Cantos de primvera
15 Deus salve a rainha.
" Quando um coração se fecha faz muito mais barulho que uma porta."
Aquele verão seria inesquecível para muitos.
Desde aquele começo de manhã Elsa se lamentou de ter acordado.
Era o dia da coroação.
No final do ano passado havia feito 21. E agora no começo daquele verão, depois de meses de preparação, o dia chegará.
Não queria por tudo o que é mais sagrado participar de tal cerimônia.
O problema em si não era tornar se rainha, mas sim o gelo agir.
Pois nesse dia estava inquieto mais uma vez.
Como deveria agir ?
O que poderia fazer ?
Sentia se como uma prisioneira de sua própria condição. Seu próprio corpo.
Considerava um milagre estar ali novamente. Graças ao bom Lars.
Fazia um ano que Lars virará o rei das ilhas do sul.
Seu pai fora destituído do cargo pois a loucura o havia consumido por completo.
— Sabe das boas novas meu irmão ? —
Lars perguntava com um sorriso para Hans que estava a sua frente. Os dois no escritório do qual agora pertencia a Lars.
— Suponho que se refira a Elsa. —
Hans estava visivelmente ansioso e curioso para saber o porque Lars o chamará.
— Isso mesmo. Bem, você sabe que eu não terei como ir a coroação da princesa Elsa. Mas sei quem adoraria ter essa possibilidade. —
O jovem rei dava um sorriso brincalhão para seu irmão que entendia muito bem o que ele queria dizer.
— Eu realmente adoraria. E tudo o que eu mais quero. —
Hans sorria de orelha a orelha só de pensar na possibilidade de ver Elsa novamente.
— Pois então, você será meu representante oficial no reino de Arendelle. —
Hans fazia uma reverência ao seu irmão que acenava que não era preciso tal formalidade entre eles. Mas era costume.
Hans se aproximava da porta e ao tocar a maçaneta ouvia Lars atrás, no fundo do cômodo.
— Trate de finalmente ficar com a mulher que ama. -
Hans sorrindo fez um sinal positivo com sua cabeça e no final voltava se a maçaneta que era girada.
O que não esperavam era o fato de cair no chão a sua frente todos os seus outros irmãos que estavam anteriormente debruçados na porta tentando ouvir a conversa.
Pareciam crianças e não homens com mais de 20 anos na cara.
— Vocês estão de brincadeira ? Não acredito que estavam ouvindo atrás da porta ! —
Lars estava incrédulo e um tanto revoltado com a invasão de privacidade.
Não demoravam para culparem um ao outro pela ideia esdrúxula.
Já Hans se segurava para não rir daquela cena ridícula.
Naquela confusão de vozes uma acabou por gritar revoltado.
— Porquê eu não posso ir Lars ? Sou muito mais merecedor que Hans ! —
Cristian se levantava do chão com dificuldade devido ao seu peso.
— Você ? Lars mandaria você caso ele deseja se que Arendelle fosse devorada para sumir do mapa. —
Todos começavam a rir da argumentação de Gustav.
— Eu devia ir. —
Haakon dava um sorriso sedutor como uma tentativa de convencer Lars.
Mas esquecendo que aquilo só funcionava com as mulheres do qual ele sé encontrava nas noites.
— Nem se eu estivesse completamente insano e desesperado eu mandaria você Haakon. Agora retirem se daqui. Antes que eu faça a mesma coisa que nosso pai fazia quando nos comportávamos mau. -
Eles sabiam muito bem o que isso queria dizer : Calabouço. Como esquecer ?
30 de Julho de 1836 — 6:40 da manhã
Aquele horizonte do qual via "submergir" o castelo de Arendelle lhe trazia lembranças.
Esperava do fundo de seu coração que Elsa lembrasse dele.
Tinha muitas coisas em mente. Muito o que dizer a ela e também muito o que perguntar.
Queria dançar com ela, olhar para ela, abraça- lá.
Søren até cogitou que Hans deveria pedi la em casamento.
Já Haakon disse a Hans devia aproveitar a oportunidade e tomar o controle de Arendelle e sua rainha.
— Assim quem sabe lhe respeitarei. -
Haakon pronunciava tais palavras com tanta naturalidade que chegava a dar calafrios.
Finalmente aportaram e agora com Sitron fora do navio ele subia no animal para ir até o castelo.
Depois de anos cuidando de Sitron, Hans acabou pegando um grande apreço pelo animal. E no final acabou por adotá lo como montaria também.
Um cavalo muito bem treinado pelo seu dono.
Andava tranquilamente quando via que acabava por jogar alguém no chão.
Olhando para baixo ele via uma jovem mulher. E então descia para ajudá la a se levantar a final a queda foi em parte culpa sua já que ele estava distraído em seus pensamentos e não há viu.
— Me desculpe senhorita. -
Sabia que a conhecia de algum lugar.
Aqueles olhos inocentes e a mecha característica não era estranha.
Logo ela em meio a confusão se apresentava.
Era Anna de Arendelle.
Sabia que a conhecia.
Mas a mesma parecia não se lembrar dele.
Não a julgava, pois ele realmente mudara durante aquele longo período de onze anos. E durante o período que esteve em Arendelle passará muito mais tempo com Elsa.
Depois de ter o maldito barquinho virado ele a via se afastar e sorria. Realmente ela parecia não ter mudado. Continuava com o jeito um tanto brincalhona, inquieta e inocente.
Mas agora teria que se trocar. Estava ensopado.
Após deixar Sitron na baia do castelo ele seguia em direção a portão do local.
