Canção da Sereia

22 Sentimentos - RS


Notas iniciais
Gostaria de indicar a fic de uma das leitoras. Ele começou agora e eu já peguei um carinho imenso pela escrita dela e a história http://fanfiction.com.br/historia/422968/Sweet_Dreams Sem mais delongas, boa leitura suas lindas e lindo ♥

Nora

Me sinto destruída. Quando vemos filmes de terror, tipo o exorcista, nunca imaginamos que aquele tipo de coisa pode nos acontecer. Até que acontece.

Como eu estou? Até muito calma, levando em conta que fui possuída duas vezes por alguma entidade, ou algumas, quase matei meu pior amigo e quebrei algumas costelas do meu ficante... estou realmente bem. Calma e serena. Exceto que ainda posso ouvir as vozes sussurrando em meu ouvido quando estou em silêncio.

Os ossos que Lancey trouxe foram o achado da expedição. Ninguém saiu da casa pela manhã. Steve mantem o tal de Mellow no andar de cima sedado pelos remédios que Mason trouxe. O que me faz questionar a real intenção dessa expedição. Para um médico que acompanha uma equipe em um uma expedição de estudos, ele tem uma quantidade considerável de sedativo na mala. Tipo, muito mesmo. E dos mais variados. Juro que vi algo para apagar cavalos no meio. O que me faz questionar outra coisa. O que ele pretende apagar? Uma baleia talvez? Algo maior? Ou talvez, apenas, mais forte...

Agora são 9 da manhã. Estamos acordados desde as 4. George e Willian estão animados com a nova descoberta. Lancey está preocupado com a euforia deles, ele aposta que seremos arrastados de volta para a caverna.

Megan fica o tempo todo junto a mim. As vezes parece assustada, outras apenas animada como se nada houvesse acontecido. Gideon finalmente se dá por vencido e deita, exausto, no sofá.

Tudo parece diferente. Confuso. Mas talvez não seja os outros, seja eu. Eu estou diferente, só não consigo saber exatamente como.

– Vamos ir a tal caverna. — George anuncia ao entrar na sala.

Megan me arrumou um roupão durante a manhã. Eu o fecho mais na presença dos rapazes. De repente me sinto desconfortável na presença deles.

Lancey me olha irritado. Claro que eles querem ir até lá. O resto do que George chama de a descoberta do século está naquela caverna. Junto com o que tenha me possuído.

– Não me lembro como chega lá. — Lancey anuncia. — O mar estava agitado. Fomos jogados lá. Depois que conseguimos voltar para a mata, andamos muito até encontrar a vila. Não faço a menor ideia de como chegar. Me desculpe. — Ele diz a ultima parte realmente triste, quase acredito nele.

A face de George fica vermelha de irritação.

– Essa expedição pertence a Willian – O velho diz – Tudo que for encontrado terá o nome dele. Será a descoberta dele. Então não adianta tentar nos passar pra trás rapaz. Isso já é dele.

– Eu tenho plena consciência disso. — O tom de Lancey é desgostoso da vida. Ele está chateado.

– Nora, pode nos levar até lá? — Willian se aproxima de mim. Ele coloca as mãos sobre meu ombro. É quase palpável o meu desconforto em mentir para ele. Mas, eu não posso voltar para aquela caverna. Não assim. A impressão que eu tenho é de que não haverá volta nesse momento, caso eu decida ir.

– Não me lembro, Willian. Foi tudo muito confuso.

Ele suspira.

– Está tudo bem. — Ele me abraça.

Acho que tudo que aconteceu foi demais pra ele. De repetente ele passou a me tocar abertamente, como se fossemos um casal. Isso me assusta muito.

Estar com ele é... mágico. Meu corpo sabe quando ele se aproxima, sabe exatamente quando vai ser tocado. Mas minha mente não sabe se quer isso. Embora, eu suspeite que toda essa aproximação descarada seja por medo de não sair dessa ilha com vida. E então, se for apenas dessa forma, talvez eu possa aceitar.

– O que está pensando? — Megan me pergunta quando ficamos a sós na sala.

– Que gostaria de sair desse lugar com vida e tendo o controle do meu corpo.

Me lembro de quando ataquei Willian e Lancey. Eu estava consciente, mas não podia me controlar.

