu realmente sou horrível com elas, a doutora me receitou fazer algo que me traga um tipo de contato com elas, por isso meu pai me incentivou a fazer fotografia , e bom, era a única coisa que eu fazia de bom.
Vesti o uniforme rapidamente, sem rodeios, ajeitei o meus cabelos negros e lisos com as mãos, ficou uma bagunça mas eu não queria impressionar ninguém mesmo, ajeitei meu óculos, peguei minha mochila azul no quarto e minha inseparável Daggie.
Não, não é um cãozinho, o nome da minha câmera é Daggie mesmo, é a única coisa que consigo confiar.
Rapidamente ajeitei a lente, puz no pescoço e respirei fundo, novo local, novas pessoas, eu precisava superar meu medo com elas, precisava ser menos...eu!
HAhahahaha!
Risadas? Aquela voz não parecia a da minha mãe, puz a mochila nas costas e desci calmamente, comecei a estudar a sala, nela tinha minha mãe, bulês cheios do chá orgânico dela e duas moças.
Sim, duas, uma parecia ter a idade da minha mãe, que não é tanta assim mas é muita e a outra era uma garota da minha idade.
bonitinha por sinal, bom pelo menos na minha concepção.
— Ai está ele, Marcus venha cumprimentar a Selia e sua filha, Amanda, se lembra dela? Vocês já estudaram juntos. – Olhei para Selia, morena de cabelos lisos longos e um pouco grisalhos, usava um vestido florido bonito, olhos castanhos e belas curvas.
A Amanda tinha cabelo curto escuro e usava um óculos um pouco fundo de garrafa, um pouco só...ta bom, era uma versão bem estereotipada de óculos de nerd , nem sabia que existiam, ou que pessoas usavam, ela usava uma roupa igual a minha, mudando pela saia xadrez, nossa, parece que o uniforme saiu de um anime ou algo assim.
- Oi – cumprimentou Amanda timidamente, a voz dela era fofa, fiquei um pouco envergonhado mas era um passo pra perder o meu medo.
— Oi – respondi sorrindo um pouco, ela ficou um pouco envergonhada, vi minha mãe e Selia se entreolhando rindo, nunca vou entender esse tipo de coisa.
- Bom, já que estudam no mesmo colégio, pedi pra que Amanda fizesse companhia, assim não ficariam sozinhos.
— E vocês dois podem se ajudar lá dentro. – concluiu Selia, bom, não parecia uma má idéia.
— Mãe, temos de ir , tá na hora. – sussurrou Amanda de forma quase inaudível.
— Tudo bem, sem pressa os dois. – Amanda pegou sua mochila preta com listras rosas e caminhou até a porta, segui.
— Tchau mãe, tchau Dona Maria. – se despediu sorrindo pras duas, somente segui acenando e fechei a porta, Amanda ficou me olhando envergonhada da calçada, andei um pouco até ela, confesso que também estava com medo mas eu era o homem né, precisava tomar uma iniciativa.
— Vamos? – e sorri, ela acenou e caminhou ao meu lado.
Seguimos silenciosos, eu tentava criar coragem pra puxar assunto mas nada de eu conseguir, olhei para a Daggie balançando no meu pescoço, bom, a rua estava bem vazia mesmo então foquei nas nuvens, olhei no visor ótico ,bati uma foto rápida e depois vi pelo visor digital, repeti o processo com uma casa e com uns passarinhos que levantavam voo na minha frente.
- Hm? – olhei pro lado e notei Amanda olhando curiosa pra câmera, tentando ver que fotos eu tirei. – Quer ver?
— Sim. – ela sorriu e olhou para o visor admirada, olha, confesso que mesmo com aqueles óculos bizarros ela tinha um rosto bonito, viramos uma esquina distraídos, vi um pé de manga com uns galhos passando o muro da casa e bati uma foto rápida, quando olhei pro visor digital notei algo diferente.
Uma linda garota tocando a manga no alto, olhar curioso, boca semi aberta, cabelos negros lisos brilhando a luz do sol, incrivelmente linda. Tirei o olho do visor e a vi fugindo de uma senhora com uma vassoura enquanto terminava a manga, ria bobamente seguindo em frente.
Acho que fiquei apaixonado.
