Can't let you go.
45 Capítulo 45
Notas iniciais
Felipe foi buscar Clara na capela. Helena o viu entrando e tocou no ombro de Clara que abriu os olhos e olhou para trás. Ao vê-lo ali, não quis ouvir nada, passou correndo por ele e foi em direção ao quarto. Felipe decidiu então ir com Helena e Ivan conversar com a família.
Clara abriu a porta do quarto e parou ao vê-lo vazio. Sentiu suas pernas enfraquecendo e pôs a mão no portal para não cair, sentindo que seu coração parava.
– Não! — Sua voz mal saiu. – Não, não.
– Senhora. — Clara ouviu uma voz masculina. Sua cabeça rodava tanto que a voz que parecia distante, mas sentiu o homem por a mão em seu ombro. – Senhora?
Ela olhou para ele e viu que atrás dele estava uma maca com Marina.
– Marina, meu amor! — Correu e pôs suas mãos trêmulas nela. — Meu amor, meu amor. Ela tá?
– Tá bem — Paulo apareceu. — Resistiu bravamente, a cirurgia foi um sucesso.
Clara chorou. – Ai, minha Marina! — Se agarrou no corpo dela, as mãos tremendo, chorando incontrolavelmente e beijando seu rosto.
Depois começou a rir e fechou os olhos, com o rosto colado no dela. — Ai, meu amor. Graças a Deus.
Paulo tocou nas costas dela.
– Vamos por ela no quarto.
Clara se afastou, permitindo que o enfermeiro passasse com ela, e abraçou Paulo.
– Muito obrigada, muito obrigada, eu não viveria sem ela.
Ele sorriu. — É mais mérito dela do que meu. Mas eu aceito o agradecimento e quero convite VIP pra uma exposição. – Riu. — Marina Meirelles esteve sob meu bisturi sem que eu conhecesse o trabalho dela, isso tá errado.
Clara riu. – Claro. — Depois ficou séria. — E.. E Aninha?
Paulo pôs a mão nas costas dela para que ela andasse com ele.
– O parto tão prematuro e naquelas condições foi muito estressante para a bebê. Mas a Fátima vai poder te explicar melhor tudo que aconteceu.
– Você deve ser a Clara. — Estendeu a mão para cumprimentá-la. — Dra Fátima, pediatra, participei do parto.
Continuavam andando e pararam em frente a um vidro.
– Ela já nasceu sem chorar, sem batimentos.
Clara pôs a mão no peito e enxugou os olhos, olhando para baixo.
– Não foi nada fácil e ela vai precisar muito das mamães.
Clara olhou para a médica, surpresa, depois olhou pelo vidro e viu uma menininha tão pequena que nem parecia real. Pôs as duas mãos no vidro chorando. Paulo pôs a mão no ombro dela.
– Você tem duas guerreiras. E a Fátima aqui foi maravilhosa! Muito obrigado, Fátima.
Ela sorriu.
Clara permanecia imóvel, calada, vendo sua filha pelo vidro. Estava de fralda, touca e protetor ocular.
– Ela é muito pequenininha, teve uma chegada difícil, precisou ser reanimada, mas tá bem. Vai precisar ficar uns dias na incubadora.
Clara assentiu. — Eu posso.. Posso entrar?
– Claro. Só precisa vestir isso e se lavar.
Ela concordou.
Clara entrou e pôs um dedo pelo buraco da incubadora, tocando a mão da bebê. Clara a sentiu segurando o dedo e resmungando.
– Oi, meu amor. — Sorriu. — Mamãe tá aqui, tá bom? Minha guerreirinha, sua mãe lutou tanto por você, lutou tanto, meu amor. E você conseguiu também, não esperávamos menos de você. — Riu.
Fátima entrou.
– Desculpa, não sei se podia, mas já tô com a mão nela.
– Não tem problema. Isso é mais importante para ela do que você imagina. Mal nasceu e já passou por tanto. Ela nunca se sentiu tão sozinha quanto agora. No útero, ela tinha vários pontos de segurança. O lugar quentinho, as batidas do coração e a voz da mamãe. Agora ela não tem nada.
– Tem a voz da mamãe, né, meu amor? Mamãe aqui falava tanto com você, você lembra? Tô aqui do seu lado.