– Tudo vai ficar bem Nora. Talvez possamos sair e procurar algumas respostas.

Sair? Nós duas? Isso sim é estranho. E pensando nisso... Megan nunca teve qualquer problema com essa tal criatura. Será que é algum tipo de punição divina, por isso só eu estou sendo castigada?

– Não acho uma boa ideia depois dos acontecimentos de ontem.

Passos vindos da cozinha nos chamam atenção.

– Se mudar de ideia, não deixe de me falar.

Megan deixa o assunto morrer assim que Kall e Lancey entram na sala. Kall a toma nos braços. Eles sorriem de forma muito amável um para o outro. Um dia eu sorri assim para Drew e ele para mim. Mas era mentira. Tudo não passava de uma farsa. Nunca fui amada.

Um braço passa sobre meus ombros e me puxa para perto do corpo quente. É Lancey.

Ele me leva escadas acima. Me conduz para o quarto que ele dormiu na primeira noite.

O quarto é parecido com o que eu deveria ter ficado, o que troquei com Willian.

Uma cama de casal, um guarda roupa, cômoda, criado mudo. Lancey fecha a porta e me empurra pra sentar na cama, depois ajoelha a minha frente. Seu rosto fica na mesma altura que o meu.

– Eu não vou dizer. Não vou levá-los lá. — Não esperava que ele levasse de qualquer forma. Mas ele me dizendo isso pessoalmente, me mostrando que estou acima de uma descoberta cientifica... isso me deixa confusa. E feliz. Lancey é família e se eu não puder confiar nele, em quem poderei?– Sei que é errado. — Ele continua — Viemos aqui atrás disso. Mas nós estivemos lá Nora e aquele lugar não é bom. Algo muito ruim vive naquele lugar e certamente que alguma coisa bem terrível aconteceu naquela caverna.

Ele tinha razão sobre isso. Eu não sei o que houve, mas as vozes... elas choravam o tempo todo quando eu estava lá dentro.

Meu relacionamento com Lancey nunca foi dos melhores, no entanto, sempre foi o único amigo que eu realmente tive. Sua atitude nesse momento era exatamente o que eu esperava dele.

– Talvez se você só for com eles... — Eu não queria voltar e nem que eles fossem até lá. Mas me sentia curiosa sobre o que mais poderia haver naquele lugar. Embora a sensação ruim rondasse essa ideia de ir a caverna.

– Não estou apostando na sorte. — Ele diz sério – Nós estivemos lá e deu merda. Não vou levá-los lá e tão pouco deixá-la ir pra aquele lugar de novo.

Eu concordo com ele. Ele só quer me ajudar. Ele sempre faz isso. Me ajuda. Só não entendo o porquê.

– Obrigada. — Agradeço a ele e sou surpreendida por seus braços rodeando o meu corpo em um abraço. Isso me pega desprevenida.

Lancey não me toca com frequência, mas quando o faz, eu gosto. Me sinto segura de alguma forma. O que me irrita tremendamente. Eu não quero sentir essas coisas nunca mais, porque quanto mais conforto, quanto mais confiança, maior é a queda quando eles se voltam contra. Como Andrew.

Estar com um cara, senti-lo me tocar, ir até a terceira base. São coisas naturais. Parte do que meu corpo necessita para estar saudável. Eu recebo, dou e fim. Sem laços, sem sentimentos conflitantes dentro de mim. Eu basicamente sou uma vadia. Mas quando Lancey me toca... é diferente. É assustador. Há laços entre nós, ele tem estado comigo por todo o tempo em que estive lutando para superar Andew. E... eu não quero sentir isso. Não quero sentir qualquer coisa que dure mais que uma noite, isso me assusta.

Eu o empurro. Ele fica em pé e senta ao meu lado.

– Vamos sair dessa, demônio da tasmânia. — Ele diz sorrindo – Se não sairmos, nem o inferno será o bastante para me esconder da irá de Daniel.

– Você é um covarde, tem medo de um velho.

Assim é melhor. Limites marcados. Apenas amigos. Com isso eu posso lidar.

Me levanto. Ele faz o mesmo.

– Vamos voltar lá pra baixo. — Ele abre a porta e vai para o corredor.

– Vou tomar banho, já que estou aqui em cima.

