Cantada
1 Capítulo único
Notas iniciais
P.s: Estou no animespirit com a mesma fanfic com o nick anabfernandes8
Capítulo único — Cantada
Bagunço meus cabelos pela milionésima vez no intervalo de dez minutos. Não estou conseguindo me concentrar. Estou na sala, sentado na mesa que fica no canto. O cômodo é pequeno e tem uma péssima acústica, ou seja, o barulho da tv está bem mais alto do que devia e parece querer explodir meus miolos. Eu não posso estudar com isso. Eu achei que podia, mas eu não posso.
Também não posso ficar no meu quarto. O motivo é óbvio: o quarto é pequeno. Isso significa que tenho uma cama de solteiro e um guarda-roupas e isso é tudo o que cabe. Eu fico até mesmo impressionado de ter cabido essas coisas, porque o espaço realmente não ajudava. E estudar em cima da cama? Já tentei várias vezes. Nenhuma delas dá certo. Eu começo sentado, estudando bem e de repente estou tirando um cochilo, pulando na cama, observando as formigas, fazendo qualquer coisa menos focado nos livros. Até mesmo contar minhas respirações eu já fiz.
Não vou mentir e dizer que sou uma pessoa extremamente focada. Porque eu não sou. Eu tenho dificuldade para me concentrar nas coisas, tenho sim e também me distraio muito fácil. Qualquer coisa me distrai. Qualquer coisa mesmo.
— Temariii… — Não levanto minha voz mais do que o necessário. Temari, minha irmã, está sentada no sofá, bem perto de onde estou, assistindo um programa qualquer que passa na televisão. O volume não está alto, mas como eu disse, a acústica é horrível. Eu não costumo estudar quando ela está em casa. Costumo estudar mais quando estou sozinho. Na verdade, ela quase nunca está em casa. Ou sai com seu namorado, Shikamaru ou está na faculdade ou na casa de alguma amiga. Nem ao menos almoçar em casa ela almoça. Não sei nem mesmo o que ela está fazendo aqui hoje.
— O que foi? — responde ela, virando-se para olhar para mim. Dou um suspiro. Eu adoro a minha irmã, no entanto gostaria que ela tivesse um pouco mais de sensibilidade com as outras pessoas, no momento comigo que estou tentando estudar e tudo o que eu menos preciso é do barulho da tv me atrapalhando. Tenho uma hiper prova para fazer amanhã e me arrisco a dizer que não sei absolutamente nada.
— Nee, estou tentando estudar para essa prova horrível que tenho amanhã e o barulho dessa tv está me incomodando. Você não pode desligá-la? — Falo, suplicante. Ela me olha, ofendida, como se eu tivesse pedido para ela para se retirar ou tivesse dito que não a queria no recinto. Suspiro, novamente, vendo que isso não vai ser nada fácil. Minha irmã é maravilhosa, mas é muito difícil lidar com ela.
— Eu só tô esperando uma amiga. Eu não posso desligar a tv agora porque eu não tenho nada para fazer enquanto eu a espero. E está passando esse filme fantástico… Gaa, o filme é muito bom, eu preciso terminar de vê-lo.
E eu preciso estudar. Não posso acreditar que não vou brigar por isso. Bagunço meu cabelo mais uma vez, começando a ficar estressado. Estudar no quarto era realmente uma péssima escolha? Eu poderia deitar um pouco... Foco, Gaara, foco. Você precisa passar na faculdade.
Eu preciso mesmo? Meus pensamentos estão muito confusos. Abaixo a cabeça, encostando-a nos meus braços, em cima da mesa. Tomo algumas respirações, para me acalmar e me livrar do cansaço. Preciso continuar.
A campainha toca, alta e levanto minha cabeça. Quem é a essa hora da tarde? Minha irmã se levanta, animada para abrir a porta. Com certeza deve ser a amiga da qual ela estava falando. Ótimo. Mais barulho, menos estudo. Muito interessante. Adoro, inclusive.
A porta se abre e de onde estou consigo ver uma cabeleira loira clara, da pessoa que está nos braços da minha irmã. As duas se abraçam, começando a conversar alto. Todo o meu cansaço e meu estresse foi embora. Se for quem eu estou pensando que é, a tarde começa a ficar maravilhosa.
