Cantos de primvera
22 Tempestade
23 de março de 1838
Anna Estava confusa.
Primeiramente pensou que seria nada mais além de uma ilusão doentia.
Mas não, ele estava de volta.
Recusava se a aceitar que ele havia voltado, e muito menos que Elsa o convidou junto com as irmãs e o sobrinho para um jantar.
Já a reação de Kristoff também não fora das melhores. A final Hans não fora só o antigo noivo de Anna como também a feriu e a magoou profundamente.
— Isso é ridículo. —
Reclamava ele se arrumando para a ocasião com a ajuda de Anna que ajeitava a vestimenta do jovem vendedor de gelo.
Já Anna nada falava naquele momento. Mas o seu rosto também transparência o mesmo sentimento de Kristoff : raiva.
— Se ele ousar encostar em você de novo eu…. -
— Eu darei outro soco bem forte nele. -
Dizia a princesa cortando os dizeres de seu noivo.
Havia passado quase dois anos desde que Kristoff e Anna se conheceram por uma ironia do destino.
E finalmente depois de meses pensando sobre isso Kristoff a pediu em noivado no começo daquele ano. E a princesa agora tinha plena certeza do amor verdadeiro.
— E um boneco de neve ! -
Essas eram as primeiras palavras que Anna e Kristoff ouviam ecoar pelo salão de entrada enquanto desciam as escadas.
Logo viam um pequeno menino abraçando Olaf que retribuía contornando a criança com seus pequenos gravetos, num abraço quentinho.
Elsa estando de costas não reparar na sua irmã que descia mas ao verem todos se curvarem ela se virava para trás.
Anna e Kristoff eram apresentados a Charlotte , mais uma que dizia conhece lá mas que ela não se lembrava.
20:00
O jantar era servido. E durante todo tempo havia um mal estar no ambiente.
O motivo era óbvio.
O décimo terceiro.
Anna e Kristoff estavam com o rosto fechado enquanto Elsa tentava se manter passível.
Charlotte e Dagmar também nada falavam e o príncipe Hans percebia bem o motivo daquele silêncio sepulcral.
Ele então levantava se da mesa. Não pretendia estragar aquele jantar.
— Com licença majestade. -
Os seus passos eram seguidos pelo olhar de todos ali. Mas mesmo com a saída do príncipe o silêncio continuava.
— Hans contou sobre o que nosso irmão pretende Elsa ? -
Dagmar se encontrava sentada em um divã que havia em uma das salas onde quase todos eles se encontravam.
— Sim. Mas gostaria de saber mais sobre este irmão de vocês. -
Elsa sentava se em uma poltrona enquanto olhava para trás por um momento onde Anna olhava emburrada pela janela, noite adentro.
— Não para de chover. —
Kristoff se aproximava de Anna.
Logo um relâmpago iluminava todo o céu e depois era ouvido o som da trovoada.
— E pelo jeito vai piorar. -
— Majestade. Haakon e o ser mais desprezível que já ousou pisar neste planeta. —
Não importava quanto tempo passasse; Charlotte era sempre direta em seus pensamentos.
— Pelo jeito e de família. —
Anna pensará que tivesse falado baixo, para si mesma, mas não. Ela acabou por falar àquilo em alto e bom som.
— Anna, por favor. Comporte se. —
— Comportar me ? Você trouxe o psicopata que tentou nos matar de volta para o castelo e sou eu que estou agindo como uma maluca !!!! -
Anna gritava com Elsa que estava visivelmente irritada.
As gêmeas ficavam sem o que dizer apenas olhando aquela cena.
Kristoff também não sabia como agir então fez a única coisa que pensou no momento.
— Anna, se acalme. -
A princesa se sentindo insultada abria a porta para sair quando encontrava se exatamente com o décimo terceiro que parecia surpreso com aquela visão repentina de uma Anna e Kristoff que pareciam querer cortá lo ao meio.
