Notas iniciais
Capítulo novo com mais um pouco de Willian, para delírio das moçoilas XD

Boa leitura!

Willian

– Como está o pé? — Pergunto e me sento ao seu lado. Sinto calor irradiar de seu corpo. Estranho. Só impressão, provavelmente o calor vem de mim e minha imaginação fértil ao ver Nora acariciar seu animal de estimação...

– Dormente.

– É melhor que sentir dor, não?

Ela sorri. Parece incrivelmente doce em comparação a peste que entrou na van comigo, mais cedo.

– Mas vai deixar marcas. Nunca pensei que seria mordida por um tubarão logo na primeira expedição e sem nem ao menos entrar na água. Isso é realmente um azar desgraçado.

– Ou uma puta sorte. — Ela me olha incrédula – Você foi mordida por um tubarão e já está andando. Quando eu fui mordido, fiquei internado por quase um mês.

Ela arregala os olhos.

– Você? Me conta.

– Eu mesmo. Decimo mergulho. Ainda na faculdade. — Busco na memória aquele dia. — Eu era assistente de George...

– George o encrenqueiro?

– Encrenqueiro?

– Continua. — Ela abana a mão, para que eu deixe para lá.

– Ok... bem, eu era assistente de George, sim o que está em baixo. E era tão cheio de mim. Lembro que ele disse, não chegue perto dos tubarões, é época de acasalamento, estão irritados. Mas tinha uma garota – Isso soava tão estupido hoje – ela estava mergulhando pela primeira vez e eu quis impressioná-la. — Seus olhos verdes estão grandes em expectativa. O seu óculos haviam se perdido quando ela caiu no mar. Não sei quanto ao grau que ela usava e quão incomodo era ficar sem, mas eu preferia mil vezes assim e até estava feliz por sua perda – Então fui para perto dos tubarões, tentei acariciar um deles e outro veio e me mordeu, me arrastou vários metros com seus dentes perfurando minha carne.

– Eu quero ver isso.

Pisco confuso.

– Um tubarão me mordendo?

Ela ri com gosto e o gato, assustador, se assusta e pula para o chão, se entrelaçando em suas pernas. Ela geme de dor quando ele passa pelo calcanhar machucado. Então ele se aquieta e ela volta a atenção para mim.

– Quero dizer a cicatriz.

– Não acho que seja apropriado...

– Qual é... — Parece criança pedindo doce – Você contou a história, é crueldade não mostrar o resultado.

Rio com sua reação e fico em pé. Puxo minha camiseta, desnudando meu peito e costas. Fico de lado para que ela veja. As cicatrizes na barriga não são tão visíveis, as mais fortes estão nas costas.

Me arrepio quando ela toca. Quase me contraio pelo calor que passa pela minha pele. Permaneço firme, enquanto ela passeia o dedo pelas marcas da costa e depois vem para a barriga. Me viro de frente, para que ela tenha uma melhor visão. Seus dedos passam pela minha pele, me causando tantas coisas. Péssima ideia mostrar a ela. Péssima ideia ficar de frente para ela. Se ainda não percebeu, vai perceber a qualquer momento o quão feliz estou com seu toque.

– Oh... — Ela deixa escapar e vejo que não olha mais para minha barriga. Olha um pouco a baixo.

Me afasto e coloco minha camiseta no lugar.

– Desculpe.

O ambiente é constrangedor. Muito constrangedor. Não são muitas coisas que me deixam dessa forma.

– Você... — Ela está corada, desvia o olhar quando nossos olhos se encontram. — Queria me dizer alguma coisa, certo?

– É.

Me sento na cama, longe dela dessa vez.

– O acidente... será que você viu algo fora do normal?

Ela vira a cabeça pra me olhar.

– Você viu algo? — Ela me pergunta.

– Vi você. Só isso. — Eu digo, mas acho que pareço ridículo. Mas fato é, eu vi apenas ela. Grudei meus olhos em sua forma se perdendo para longe de mim e não notei mais nada. Se ela tivesse morrido ali, os dois anos de trabalho duro teriam sido jogados fora. Provavelmente haveria cancelamento e cortes no que diz respeito a todo esse estudo que lidero.