Pela luz do sol que me ilumina
Não existe nada mais que me fascina
Que te ver chegar
Elas se soltam uma da outra, ainda conversando na porta. Temari é bastante alta, quase mais do que eu, por isso não posso obter a certeza de quem é, ainda, e se a pessoa na porta é realmente a pessoa que eu quero que seja. Pelo típico rabo de cavalo e a voz escandalosa, com certeza é.
Ino Yamanaka. Ela e Temari são amigas há séculos. E eu a conheço desde sempre. Desde quando éramos crianças e todas essas coisas. Nós brincávamos juntos, eu, ela, Temari e meu outro irmão, Kankuro. Ele era mais velho, mas mesmo assim sempre se envolveu em nossas brincadeiras. Havíamos nos conhecido, eu e ela, porque nossos pais eram muito amigos. Antigamente, bem mais, hoje em dia nem tanto. Ambos se mudaram e então o contato foi acabando com o tempo. Atualmente, apenas eu, Temari e Ino conversamos. A loira vem sempre à nossa casa, até mesmo porque moramos perto.
Eu e minha irmã dividíamos uma kitnet perto da faculdade. Era pequena, mas aconchegante, conseguimos colocar todas as nossas coisas, que não eram muitas, ali dentro e transformar no nosso espaço. Ino morava em outro kitnet, sozinha, não muito longe do nosso. As duas sempre se juntavam para sair ou ficar em suas casas, sendo que dessa vez a casa escolhida fora a nossa.
Elas finalmente saem da porta, vindo para dentro. Estou apenas de short, afinal estou em casa. Não vou vestir uma roupa só porque tem uma visita, principalmente sabendo que essa visita já é de casa e já está acostumada a isso. As duas andam em direção ao sofá, conversando como loucas.
Não sei exatamente quando Ino parou de ser uma menininha e virou uma mulher para mim. Não sei quando comecei a reparar nela, na sua beleza e nas suas curvas. Ela não era tão alta como Temari, mas também não era tão baixa. Devia ter por volta de 1,60 metros ou algo assim, não sei bem. Sua pele era bronzeada puxada para o tom de rosa, seus olhos grandes azuis como o céu. Seu corpo era bonito, seus seios pequenos, mas firmes, suas coxas de tamanho médio e sua bunda normal. Não havia nada de tão extraordinário nela, a princípio, mas ela era fenomenal. Seu sorriso era incrível, sua personalidade, seu jeito e seu carisma eram simplesmente incríveis. Ino era uma das pessoas mais fantásticas que eu já havia conhecido. E eu estava totalmente de quatro por ela.
Com a pele bronzeada e a boca vermelha
E esse sorrisão de orelha a orelha
Vai me faltando o ar
Ela vestia uma saia jeans curta, acompanhada de um cropped laranja que combinava com ela e sandálias rasteiras no pé. Sua boca estava pintada com um batom vermelho vibrante, que destacava ainda mais suas feições. No caminho para o sofá, ela me percebeu ali e me cumprimentou com um aceno, um sorriso grande e belo nos lábios finos.
— E aí, Gaara. — Meu estômago revirou quando ela se dirigiu a mim. Eu era completamente louco por essa garota, por seu sorriso, pelos seus olhos, pelo seu brilho. Todo o estresse fora para longe de mim. Prova amanhã? Que se dane. Eu só quero ficar perto dessa garota e conversar com ela e olhá-la a tarde e noite todas.
Ela não sabia de forma alguma que eu tinha essa queda por ela. Minha irmã também não. Bem, eu nunca tinha dito nada a ela. Mas sabia que ela tinha uma leve desconfiança dos meus sentimentos pela loira. Temari era bastante observadora e seus olhos eram como os de uma águia para notar esse tipo de coisa.
— E aí, loirinha. — respondo, com um sorriso também. Sua expressão fica divertida com a menção do apelido que eu dei a ela quando tinha dez anos. Éramos duas pestes e éramos muito amigos naquela época, então vivíamos dando apelidos um ao outro. Esse foi o único que resistiu ao tempo.
