Canções De Apartamento
7 07 - Ponto Cego
Notas iniciais
Ponto Cego
Sexta, 15 de março. Ano anterior.
Ela sorria, e isso era o que mais chamava atenção da roda, dando vida ao cenário em sépia por conta da fumaça e do cheiro de eucalipto. Havia um som que João pensou que vinha de uma gaita, mas bem ao fundo percebia um violino desafinado, e se confundiu na melodia aberta da risada de sua amada.
Como Cecília está linda, ele pensava ao ver que ela, quase bêbada, perambulava de um lado para o outro da casa de Fernando.
– João, você ta babando. – Ana murmurou em seu ouvido e brindou sua cerveja na dele com uma risada.
– É o meu orgulho caindo pela boca. – ele respondeu.
Ana arqueou as sobrancelhas e fitou a amiga na roda de colegas falando cada vez mais alto que o samba que tocava.
– Cara, você apaixonado é doce demais.
Por um rápido instante, abraçaram-se. Cecília viu a cena e caminhou levemente ao encontro dos dois, juntando-se ao abraço. Seu vestido ficou amassado tão rápido que ela soltou uma gargalhada.
– Cecília, vai sentar! – Ana disse e puxou o cabelo da amiga devagar. – Nem o João vai te querer assim alterada!
Em seguida, a moça piscou para o primo.
– É sexta-feira, Ana! – Cecília falou melodiosa na voz. – Tem quem queira!
João mirou a moça por debaixo dos cachos enormes que lhe caíam sobre as sobrancelhas. Suas bochechas estavam rosadas e seus olhos claros fitavam cada canto da sala com um interesse dobrado. Tudo era notado pelo jeito observador do rapaz apaixonado: os movimentos dos braços, as jogadas de quadril, os ombros encolhidos ao redor do pescoço e os cabelos presos jogados de um lado para o outro com pequenos movimentos de cabeça.
Aproximando-se devagar, ele ameaçou segurar seu rosto para beijá-la como tinha passado a noite inteira desejando. Porém, ela deu um passo para trás, mostrando os dentes alegremente.
– Eu quero. – ele sibilou, dando um passo ao encontro dela. – Eu vejo e desejo teu beijo cada dia mais. Como tu faz isso comigo, fraquinha?
Cecília nada respondeu antes de abraçá-lo, fechando os olhos de vez e atacando os seus lábios.
Sexta, 21 de fevereiro. Atualmente.
– "Cabe o meeeeeeeu amor! Cabem três vidas inteiras!" – Ana gritou no microfone.
– Eu vou ma-tar quem deu esse microfone para a Ana! – Cecília resmungou, arrastando a mão no rosto e rindo logo em seguida. Daniel estava com ela e riu igualmente alto.
A casa de Fernando parecia aconchegante como sempre. Era um apartamento enorme, por isso sempre gostava de dar festas. As mais elaboradas, eram por parte da mãe dele, que reunia os músicos amigos e dava ambientações inesperadas ao apartamento. Várias vezes, Cecília perguntou para o rapaz com o que a mãe trabalhava... Às vezes ela era promoter, às vezes trabalhava numa gravadora e às vezes apenas mantinha amizades importantes. Seu próximo passo era política, e para isso contava que Ana e Cecília se formassem rápido.
Desta vez, Fernando reuniu os amigos apenas com sua televisão gigante e microfones para cantarem num karaokê. Ninguém esperava “A Banda Mais Bonita da Cidade” no meio do repertório, mas ele havia a mais nova versão brasileira. Daniel pediu especificamente por aquela versão, pensou que encantaria Cecília, mas não que Ana os deixaria surdos.
Cecília tinha a cabeça em outro mundo. A tarde estava pela metade e o Rio de Janeiro estava quente.
– "O Rio de Janeiro continua lindo!" – outra moça cantava, sonhando que cantava bem.