– Ta, vou achar o Sardinha e alimentá-lo. Então volto te buscar no quarto.

Exagerado? Muito. Mas pelo menos ele me dará liberdade para estar sozinha no quarto. Coisa que Willian, tenho certeza, não faria.

– Me dê uma hora. — Digo a ele que começa a rir.

– E aposto que esse é tipo, banho rápido.

– Eu fui possuída, levei um tiro, fui possuída de novo e fui acordada no meio da noite. Um banho de uma hora é o minimo que eu posso pedir, não?

Ele ri e se aproxima de novo. Beija minha testa. Isso é perto demais.

Ele se afasta e vai para o meu quarto. Olha o banheiro, o cômodo todo e então saí do quarto.

– Limpo – Ele diz na porta. — Nos vemos em uma hora, madame.

E sorrindo, ele me deixa. Eu entro no quarto, não encontro minhas malas, apenas as de Willian. Saio do cômodo e vou para o quarto que era meu antes. Pego minha mala e arrasto. No caminho eu a deixo cair, quando dou de cara com o tal de Mellow. Está sozinho. Me estuda. O braço dele está enfaixado, sobre uma tipoia.

– Você está bem? — Ele me pergunta. Nem parece o mesmo pirado de antes. Me encara fixamente.

Eu apenas aceno concordando. Não sei qual é a intenção dele, mas seja qual for, não parece das melhores.

– Hey. — É a voz de Willian. Vem de trás de mim. — Se afaste dela, Mellow. Agora.

O homem velho se afasta e sorri. Então ele dá de costas e volta pra um quarto no fim do corredor. Sinto aquela onda de eletricidade passar por mim quando Willian se aproxima por trás e segura minha cintura.

– Por que está sozinha?

Solto a mala e me viro para ele.

– Lancey me deu um tempo para tomar banho.

Ele sorri. Está sem camisa ainda, com o peito enfaixado. Eu fiz isso a ele.

– Sinto mui... — Começo a pedir desculpa mas sou interrompida por sua boca faminta tomando a minha.

Willian me pressiona na parede entre as portas de nossos quartos. Eu o empurro. Acho que já fiz muito por ele e seu corpo. Duas costelas quebradas, Mason disse. Ele mal pode ficar com as costas retas, no entanto, está aqui agora. Me beijando, me convidando a ir além disso com suas mãos que estudam meu corpo. Eu o empurro de novo. Dessa vez ele afasta.

Pega minha mala com dificuldade e entra no quarto. Ele está sorrindo. Espera eu entrar e fecha a porta. Tranca.

– É melhor você voltar lá pra baixo... — Eu digo insegura comigo mesma. Não me sinto dona de mim com esses sussurros ao meu ouvido. Essas milhares de vozes malditas que parecem o vento, mas que eu sei que não é.

– Estou machucado. — Claro que ele está... e por minha culpa. — Mason me mandou repousar. Você também está ferida. — Ele sorri e toca na bandagem do meu ombro.

Ainda não vi a extensão do ferimento, mas imagino que ele já tenha sarado. Não sinto dor nenhuma.

– Pensei que... tinha perdido você. — Ele senta na cama e me estuda em pé perto da porta. Sua mão é esticada em minha direção. Eu me dou por vencida. Eu quero que ele me toque. Quero esquecer tudo que aconteceu. Preciso esquecer.

Aceito sua mão e sou puxada pra cama. Ele tomba para trás comigo em cima dele. Sei que isso lhe causou dor. Ele fecha os olhos e respira com dificuldade por um momento. Então abre os olhos e sorri. Suas mãos seguram meu rosto com cuidado e ele me beija. Meu corpo está todo animado com a eletricidade que passa através de nós. O beijo se torna mais necessitado. Quente. Nossas línguas se encontram e posso sentir a dureza entre as pernas dele. Desse jeito é muito fácil se perder nele e esquecer o resto. Até mesmo as vozes parecem sumir quando estou com ele.

Notas finais
Ai gente, eu acho que Nora e Lancey tem muito mais incomum do que eles imaginam. Será que alguém entende sobre o que estou falando? XD E essa atração explosiva que Nora e Willian sentem? Será algo natural? E Megan gente? Qual será a da garota? Bj bjs ♥