Notas iniciais
Espero intensamente que estejam gostando. ^^

— O Que está vendo dessa vez ? -

Paddie olhava para trás com um sorriso em seu rosto, vendo sua família confraternizando entre eles.

E a pergunta vinha exatamente da princesa de Arendelle.

Anna e Kristoff sempre iam visitar a peculiar família do jovem. Pelo menos uma vez por semana.

E lá estavam novamente, diante daquele céu intensamente estrelado.

— Estou vendo acontecimentos muito interessante princesa Anna. -

Aquilo sem dúvida não era a resposta que queria ouvir e a deixava ainda mais curiosa.

— E isso quer dizer que… -

Antes mesmo de Paddie entoar a sua voz, relincho de cavalos eram ouvidos na entrada da área que lhe pertenciam.

E o sorriso que o velho troll dava faziam Kristoff e Anna virarem para trás e verem quem não gostariam.

— Príncipe Hans, que curioso recebê lo aqui. —

Hans e suas irmãs olhavam intrigadas. Afinal como aquele pequeno ser de aparência pedregosa sabia seu nome ?

Pois achava impossível que em algum momento Anna ou Kristoff tivessem lhe mencionado aos trolls.

E ele estava certo em sua afirmação.

Kristoff e a princesa levantavam se perplexos diante da visão dos Westergaards ali no vale das rochas.

— Como ? O … o que vocês estão fazendo aqui ?! —

— Suponho que seja Paddie; certo ? —

Hans nem mesmo responderá Kristoff e muito menos se importará com o olhar de raiva da Anna.

— Sim príncipe, a rainha lhe mandou não é mesmo ? —

Antes mesmo de Hans abrir a boca para responder ao velho troll ele ouve um tom jocoso vindo do jovem vendedor de gelo.

— Virou garoto de recados príncipe Hans ? -

Hans em resposta abaixava a cabeça com um riso mas logo voltava a olhar para Kristoff e Anna a sua frente.

— Bem, a rainha confia em mim…. -

Novamente Hans era interrompido por Kristoff que em vez do tom que usava antes era sério e amargurado.

— Pois não devia. -

— Ora Kristoff; o mundo não funciona ao seu bel prazer. -

O modo presunçoso do qual o príncipe lhe dirigiu a palavra lhe dava ódio.

Queria soca lo.

Mas Bulba percebendo isso de seu filho adotivo logo tratou de acalmá lo enquanto Paddie olhava os dois jovens.

— Kristoff, não precisa ficar assim. O motivo para o príncipe estar aqui não é relacionado à Anna. —
Obviamente Paddie sabia o que se passava ali.

Já as irmãs que estavam caladas aquele tempo logo se pronunciavam.

— Bem nós viemos aqui pois Elsa precisa vê-lo senhor Paddie. —

Dagmar segurava sua égua acariciando o animal que não estava nem um pouco acostumada a ver seres como aqueles.

— Ela não veio diretamente aqui pois também está resolvendo coisas referentes ao reino. Então de antemão ela lhe pede desculpas mas precisa de sua presença. —

Após ouvir as palavras de Charlotte o pequeno troll assentiu com um sorriso.

— Bem. Vamos então; não podemos deixar a rainha esperando. —

Bulba no final acabava por ir também ao castelo junto com todos eles.

30 de março de 1838 — 21:40

Os olhos de Elsa vagavam ansiosos pela janela tentando observar vultos que passassem pela noite ao portão do castelo.

Havia acabado tudo que tinha de compromisso naquele dia, mas sua mente vagava em muitas coisas naquele momento.

Principalmente um assunto do qual ela considerava um problema.

Por isso pediu para chamar os tão especialistas em sentimentos como aquele. Os trolls.

Via-se então na janela a luminosidade da luz pública mostrar não só sua irmã a chegar com Kristoff e Sven mas também os seus convidados ; tanto os trolls como os Westergaards.

Logo ouviu uma batida na porta de seu escritório que ao abrir revelava se Paddie e Bulba.

— Majestade. —

Após as devidas formalidades a conversa começava.