– Desembucha, Felipe. — Chica apressou.
– Deu tudo certo. — Passou um dedo no olho, quase chorando.
Várias comemorações foram ouvidas e todos se abraçaram.
– Minha filha? — Diogo perguntou abraçado com Vanessa.
– Tá bem. Já tá no quarto e daqui a pouco devem começar a permitir visitas. Ela só precisa ser monitorada ainda. Mas agora todos aqueles problemas vão acabar. Ela vai ficar bem.
– Graças a Deus. — Diogo abraçou Ricardo, e Flavia segurava Vanessa que não conseguia parar de chorar.
– E minha irmã? — Ivan perguntou, segurando a bolsa de roupinhas que Chica tinha lavado e buscado.
– Vai ter que ficar um tempo aqui, mas vai ficar bem.
Todos comemoraram ao saber que a neném também estava bem.
– Ouviu, vó? Senhora tava certa. Alguém tem que levar as roupinhas dela, ela deve tá precisando.
Felipe pegou a bolsa. — Vou levar. Clara já deve estar com ela. Marina ainda está dormindo.
– Felipe, assim que ela acordar..
– Eu te chamo, Diogo.
– Obrigada.
Felipe entrou no berçário.
– Princesinha deve estar precisando disso.
– A bolsa? Quem trouxe? — Sorriu.
– Mamãe foi buscar quando entraram pra cirurgia.
– Ai, mas a gente nem lavou, nem..
– Dona Chica já cuidou de tudo. Enquanto você cuidava da Marina, ela foi chorar lavando roupa. — Riu.
– Olha como ela é pequena, Felipe.
Ele ficou olhando pra sobrinha e rindo.
– Bonequinha da mamãe.
Pegou a mão de Felipe.
– Muito obrigada pela força.
– Claro, é a nossa família.
– Quando vão poder vê-la?
– Não vão poder entrar, mas podem vê-la pelo vidro.
– Ela não precisa mamar?
– Ela já foi alimentada. Leite do banco, ela não precisa de muita coisa ainda. — Fátima respondeu e Clara assentiu.
– E a Marina?
– Deve acordar logo.
Ouviram uma batidinha no vidro, olharam e viram Diogo, Chica e Ivan sorrindo aliviados e olhando Ana Carolina com curiosidade.
Clara acenou. — Seu irmão tá aqui, Aninha. E seus avós também.
– Que lindo, é seu filho?
– É, é nosso bichinho.
Mais tarde, Clara foi ao quarto de Marina, que ainda dormia. Sentou ao lado da cama e pegou a mão dela.
– Você conseguiu, amor. Salvou nossa filha e resistiu também. Ela tá bem, mas quer você. Ela sente sua falta.
Deitou a cabeça no braço de Marina e sentiu todo o cansaço desses últimos dias pesar em seus ombros. Fechou os olhos.
Marina começou a recobrar a consciência, mas não abriu os olhos.
"O que aconteceu?" Pensou. "Cadê a Clara?"
Pouco a pouco as lembranças voltavam.
"Eu apaguei, o que aconteceu?"
Sentiu seu corpo extremamente cansado e um desconforto. "Minha filha." Se lembrou de que queriam operá-la e sentiu uma pontada na barriga. "Não!"
– Ana.. — Abriu os olhos e tentou falar.
Clara abriu os olhos pensando ter ouvido algo.
– Clara. — Marina chorou, mas conseguiu falar.
– Marina. — Clara levantou a cabeça e olhou pra ela. — Meu amor. — Sorriu. — Tô aqui. E você tá bem. — Beijou a mão dela e pôs no peito. — Tá tudo bem. – Passou a mão em seu rosto.
Vendo Clara sorrir, Marina sorriu também.
– Ana Carolina? — Marina tentou por a mão na barriga, mas seu corpo estava muito fraco ainda.
– Ela é linda, amor.
Marina chorou e sorriu aliviada. — Ela tá bem?
– Tão pequena. Mas tá bem.
– Cadê?
– Incubadora no berçário. Mas você vai poder vê-la logo.
Marina chorava.
– Me beija?
Clara a beijou e Marina a puxou pelo pescoço.
