Cantos de primvera
1 Indesejável
13 ( treze).
Esse numero parecia perseguir toda sua existência.
Seria renegado, taxado para sempre como o décimo terceiro filho. Não havia escapatória. Pois não passava de um indesejável.
13 de novembro de 1813.
Eram tempos difíceis.
A guerra e a fome devastavam o reino. Um momento muito inoportuno para o nascimento de mais um herdeiro.
Indesejável
As Ilhas do sul se viram envolvidas na guerra liderada por Napoleão I da França e arrastava a Europa a ruína desde 1803.
No reino ninguém comemorou, não houve clamores, jantares, festas. Era nada mais além de mais um príncipe, o décimo terceiro.
Indesejável.
Havia coisas mais importantes para todos se preocuparem.
Os sinos das igrejas não dobraram, rezas pela saúde do príncipe prematuro não foram ouvidas, o choro insistente clamando pela atenção era ignorado.
— Tirem ele daqui. -
Dizia a rainha de modo frio para a ama de leite que logo pegava o príncipe dos braços da mãe.
Aquela foi a primeira vez que o coração do jovem príncipe Hans fora congelado.
Indesejável.
Talvez ele estivesse destinado a não ser nada mais além de um rodapé nos livros de história de seu país, como o décimo terceiro filho do rei Frederich V : O grande.
Mas o príncipe tinha um alcunha menos cerimonial ao seu pai; na verdade vários. Frederich o tirano, Frederich o inculto, Frederich o déspota, e muitos outros.
Assim como seus irmãos e irmãs também poderiam ser chamados.
Lars — o bom.
Karl — o bêbado.
Enerts — o imbecil.
Otto — o enfadonho.
Gustav — o hipócrita.
Dagmar — a intelectual.
Charlotte — a angelical.
Haakon — o psicopata manipulador.
Olavo — o cretino.
Cristian — o glutão.
Haroldo — o pervertido.
Søren — o inocente.
E por último, ele.
Hans — o indesejado.
Já a rainha Mald também tinha uma alcunha toda especial para seu filho mais novo.
Hans — A vergonha.
O desprezo de muitos era mostrado desde a mais tenra idade de Hans. O medo, a solidão eram sentimentos comuns naqueles corredores do castelo do qual morava.
Seus irmãos em sua maioria, hora fingiam que ele não existia ou hora o maltratavam.
Seus pais em momento algum o protegeram.
Suas maiores companhias eram os livros.
Mas alguns poucos pareciam se importar.
O indesejável não era tão indesejável.
Lars era o primogênito, o futuro rei das Ilhas do sul.
Quando Hans nasceu, Lars já tinha 13 anos.
Estava mais do que acostumado com os preparativos quanto ao nascimento de mais um irmão.
Era uma correria nos corredores.
Durante toda a madrugada fora assim, um entra e sai de médicos e enfermeiras nos aposentos de sua mãe.
Até que as 8 da manhã ouvia se um choro insistente do quarto de seus pais.
Todo novo irmão para ele era como algo único.
E aquela seria a última emoção diante a o nascimento de mais um irmão, do qual ele sentiria.
Não passou nem 3 minutos e a ama de leite saia com o jovem recém nascido nos braços.
— Deixa eu ver, deixa eu ver !!! -
Dizia Lars quase se pendurando na saia da senhora que logo sé abaixava e mostrava seu irmão a Lars.
Era um bebê de aparência fraca e um pouco pequeno.
O mesmo ainda tinha os olhos fechados e não tinha cabelo algum.
— Ele não é bonito…. —
Disse o jovem Lars em sua sinceridade.
A senhora pois se a rir daquele comentário e logo exclamou ao futuro rei.
— Ele não é, mas a de melhorar. E vai ficar tão bonito quanto você. -
O jovem Lars sorria com aquilo imaginando como poderia vir a ser o seu futuro e do seu irmão.
Logo fora anunciado ao reino que mais um havia nascido.
Príncipe Hans; nada a declarar, apenas um anúncio formal como fora com outros nascimentos daquela família.
O tempo passará e Lars fora pegando afeição pelo irmão mais novo, até mais do que os outros. Compartilham de interesses iguais e ensinará muito para o jovem, desde esgrima até poesia.
Lars tinha certeza que Hans poderia ter um grande destino.
Já havia também outras duas pessoas de suma importância na vida de Hans.
Suas irmãs Dagmar e Charlotte.
A ama de leite parava diante da área reservada para amamentação, mas antes que pudesse entrar era abordada por duas gêmeas adoravelmente idênticas .
As princesas das Ilhas do Sul.
A partir daquele momento Hans seria muito querido por suas irmãs mais velhas que fariam de tudo para protegê-lo.
Apesar de serem idênticas em sua aparência as duas não poderiam ser mais diferentes em personalidade.
Dagmar era uma mulher a frente de seu tempo.
Tinha gostos considerado estranhos por muitos a sua volta, como o estudo sobre a ciência e sua dedicação a área .
Desde cedo começou a catalogar cada concha, folha, pena e qualquer outra coisa que aparecesse em sua frente em suas andanças pelo jardim do palácio. Era determinada a seguir a área da ciência,por mais que muitos dos seus irmãos se opusessem a isso e seus pais apenas desejassem que ela tivesse um casamento vantajoso.
Já Charlotte poderia ser dita como a típica imagem de uma princesa de contos de fadas com seus cabelos ruivos e levemente encaracolados que chegavam até a altura dos ombros, seus grande e expressivos olhos verdes e seu rosto angelical.
Mas há de quem ousa se irrita lás.
Ao contrário de Dagmar, Charlotte era uma mulher voltada às artes. Aprenderá a desenhar e a pintar ao ver os artistas que iam ao palácio pintar quadros da família real.
As paredes do palácio estavam cheios de quadros e desenhos feitos por ela para seus irmãos e pais.
Hans começara a desenhar por influência dela,e era um ótimo passatempo, assim como o gosto pelo estudo que também acabou por adquirir de Lars e Dagmar.
Ele era inteligente, aprendia muito rápido. Os professores o elogiavam, diziam que ele era superdotado, sem dúvida o mais inteligente deles.
Mas nada disso fazia ele ser notado.
Nos 16 anos Dagmar e Charlotte conseguiram permissão para viajarem ao estrangeiro acompanhadas por alguns irmãos.
Hans fora um desses escolhidos por elas para acompanhá-las.
O jovem príncipe que na época tinha apenas 11 anos acompanhou suas irmãs a diversos reinos próximos como Helgardi,Orlof,Grør,Arendelle,Sparë, entre muitos outros.
Aquela viagem seria um dos acontecimentos que selaria o destino do príncipe.
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