— Eu não sei por onde começar….. —

A rainha começava a suspirar pesadamente de modo tenso.

Mas Paddie e Bulba apenas sorriam um para o outro; sabiam o que se tratava; as estrelas nunca mentem.

— Majestade. Se me permite dizer os sentimentos não são mudados num estalar de dedos.

O amor que é amor não definha; apesar de tudo. E se fosse fácil amar, não existiria o perdão e nem almas á serem reencontradas. -

Elsa que tinha a cabeça abaixada direcionou o olhar aquele ser que parecia ler seus pensamentos.

Era incrível, Paddie era realmente extraordinário.

— Ele… -

A rainha engolia seco antes de continuar a falar

— Ele, quase destruiu a minha vida e de Anna. -

— As vezes precisamos descer até o inferno para ascender e alcançar a plenitude; e sendo assim o perdão e o amor mudam vidas e podem ensinar mais do que a punição. -

Bulba se aproximava de Elsa depois da fala de Paddie; dando uma das mãos ásperas de pedra as mãos da rainha.

— Ninguém deve culpar se pelo que sente. Somos donos dos nossos atos, mas não donos dos nossos sentimentos. -

— Apenas seja sincera minha rainha. Por você e por ele e por Anna. —

Após estas palavras Paddie sorria para a rainha que chorava calada diante daquelas palavras. Eles tinham razão.

Bulba a vendo chorar abraçava Elsa que retribuia do mesmo modo.

Do lado de fora do escritório o clima que antes estava frio começava a abrandar.

Mas as estrelas pareciam dizer ainda mais a Paddie.

Diziam que tal amor haveria provações.

Que poderia trazer problemas.

E que também neste momento decorria um acontecimento nas Ilhas do Sul.

Uma estrela fraca estava prestes a se apagar.

Dia 5 de abril de 1838.

Os portões daquela antigo e confortável hospital campestre que vivia a alguns anos era aberta com brutalidade.

Cerca de 15 soldados entravam ali sem nem sequer apresentar algum mandado, mas também não precisavam, pois tinham a companhia do príncipe usurpador Haakon.

Aquele clima ameno e o sol brilhante nem pareciam expor que o pior estava para acontecer.

Os soldados vasculham as alas uma por uma até achar quem estavam procurando sentado no jardim.

Em uma cadeira de balanço lá estava o idoso rei deposto das Ilhas do Sul; Frederich V.

Ele nem sequer parecia perceber a presença de nenhum daqueles homens ali, olhando apenas o jardim a frente como se observa sé todo o seu período de vida passar por entre as folhas, carregada pelo vento fresco que ondulada o jardim.

— Pai. -

Aquela simples palavra fazia o velho homem se virar.

Quase cego e sem muitas forças para se manter em pé ele pegava sua bengala ricamente adornada e se levantava com dificuldades.

Ele em nada parecia o homem que foram um dia, um homem de olhar desafiador e gestos brutos, que governa a com mãos de ferro não só o reino mas também a sua família que ao seu ver não passavam também de meros súditos de vossa majestade.

Em nada parecia ser o forte e alto, com cabelos ruivos escarlate que todos os seus filhos herdaram.

Na verdade parecia ser muito mais velho do que realmente era, e mais frágil.

— Haakon. Que bom te ver. —

O rei com pouco mais de 60 anos transita a perigosamente entre a linha da insanidade e sensatez.

Havia períodos que não lembrava nem da própria existência e vagava pelos corredores a sonhar em um mundo paralelo e perturbador.

Já também havia períodos que lembrava se de tudo e todos.

A expressão de Haakon não se alterava com a fala de seu pai.

Apesar de Haakon ter sido um dos únicos que receberá afeto familiar, ele continuava a manter se distante emocionalmente de qualquer um.

Na verdade as única emoção que parecia ter sentido toda a sua vida era o ódio, em vários níveis, mas era sempre o mesmo sentimento.

O velho rei se postava na frente de seu filho com a expressão mais terna que conseguia, esperando um abraço ou qualquer outro tipo de reação.

Mas o que sentirá não seria nada comparado a afeição.