– Eu tive tanto medo. — Encostou a testa na dela. — Tanto medo de te deixarmos.
– Eu também. Eu não conseguiria te perder.
Marina pegou a mão dela. — Mas isso não aconteceu, não vamos mais pensar nisso, tá? Cadê o Ivan? Meu pai?
– Loucos pra te ver, já devem estar vindo. E Paulo disse que sua pressão já tá caindo. — Clara sorriu.- Ela parece você, é tão lindinha.
– Tá vendo? Eu falei tanto que não ia aguentar esperar nove meses para vê-la. — Riu, mas fez careta sentindo dor.
– Vai com calma, amor.
Bateram na porta.
– Ivan e seu pai. — Clara se afastou dela.
– Espera. — Marina a puxou para si novamente, ofegante. — Você é o amor da minha vida, Clara.
Clara a abraçou e se beijaram novamente. — E você da minha.
– Pronto, agora pode deixar eles entrarem. — Riu.
Ivan entrou e já foi correndo para perto de Marina.
– Cuidado, filho.
Ele parou de correr.
– Ela é pequenininha, mãe. — Abraçou Marina. — Mas é tão fofa.
– Meu amor. — Diogo beijou o rosto dela. — Não me assusta desse jeito de novo. Nunca mais na sua vida. Eu não aguentaria.
– Pai. — Marina pegou a mão dele. — Tô tão feliz.
Depois de toda a família entrar para vê-la, Paulo voltou ao quarto com as mãos na frente.
– Será que eu posso entrar?
Marina riu. — Pode, não vou te atacar de novo. Tenho que te agradecer agora, pode vir.
Ele entrou.
– Obrigada, Paulo. Por tudo e.. me desculpa...
– Não precisa. Eu tinha que falar pra vocês o que estava acontecendo, mas eu já esperava aquela reação. Eu sabia que você não ia deixar e você estava certa. Olha aí, deu tudo certo no final, pras duas. Como você tá?
– Bem. Desconfortável, mas dor mesmo não tô sentindo, não.
– Ótimo. Vamos ver essa pressão. — Pegou o esfigmomanômetro. — 130 por 90.
Ela olhou preoucupada.
– Tá ótima, tá caindo. Você quase chegou no 190. — Passou a mão no braço dela, que relaxou. — Você vai ficar bem. Mas imagino que esteja louca para ver a nossa garotinha.
– Nossa, só não saí me arrastando daqui ainda, porque já dei trabalho demais pra Clara nesses dias. — Riu.
– Pelo amor de Deus, já chega. — Ele riu. — Já tivemos emoções demais. Mas vamos lá.
Uma enfermeira entrou com cadeira de rodas.
– Aqui, doutor.
– Obrigada. Eu vou te levar até ela.
Marina respirou fundo olhando para Clara, seus olhos brilhavam.
– Vamos!
Paulo ajudou Marina na cadeira de rodas e foi empurrando.
– Ai, tô nervosa. — Marina passou as mãos nas pernas rindo, Clara pegou em seu ombro.
Pararam para vestir a roupa apropriada e lavar as mãos e entraram.
– Meu Deus. — Olhou para a bebê. — Ela é tão pequenininha, Clara! Eu posso?
– Pode, pode pegar nela.
Marina pôs o dedo na mãozinha dela. — Oi, meu bebê. — Sorriu. — Oi, meu anjo. A mamãe demorou mas já veio te ver. Eu tava louca pra te conhecer. Como você é linda!
Ana Carolina resmungou.
Marina sorriu, ao mesmo tempo em que chorava, acariciando a mãozinha dela.
– Viu? Ela reconhece sua voz. — Clara a abraçou.
– Eu te amo tanto, sabia? Desde que descobri que tava aqui dentro ó. — Pôs a mão em sua barriga. — Todos nós. Ela não tá com frio? Tá sem roupinha.
– Não, a incubadora é aquecida.
– Quando vou poder pegar? — Perguntou sem tirar os olhos da filha.
– Logo. Ela só tem que ficar aqui por enquanto.
– Tá. — Ficou sorrindo. — Logo, logo, nós vamos poder te abraçar e te dar todo amor do mundo. – Acariciou a mãozinha dela. — Minha filha.
Fale com o autor