Ela e Temari se sentam no sofá, nenhuma delas prestando atenção em mim. A tv continua ligada, em um filme qualquer que minha irmã estava assistindo, enquanto as duas tagarelam sem parar sobre algo que não consigo compreender. Elas devem estar falando de seus namorados ou algo assim. Ou até mesmo falando de coisas da faculdade.
E sim, Ino tem um namorado. Quero dizer, até onde eu sabia ela ainda tinha. O nome dele era Sasuke. Eu gostaria de poder dizer que o cara era um babaca sem futuro e idiota. Mas, infelizmente, para o meu azar, ele não era. Ele era um super cara, incrível e prestativo, amigo de todo mundo. Nós, aqui de casa, havíamos ido para a casa da Yamanaka algumas vezes para jantar com ele. Desde o primeiro momento ele sempre fora um cara cortês, generoso, ele tratava a namorada super bem e todos os amigos dela. Eu podia gostar dela, sim, mas isso não queria dizer que só por causa disso eu não podia gostar do namorado dela.
Eu fico triste por saber que ela não é a minha namorada, como eu gostaria, mas me deixa satisfeito o fato de que ela está sendo feliz com outra pessoa. Ela ser feliz, isso é tudo o que importa para mim. Tento voltar para os estudos, mas é impossível. Eu fico observando a interação delas mais do que eu gostaria. Eu já era distraído por natureza, mas tendo a garota que eu gosto perto de mim? Era impossível me concentrar em qualquer outra coisa que não fosse ela.
Em algum momento ela se virou e olhou para mim, com um sorriso sensacional em seu rosto, que me fez arrepiar. Ela tinha um sorriso muito bonito e uma aura maravilhosa e contagiante. Não sabia se ela estava rindo de mim, provavelmente era de alguma coisa, algum podre sobre mim que a minha irmã havia dito, ela não perdia a oportunidade de me difamar. Não importa se o sorriso era de mim ou para mim, vê-la sorrir era como estar no céu.
Se esse sorriso for pra mim
Eu sou o cara que tem mais sorte no mundo
Em algum momento, elas param de conversar e voltam para o filme. Para quem queria muito ver o filme, Temari passou a metade do tempo sem nem ao menos olhar a televisão. Balanço a cabeça diante da irmã caloteira que tenho em casa. A essa altura, já desisti dos livros. Não vou conseguir estudar mesmo. Amanhã é um novo dia e eu me viro para fazer a prova.
Puxo minha cadeira para perto do sofá, já que elas ocupam toda a extensão deste. Estamos todos concentrados no filme. Minha irmã saiu para a cozinha por um momento, para fazer a pipoca, deixando eu e Ino sozinhos na sala. Sei que devia ficar constrangido com a situação, mas não é o caso. Eu e a loira éramos tão acostumados a ficar um perto do outro que a situação era normal. Meu coração estava um pouco acelerado e as borboletas em meu estômago estavam agitadas, mas tirando isso, tudo sob controle.
Não olho para ela, até porque não tenho essa obsessão louca de ficar encarando-a. É claro que eu adoro olhar para ela, mas não o tempo todo. Ela pode ficar incomodada e isso é tudo o que eu menos quero. Não quero que ela ache que eu sou psicopata e se afaste. Temari não demora a voltar com a pipoca e refresco para nós. Comemos e bebemos em silêncio enquanto nossos olhos estão grudados na tv à nossa frente.
O filme acaba depressa e logo outro começa. A história não nos interessa, então as meninas voltam a conversar sobre alguma coisa. Ouço o nome do namorado de Ino, enquanto vejo-a fazendo uma careta estranha. Estou curioso, por isso não controlo minha boca.
— Sasuke, seu namorado, como ele está? — Pergunto, para ser educado. Sei que sou muito óbvio, mas não tinha como ficar enrolando nessa situação. Seus olhos azuis estão tristes e sua expressão fica um pouco sombria com a minha pergunta.
— Ah, tudo bem. Acho que ele está bem. Não estamos mais juntos. — A resposta me pega de surpresa. Me sinto triste ao vê-la triste, mas uma pequena parte do meu cérebro está feliz com a novidade. A partir de agora tenho uma chance com ela, uma chance de fazê-la olhar para mim.