– O Rio de Janeiro continua quente. – Cecília murmurou, jogando-se no sofá espaçoso.
Ana jogou-se também entre vários risos.
– Ai ai, eu podia passar o resto da tarde torturando vocês! – ela disse e a amiga arqueou as sobrancelhas.
– Ficou louca?! Quer acabar comigo, Ana?! – Cecília riu desta vez e Daniel a acompanhou.
O rapaz aproximou-se de Ana por cima da outra e disse bem devagar e bem baixo:
– Sabe, é permitido ficar. Não tem motivo pra ir embora.
Por sua vez, Ana sorriu docilmente como costumava fazer.
– Não poderei. – ela disse – Vou levar meus primos de Salvador no Largo da Carioca hoje, ver a Colombo, depois passear na Rio Branco e em outros pontos, eles estão perambulando por essa cidade toda e querem ir num bar legal. Vamos no Boemia do Rei mais tarde.
– O Rio de Janeiro continua lindo! – a moça que cantava gritou mais alto e desafinado. Os três amigos tiveram que conter o riso.
– Ta afim de me levar? – Cecília murmurou.
O Largo era até bonzinho, passear na Rio Branco seria tranquilo se não levassem absolutamente nada de valor, mas ir ao Boemia do Rei era algo impagável. Cecília sentiu saudades, pois a última vez em que esteve lá saiu carregada por Ana e outras amigas da faculdade. Como sempre, era fraca para bebida e emoções fortes. Havia uma foto dela, Luís, Carlos, Martha, João e todos os outros amigos recentemente pregada num mural.
Olhou a data e riu: Quatro meses desde o incidente da bebedeira.
– E te carregar outra vez? – Ana fez careta ao falar, mas sorriu em seguida. – Vamos, vai ser legal. Prometo não roubá-la muito tempo de você, Daniel.
Cecília queria fugir, mas lembrou-se do fato que lhe retorcia a espinha: Namorava Daniel há duas semanas.
– Tudo bem, ela finalmente é minha. Não faz mal. – Daniel falou e, por um momento, pareceu ter um ar completamente diferente do que ele sempre teve. Cecília se surpreendeu com aquela fala e aquele olhar distante de quem sabe exatamente o que está querendo dizer e exatamente quem quer atingir. Não durou muito, ele se virou para a moça que cantava e berrou – Tirem a porra do microfone da Sofia! Cara, eu vou aí se ninguém tirar!
O clima tenso que sobrevoou o olhar de Sofia e as palavras dóceis que só Daniel era capaz de usar arrancaram risos abafados das duas amigas.
– Vamos agora. – Ana disse, olhando o relógio em seu pulso. A hora estava errada, e a amiga se divertiu com isso, ela estava louca para fugir. – Temos que encontrá-los na Carioca. Ta de carro?
– Hoje não, amiga...
– Melhor assim, vamos malhar as pernas! – ela se animou e se levantou de imediato. Seus sorrisos estavam cada vez mais brilhante, provavelmente por culpa de um rapaz que a cercava há semanas.
Daniel piscou algumas vezes e fez careta. Não queria que as amigas fossem embora, principalmente Cecília, e ela sabia disso. Já havia passado um ano desde que ela o trocara por João, mas ainda assim ele estava ali. Sentiu-se incomodada várias vezes por ter o rapaz ainda ao seu lado, era algo inevitável.
Não demorou para que as duas moças saíssem do apartamento em meio a despedidas e reclamações dos amigos e companheiros de faculdade. Fugiram como puderam e sem dizer muita coisa, principalmente sem mencionar o que fariam. Haveria alarde e pessoas se convidando para passar a noite na Boemia do Rei com elas.
Correram até o Largo da Carioca e se recostaram rapidamente a um mudo da entrada do metrô. O dia estava nublado e feio, num tom de azul opaco e sem graça. Até mesmo as atrações ambulantes que percorriam o Largo todos os dias estavam em falta... Havia, entretanto, um palhaço gritando de um lado para o outro:
– SEXTA-FEIRA! Amanhã é sábado, depois é domingo, ninguém faz nada... Depois começa tudo outra vez! Segunda, terça, quarta, quinta, sexta-feira!