Ela saia com Kristoff da sala mas não antes de vociferar para o príncipe.
— Nem pense em encostar num fio de cabelo da minha irmã. -
Aquelas palavras não lhe davam medo. Na verdade considerava um tanto engraçado para ele aquela reação de Anna.
Sabia que ela era incapaz de matar uma mosca.
A chuva era tamanha e as ruas ficavam cheias de água aos poucos.
— Está ficando tarde. —
Dagmar olhava para o relógio na parede e via que já passava das 23:00 da noite.
— Estou com sono…. -
Elrich já se encontrava num estado entre o mundo onírico e o real enquanto Hans o abraçava.
— Durmam aqui. A final essa chuva forte não irá parar muito cedo. -
Eles viravam incrédulos para Elsa após ela falar tais palavras.
— Tem certeza majestade? —
O príncipe direcionava a palavras a uma Elsa que tinha uma postura firme enquanto olhava novamente para fora da janela.
— Tenho. -
Aquilo também seria quase como um teste. Teria que confiar neles.
Cada um então era direcionado a um quarto de hóspedes.
Quando Elsa passava pelo corredor para ir ao seu quarto ela encontrava Hans que saia do quarto de seu sobrinho, havia lido para o menino até dormir.
— Tenha uma boa noite Elsa. —
Ele começava a se afastar até ouvir lá.
— Você também príncipe Hans. -
— Eu terei majestade; pode ter certeza disto. -
Os passos eram ouvidos no chão de madeira, se afastava mais e mais até terem suas portas fechadas um para o outro naquela noite de tempestade.
Essa noite não dormira bem.
Sonhou com o dia da coroação; Ou poderia chamar aquilo realmente de sonho ? Mas diferente do que aconteceu, era Haakon que Estava lá.
Matando Elsa em sua frente e cortando a cabeça da mesma, jogando lhe entre seus pés.
Banhando o gelo em um vermelho sangue.
Hans acordava ofegante e agitado, até perceber que fora tudo irreal. Pesadelos como esse lhe assombravam a meses. E ficavam cada vez piores com o passar do tempo.
O astro rei ainda não havia despontado do horizonte, mas daqui a algumas horas encheria o fiorde de luz.
Estava tudo silencioso.
Ouvia apenas a lenta despedida da coruja para a noite.
A chuva torrencial do início da noite já havia se transformado em chuviscos que pelo jeito continuaria por um tempo.
Restando no final apenas poças pela cidade que brilhava com as luzes da iluminação pública a gás.
O pouco sono que poderia restar passava completamente; não havia necessidade de ficar naquela cama. E nem queria mais.
O príncipe então se levantava e ligava a lâmpada de Argand e olhava ao redor.
Um quarto de visitas do castelo, nada de novo. Não havia nada ali para lhe entreter até à chegada do café da manhã.
Suspirando um tanto entediado Hans abria a porta do quarto.
Ia procurar o que fazer.
Assim como o palácio das Ilhas do Sul os corredores do castelo eram cheios das mais variadas obras de arte.
Desde peças famosas como O balanço de Fragonard até retratos da família real antes e depois do auto exílio de Elsa em seu quarto.
Tanto que em maior parte das pinturas só aparecia Anna com seus pais.
Mas algo chamava a atenção mais do que qualquer quadro.
Havia uma luz acesa no extenso corredor.
E vinha das frestas de uma porta fechada do qual Hans não tinha nem ideia.
Mas pelo frio que emanava dali ele sabia exatamente quem estava por traz daquela porta.
4:45
As preocupações eram muitas aquela noite.
No meio da noite ficou sabendo que a chuva destruiu alguns cantos da capital. Teria de resolver isso o mais rápido possível.
E para completa o príncipe estava de volta e com notícias infelizes de uma possível guerra.
Olhando diversos documentos ela bufava.
Ser rainha não era um problema para ela. Já havia aceitado a muitos anos tal destino.