A nostalgia novamente lhe invadia ao olhar cada canto.
Mas a grande sacada acima da entrada que lhe chamava atenção, pois via ela.
Seu coração disparava.
Não conseguia acreditar no que seus olhos viam.
Como uma linda miragem.
Mas era muito real !
Ele acabará por ficar um bom tempo ali parado até que viu ela se afastar da sacada.
Então naquele momento ele percebe o quanto está atravancando a passagem.
— Me desculpe. -
Logo corre em direção ao castelo como se sua vida dependesse disso.
Era tão animador.
Finalmente depois de anos as portas estavam abertas. Não se sentia assim a muito tempo.
Agora sim a sua vida iria começar.
Os mais maravilhosos e diversos pensamentos passavam pela cabeça de Anna.
Mas naquela mesma manhã teria que fazer algo. Encarar Elsa depois de tantos anos.
Aquilo lhe deixava aflita.
Mas todo aquele processo ocorrerá bem ao seu ver.
Acabou por encontrar novamente com o rapaz ruivo que a derrubará antes. E ela o observava. O que poderia fazer ? Ele era lindo. Isso era um fato.
E ele também parecia olhá la constantemente.
No momento da coroação ele não conseguia se sentar nos primeiros bancos.
O sempre tão pontual Hans chegava um pouco mais atrasado por causa da confusão anterior com a princesa Anna.
Teve que trocar suas roupas e por isso acabará perdendo os lugares da frente.
Como se não bastasse isso o homem ao seu lado dormiu antes mesmo da cerimônia começar e apoiou se nele.
Mas tudo de ruim que estava acontecendo no momento se esvaia como fumaça quando ele via Elsa entrar.
Durante a cerimônia ele olhava intensamente para sua musa.
Tal ato fora entendido completamente errado por Anna que pensava que o príncipe olhava para ela e não para sua irmã.
O seu olhar só era desviado de Elsa quando Anna dava um grande sorriso direcionado a ele acenando, então apenas acena para Anna também mas logo voltava a atenção a Elsa.
Tirar as luvas. Aquilo era quase um sacrifício.
Quando percebia que o gelo começava a tomar conta dos objetos ela botava eles o mais rápido possível em seu devido lugar assim como suas luvas.
Todos levantavam e a saudavam como rainha.
Mas ela não se via como rainha, em sua visão ela não passava de um monstro.
E ainda teria mais para vir.
A cerimônia do beija a mão sem dúvida era o mais temido.
Para completar tal dia angustiante a noite um baile.
E as horas pareciam cada vez mais devagar.
Amaldiçoava aquele dia com todas as suas forças.
Mas Elsa não era a única ansiosa.
O príncipe das Ilhas do sul encontrava se igualmente ansioso, mas por outros motivos.
Durante a cerimônia do beija a mão uma grande fila de nobres era formadas e claro Hans fora um dos primeiros a garantir seu lugar.
Mas de repente aparecia um senhor que furava a grande fila bem na frente de Hans.
O Duque de Weselton não tinha vergonha alguma de burlar filas, a final ele fazia coisas piores do que isso.
— Com licença senhor mas eu estava na frente. —
Hans dizia de modo mais polido que conseguia ao senhor em sua frente.
O homem apenas olhava para trás com desdém e depois voltava se para frente.
A Partir daquele momento este senhor seria um teste de paciência para Hans.
E paciência não era a maior virtude do jovem príncipe.
Mas sua felicidade aumentava conforme a fila ia encurtando. O mesmo chegava a tremer um pouco.
E finalmente chegará a sua vez.
— Príncipe Hans das Ilhas do sul. -
Após ser nomeado ele seguia em frente tentando ser o mais natural possível.
Ela suspirava já cansada.
Mas não tinha escolha. Deveria receber os comprimentos de todos aqueles ali.
Mas um nome lhe despertava atenção e fazia seu coração bater acelerado.
— Não é possível. —
Ela balbuciava para sí.
Ali então via o jovem príncipe se aproximando dela.
Aqueles cabelos, os olhos verdes e gentis quando olhava para ela.
Era realmente ele. Depois de onze anos eles estavam frente a frente.
Não sentir.
Ele se postava à frente dela e lhe fazia uma reverência depois tomando a mão da rainha ainda coberta pela luva e ali beijava.
O sorriso que ele dava logo em seguida a deixava em um estado quase que de transe olhando para ele.
Não sentir.
Não deixar saber.
Frases que sempre martelavam em sua cabeça mas que agora eram inúteis pois fazia exatamente ao contrário.
Ela sentia e Hans percebeu isso.
19:18
Durante todo aquele dia fora quase como uma brincadeira de gato e rato.
Hans tentava de todos os modos aproximar se de Elsa enquanto a mesma tentava afastar se dele.
Pois o medo dela era exatamente querer tê-lo ao seu lado.
Sabia quais poderiam ser a consequência disto. Talvez o mesmo destino de quase morte que sua irmã tivera a cerca de 13 anos atrás.
— Aceita dançar majestade ? —
Aquelas palavras pareciam penetrar em sua alma.
Queria sim dançar com ele. Mas não devia segundo ela mesma.
— Desculpe. Eu não danço. —
— Eu não lembro disto. Na verdade já dançamos uma vez. —
Ele decidiu apelar para as lembranças.
— Por favor... me deixe. —
Ela tentava soar autoritária mas sem sucesso.
Mas o príncipe entendendo o recado se afastava.
Aquelas palavras rasgaram lhe a carne e acertavam o fundo de sua alma.
Novamente sentirá seu coração começar a ser congelado.
Fale com o autor