Can't let you go.
30 Capítulo 30
Notas iniciais
– Clara, bandida. Não quis vir comigo porque está aprontando alguma, aposto.
Marina balbuciava enquanto se maquiava frente à um espelho do seu quarto num hotel em São Paulo. Havia viajado até lá para se encontrar com seu pai no final de semana.
Diogo Meirelles estava de passagem na cidade para uma reunião de negócios e pediu a filha que o fosse ver. Além de poder matar a saudade, gostaria de discutir questões acerca do estúdio. Já que havia voltado a patrociná-lo como antes da crise, e a carreira de Marina estava novamente à todo vapor, com exposições internacionais, passou a se interessar mais por essa parte de seus negócios. Se lamentou não poder passar no Rio e insistiu que Clara e Ivan também fossem, para matar a saudade de toda a família.
Ivan estava numa viagem com Cadu e Verônica, e Clara, contra a vontade de sua esposa, ficou ajudando as meninas a dar os últimos retoques em fotos que seriam enviadas para uma exposição em galeria de arte na Espanha. Havia ainda muito trabalho a ser feito, Marina reconhecia, mas preferia a companhia de Clara.
Ouviu uma batida na porta.
– Tudo pronto, minha filha?
– Sim, podemos ir. — Sorriu.
– Ótimo, seu vôo sai em 40 minutos e logo após eu pego o meu. — Pegou a pequena mala de Marina e segurou a porta para que ela passasse.
– Não demora a voltar, heim? — Passou o braço em suas costas, para andarem abraçados.
– Não vou, não consigo mais ficar muito tempo longe da minha família. — Beijou a testa da filha. — É bom que não seja basicamente só nós dois mais. Virei sogro e virei vovô.- Riu. — Aliás, diga à Clara que não perdôo a ausência e do nosso menino. Adoro aquele menino!
– Também não perdôo, direi com certeza. — Enfatizou.
Diogo riu novamente. — Calma, menina, já já estará com seu amor novamente.
Entraram num táxi que já os aguardava em frente do hotel.
– Seu casamento muito me agrada, fazia muito tempo que você não era verdadeiramente feliz como tem sido desde que conquistou sua Clara. Fico até mais tranquilo com minha ausência, sei que está em excelentes mãos. Claro que a Vanessinha sempre manteve os olhos e algumas rédeas em você, mas era de outro tipo de cuidado que você precisava… de amor.
Marina olhou para ele sorrindo.
– É incrível essa sua percepção da vida. Esse seu dom. Lembro quando você ainda era aquela menina miúda e chegou em casa assustada, confidenciando à mim e sua mãe que estava apaixonada por uma amiguinha e que ela não te correspondia. O fato de ser outra menina nunca te incomodou, mas você ainda temia nossa reação, desnecessariamente.
– Ainda bem, a última coisa que eu queria era que isso nos afastasse.
– Nós também.
– Mas por que você tá trazendo isso de volta agora?
– Porque depois desse conflito inicial você teve muitas namoradas e não namoradas, que eu sempre só ficava sabendo pelas revistas. Salvo Vanessinha que, por ser sua sócia, eu já conhecia.
Marina se encolheu um pouco no banco. — Ai, pai, vamos deixar esse passado no passado, por favor. Não me orgulho muito disso mais.
Diogo sorriu. — Só estou tentando chegar ao ponto de que quando numa ligação você me disse que havia encontrado o amor da sua vida, eu sabia que não devia ser menos que exatamente isso realmente.
Marina riu.
– Mesmo com todos os contratempos, sabia que sua vida ia mudar a partir daquele momento. É incrível como você sempre teve tanta certeza.
– Desde a primeira troca de olhares. — Sorriu orgulhosa e se recordando.
Diogo pegou sua mão. — Nós sempre tivemos uma boa vida, apesar das perdas. Mas eu sempre soube que te faltava um algo mais, essencial. E tô muito feliz que tenha encontrado. E muito feliz que seja a Clara. Menina de ouro. E que, quem diria, colocou Marina Meirelles para sossegar. — Riu.
Desceram do carro e se despediram.
– Até a próxima, minha filha, que será em breve. Mande um beijo pra todos.
– Assim espero. Te amo, velho.
Ele beijou sua cabeça novamente e ela o abraçou.
Pouco mais de uma hora depois, o relógio já mostrava 20 horas e Clara via o visor indicando que o avião de São Paulo tinha acabado de pousar. Aguardou ansiosa que Marina aparecesse na sala de desembarque e foi ao seu encontro.
– Meu amor.. — Foi calada com um beijo. — Hmm. — Abriu os olhos e sorriu. — Nossa, fiz tanta falta assim?
– Claro que fez, você sempre faz. — Clara a beijou novamente e pegou sua mão. — E aí, como foi lá com seu pai?
– Foi ótimo, de repente ele quer saber tudo que estamos fazendo. Futuros planos. Mas ficou ofendidíssimo com a sua ausência.
– Mas você explicou para ele, né, Marina? Que a gente tava trabalhando.
– Não te defendi, não, bandida. Fiquei tão ofendida quanto ele, seu lugar é do meu lado sempre.