Mas o fato de ser passar a noite em claro com aquelas noticias a estressava.
Repentinamente ela ouvia batidas suaves na porta do seu escritório.
— Rainha Elsa, você está bem ? -
Era uma das últimas vozes que gostaria de ouvir naquele momento. Ela então nada falava, talvez assim ele fosse embora.
Percebia que o príncipe tentava entrar girando a maçaneta, mas Elsa havia se trancado novamente atrás de uma porta.
Há sé Anna tivesse ali em vez do príncipe; com certeza a princesa estaria numa mistura de raiva e tristeza gritando.
— Abre essa porta Elsa ! -
Mas o príncipe, bem ele se afastava da porta a passos ocos no chão de madeira escura.
E pelo jeito não apareceria mais ali.
Mas seria muita inocência da rainha achar que o décimo terceiro desistiria tão facilmente de vê la.
Os minutos passavam até que Elsa ouvia uma batida na janela pouco atrás dela.
Virando se ela se deparou novamente com ele ali, acenando para ela com um sorriso.
O príncipe havia ido até o lado de fora do castelo e escalado uma parreira vertical que havia para as flores do jardim.
Que subiam até o terceiro andar, até a janela do escritório.
Era realmente muita ousadia dele escalar mais de quatro metros até a janela de vossa majestade no meio da madrugada. E sendo assim era melhor deixar entra logo.
Pois o que as pessoas perguntariam caso vissem príncipe traidor na janela da rainha ?
Ela então se aproximava da janela e abria para ele que logo entrava.
— Sé as portas não abrem, usem as janelas. —
Dizia o príncipe em tom de divertimento mas vendo logo que a rainha não estava no mesmo bom humor que ele.
— Como ousa ? —
O sorriso do príncipe se desfazia quando ouvia o tom que Elsa direcionava a ele.
Então como meio de desculpas ele se curvava diante dela; mas a mesma nem deu devida atenção àquele gesto, logo voltava a atenção a mesa cheia de documentos.
O príncipe então aproximava se da mesa.
Percebia duas coisas; o lugar estava muito frio; e Elsa estava visivelmente estressada.
O que já automaticamente explicava o frio que ali sentia.
— Majestade precisa de ajuda ? -
Aquelas palavras faziam os olhos azuis da rainha voltarem se para o príncipe a sua frente, debruçado com as mãos na mesa.
E naquele momento uma tempestade começava. Mas não era a chuva.
— Não precisa príncipe, e além do mais, não é de sua conta. —
O tom de Elsa era pedante, nunca imaginaria que usaria de tal tom com alguém.
— O bem estar da rainha e sim de meu interesse. E pelo que vejo você não está muito bem estes dias. -
— Que observador….. -
Era somente o que ouvia dela depois uma bufada enquanto ela não tirava os olhos de um documento.
— Eu sempre observo a minha rainha. Só tenho olhos para você Elsa. -
— Não é o que ouço falar de sua reputação na ilhas do sul. —
Elsa então via o rosto confuso do príncipe que tenta a decifrar o que se passava na cabeça da rainha.
— Um príncipe galanteador que estivera com todas as damas que passassem em sua frente. -
Ouvindo aquelas palavras Hans começava uma gargalhada que ecoou pelo cômodo, até o mesmo calar se lembrando que já era madrugada.
— Está com ciúmes Elsa ? -
Ele tentava fazer uma gracinha pegando a bochecha de Elsa que o olhava ameaçadoramente fazendo- o parar.
Mas o fato esse é que esses boatos que Elsa ouvirá não era sobre o príncipe Hans mas sim de alguns de seus irmãos.
Era um fato que o príncipe já estivera com outras mulheres, mas fora muito menos do que qualquer um poderia pensar e nenhuma por amor pois seu coração sempre pertencerá a Elsa.
No final das contas não passará de uma tentativa malfadada de encontrar o que sentia por Elsa em outras mulheres.