Azar de quem perdeu, agora sou eu
Quem vai te queimar no meu fogo?
E amanhã vai ter de novo
— O que aconteceu? — Sei que estou sendo intrometido e Temari não para de me lançar olhares do tipo “cala sua boca” e “o que você está fazendo?”, mas no fundo sei que é o que ela queria perguntar também, só não teve coragem. Eu estava curioso ué, qual era o real problema?
— Eu terminei com ele. Ele era uma pessoa incrível e tudo, mas não estávamos dando certo. Eu não queria estar com ele realmente. Eu me sinto triste porque eu o magoei, mas acho que preciso dar um chance para mim mesma sabe, e dar uma chance para ficar com a pessoa que eu quero mesmo. — É uma declaração e tanto que me murcha. Há outra pessoa na vida dela. Há outra pessoa. Não perco o que ela diz em sua fala, que terminou com Sasuke porque gosta de outra pessoa. Ou seja, continuo não tendo chance. Meu coração despenca. A queda foi maior porque a expectativa aumentou. Odeio isso. A garota não pode ser minha e ponto final?
— Sinto muito. — Estou um pouco desanimado, não vou mentir. Quero que ela fique comigo, mas não ajuda eu não fazer nada para conquistá-la. Eu posso tentar, mas isso talvez vá ser muito difícil já que já tem outra pessoa no caminho… — Eu vou pro meu quarto estudar. — Digo, com um suspiro. Estou muito desanimado. Não quero ter que ir estudar, mas preciso, e depois do que acabei de ouvir, preciso mais do que nunca tirar isso da cabeça. Ela me encara, confusa, enquanto me vê levantando. — Eu tenho uma prova muito difícil amanhã. — Sei que não preciso explicar minha vida a ela, ou a ninguém, mas sinto necessidade de fazer isso para não magoá-la. Apesar de tudo, não quero que ela pense que não gosto da sua presença ou algo assim.
Eu me preparo para sair. Viro as costas e começo a andar, até que sua voz me impede.
— Gaara. — Ela diz, repentinamente. Olho para trás, para ela, para seus olhos suplicantes. Ela parece estar querendo me dizer tudo e nada, ao mesmo tempo. Continuo olhando-a, esperando que ela diga o que há. — Eu vou fazer um jantar na minha casa no final da tarde. Eu já pretendia chamar você e a Tema, estava querendo cozinhar uma receita nova. Podemos ver um filme ou conversar, jogar um jogo... Você pode ir?
Um jantar na casa dela? Não há nada de novo. Sempre jantávamos na casa dela, ou ela aqui. Não era nenhuma surpresa nesse convite. Fora em um desses jantares que ela havia nos apresentado seu namorado. Ex-namorado.
— É claro que sim. Tudo bem. Temari, quando você for, bate na porta do meu quarto para eu ir com você. — Minha irmã acena, dou um sorriso fraco e vou para o meu quarto. Fecho a porta, pego meu fone de ouvido e deito na cama, ligando uma música qualquer. Os livros estão jogados ao meu lado. Não tenho vontade nenhuma de estudar agora. Só quero fechar os olhos e esquecer que o mundo existe. E é isso que faço.
***
Acordo com uma batida nada discreta na porta do meu quarto. Alguém está esmurrando a madeira e gritando. Consigo ouvir bem pouco, quase nada, já que a música está no último volume. Tiro meus fones de ouvido, percebendo que havia caído no sono durante a tarde. Posso ver que já é noite, olhando pela janela do meu quarto. Está um breu dentro do meu espaço. Levanto-me e esfrego o rosto, enquanto Temari continua gritando do lado de fora. Me arrasto até a porta e assim que a abro, dou de cara com seu rosto vermelho.
— Você não estava me ouvindo? — Ela berra, depois de superar a surpresa de me ver abrindo a porta do nada. Seu rosto está contorcido de raiva. Ela já está arrumada, como se fosse sair. Usa um vestido azul esverdeado, o cabelo preso em seu penteado habitual, um batom rosa nos lábios.