Uma sexta sem graça e sem cor, pensava Cecília revirando os olhos para o palhaço pintado. Uma buzina alta ecoou peela rua, em seguida outra que apertou o interior de seu corpo, mas não seu coração. Ela viu por um instante um relance que há muito tempo não pensava. Cachos de cabelos pularam rapidamente há metros e metros de distância. Uma música tocou no som do palhaço.
"Roda mundo, roda-gigante. Rodamoinho, roda pião. O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração."
Seus olhos saltaram e seu coração se espremeu no peito! Ela revirou o Largo com a vista e temeu por dentro. Deu alguns passos e se assustou quando Ana segurou sua mão, falando:
– Indo pra onde, Cecília?
Ela não soube falar. Nem mesmo sua atenção se mantinha na amiga quando novamente viu bem de longe o corpo curvado e o andar lento que ele e apenas ele tinha.
Deve ser coisa da minha cabeça, ela pensou, andando na direção daquele que ela imaginava ter visto. Queria vê-lo? Queria encontrá-lo ali? Então parou com a dúvida antes de perdê-lo de vista outra vez. Quais as chances? Seria possível que ele estivesse ali? Não, ele estava longe demais, e ela paranoica demais.
Havia uma estátua humana, um cantor desajeitado, umas senhoras pedindo esmolas e o palhaço que parecia vender flores de papel com seu som que tocava Roda Viva. Cecília correu para o meio da multidão e para o meio desses ícones sem saber o que procurava ao certo: João ou uma ilusão.
"O samba, a viola, a roseira, um dia a fogueira queimou. Foi tudo ilusão passageira que a brisa primeira levou."
O palhaço a parou e entregou uma rosa de papel.
– "No peito a saudade cativa faz força pro tempo parar. Mas eis que chega a roda-viva e carrega a saudade pra lá." — ele cantou junto à música.
– Não, senhor. Eu não quero. – ela falou rapidamente, tentando entregar a flor para ele outra vez.
– Então não chooore, minha menina! – o palhaço gritou com um sorriso e se afastou com passos largos.
Ela se surpreendeu e deixou a boca entreaberta. Não tinha percebido que tinha o rosto choroso, mas ele a viu no meio da multidão. Rapidamente, procurou na bolsinha que carregava alguma nota pequena que pudesse entregar para o palhçao. Procurou por ele no meio da multidão e o viu saltitando bem perto da entrada do metrô. Entregou-lhe a nota que encontrou e pouco depois já esqueceu se havia sido de dois ou cinco reais. O homem não aceitou, mas sorriu novamente.
– Cecília, qual foi? – Ana a cutucou no meio do Largo enquanto seu corpo praticamente dançava no meio dele a procura da ilusão que viu. – Pirou de vez?
– Ana, eu acho que estou vendo coisas. – ela falou, olhando para a flor vermelha em suas mãos.
– A flor? Aquele palhaço me deu uma igual...
Cecília viu a rosa na mão da amiga e olhou em volta novamente, desta vez atentando para várias e várias outras rosas em outros diversos dedos. As pessoas que paravam e tinham flores, olhavam umas para as outras.
Foi então que duas moças de cabelos negros se postaram bem ao centro do Largo da Carioca. Cecília e Ana as viram e não entenderam de início do que se tratava. Outra pessoa bem atrás delas também esticou o braço e mostrou que tinha uma rosa vermelha.
O homem estátua ergueu uma rosa vermelha que se contrastou às suas roupas brancas.
– O palhaço fez um flashmob ou algo assim? – Ana riu ao falar.
Outras pessoas começaram a levantar suas flores, e Cecília e a amiga acompanharam o movimento, observando que ao redor do Largo todas as rosas se multiplicavam.