– Marina.. — Clara suspirou,
– Tô brincando, meu amor. — Beijou sua mão. — Ele entendeu, mas estava com saudades de todos nós, principalmente do Ivan. — Sorriram. — E você? Como foi o fim de semana? E tá vestida assim por quê?
– Como? Tô normal, ué. Só me arrumei um pouquinho pra te buscar.
Abriu a porta para ela entrar no carro.
Marina fez um breve resumo de tudo que foi discutido sobre o estúdio e Clara sobre os últimos preparativos.
– Mas não ache que eu estou me esquecendo.. — Clara olhou para ela.
– Nem eu. Desculpa esse contratempo, dessa viagem ter caído justamente nesse final de semana, mas a gente pode aproveitar amanhã... — Percebeu que Clara não havia tomado a direção de Santa Tereza. — Ou hoje mesmo. — Sorriu.
Clara sorriu de volta e piscou para ela.
Parou perto do restaurante mais romântico do Rio de Janeiro.
– Meu favorito! — Marina vibrou e beijou seu rosto. — Às vezes, sei lá, às vezes eu acho que ainda não acredito. Que alguém possa ser tão feliz assim, ter tudo na vida!
– Já está na hora de cair a ficha, amor. — Clara riu pegando sua mão.
– Três anos. Você acredita? Que já faz três anos desde o nosso..
– Casamento lindo. Três anos dividindo tudo com você.
– E ainda é só o começo.
Foram recebidas pelo maitre que as levou até sua mesa.
– Clara, que lindo!
– Pedi que reservassem essa parte só pra gente. — Beijou sua mão e puxou a cadeira para Marina se sentar, fazendo ela sorrir ruborizada.
Havia apenas a mesa das duas na sala, o local estava perfeito para um jantar romântico, com luz adequada e música ao fundo.
– Que surpresa boa. Adorei!
Logo veio um garçom trazendo vinho para as duas. Marina olhou para ele meio sem entender.
– Tomei a liberdade de escolher nosso cardápio e bebidas já.
Marina provou o vinho.
– Divino. — Entrelaçou seus dedos com os de Clara sobre a mesa. — Hmm, meu pai tava falando todo coruja como é incrível que eu sempre soube que era você a mulher dos meus sonhos.
– Incrível mesmo. E sorte a minha que você já sabia desde sempre e não desistiu de mim. Às vezes eu fico imaginando. E se você tivesse desistido antes? E se, sei lá, eu tivesse continuado na minha casa? E se eu não tivesse ido atrás de você? E se..
– Se nada, Clarinha. Deus me livre. Não gosto nem de imaginar. Essa é nossa realidade, aqui, agora. — Beijou sua mão.
– Muito obrigada.
– Pelo quê?
– Por cumprir sua promessa e fazer de mim a mulher mais feliz do mundo, cada dia mais.
– Esse título nós compartilhamos. — Sorriu e Clara mandou um beijo pra ela.
O garçom retornou com a entrada e elas começaram a comer e voltaram a conversar sobre o que tinham feito no final de semana.
– No mais, só senti sua falta mesmo. E, claro, trouxe um presentinho.
– Presente, Marina? Ai, não precisava.
– Claro que precisava, qual o problema de presentear minha mulher? E esse é especial.
– Deixa eu ver! — Clara pediu animada, juntando as mãos.
Marina abriu sua bolsa e tirou uma caixinha quadrada.
Clara a pegou, sorriu para ela e abriu.
– Que linda, Marina!
Era uma pulseira em ouro rosa de berloques de corações, havia três deles. Clara pegou e Marina a ajudou a colocar.
– Os corações nos representam. Eu, você e o Ivan. Vai poder carregar nossos corações por aí agora. Pra estarmos sempre juntos. — Riu e fez uma pequena careta, achando meio brega o que tinha acabado de dizer. — Enfim.. — Riu de novo.
Clara pôs a mão com a pulseira no coração.
– É linda, Marina! Eu não sei nem o que dizer. Adorei. — Falou emocionada. — Só que.. Tem mais um? — Clara pegou um quarto berloque, que não estava na pulseira, estava solto na caixa.
Marina moveu sua cadeira pra poder sentar ao seu lado.
– Estive pensando. — Pegou o berloque e olhou pra Clara. — Sobre..
Clara esperava pacientemente.
Marina sorriu nervosa. — Estive pensando em.. aumentar a família? — Hesitou. — Parece ser uma boa hora, nós estamos bem e felizes, e acho que o Ivan também gostaria da ideia. O estúdio tá numa fase maravilhosa. Não vejo porquê não. E lembra quando perguntou se eu já havia pensado em ser mãe? Eu disse que sim. Nós temos o Ivan. Mas, estive pensando. Eu tive essa ideia e não consigo tirar da cabeça. Ultimamente, tenho pensado em um bebê. Nós podíamos ter um bebê. Por que não?
Clara ouvia o discurso nervoso calada e Marina já tinha começado a tremer.
– Eu acho que..
Clara a abraçou.
– Vamos ter um bebê. — Comemorou, e sentiu o corpo de Marina relaxar no seu.
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