- Marcus! – chamou Amanda. – Tudo bem?
— Ah?! Tudo sim, v-vamos, se não vamos nos atrasar. – sorri sem graça.
— Difícil, até porque o colégio ta ali. – apontou pro grande prédio, fiquei um pouco estupefato, realmente é um prédio clichê de filme assim como o uniforme, mas ainda sim era muito legal.
Sorri e juntos passamos pelos arcos de entrada do colégio, entramos numa fila de entrada, demorou um pouco, bom confesso que fiquei bastante empolgado, nunca estudei num local assim, rapidamente entrei na parte interna do colégio, numa parede a esquerda tinha a lista dos alunos e das classes, algo agarrou meu braço e olhei pro lado no susto.
- D-desculpa eu fiquei um pouco perdida. – disse Amanda, fiquei vermelho pela proximidade mas consegui me controlar, entrei na fila do primeiro ano e consegui ver a turma.
— Olha estamos juntos! – sorriu Amanda apontando pro seu nome. – Menos mal.
— Pois é. – sorri pra ela.
— Com licença! – pediu uma garota ruiva com cachos encaracolados, ela era erm...como dizer...muito formosa de corpo talvez, enfim, ela se apoiou nas minhas costas e jogou sua...comissão de frente na minha cabeça.
— Fica parado bonitinho, já to terminando!
— Bonitinho? – fiquei mais vermelho do que eu já tava, se é que possível.
— Ah, achei! Amiga estamos juntas de novo! – exclamou animada saindo das minhas costas, A Amanda estava um pouco assustada do meu lado. – Obrigada bonitinho, toma sua recompensa!
Os segundos seguintes foram um pouco irreais, mas sem delongas....a ruiva me beijou.
- Mari! Para de ficar azarando os novatos! – ouvi chamarem ela, eu fiquei um pouco zonzo pelo repentino beijo, olhei pra trás e vi a garota da foto rindo enquanto a ruiva se aproximava, pronto, acho que eu ia ter um troço.
— Ahhh Nanda deixa de ser chata! – reclamava a “Mari” enquanto se afastava com ela.
— Marcus? Tudo bem?! – perguntou Amanda enquanto eu girava zonzo, encostei na parede tentando respirar.
— Eu acho que sim! – disse um pouco trêmulo. – Foi meu primeiro beijo.
— SAI DA FRENTE!!!! – gritou uma voz masculina escandalosa, olhei pro lado ainda trêmulo,ele saiu empurrando todos que tentavam ver a classe, não consegui ver muita coisa, somente cabelos brancos longos. – NÃO ACREDITO!!!!!
— Você é muito escandaloso Carlos. – disse uma garota de cabelos escuros e uma mecha branca em destaque.
— NÃO FALE ASSIM COMIGO MULHER! – gritou apontando pra ela, a garota se aproximou e deu um tapa nele.
— Ninguém mandou ser repetente. – suspirou puxando ele pelo braço enquanto ele fitava o nada emburrado.
— Aqui é muito louco. – comentei me sentindo um pouco melhor.
— E-eu sei, melhor irmos para a nossa classe. – disse Amanda agarrando a alça da mochila, segui ela já que na bagunça eu sequer vi onde a sala ficava, andamos um pouco e entramos numa sala no primeiro andar, bom tomei um susto ao entrar.
— Olha amiga, o bonitinho é dessa classe, Ih se tem namorada, perdão! – disse a ruiva sentada do lado da garota da foto, as duas estavam nas primeiras carteiras, a sala estava um pouco cheia mas acho que todo mundo acabou nos notando.
— Não somos namorados! – exclamamos em uníssono.
— Sei também. – riu a ruiva se levantando e estendendo a mão. – Sou Mariana, pode me chamar de Mari!
— Ou de grande piranha! – exclamou alguém na porta, olhei, era o garoto albino, ele tinha cabelos brancos longos, pele branca e olhos vermelhos, nossa chegava a ser engraçado e medonho.
— Bom ver você também Carlos, e ai, como é estar na mesma classe? – perguntou em tom de deboche.
— Não enche! – resmungou emburrado, ele me fitou de cima embaixo, rangendo em seguida.
— IH! – exclamei com medo.