A música aumentou logo no início. Desta veza música vinha do alto de uma caixa de som, passando com um carro que Cecília não identificou. Nunca gostou de carros.
"A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá"
Um menino loirinho apareceu em meio a multidão de rosas. Ele vestiu uma capa azul e posava com uma espada fina apoiada no chão.
A foto da situação saiu no jornal no dia seguinte e apareceu na televisão várias vezes. Era tudo um projeto de um grupo de estudantes de fotografia, mas que rendeu uma emoção sem igual aos que ergueram rosas, e arrependimento imenso aos que foram embora do Largo com as suas. “O Pequeno Príncipe” virou quadro no quarto de Cecília, que sorria toda vez que lembrava da situação toda... “Giramundo Cão” foi o nome que ela deu e assinou no cantinho da fotografia.
“O que vai ficar na fotografia são os laços invisíveis que havia”, ela pensou e cantarolou nos pensamentos ainda do lado de Ana naquele dia. Então fechou o cenho e percebeu algo que estava tentando se acostumar a perceber: Não havia ninguém para cantarolar com ela aquela música. A ilusão do Largo era provavelmente apenas uma ilusão.
No fundo, talvez ela quisesse mesmo encontrar o moço dos cabelos cacheados e das costas curvadas. Ela queria em seu coração saber que ele poderia aparecer, como ela tinha pesadelos há meses, na sua frente e de surpresa... Ou na Boemia do Rei com um sorriso e duas cervejas, chamando seu nome e seu apelido. Entretanto, ele não apareceria, e Giramundo Cão seria mais uma lembrança sem ele.
– Que cara é essa, Cecília? – Ana perguntou, esquecendo o sorriso no canto do rosto, dissipando a expressão maravilhada para uma expressão mais triste e preocupada.
– É ruim eu estar pensando no seu primo? – Cecília admitiu com grande pesar. Soltou um suspiro e olhou para a flor de papel tão especial que carregava. O mundo girava como na música, em uma ciranda maravilhosa e repleta de cores para enfeitar o Largo – Ele teria adorado isso aqui.
A amiga sorriu e falou:
– Vocês dois iam ficar bestificados! Você sem nada em mente, e ele com você em mente...
– Eu viajei antes disso aqui tudo. Achei que o tinha visto passar bem longe.
Ana arqueou as sobrancelhas.
Naquele dia, teve que dizer a verdade que há semanas tentava evitar dizer. Ana teve que falar porque não falou quando soube. Teve que falar porque não falou quando Cecília beijou Daniel pela primeira vez. Teve que falar porque não falou quando o dia certo chegou. Teve que falar porque não falou antes, não era justo com a amiga alimentar a ilusão. Então falou e viu a melhor amiga tremer as bases em plena Av. Rio Branco.
Já era quase carnaval, ela tinha que saber de um jeito ou de outro. Melhor antes do que no dia em que se encontraram por surpresa e por acaso.
Sexta, 28 de fevereiro.
O Boemia do Rei brilhava naquela sexta-feira. Não brilhava mais, infelizmente, que o olhar curioso e suspeito de Cecília ao virar e revirar a porta da entrada sem saber ao certo se ele entraria por ela ou não. Tremeu as bases e se retorceu no interior.
– Minha bela, sentimos sua falta! – Luís brincou, sentando-se ao lado dela e de Ana. – Ana me ligou semana passada para confirmar se estaríamos todos aqui! Eu esperava que você pelo menos desse uma bronca nessa menina!
Cecília riu, passando o olhar sereno e manso para ele. Todos estavam ali assim como no ano anterior. Carlos e Martha sorriam com as roupas verdes e a bandeira da Mangueira. Os sambistas se animavam. O garçom trazia mais e mais cervejas enquanto tocavam marchinhas no fundo e o desfile não começava.
Ela sorriu maravilhada com aqueles brilhos que só o Boemia do Rei tinha.