Haakon apunhalou seu pai na barriga com a espada que carregava, atravessando o mesmo.

— Ha.... Haakon... —

O velho caia confuso aos poucos até ser segurado por dois guardas ainda a frente de Haakon.

— Não vim aqui para uma simples visita seu velho asqueroso. —

Tais palavras era dito ao pé do ouvido do idoso rei que encontrava se em choque enquanto sentia seu filho enfiar a grande espada ainda mais em seu corpo, até a bainha.

Depois de retirar a espada os guardas soltavam o senhor que caia ajoelhado diante a espada banhada em sangue, líquido esse que era provado por seu doentio filho.

E assim ele morreu, banhado em seu próprio sangue, na varanda, daquele dia de sol que parecia ocultar o que aconteceu ali com a alegria que seu brilho áureo que o astro rei podia proporcionar.

As estrelas estavam certas mais uma vez.

Dia 7 de abril de 1838 — 11:01

Cada dia que passava chegavam notícias piores das Ilhas do Sul.

E se Elsa antes duvidava das palavras de Hans quando dizia que Haakon era um doente psicopata, ela agora tinha certeza.

O antigo rei fora executado por seu próprio filho.

Ela andava pelos corredores um tanto apressada.

O motivo era Hans, não o vira a manhã inteira.

Ele não tomará o café da manhã.

Não fora ao escritório.

Nem mesmo tinham sinais dele pelo castelo.

E ao saber daquela notícia sobre o pai do príncipe ela pode imaginar que não fora à toa ele não aparecer.

— Onde está o príncipe Hans ? -

A visão de uma Elsa esbaforida assustava Kai que nesse momento analisava como ia o andamento da faxina no castelo.

— Eu não sei Elsa. -

Naquele momento uma voz doce e sutil chamava a atenção de Elsa.

Uma das jovens criadas que estava em uma escada limpando as janelas da sala de música era direcionado a ela.

— Perdão me intrometer vossa majestade mas eu vi o príncipe Hans das Ilhas do Sul sai a cavalo. -

Naquele momento mais uma das criadas ali que se encontrava tirando a poeira de um móvel se fazia ouvir.

— A cerca de meia hora eu estava arrumando um dos aposentos e pela janela vi o príncipe a cavalo, parecia estar em direção ao palácio de gelo majestade. -

Elsa nunca agradeceu tanto o fato das empregadas serem tão intrometidas.

— Kai, prepare a minha montaria. Vou atrás de Hans. Se Anna me procurar diga que fui resolver um problema referente ao palácio, não mencione Hans. -

Elsa saia daquele cômodo sem se dar conta do burburinho que começava entre os empregados ali presentes.

— Ela vai a procura do príncipe. -

— Pelo jeito é verdade o que dizem. -

— Ele é a rainha tem um caso. -

Aquelas diversas frases faziam Kai se virar, e seu olhar era de repressão.

Assim todos paravam de falar no mesmo momento voltando aos seus deveres.

Rápido era o trote do Sitron que ia com Hans a cima dele, e logo estavam no topo, mesmo com neve ali era possível andar sem dificuldades daquela vez.

Até mesmo Marshmallow não o incomodou, parecia ter pena do jovem príncipe que ali chegara com seus olhos com esmeraldas apagado, triste e torpe.

O ser feito de gelo apenas deu passagem para ele.

Sabia que o príncipe não estava ali para causar problemas como da última vez.

Pois sendo uma criação de Elsa ele sabia exatamente o que se passava entre sua "mãe" e o príncipe. Ele sentia que ele era deveras importante para ela.

Hans fora ali pois foi o único lugar que conseguiu pensar em ter um pouco de paz de espírito que precisava naquele momento.

Da janela do quarto que se hospedar no castelo ele conseguia sempre ver pela janela o imponente palácio de gelo que parecia brilhar tanto ao dia quanto a noite.

As vezes quando estava sozinho naquele quarto ele ficava a admirar tal criação.

Aquilo sempre fazia pensar o quanto Elsa era extraordinária, bem mais do que ele pensava quando eles eram mais jovens.