— Para de atormentar o novato Carlos. – sorriu a garota da foto. – Relaxa, ele só é assim quando se conhece. — olhou pra mim e sorriu. – Prazer, sou Fernanda, ou Nanda pro resto do pessoal.
— Ou rainha da beleza pra mim.
— Cala a boca Carlos. – disse Mari dando um tapa na testa dele.
— Prazer, sou Marcus e ela Amanda. – cumprimentei, A Amanda deu somente um “ola” quase inaudível.
— Nossa, como eu não te notei. – erm...aparentemente o Carlos estava de joelho na frente da Amanda, como ele fez isso tão rápido eu não sei, ele beijou a mão a dela e disse na sua voz mais galante. – Prazer, sou Carlos, mas também conhecido como “Branco”.
— Ou coelho. – disse Mari segurando o riso.
— ORA SUA! – exclamou ficando cara a cara com ela.
— Fernanda, você esqueceu o dinheiro do lanche. – chamou uma voz na porta.
— AH! – Amanda levou a mão a boca, Carlos fechou a cara e notei que todas as garotas ficaram com o rosto vermelho, olhei pra porta, eu meio que entendi o porque.
— Ah brigadinha Dark. – disse Fernanda pegando o dinheiro da mão do garoto, ele tinha o cabelo repicado para os lados de uma forma bem rebelde preto, olhos castanhos escuros, usava o casaco da escola porém da cor preta em vez de azul escuro dobrados até o ante-braço um bracelete preto com escritos prata em latim e uma tatuagem na mão esquerda , assim não sei se vou ser considerado gay por falar que ele era bonito, acho que vou então a melhor definição pra ele é “pintoso”.
— DARK! Tire suas mãos de minha rainha! – exclamou Carlos.
— Ah, Carlos, eai como é repetir? – perguntou com um sorriso sacana.
— MALDITO! – exclamou irritado, Dark riu um pouco e olhou para mim.
— Olá novatos. – se aproximou e estendeu a mão pra mim. – Dark, Chris Dark prazer — sorriu.
— O prazer é todo meu. – disse Amanda apertando a mão dele na minha frente.
— Whoa, ela é rápida. – comentou Mari se aproximando do Dark e tentando dar um beijo nele, o garoto deu um rápido giro desviando.
— Hoje não Mari. – piscou para ela.
— Chris, por sua gentileza, pode ir para a sua classe. – pediu o professor entrando na classe, Chris fez uma pequena mensura pra ele e saiu da classe, em meio a suspiros femininos. – Todos para seus lugares, vou começar a aula.
Me sentei nas carteiras do meio junto da Amanda, que ainda não tirava o sorriso bobo do rosto, confesso que fiquei com um pouquinho de ciúmes, olhei para a Fernanda, ela estava muito a vontade com o Dark, será que-
— Hey! – chamou uma voz atrás de mim, um garoto loiro de olhos azuis, aparentemente simpático. – Pelo visto sua amiga não para de pensar no Dark assim como as outras.
— Bom, fazer o que. – sorri.
— Bela câmera. – disse apontando pra Daggie. – Tira fotos?
— Sim, sou fotográfo amador. – sorri tentando encerrar o assunto.
— Sou Blaze, prazer. – sorriu me estendendo a mão.
— Prazer, Marcus. – cumprimentei.
— Desculpe interromper a conversa dos dois, mas senhor Marcus, poderia guardar a câmera? – pediu o professor.
— C-claro! – exclamei nervoso guardando a Daggie na mochila, como eu não notei ele ali foi algo bastante estranho, ele falava com a voz arrastada e cansada, como se não aguentasse mais fazer aquilo.
— Muito bem pessoal, sou o professor Moren, darei aula de português pra vocês.
— O Molenga! Vai da lição de casa hoje? – Perguntou Carlos sentado no fundo sozinho.
— Sim, agora que você disse irei, e por acaso, parabéns por repetir de ano senhor Carlos, sua irmã deve estar orgulhosa por lhe ultrapassar.
— GAHHHH MALDITO! – gritou Carlos irritado fazendo a classe rir.
A partir dai a aula foi seguindo normalmente, Blaze ia conversando comigo e com a Amanda de vez em quando, pegamos intimidade rapidamente, estranhamente os outros não entraram na conversa, estranhei, pensei que havíamos começado a nos dar bem.