– Senti falta disso aqui. Faltou só a chuva maravilhosa!
– Chuva maravilhosa? Ficou louca?! – Martha reclamou ao lado dela – Menina, se chovesse esse ano outra vez no desfile da Mangueira, eu iria te culpar.
– Ano passado foi Vila Isabel! – Ana se divertiu, tomando um gole da própria cerveja – Esse ano é Tijuca! Unidos da Tijuca!
– Gente, eu não consigo ainda escolher uma escola para torcer! – Cecília falou com uma risada. Era a única ali que não tinha escolhido uma escola para torcer com o corpo, com o coração e com a alma.
Luís riu e disse pertinho dela:
– Sabe, a maior parte das pessoas escolhe a dedo. Você também pode escolher! Eu nasci para vibrar pela Grande Rio, moça!
Grande Rio, Mangueira, Beija Flor, Unidos da Tijuca, Vila Isabel...
Cecília se embalou ao pensar numa música dos Tribalistas que sempre a encantou: Carnavália.
“Vem pra minha ala que hoje a nossa escola vai desfilar. Vem fazer história que hoje é dia de glória nesse lugar.”
A música carregava sua mente para longe como as músicas sempre faziam. Seus olhos estavam perdidos, mas isso ninguém percebia por conta de outras distrações. O vento bateu mais frio que de costume e ela se arrepiou debaixo do vestido leve que usava, bem diferente das saias longas e das roupas alternativas. Os cabelos castanhos e armados de cachos voaram por consequência, mas seu sorriso se embalou e não se soltou do rosto. Até que a música de fundo do bar mudou e ela reconheceu:
“Vem moreninha, vem tentação...”
– “Não andas assim tão sozinha, que uma andorinha não faz verão.” – uma voz rouca cantou bem próxima ao ouvido de Cecília, que se virou e quase chocou o rosto à barriga do único rapaz capaz de fazê-la estremecer com a voz romântica e encantadora. – Boa noite a todos!
Ele veio no seu ponto cego, no momento em que estava distraída e na música que lhe deixava sempre alegre.
– João! – Luís foi o primeiro a gritar, levantando-se de imediato.
O olhar de Cecília subiu da barriga do rapaz ao seu rosto, observando que estava mais magro e tinha deixado crescer a barba. Como no dia do aniversário dela, ele estava arrumado com os cabelos embaraçados debaixo de um chapéu. Ela sorriu bem devagar, mas não mostrou os dentes nem exaltou alegria ao vê-lo. O jovem não a cumprimentou antes de todos os outros.
Ana levantou e o abraçou, berrando:
– Não acredito que veio! Devia ter me ligado!
Devia mesmo, assim evitaria o constrangimento de encontrar Cecília despreparada para aquilo. Ou pelo menos, ela se prepararia mais apropriadamente.
– João, meu jovem! Finalmente de volta! – Carlos falou, erguendo a cerveja. – Diga a ele, Martha, como sentimos sua falta!
– É muito bom vê-lo por aqui, João! – Martha disse, sorrindo.
– João, faz um bom tempo que não tenho notícias suas. – o outro sambista falou.
Cecília mordeu o lábio inferior antes de olhar novamente para ele. Todos falavam seu nome como flechas que a atravessavam. Fitou o rosto dele outra vez e percebeu seu sorriso animado ao cumprimentar todos, mas não escutou sua voz até que jogasse seus olhos escuros para ela e falasse ainda mais bonito e mais gentil:
– Cecília! Há quanto tempo não a vejo?
Ela sorriu acanhada.
– Muito tempo mesmo, João. Muito tempo...
Mas será que foi tempo o suficiente, ela pensou antes de receber um beijo carinhoso que apenas ele sabia beijar nas bochechas. Sentiu o perfume em seu corpo e fechou os olhos, imaginando se era o mesmo... Não se lembrava do seu cheiro depois daqueles meses todos.
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