Canção Da Morte
6 Capítulo 6 - Contra o pânico e o medo
Aquiles não acreditava no que tinha acontecido. Dois deuses irmãos haviam surgido depois de acabada a luta contra os soldados do deus da Guerra, ambos tinham um poder que podia ser sentido a quilômetros de distância. Fobos e Deimos pairavam a vários metros acima deles, como dois reis soberanos. Dois imperadores que exigiam submissão de seus inferiores. Obviamente, nenhum dos cavaleiros de Atena iria se submeter a qualquer um deles.
- Acham mesmo que nós vamos nos render diante de vocês? – Hikaru foi o primeiro a se manifestar.
- Não achamos, humano. Temos absoluta certeza. Se não se renderem a nós de um meio, o farão de outro. – Fobos respondeu.
- Preferimos morrer! – Maximus exclamou.
- Então que assim seja. – Deimos disse.
- Não podem nos derrotar! Vejam o que fizemos ao seu exército vermelho. – Ichiro alertou os deuses irmãos.
- Ah, refere-se a isso? – falou Deimos apontando para as armaduras de cor rubra espalhadas pelo chão. – Vocês teriam certa vantagem, mas agora que nos aliamos ao Imperador Hades, a morte é nossa aliada.
O deus do pânico levantou um de seus braços e como se por mágica as armaduras começaram a se remontar. Voaram por todo lugar indo ao encontro de suas respectivas partes. Em poucos instantes aqueles exército estava novamente de pé, preparado para batalha, porém ao invés de homens, as armaduras eram vestidas por esqueletos. Embora não possuíssem mais músculos, sua vitalidade não parecia abalada.
Fobos deu a ordem e os soldados partiram para o ataque, correndo mais rápido e com uma força maior do que quando estavam vivos. Os cavaleiros atacaram-nos com a mesma intensidade que tinham usado antes, seus golpes poderosos quebravam tanto os esqueletos quanto as armaduras, mas logo que caíam no chão eles se remontavam e começavam a lutar de novo. Mesmo sendo congelados por Magnus e Cleon, eles se libertavam de suas prisões geladas e continuavam. Dante tentou queimá-los, mas até as cinzas uniam-se para trazer os guerreiros rubros de volta ao campo de batalha. Por mais que os cavaleiros se esforçassem não podiam derrotar esse novo exército que estavam enfrentando.
Hikaru não aceitava aquela situação. Não podia acreditar que existia um inimigo que não podia derrotar. Estava tentando procurar uma solução para vencer aqueles soldados imortais. Ryu, por outro lado, estava parado observando os deuses que flutuavam no ar. Percebeu que toda vez que um guerreiro morria, uma luz brilhava na mão de Deimos e logo em seguida o soldado abatido, ressuscitava.
- Aquiles! – gritou para o amigo que atravessava um guerreiro com a ponta afiada de sua corrente de Andrômeda.
- Eu já vi! – Aquiles percebeu sobre o que seu companheiro queria falar.
- Precisamos de uma estratégia! Pense! E rápido! – Ryu exigiu de Aquiles.
- Temos que derrotar os deuses! Assim poderemos matar os soldados permanentemente. – Aquiles avisou.
Ouvindo isso Hikaru voltou sua atenção para os líderes do Exército Rubro, pediu que Maximus o lançasse para o alto e em segundos estava voando em direção a Fobos, com sua mão já brilhando, preparava um Relâmpago de Plasma para atingir seu inimigo, mas o deus do medo pressentiu seus movimentos e desapareceu de sua rota de colisão e surgindo metros acima de onde estava.
- Você parece corajoso, humano. Vamos ver até onde essa coragem vai. – Fobos disse a seu jovem inimigo.
Uma fenda se abriu na frente do Cavaleiro de Leão, após um simples movimento da mão de Fobos, Hikaru não pode desviar e acabou caindo nela. Revoltados por verem seu amigo desaparecer, os cavaleiros de ouro preparam-se para atacarem o deus do medo juntos, mas não tiveram sucesso, porque foram bombardeados por uma sombra negra lançada por Fobos que envolveu todos os guerreiros dourados.
- Vamos vero que vocês temem. – Fobos desafiou os guerreiros dourados, enquanto entrava pela fenda em que Hikaru havia caído.
Os cavaleiros de bronze podiam ouvir os gritos de dor de seus mestres e amigos, enquanto os mesmos eram envolvidos por uma densa nuvem negra que não permitia nem que a luz a atravessasse.
Dante já não estava aceitando mais aquilo, ele era o único ali que não tinha armadura, queria mostrar que mesmo assim era poderoso o suficiente para entrar numa batalha e sair vitorioso. Sua atenção ainda estava voltada para Deimos que parecia ter o poder de ressuscitar os soldados mortos pelos cavaleiros.
- Temos que derrotar o Deimos! Precisamos atacá-lo! – ele gritou para os amigos.
- E você tem alguma ideia de como fazer isso, gênio? – Ryu perguntou para o jovem guerreiro sem mestre.
- Tenho sim. Mas vou precisar de uma carona. – Dante afirmou.
Ryu entendeu a mensagem, seu companheiro não podia chegar até onde o deus do pânico estava, era uma distância realmente grande na vertical e nenhum deles tinha poder para voar até lá. Ryu preparou seu golpe, levou a mão direita para trás, enquanto Dante corria, passando por ele, socou o ar e um grito forte pôde ser ouvido.
- Cólera do Dragão! – ele gritou e imediatamente um dragão de pura energia começava a passear pelo lugar.
Dante conseguiu alcançá-lo na corrida, emparelhando com o dragão, logo suas mãos e pés ficaram em chamas e num movimento rápido, ele pulou sobre o bicho, segurando em sua cabeça com as mãos em chamas.
Enquanto o animal voava, Dante foi levantando sua cabeça, forçando o dragão a subir cada vez mais e mais, até que ele chegou numa altura superior a de Deimos, do alto de seu meio de transporte improvisado, ele viu todo o cenário de devastação da Vila Rodório. Inclinou a cabeça do dragão para baixo, na direção do deus e começou a descer, em dado momento ele soltou o dragão que continuava a descer, mas enquanto se afastava do mesmo ele o incendiou, transformando-o assim em um dragão de fogo que rumava direto para Deimos.
O deus não pareceu se abalar com o golpe de Dante, porque rapidamente ele criou um campo de força forte o suficiente para impedir a passagem do dragão flamejante. Mas não parou o rapaz que ainda caía sobre ele, Deimos também estava preparado para isso. Dante mantinha o fogo em suas mãos, mesmo assim não conseguiu ferir seu inimigo, que o segurou pelo pescoço com apenas uma das mãos. Uma esfera de energia negra começou a se formar em torno de ambos, ficando cada vez mais maciça.
- Mais um para pôr a prova. – Disse Deimos enquanto desaparecia com Dante, no interior da esfera negra, ainda apertando o pescoço de seu inimigo.
- Dante! Fuja! – Cleon gritou. Infelizmente era tarde demais.
Os cavaleiros de ouro estavam presos numa espécie de nuvem que os torturava, Íllias havia desaparecido, Hikaru fora mandado para algum lugar totalmente desconhecido, Dante acabara de ser levado por Deimos e para melhorar a situação eles estavam cercados por adversários invencíveis.
Por pior que parecesse, Cleon tinha a sensação de que tudo isso era apenas o começo de algo muito maior.
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