Mas a primeira e última vez que estiveram ali ele não teve muito tempo para admirar aquela obra prima como deveria; a final muitas vidas ali estavam em risco, inclusive a sua e de Elsa.

Agora a paz parecia reinar ali, ao menos até ouvir um boneco de neve que exclamação seu nome em surpresa, e atrás dele diversos outros pequenos bonecos de neve.

Olaf percebia que havia algo de errado com o príncipe que não conseguia esconder tristeza, até mesmo o sorriso que ele dava ao ver o boneco a sua frente era triste.

— Você quer um abraço quentinho ? -

Assim como Marshmallow, Olaf sabia o que se passava e não tinha receio algum em de alguma forma consolar o príncipe que acabava por cair de joelhos naquela neve fofa próximo a porta de entrada do Palácio.

As lágrimas do príncipe caiam no boneco de neve que tentava circundar o príncipe em um abraço com seus pequenos e frágeis galhos.

Próximos a eles Marshmallow e os pequenos bonecos sentavam se compadecendo da dor de Hans.

O príncipe era repentinamente pego pelo grande Marshmallow que o levava para dentro pois a tarde caía aos poucos e logo seria perigoso lá fora.

16:34

Após uma intensa subida que fica mais fácil graças a sua e égua Inger, Elsa finalmente chegava ao palácio que se encontrava estranhamente pálido.

Amarrado em um canto havia Sitron, então era óbvio que Hans se encontrava ali.

Elsa deixava Inger amarrada próxima a Sitron e entrava no Palácio.

Em teoria devia estar tudo resplandecente, mas não era o caso.

As cores que o Palácio adquiriram era de acordo com o que Elsa sentia.

Felicidade,

Medo,

Entusiasmo,

Não importava, cada sentimento uma cor diferente, e no final o Palácio sempre parecia brilhar em uma explosão de arco-íris, principalmente nos últimos meses.

Mas agora o Palácio tinha uma cor diferente de todas as outras.

Cinza fosco

Como se o gelo estivesse sujo, empregando de algum tipo de grafite ou fumaça das fábricas.

Encarava aquilo com certa estranheza.

Ao entrar ela via o grande salão da frente, no fundo encontrava o príncipe sentado naquele chão frio e ao seu redor Olaf, Marshmallow e os pequenos bonecos ali.

Estes se afastaram do príncipe ao ver que Elsa se aproximava.

— Vamos deixá-los sozinhos. -

Dizia Marshmallow em uma língua que só Olaf e os pequenos pareciam entender.

E assim fizeram.

Ouvindo o barulho do salto batendo no gelo Hans levantava se vendo sua rainha.

O mesmo então ia em direção a ela assim como ela fazia, mas acabava por tropeçar e escorregar no gelo.

Mas Elsa logo estava ali para ele.

— Hans. -

Elsa se sentava a frente dele e o abraçava e assim ele se permitiu chorar nos braços dela.

Hans agora agarrava se a ela como uma criança indefesa, assustada a procura de proteção.

Estava triste e assustado pelo fim que seu pai levou.

— Apesar….... Apesar... de tudo Elsa...ele era meu pai, e eu..... -

O príncipe não conseguia terminar sua frase.

Elsa sabia o que havia se passado com o príncipe todos esses anos.

Todo o abuso psicológico e corporal que receberá de grande parte de seus parentes que Hans lhe contará

E principalmente de seu pai que lhe legará a nada mais do que apenas um número.

O décimo terceiro.

O número do azar.

— Eu apenas queria que ele me ama-se como os outros. -

Aquelas palavras também faziam Elsa chorar.

Era tão diferente a forma como seu país agia em comparação com os de Hans.

Era quase inacreditável que alguém poderia ser tão cruel, ainda mais com os filhos.

A cor do Palácio ia se tornando azul, a cada lamúrias, a cada carícia que Elsa fazia naquele cabelo cor de fogo.

E inesperadamente houve um beijo terno de agradecimento dado pelo príncipe.

Acabava por passar a noite ali com ele, o consolando e sendo consolada.

A luz das estrelas que traçava os destinos estavam mais brilhantes que nunca naquele infinito sem lua.