TRIIIM!!!
— Pararemos aqui, na próxima aula eu vou começar a dar lição de casa. – terminou o professor fechando o livro.
— Mas professor, você não deu hoje? – perguntou um aluno no fundo, ele parou, olhou para o alto confuso.
— Ah é, eu dei...tudo bem, depois eu vejo isso melhor.
— Ver o que Molenga? – perguntou Carlos no fundo.
— .... Liberados! – exclamou o professor, todos se levantaram das carteiras e saíram apressados.
— Hey, Aman-
— Chega ai Marcus, vou te apresentar o resto da turma. – sorriu Blaze jogando o braço em volta do meu pescoço e me puxando pra saída ,olhei pra trás e vi Amanda um pouco perdida, tentei chama-la mas já estava longe.
— Relaxa cara, o pessoal é legal, só não confie na Fernanda e sua turma. – disse Blaze tirando o braço do meu pescoço.
— Hã? Porque? – perguntei.
— Bom, como posso explicar, eles são estranhos, e sempre procuram envergonhar alguém. – disse Blaze com uma cara cansada. – A Fernanda principalmente, sempre em busca de poder no colégio por causa do Dark.
— O Dark? O que tem ele?
— Bom, os dois só andam juntos então. – fiquei um pouco triste com a noticia. – Bom, vou te apresentar ao grupo. – disse se aproximando a uns garotos e garotas. – Galera, esse é o Marcus, é o primeiro dia dele aqui, sejam gentis. – sorriu.
— Eae cara. – todos começaram a me cumprimentar e rapidamente me entrosei com todos, realmente eu estava superando o meu autismo, passei o recreio conversando com os amigos do Blaze e o próprio, não vi Amanda, muito menos Fernanda e o resto do pessoal, bom, com certeza iria encontra-los na sala.
O sinal de retorno tocou, eu caminhava até classe quando um braço impediu minha entrada.
Era Fernanda.
— Marcus, tudo bem? – perguntou.
— Sim, eu estou bem. – disse passando por baixo do braço dela.
— Aceita um conselho? Não fica andando com o Blaze ta ok?
— Porque? Ele é bem divertido.
— Não, ele faz isso com todos os novatos, ele vai te humilhar e tentar te controlar de alguma forma.
— Ele disse que você que faz isso com as pessoas. – Fernanda ia falar porém a boca dela fez uma linha.
— Não é bem isso que eu faço, não, digo, a parte da humilhação é verdadeira mas isso é porque eu sou uma-
— Marcus, Nanda, que bom encontrar vocês. – Blaze sorriu de forma sarcástica, Fernanda olhou irritada pra ele e saiu sem falar. – Hahahaha sempre assim.
E entramos, sentei na carteira mas notei que a Amanda não estava mais do meu lado ,mas sim Blaze, olhei para trás e lá estava ela, sentada do lado do Carlos e rindo de algo que ele falava.
— Pelo visto ela ganhou sua namorada cara.
— Ela não é minha namorada! – exclamei um pouco irritado, olhei de novo pra trás, ela sequer olhava pra mim.
Mais uma vez estavam me deixando.
— Confia em mim cara, eu disse que ela é assim.
E assim seguiu até o fim da aula, como era o primeiro dia fomos liberados mais cedo, vi Amanda sair com o pessoal, tentei segui-la pelo corredor porém mais uma vez, o Blaze entrou na minha frente.
— Eai, vai pra casa agora? – perguntou com a mochila nas costas.
— Bom, pretendo. – ajeitei a mochila e caminhei até a saída.
— Hey, ta afim de ver a uma coisa legal? – perguntou sorrindo, não tive tempo de responder, ele simplesmente pegou meu braço e me puxou pra dentro da escola, alunos direcionando para saída e nós entrando cada vez mais,estranhei , até demais,chegarmos no ginásio fechado do colégio ,estava tudo escuro somente com uma luz no centro, lá estavam diversos alunos rindo e alguns no meio deles de joelhos chorando.
— Hey o que é isso? – perguntei antes de ganhar uma pancada na nuca.
Cai zonzo pra frente, duas pessoas me pegaram pelos braços e me colocaram no lado dos chorosos, amarrando minhas mãos, lá tinha garotas e garotos, uns sete eu acho.
