Canção Da Morte
17 Capítulo 17 - Novos Objetivos
Vivo. Essa foi a análise do Grande Mestre sobre Hikaru de Leão. Todos estavam reunidos no Coliseu na manha daquele dia para ouvir as palavras que o Líder do Santuário tinha para dizer. Muitos cavaleiros haviam perdido as esperanças depois de verem que Azore tinha retornado com nada além do corpo de seu companheiro de missão. Sem Athena. Sem vitória. Sem sorriso. O estado de espírito do cavaleiro de Peixes contagiou todos os outros e pelo menos até o raiar do sol, a montanha ficou mais triste. Porém, após ouvirem o discurso do mais poderoso cavaleiro vivo, todos se encheram de confiança e a esperança voltou aos corações, como uma chama que volta a arder lentamente.
- Hikaru está vivo. Ele foi atacado por Hypnos, o deus do sono. Nesse momento sua alma está presa em lugar do Mundo Inferior, provavelmente sendo torturado por alguns dos servos de Hades. Posso afirmar isso, pois um de meus... – o homem pareceu escolher bem suas palavras. -... informantes esteve no Submundo e confirmou minhas suspeitas. Entretanto, ele não pode fazer nada a respeito, já que o lugar está cheio de espectros e seria necessário ir lá pessoalmente e não com uma projeção astral, que foi como ele entrou...
- Quem seria louco o suficiente para entrar no Submundo? E que sujeito é esse que se projetou até lá e não foi ao menos percebido? – perguntou Cleon aos amigos.
- Não sei. Mas tenho minhas suspeitas. – disse Íllias, pensando na única pessoa que não estava no Coliseu. Alguém que já havia se projetado assim antes.
- É? E quem você acha que é? – perguntou o amigo.
- Calem a boca vocês dois! Quero ouvir o que o Mestre tem a dizer. – repreendeu Ryu.
-... por esse motivo, tornou-se extremamente importante que nós peçamos por reforços. – continuou o velho homem. – Já podemos observar que nosso inimigo é poderoso. Eu já pedi aos cavaleiros de ouro que escolham alguns de vocês para cumprirem algumas missões. E conto com as habilidades de todos para que tenhamos sucesso. Athena depende de nós. O mundo depende de nós. E podem ter certeza: nós não falharemos. Os cavaleiros procurarão aqueles que eles escolheram. Estão dispensados. – sua voz parecia firme e confortadora, como a voz de um líder deve ser. Uma voz capaz de inspirar confiança.
Enquanto caminhava para fora do Coliseu, Íllias ouviu uma voz chamando-o, ao virar-se ele viu Nero de Libra se aproximar.
- E então garoto, pronto para uma missão?
- Eu? Porque eu? Tantos cavaleiros poderosos aqui e você me escolhe?
- Ei, não se menospreze, você também é poderoso. É um dos poucos que eu conheço, por isso não será difícil trabalhar com você e além do mais, foi ideia do velho, eu não tive nenhuma influencia nessa escolha.
- Que velho? Aldebaran te aconselhou a me escolher?
- Acho que ele quer dizer alguém mais velho, não é Nero? – Zaru aproximou de Íllias com um ar descontraído.
- O Grande Mestre? – perguntou Pégaso. – Porque ele faria isso?
- Garoto, você faz perguntas demais! Estou começando a reconsiderar em levar você conosco nessa missão. – falou Nero.
- Conosco? – ele perguntou e depois olhou para Zaru com um olhar desconfiado.
- Você não achou que ia ficar com toda a diversão sozinho, não é? – disse o cavaleiro de Unicórnio com um sorriso maior do que a cara.
Nas escadas da quinta casa estava um garoto, sentado nos primeiros degraus, suas mãos próximas do rosto, seus dedos entrelaçados. Seu cabelo azul escuro caía sobre seus olhos dando a ele uma aparência sombria. Sua expressão era pensativa, mas por dentro ele estava angustiado, sua tristeza era grande demais até mesmo para ele. Ambos os leões que permaneciam ao lado das escadas olhavam para ele, seus olhares eram de reprovação, como se o condenassem por um crime. Seus rostos sérios revelavam que a sentença seria aplicada sem perdão. Como isso pôde acontecer? Porque ele não havia ido junto, se fosse poderia tê-lo salvo? Será que essa era sua sina? Ver as pessoas importantes morrerem e não poder salvá-las? Seus pensamentos foram interrompidos pela voz da experiência.
- Você não estava lá mais cedo. Está tudo bem?
- Parece estar bem? Ele está morto. – retrucou o garoto.
- Ele não está morto. Seu corpo ainda respira. Sua alma está apenas aprisionada. Mas creio que mesmo assim ele deve estar sendo um incomodo realmente grande para todos no Submundo. Mas isso não vai se sustentar por muito tempo. Precisamos resgata-lo antes que seja tarde.
- Como é possível? Como ele pode estar vivo? – perguntou o garoto, ainda parecendo incrédulo com aquelas palavras.
