Cantos da Montanha
5 Um Suspiro
Um Suspiro
Tomo minhas mãos como a um piano
Meus dedos deslizam uns sobre os outros
Sentem o frio dos seus pares
Dedos cadavéricos e cheios de cicatrizes
Sobre a mesa da sala, compromissos se acumulam
Na minha janela, sombras negras pipocam na existência
O frio toca a mundo com um ar de piedade
O frio vem ao mundo como um motivo para odiá-lo
A crueldade se despediu e meu irmão foi com ela
Para uma casa nas montanhas, foram caçar histórias e razão
As noites insones foram substituídas pelo sono
Pelo cansaço e por interminável responsabilidade
O sono e o desinteresse povoam o mundo sombrio
A noite já não traz medo, mas impaciência e ansiedade
O dia se aproxima novamente e decisões devem ser tomadas
Erros devem ser cometidos e poemas devem se escritos
Já a algum tempo não vejo muitas mariposas
E meu irmão é novamente um parente distante, daqueles que não desejamos nos lembrar
Já a algum tempo não me deparo com abismos, apenas encaro o mar noturno
E as águas salinas me devolveram a melancolia dessa vida
Devolveram-me a paz dessa vida, não com um palhaço sorridente
Ou com uma criança dessas que fui... tão inocente
A melancolia me trouxe a paz quieta, resignada e sensata
Sem heróis fracassados ou missões suicidas
O mar apresenta calmas sinfonias, acordes suaves
Cigarro, álcool, internet e energia elétrica
O mar trouxe responsabilidades e afazeres, trouxe muito
E trouxe o nada, que preencheu o vazio que tanto me ocupava
Os violões desafiam as notas do piano
E ambos valsam espiral interminável para o fundo do mar
Os dois travam uma batalha eterna pelo equilíbrio do mundo
Pelo equilíbrio entre o pesar e a loucura
Entre os poemas
As drogas
E o Homem.
Fale com o autor