Canção do Infinito

18 Desistência/ Perfeitamente imperfeito/ Palavras/ Espelho Partido


Desistência

Dói

Dói demais

Ser presa a essa limitação

Me sentir tão incapaz

O corpo se deteriora e a mente acompanha

E o que faz alguém

Cujo único atributo esteve na mente, desde a infância?

Até disso começo a duvidar

Se não passou de pura arrogância

Onde nada há, como é possível julgar?

Olhando pelas frestas

Na esperança vã de tentar entender

Tentando e falhando até desistir

Perfeitamente imperfeito

Medo de me apaixonar

Incapaz de confiar

Evitando chegar perto demais das chamas

Por medo de me queimar

Covarde

Maldita covardia que escraviza

Incertezas e feridas

Que a mão do tempo não cicatriza

Parada na beira desse abismo

Cercada pelo desconhecido

Tentando desesperadamente ver o que há lá embaixo

Antes de arriscar esse salto

Medo demais de saltar

E encontrar apenas o vazio

Medo demais de estar errada

De atingir o fundo sem mais nada

Já estou rachada, é verdade

Sou produto com defeito

Mas, afinal, quem disse que nossas rachaduras

Não são exatamente o que nos fazem perfeitos?

Palavras

As palavras me provocam

Atormentam e assombram

Surgem como espectros, me deixam ponderando

Por que elas me escolhem?

Palavras

Minha maldição, meu guia

Caminho e refúgio

A força mais poderosa do mundo

Elas me encontram e mostram o caminho de volta

Sempre que me perco

Quando a vida se torna insuportável

E penso que não vou aguentar nem mais um dia

Elas me encontram, me fortalecem

Me mostram a luz quando as respostas certas desaparecem

Me embalam e consolam em sua poesia

Com as palavras sou forte

E fraca ao mesmo tempo

Guia, arma, escudo

Meu porto seguro

As palavras são a única coisa que faz valer a pena

O caos desse mundo.

Espelho partido

Sorriso de vidro

Pintado, falso e frágil

Um mera atuação

Refletida para sempre nesse espelho partido.