— O que foi? O que é? — Não estou mal humorado, como geralmente fico assim que acordo. Estou apenas naquele estado em que não está nem acordado nem dormindo, mas uma fase entre esses dois. Ainda estou processando todas as informações.
— Já são sete horas. Sete! Você quer chegar na Ino pro café da manhã, é isso? — Então, de repente, me lembro do jantar. Não faço ideia de quantas horas dormi, umas três ou quatro, mas não estava lembrando do compromisso da noite. Suspiro e vou para o banheiro, murmurando para a minha irmã que vou apenas tomar um banho rápido antes de irmos.
Entro debaixo da água gelada, que é o suficiente para me despertar por completo. A pior parte disso? Era que eu de repente me lembrava de tudo o que havia acontecido pela tarde. É tão bom o momento que você acorda e parece perdido no espaço, sem ter noção de nada. Percebo que ela terminou com Sasuke, mas que está na de outro cara. E minhas chances? Continuam negativas.
Escovo meus dentes e saio para o meu quarto de toalha. A loira está me esperando, sentada no sofá, de braços cruzados e com uma expressão nada boa.
— Calma, Temari, vai dar tempo. — Eu digo, antes de fechar a porta do meu quarto, para acalmá-la. Ainda são sete horas. Não tem como a janta em Ino já estar pronta a essa hora. Me seco com a toalha e visto um short jeans justo, uma camisa branca e meus tênis pretos. Enxugo meu cabelo o quanto posso, mas ele ainda fica com uma aparência de molhado, então deixo-o secar naturalmente. Passo perfume e desodorante rapidamente, pego minha carteira e celular e abro a porta.
Ela se levanta rápido, sua expressão ainda aparentando raiva. Pego as chaves de casa e saímos em direção à saída. A casa de Ino é três quarteirões depois da nossa. Ando rápido, para acompanhar minha irmã, que anda como se estivesse correndo. A noite está gostosa e tranquila, o vento suave e morno. Não faz frio hoje.
Chegamos mais rápido do que o normal ao nosso destino, devido à pressa de Temari. Olho para o céu, enquanto ela liga para Ino vir nos buscar, seu kitnet é no terceiro andar de um prédio que tem outros kitnets também. Algumas nuvens escuras estão presentes, mas não acredito que vá chover. O tempo está tranquilo, nada que indique chuva repentina.
A loira da casa vem nos receber, nos levando direto à sua casa. É do mesmo tamanho da nossa. Ela tem um sofá, um tapete entre o sofá e a estante onde fica a tv, uns puffs no canto, e uma mesa de jantar, como a nossa. Sua cozinha é igualmente pequena, cabendo uma pessoa ou duas. Assim que entramos, já sinto um cheiro muito agradável de ervas frescas.
— In, me desculpa mesmo. O idiota do meu irmão estava dormindo, por isso chegamos tão tarde. Desculpa, eu queria ter vindo mais cedo pra te ajudar com as coisas. — Temari começa dizendo, me fazendo revirar os olhos. Tiro meus sapatos e vou direto me sentar no tapete, já sou de casa.
— Tudo bem, Tema, sem estresse. — Ela dá uma risada alegre, como se não se importasse. Olha para mim e pisca um olho, cúmplice. Abro um sorriso, contagiado com sua energia.
— O que eu posso fazer? — Eu pergunto, não tendo nenhuma intenção de ficar parado enquanto elas fazem o rango todo sozinhas. A Yamanaka estende um pote de brigadeiro, daqueles prontos, um prato, uma embalagem de óleo e um pacote de granulado. Levanto-me para pegar e coloco tudo em cima da mesa na sala.
— Você pode começar enrolando esses, de sobremesa. Sabe fazer?
— Assim você me ofende, loirinha. — Pisco para ela com um olho só, um sorriso galanteador em meu rosto. Nos olhamos por cinco segundos, o clima natural e descontraído. Ela usava um avental branco, por baixo dele um short de malha rosa, com uma blusa regata florida. Ela estava extremamente fofa com essa roupa.
— Eu vou colocando essa pizza no forno, tudo bem? Foi você quem fez a massa?
— Sim, fui eu. Tema, você precisa ver, eu vi essa receita fantástica na internet e eu precisava fazê-la em casa, urgente. Essa pizza vai ficar sensacional. Vocês vão amar.
