Cantores Perfeitos

2 "Vamos lá para cima!" - parte 1


Miku

O primeiro problema foi decidir quem iria. Os gêmeos Kagamine tinham muita vontade de ver como era o mundo lá em cima. Mas tive que convencê-los a ficar: do jeito que eles são hiperativos, provavelmente chamariam muito a atenção. O grupo ficou definido: eu, Luka, Kaito e Meiko.

O segundo problema seria sair do laboratório. Felizmente, nós conhecemos muito bem os hábitos do Mestre. Todos os dias, ele dormia desde depois do almoço até o anoitecer. Humanos e suas limitações. Saímos logo depois que ele foi dormir. Combinamos que nos separaríamos lá em cima e nos encontraríamos na entrada do laboratório ao pôr do sol.

Pensando bem, foi fácil. Fácil demais.

A única porta que ligava o laboratório ao mundo exterior nos levou a um velho prédio abandonado no centro da cidade. Quando deixamos o prédio, me despedi dos outros e comecei minha busca pelo "fator".

No laboratório, temos vários livros e revistas que falam sobre esse mundo. Mas uma coisa é ler sobre ele, outra é vê-lo com meus próprios olhos. Tanto que nos primeiros minutos fiquei um pouco perdida com todas as coisas diferentes que eu nunca havia visto.

Estando no centro de uma grande cidade, ninguém estranhou minhas roupas ou meus cabelos verdes. Passada a agitação inicial, resolvi me concentrar em meu objetivo. Minha intenção era encontrar uma loja de eletrônicos, pois sempre podemos encontrar televisões ligadas nessas lojas. Então, eu mudaria para o canal de músicas e descobriria de quais as pessoas mais gostam.

Logo encontrei uma loja adequada. A televisão mais próxima mostrava uma mulher de terno dizendo as notícias do dia. Telejornal. Me aproximei da televisão e procurei o botão para mudar o canal. Surgiu na tela um casal. O homem dizia:

"Maria Fernanda, eu sempre te amei! Por favor, case-se comigo!" Novela. Troquei novamente o canal.

Uma animação de qualidade duvidosa mostrava um grupo de vegetais dançando e cantando:

"Lalala, lalala, é promoção todo dia!

Lalala, lalala, no Mercado da Vila!"

Uma mulher, acompanhada de um menininho, passou por mim na loja. A criança, ao ouvir a música, começou a cantarolar.

"Você gosta dessa música?", perguntei, me voltando subitamente para o menino. Este olhou para mim espantado, até que a mulher começou a bater em mim com sua bolsa.

"Saia daqui, sua maluca!" Ela continuou a bater até que eu saí da loja.

"Ai, minha cabecinha!", eu disse, me sentando na calçada. "Pelo menos eu consegui descobrir uma música de que as pessoas gostam", comecei a pensar em voz alta. "Acho que já é um começo!". Me levantei e comecei a andar, procurando um lugar onde pudesse encontrar mais informações. Não notei a sombra que me seguia.