— Bem Elsa, sem dúvidas você está me confundindo com alguns de meus irmãos. Aliás, poderia dizer que essas coisas que andou ouvindo são sobre Haroldo, o décimo primeiro, isso é típico daquele pervertido. —
— Não foi Haroldo que seduziu minha irmã. —
Ela parava o que estava fazendo e cruzava os braços enquanto o olhava do mesmo modo duro.
— Sé fosse ele que estivesse aqui ele iria não só atrás de Anna como de qualquer outra mulher que passa se em sua frente.
Mas meu objetivo aquele dia não era fazer mal a você é a Anna, fui consumido pelo desespero no final das contas. -
— Desespero ? Quer falar de desespero ? Você machucou a minha irmã, você quase a matou. —
— E você não Elsa?! -
Com aquelas palavras a rainha calava se enquanto via um príncipe tão alterado quanto ela.
— Ora Elsa, não venha jogar toda a culpa em mim, você a atingiu no coração também desesperada, você também a deixou sozinha, por doze anos. Eu sei de tudo que aconteceu Elsa, soube de tudo que aconteceu no castelo de gelo quando Anna fora buscá-la; que manteve se distante não só de mim como dela, de diversas escolhas erradas que você fez por medo, você me contou tudo, ou se esqueceu disto também ! -
Hans parava exasperado olhando a frente uma Elsa chocada com aquelas palavras ditas de modo tão enérgico.
— Sé Anna sofreu, nós dois somos os culpados. -
E assim com a respiração vacilando ele calava se.
Já Elsa não podia retrucar a altura porque a final ele tinha razão.
Ele também a encarava com ambas as mãos na mesa enquanto a respiração se regularizava.
Com aquela conversa tempestuosa o clima do ambiente ficava frio: Hans sabia o aquilo queria dizer.
— Me desculpe Elsa eu... Eu não devia ter lhe dito isso. -
Não queria deixá la nervosa, mas aquilo tudo já estava guardado a tempos em sua garganta.
— Eu não devia agir assim... -
Antes que ele continua se era interrompido por Elsa.
— Não Hans. Você tem razão.… eu também sou culpada por muita coisa do que aconteceu com Anna. -
Elsa com o rosto abaixado nem percebia o príncipe surpreso por ter ouvido aquilo.
— Você tem toda a razão. O medo, o desespero nos faz escolher os piores caminhos. -
O olhar de Elsa era melancólico e Hans sentia seu coração pesar
Então andava até o lado da cadeira onde ela estava sentada e se ajoelhava para ficar na mesma altura que ela.
— Mas o amor salva Elsa. Nós dois somos a prova disto. —
Elsa olha para ele que acariciava seu rosto e também a olhava de modo tão terno.
Repentinamente o príncipe levantava.
O mesmo ia atrás de Elsa que ainda continuava sentada, e logo sé surpreendia com as mãos dele percorrem os seus ombros
— O que acha que está fazendo ? -
— Relaxe Elsa, quero apenas ajudá la no que for possível. Apenas relaxe. -
O tom que ele usava era pacífico e sem segundas intenções.
Ela queria sair dali e expulsá lo. Mas estava relaxando com aquilo.
Atrás deles o sol começava a despontar sobre as montanhas e iluminava em um fraco dourado aquele escritório.
E o frio abrandava; tão repentinamente como quando as mãos do príncipe que tocavam em suas costas.
— Melhor majestade ? —
Não queria admitir que aquela ousadia dele a ajudava. Mas também ela não precisava dizer; o próprio clima abrandado dentro daquele cômodo a denunciava.
O príncipe mesmo sabia a resposta, mas gostava de ouvi lá.
— Sim, muito obrigada Hans. -
O leve sorriso de agradecimento que os lábios num rosto antes tristonho formavam parecia iluminar ainda mais aquele cômodo.
E o sorriso pode ser uma porta aberta.
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