E assim, seguimos. Eu enrolando os brigadeiros sozinho e passando no granulado, sentado na mesa da cozinha, enquanto Temari cuidava da pizza no forno, verificando para ver se estava boa. Enquanto isso, Ino ia fazendo mais uma pizza em cima da bancada da pia, enquanto uma conversa leve acontecia entre nós.
Lembrávamos do passado, de como éramos sapecas e corríamos por aí como se o mundo fosse acabar naquele dia. A noite estava, até o momento, se resumindo em risadas e muita diversão. Até o momento em que, repentinamente, a luz acabou. Realmente acabou. Eu não sei o que aconteceu, tudo o que sei é que, de repente, estávamos no escuro.
— O que está acontecendo? — Em seguida um barulho muito alto de chuva começando a cair foi ouvido. As nuvens escuras, claro. Eu achava que não ia chover, mas no final, acabou começando a chover. Minhas mãos estavam sujas de óleo, brigadeiro e granulado, então nem mesmo arrisquei pegar meu celular para iluminar o local. Ao pouco, minha vista foi se acostumando ao escuro. Pude ver a silhueta de Temari, abaixada perto do forno, assim como a silhueta de Ino, ainda em pé, no mesmo lugar onde estava, as mãos paradas em cima da pizza ainda inacabada.
— Vocês estão bem? — Pergunto, me levantando da cadeira onde estou e indo em direção a cozinha. O recinto é pequeno, por isso fico só na porta, olhando para elas duas.
— Está chovendo. Será que foi por isso que acabou a energia? — Minha irmã pergunta, ainda abaixada. Olho para ela e dou de ombros, mesmo que ela não possa me ver. A Yamanaka se vira para olhar para mim, as mãos também sujas dos ingredientes. A única que está com as mãos limpas é Temari.
— Tema, você pode abrir a porta e ver se os outros vizinhos ainda tem energia? Minhas mãos estão sujas.
— Claro. — Ela se levanta e saio do caminho para deixá-la passar. Continuo ali, onde estou, esperando-a voltar com a notícia. Ela abre a porta, coloca a cabeça de fora, olha por um tempo e depois volta para a cozinha. — O vizinho do lado tem luz. Não sei se acabou só aqui. Se você quiser ir lá para ter certeza…
— Não, eu não posso. Preciso terminar essa pizza aqui, estou no meio de um processo. Se eu sair não vou conseguir me lembrar aonde parei. Você ou Gaara podem ir lá?
Dou de ombros. Posso ir, sem problemas. O silência reina por um momento, antes que alguém se pronuncie.
— Tudo bem. Gaara, olha a pizza para mim. A energia acabou, mas não sei se a pizza já está boa ou se é melhor deixar ela um pouco no forno quente. Eu volto já, ok?
Ela sai pela porta, fechando-a atrás de si. Tomo seu posto na cozinha. Vou direto para o forno e me abaixo, tentando ver alguma coisa lá dentro. O fogo ainda está aceso, isso é certo, porque brilha, mas não consigo ver a situação da pizza. Não consigo ver se ela já está pronta ou não. Levanto-me, indo até a pia, ao lado de Ino.
— Gaa? — Ela pergunta, em uma voz suave, quando paro ao seu lado na pia, com a intenção de lavar as minhas mãos para poder pegar meu celular e ver a situação da nossa comida.
— Estou aqui. Você pode chegar um pouco mais para o lado para eu lavar as mãos?
— Claro. — diz ela, dando-me espaço. Abro a torneira, tentando lavar todo o óleo e brigadeiro presente nela, quando um grito me pega de surpresa.
Olho para a sombra de Ino, que está meio abaixada com as mãos na perna. Procuro um pano para secar minhas mãos e me aproximo dela, segurando em seus ombros e ficando da sua altura.
— O que foi? Tudo bem?
— Encostei minha perna no forno, acho que me queimei. Eu fui chegar para o lado para te dar espaço, mas não vi muito bem aonde estava indo.