– Eu não vi nada demais. — Ela não parece tão certa.

– Tem certeza disso?

Ela sorri.

– Acha que uma sereia me mordeu, Dr?

Aí está o ceticismo que a caracteriza desde o primeiro momento.

– Não, acho que um tubarão bebe te mordeu. Se fosse um adulto você teria ficado sem pé.

– Bem, acho que foi isso mesmo, um bebe tubarão. Não consegui ver muito sabe, eu estava me afogando... e com dor.

– Eu precisava perguntar.

Ela concorda.

– Será que você deseja sair da ilha, depois desse acidente?

Ela faz careta, como fez a Lancey antes.

– De jeito nenhum. É preciso mais que eu bebe tubarão para me afastar daqui.

Aceno em concordância. É uma garota forte, aparentemente.

Baixo meu olhar e me deparo com os olhos laranjados do gato. Ele me encara. É meio... demoníaco?

– Vou descer agora. — Aviso. — Você quer ajuda com as escadas?

Ela nega.

– Vou ficar aqui mesmo, estou cansada.

– Ta... mando... — O constrangimento continua no ar – Alguém subir com algo pra você comer.

Termino de dizer e saio do quarto.

O que foi isso? Pareço até um adolescente sem controle. Vê-la acariciando a cabeça do gato me deixou todo acesso e depois... que droga.

Respiro fundo e volto para o cômodo de baixo. Estão todos na sala de jantar e o cheiro é ótimo.

– Cadê Nora? — O garoto intrometido, Lancey, pergunta.

– Ela preferiu ficar acariciando a cabeça. — Ele me olha assustado e me dou conta do que disse – Do gato. A cabeça do gato.

Ele parece bravo agora.

– Olha, leve algo pra ela comer, ok?

Me afasto do garoto e me sento ao lado de George, em frente a Steve.

– Más noticias. — George anuncia.

– O que há agora? — Olho em volta procurando Megan, ela está com Kall na ponta da mesa. Pelo menos não tem ninguém desaparecido por hoje.

– Os rádios já eram. — Gideon aparece e senta ao lado de Steve. — Parece que foi uma sobrecarga, sei lá. Nossos rádios morreram assim que pisamos na ilha, e o seu – Ele olha para Steve – Parece sofrer do mesmo mal. Há anos.

Meu velho amigo cora.

– Bem, não uso o rádio. Tenho meu barco, e mesmo ele, quase não uso. Há um barco que deixa alimentos e outras coisas uma vez ao mês. Não é como se eu precisasse me comunicar com outros.

– Celulares? — Pergunto.

– Perderam o sinal depois de um 1km do porto.

– Então – Minha cabeça começa a doer. Talvez essa expedição tenha sido a maior furada da minha vida – Estamos ilhados até que o barco venha nos buscar, daqui duas semanas?

– A menos que o barco do amigo aqui – Gideon bate no ombro de Steve – Funcione. Mas ele não me parece que vá aguentar uma viagem até a costa.

– Steve – Meu cérebro começa a criar ramificações sobre o caso todo e cada uma delas tem um resultado pior que a outra. — Quando viu as tais mulheres na ilha e como sabe dos desaparecimentos em ilhas próximas?

Meu amigo leva a mão ao queixo.

– Um pouco mais de um mês eu as vi andando pela praia. E as noticias... o navio que trás mantimentos. Eles estiveram aqui na semana passada.

– Viu as mulheres novamente?

– Não.

Isso não estava bom.

– É possível – Tento formular a pergunta de uma forma não acusatória – que essas mulheres tenham sumido e você, apenas, não tenha ouvido sobre isso? — Ele apenas me estuda. — Não há rádios, não há celular... como você iria saber sobre isso? — Pergunto.

– Conheço todos os moradores. Se algo assim houvesse acontecido, eu saberia.

– Conhecia as mulheres? — Insisto em outro ramo de ideias.

– Nunca as vi antes.

– Então é possível que ninguém mais as conheça, também. Logo, se elas sumiram, quem sentiu falta?

Ele suspira.

– É possível que tenham sumido bem debaixo do meu nariz, sim, e eu não tenha percebido. — Ele finalmente admite.

Notas finais
Bj bjs ♥