— O... que?! – perguntei tonto, olhei pra frente e vi minha mochila cair na minha frente, Blaze sorriu de forma maligna e levantou ela.
A Daggie.
— NÃO, POR FAVOR NÃO! – gritei desesperado, eles começaram a rir enquanto Blaze ria de braços estendidos.
— Eu disse que traria o melhor novato. – ele se sentou numa cadeira ornamental, daquelas feitas pra formatura. – Então! Apresentem suas oferendas.
— Blaze por favor, faço o que quiser mas não quebra a Daggie!
— Daggie?! Deu um nome a sua câmera. – riu mais uma vez junto de todos. – Patético.
— Você me enganou!!! – disse chorando, mais uma vez, fui enganado e abandonado, todos riam de mim. – Seu...SEU...
— Fale! – sorriu me dando um chute na cara, cai de cara no chão, ganhei outro chute, dessa vez no queixo, cai pra trás, dois alunos me puseram de joelhos novamente enquanto ele ria. – ME CHAME DE MALDITO! ISSO QUE EU SOU. O REI MALDITO!
— Rei Maldito. – disse uma das alunas que chorava se levantando, ela levantou o rosto rindo, era Amanda?! – Devo abrir as portas para você?! – As luzes ligaram fortes, me cegando um pouco, alguém me pegou na correria e me encostou na porta.
— Calma garoto, te peguei! – olhei pra frente, era Dark me desamarrando, ouvi gritaria e pessoas caindo, uma briga generalizada havia começado.
— GATES! MALDITOS. – gritou Blaze irritado.
— VOLTA AQUI MALDITO – Carlos começou a socar diversas pessoas enquanto corria atrás do Blaze, vi Fernanda chutando alguns alunos enquanto Mari resgatava outros, minha mente girava bastante , tentei me levantar
— Isso não acabou. – Blaze empurrou Carlos e veio correndo em minha direção, ele ergueu Daggie rapidamente pulei e a segurei, Blaze a largou e deu soco no meu estomago, cai com tudo no chão.
Crack!
Foi o que eu pude ouvir antes de ficar inconsciente.
— Ow ele ta bem? – perguntou uma voz.
-Será que se eu beija-lo ele acorda?
— Mari, nem pense nisso.
Despertei lentamente, eu estava num local diferente, olhei para a arvore e o cercado pequeno, a parede marfim.
Eu estava na varanda da minha casa.
— Marcus? Tudo bem? – perguntou Amanda segurando meu rosto.
— Não...- sussurrei. – Eu acabei de apanhar de um garoto que achei que era meu amigo.
— Calma Marcus, eu não sabia que ele faria isso, algo tão baixo assim. – disse Fernanda.
— Tsk, eu realmente não sei em quem confiar. – ri enquanto olhava pra baixo.
— Confie em mim, confie na gente, nós somos seus amigos. – disse Fernanda sorrindo pra mim.
— Vocês me salvaram... obrigado. – sorri.
— Agradeça a sua namorada, ela te procurou e quando viu o Blaze te puxando pra outra direção nos chamou. – olhei para a Amanda e sorri.
— Obrigado.
— Não me mate de susto de novo tá. – disse me voz chorosa me abraçando, confesso que fiquei vermelho na hora, Fernanda soltou um “ohh” e entrelaçou seu braço ao do Dark
— Vamos, papai vai ficar uma fera se chegarmos tarde. – disse Dark pra Fernanda.
— Papai? – perguntei curioso.
— È, somos irmãos, acho que fossemos o que? – disse Fernanda
— Ah! Agora entendi.
— Entendeu o que? – perguntou Fernanda.
— Nada. – sorri sem graça, e de certa forma aliviado.
— Ah, já quase ia esquecendo, amanhã é o dia de clubes, caso não tenha nenhum. – Fernanda me deu um broche. – Já sabe qual escolher.
— O NOSSO! – gritou Carlos se afastando com os outros.
— Porque você tem de ser escandaloso? – perguntou Mari a distancia enquanto Carlos gritava algo com ela, Amanda ainda estava do meu lado, olhei para o broche e li em voz alta.
— Gate...
Algo me dizia que aquele ano seria longo.
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