— Tudo bem, você consegue se levantar? Nós podemos ir ao banheiro lavar essa queimadura e aplicar uma pomada. — Ela se levanta, gemendo de dor, minhas mãos agora em sua cintura. Ela dá um passo na minha direção, para que eu a ajude. Repentinamente, a luz volta.
Tudo o que posso perceber, agora com o ambiente mais claro, é que estamos muito perto um do outro. Nossos corpos estão colados, nossos rostos mais próximos do que o normal. Olho em seus olhos azuis brilhantes. Ela está olhando nos meus também. Uma tensão cresce entre nós, uma expectativa pré-beijo. Sua queimadura é esquecida. Há um magnetismo irresistível que me puxa para ela, que leva minha boca à sua, algo que não posso controlar. Meus olhos se fecham sem o meu comando.
Nós nos aproximamos ainda mais e então nossas bocas se encostam. A princípio suavemente, mas assim que sinto seus lábios nos meus, não posso me controlar. Com as mãos já em sua cintura, puxa-a para mim, apertando seu corpo contra o meu. Sua boca se abre para receber a minha, suas mãos instantaneamente indo para o meu pescoço, para o meu cabelo.
Nosso beijo é apressado, duro, sensual, quente. Não há espaço para ar entre nós. Estamos muito colados, nossas bocas unidas como se fossem uma só. Ela está em meus braços e isso é tudo que importa.
Ino se afasta abruptamente. Ela olha dentro de mim, suas mãos ainda me segurando. Ela só precisa dizer uma palavra para que eu entenda tudo o que ela quer.
— Quarto. — Eu tenho toda a mensagem que preciso. Volto a beijá-la, puxando suas pernas para a minha cintura enquanto ando para o seu quarto e a deito na cama. Não me preocupo em fechar a porta. Temari? Não importava. Nada importava no momento a não ser sua boca na minha.
E às 9 da manhã, quando você acordar
E se perguntar: Como foi? Como é?
A luz entra pela janela, vindo diretamente para o meu rosto. Estou cansado, mas está quente, estou com muito calor. Há alguém em cima de mim, literalmente em cima, nossas peles em contato um com o outro provocando o calor. Abro meus olhos, para perceber que seu cabelo loiro está todo espalhado por meu peito e pescoço e há um lençol que cobre a nós dois em cima dela.
Viro-me com todo o cuidado, de forma a colocá-la na cama sem acordá-la. Estou nu, assim como ela. O sol já está forte lá fora. Tento me sentar, sem provocar movimento algum na cama, mas é impossível. Ino se mexe e se estica, abrindo seus lindos olhos azuis, diretamente para mim.
— Bom dia. — Ela inicia, toda sorridente. Não posso não sorrir. Estamos juntos há seis meses agora, desde o dia do incidente com o apagão e o jantar em sua casa e mesmo assim ela continua linda e esplêndida a cada manhã que acordo ao seu lado.
— Bom dia. — Vou em direção a ela, trazendo-a para os meus braços. Beijo sua bochecha macia e ela fecha os olhos com o meu carinho.
— Como viemos parar aqui, ham, assim, desse jeito gostoso? — Mantenho o sorriso perante sua fala. Como estamos aqui? É bem óbvio. O que não é tão óbvio e até hoje é confuso, é o tempo que demoramos para ficar juntos. Se eu gostava dela e ela de mim, porque estávamos separados, afinal?
— O jantar. — Eu digo e seu sorriso duplica de tamanho, como se isso fosse possível. Dou uma risada com sua expressão. Ela é tão absurdamente sensacional. Ainda mais em meus braços.
— A pizza, certo. A pizza que no final acabou queimando. — Damos risadas juntos. Não se pode acertar em tudo, certo?
O jantar. E era para ser só um jantar… Dou uma nova gargalhada ao me lembrar de toda a situação confusa pela qual passamos. Ela se levanta, seu corpo nu brilhando com o sol, enquanto fico sentado na cama, admirando toda a extensão da sua beleza. Ela percebe meus olhos famintos e põe as mãos na cintura, um sorriso sapeca no rosto.
— Café da manhã, que tal?
Ela não disse o quê.
A gente só saiu pra jantar e foi ficando
É que a gente só saiu pra jantar e foi ficando
A gente saiu e ficou pro café
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