- Ele tinha uma espécie de amuleto, alguma coisa que protegeria sua alma caso algo acontecesse. – disse o outro se sentando na escada. Nesse momento Dante sentiu a moeda que carregava consigo ficar mais pesada, muito mais. – E, além disso, Hypnos não podia mata-lo, se fosse Thanatos o inimigo, talvez Hikaru não tivesse mesma sorte.
- Mas se ele foi atingido pelo deus do sono, porque está no Submundo? Não deveria estar no mundo dos sonhos ou algo do tipo?
- A morte e o sono são coisas tão próximas que você pode não acreditar. Muitas culturas antigas acreditavam que quando dormimos nós morremos e o ato de acordar é como ressuscitar dos mortos, voltar a vida. Muitos povos tinham a crença de que quando o sol se põe, ele morre. Sendo assim, o nascer de um novo dia é algo que deve ser celebrado, pois o sol voltou dos mortos para salvar-nos da completa escuridão. Talvez seja mais fácil entender porque tantas culturas cultuavam o sol como a um deus. Os gregos também tinham esse tipo de noção, tanto que seus respectivos deuses do sono e da morte são vistos não apenas como irmãos, mas sim irmãos gêmeos.
- Então, quanto tempo ele tem? – perguntou o jovem.
- Uma semana, duas? Depende da força dele. Quanto mais conseguir resistir melhor. Portanto, eu espero que você seja rápido.
- Eu? Como assim?
- Estou mandando você numa missão de resgate. Quero que traga Hikaru de volta a vida.
- Dante! Vai vir ou vai ficar ai conversando? Ande logo! Não temos o tempo todo!
Dante levantou os olhos e viu Ryu, Cleon e Aquiles parados esperando por ele, todos carregavam suas armaduras, mais distante Ichiro de Áries também carregava sua mochila. Todos partiriam para esta missão.
- Um conselho Dante: não tenha medo do Mundo Inferior. A primeira vez que entrei lá também senti um arrepio na espinha, mas acredite, aquele lugar deve ser como uma casa pra você. Acredito que você saiba que está destinado a passar mais tempo lá embaixo do que aqui em cima.
- Sim. Obrigado Grande Mestre. – falou o menino enquanto corria para se juntar aos seus companheiros.
Cleon não entendeu porque o cavaleiro de ouro que acompanharia eles seria o Ichiro, até mesmo o Ryoji estaria mais disposto do que ele a deixar o Santuário. Mas algo lhe dizia que o Grande Mestre não fazia escolhas equivocadas.
- Devem estar se perguntando, porque eu fui o escolhido. – falou Áries como se adivinhasse o pensamento de todos. – Bem, o lugar para onde vamos. Não sabemos o que esperar. Nem mesmo o Grande Mestre imagina o que podemos encontrar. Antigamente era um local amigo, onde sabíamos que podíamos encontrar aliados. Agora é uma incógnita. Mas não importa qual seja o tempo, meu povo sempre é bem-vindo por lá.
- Seu povo? – perguntou Ryu.
- Sim. Os Lemurianos. Nunca fomos impedidos de entrar naquelas terras. Além disso, eu sou o único que pode restaurar a armadura de nossas amigas amazonas.
- Amazonas? – falou Aquiles. Havia algumas aspirantes a cavaleiras no Santuário. Meninas que usavam máscaras e eram treinadas para auxiliar Athena na Guerra Santa, mas nenhuma delas usava armadura. Porque agora eles tinham que ir a um lugar tão distante para ajudar algumas amazonas com suas armaduras? Dúvidas se formavam em sua mente, até que Dante rompeu o silencio que se havia feito.
- Diga logo para onde estamos indo!
- Para a casa de amigos. Preparem-se crianças. Estamos a caminho de Jamir.
Em seu percurso Zaru e Íllias tentavam entender qual seria a missão dada para eles, o que eles precisavam fazer para ajudar a virar o jogo a favor deles. Nero andava com um olhar atento, como se esperasse um ataque inimigo a qualquer momento da viagem. Depois de alguns quilômetros, porém, ele pareceu ficar mais calmo e relaxou um pouco. Os cavaleiros de bronze discutiam entre si para decidir qual deles faria perguntas primeiro.
- Então Nero, qual é exatamente nossa missão? – perguntou Íllias ainda um pouco receoso sobre a reação do cavaleiro de ouro.
O cavaleiro de Libra lançou lhe um olhar de raiva. – Não estou autorizado a falar sobre a missão até o momento certo. Mantenha-se calado e concentrado cavaleiro de bronze! – Íllias arrependeu-se de ter falado, mas depois Nero abriu um sorriso. – Estou brincando rapaz! O velho me deu as coordenadas de um lugar, ao chegarmos lá nós encontraremos pistas que nos levarão a seguir um rastro.
- Rastro do que? – perguntou Zaru.
- Da caixa de Pandora.
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