Can't let you go.
46 Capítulo 46
Notas iniciais
– Marina, tudo bem? Eu sou a Fátima, pediatra. – A cumprimentou. — É uma alegria te ver acordada e bem. — Sorriu.
– Clara me disse tudo que você fez pela nossa pequena, muito obrigada. – Sorriu agradecida.
– Prazer meu ver nossa prematurinha bem. Nós vamos cuidar muito bem dela aqui, já que ela vai ter que ficar por um tempo. Olha, essa é a caderneta da bebê. — Passou o livrinho pra ela. – Tem várias informações legais sobre bebês, tem informações dela, já tem o cartão de vacinas e vocês devem levar em todas as consultas pediátricas para acompanharmos o crescimento dela.
– Tá bom.
– E com você, nós vamos estimular a descida do leite pra ordenhar pra ela e em breve amamentá-la.
Marina sorriu.
– Doutora Fátima aqui é uma fã sua, Marina.
– Verdade?
– Quando te reconheci na mesa de cirurgia, fiquei com o coração na mão esperando essa gracinha nascer. — Riu. — Já fui em algumas exposições e já falei pro Paulo não perder mais nenhuma.
– Vou na próxima, com certeza.
– Graças a vocês. — Marina respondeu.
Fátima ensinou às duas uma massagem para estimular a descida do leite. Marina teve que voltar para o seu quarto com a promessa de que poderia visitar a filha novamente em breve. Ficou fazendo a massagem enquanto isso.
– Ela é muito linda, Clara. Tão pequenininha, tadinha da nossa filha, foi expulsa antes do tempo.
– Mas não ia ter outro fim, do jeito que tava, pelo menos ela está bem.
Marina pegou sua mão. — E logo vamos pra casa continuar nossa vida. Será que vou ter que massagear por quanto tempo?
– O leite demora mesmo, é normal. Ainda mais que nem estava na hora ainda.
– Hmm, ela precisa logo.
– Mas ela tá sendo alimentada, não se preocupe.
– Só que não há nada melhor que o leite da mãe.
Pela manhã, Paulo foi visitar as mamães.
– Bom dia. Eu só trouxe boas notícias hoje.
– Graças a Deus, Paulo. Já tava começando a ficar com medo de te ver.
Eles riram.
– Resultado de exames. Seus exames têm demonstrado grande melhora, Marina. Plaquetas subiram, sua pressão está cada dia melhor e a função renal também tem se recuperado.
– Ai, Paulo, que bom ouvir isso!
– E a Aninha?
– A Aninha nós vamos visitar agora.
Marina já foi se levantando.
– Com calma, Marina! Deixa eu te ajudar e nós vamos de cadeira de rodas de novo.
– Tá bom.
– Vamos lá.
– Marina, como está?
– Bem melhor, Fátima, obrigada. Louca pra ver essa princesinha de novo. Oi, meu amor. — Marina pegou na mãozinha dela de novo. — Olha Clara, ela já parece um pouquinho maior, bem pouquinho. – Riu.
Fátima sorriu. — Hoje nós vamos fazer uma coisa muito importante pra ela, pra vocês duas.
– Ah, é? O quê? — Perguntou ansiosa.
– Hoje você vai pegar sua filha.
– Eu vou? — Marina riu. — Ai, Clara, nós vamos poder segurá-la, não tô acreditando. Espera, mas.. — ficou preocupada. — Ela já pode? Ela não precisa ficar aqui ainda?
– Precisa, e ela vai voltar. Você só vai poder pegar ela um pouquinho.
– E eu vou conseguir? A gente.. Ai, Clara, a gente devia ter treinado com uma boneca, eu acho que não vou saber pegar. E ela é tão pequena, Fátima. E se eu machucá-la??
– Não vai machucar, Marina, você é a mãe dela! E nós vamos te ajudar, né, Clara? Pode ficar tranquila.
Clara concordou, passando a mão nas costas de Marina para tranqüilizá-la.
– Eu só quero que você tire toda a parte de cima, pode ficar só de sutiã.
– Sutiã?
– Acho melhor eu sair para dar mais privacidade. — Paulo riu e se retirou.
– Sim, nós vamos colocar mãe e filha em contato, pele com pele. Ela precisa te sentir perto dela.
Marina concordou e tirou.
– Agora eu vou pegar ela aqui e vou te dar, bem devagar, pode ficar tranquila que eu só solto quando você estiver se sentindo segura, tudo bem? Tá pronta?
– Tô. – Respirou fundo.
– Vamos lá. Fica aqui bem pertinho por causa dos fios. — Pegou Ana com cuidado.
Lentamente, Fátima levou Ana pra perto de Marina e a colocou deitada em posição vertical em seu tórax.
Marina sorriu.
– Agora segura bem.
Marina a envolveu.
– Isso, segura a cabecinha.
Ana resmungava com o deslocamento e Marina ria.
– Oi, Aninha. — Começou a chorar e olhou pra Clara que sorriu de volta pra ela.
– Tudo bem, Marina. Agora eu vou soltar, tá bom?
Ela assentiu e bem devagar Fátima deixou mãe e filha sozinhas.
Marina acariciava a cabecinha de Ana e Clara se abaixou ao lado delas, abraçando-as.
– Vou amarrar essa mantinha aqui só para deixar as duas mais seguras, tá bom? Mas é seu corpo que vai aquecê-la agora, e sentir sua respiração vai ajudar na dela também.
– É tão pequena.
– É pequena, mas ela não quebra, não. Pode ficar tranqüila. – Fátima riu e tirou o protetor ocular para que pudessem ver os olhinhos dela.
– Ai, olha isso, Marina. – Clara sorria. – Que gracinha!
– Ela vê a gente?
– Não muito bem, mas de pertinho assim ela consegue ver, sim. E ela sabe que são vocês.
As duas ficaram acariciando e conversando com a filha. Ana se mexia pouco, mas Marina conseguia sentir sua respiração e os batimentos acelerados.
Os dias se passavam. Ana Carolina se fortalecia cada dia mais. Marina já conseguia tirar leite para ela, mas não amamentava ainda porque ela ainda não conseguia sugar. Marina se recuperava bem e, para seu desespero, já havia recebido alta.
– Alta? – Perguntou preocupada.
– Pensei que já estava louca para voltar pra casa.
– Isso sim, mas a Ana..
– A Ana Carolina não pode ainda.
– Exatamente. Não quero deixá-la aqui sozinha.
– Não vai, vocês vão poder visitá-la o tempo todo.
– Mas vamos estar longe.
Clara pegou sua mão.
– Não tem motivos para você continuar internada, Marina.
– Eu sei, entendo. Vai ser bom voltar pra casa, só não queria voltar... sozinha.
– Logo vamos poder buscá-la, meu amor. – Clara beijou sua testa. – Logo, logo. – Suspirou.
Clara juntou todas as coisas das duas enquanto Marina se arrumava para sair do hospital. Voltaram ao berçário para se despedir de Ana Carolina, ambas chorando. Marina, que já caminhava devagar, assinou os papéis da alta e saíram.
Ao chegarem a Santa Tereza, foram recebidos por Vanessa, Flávia, Ivan, Chica e seu pai. Todos muito felizes ao ver Marina bem, e em casa, mas também todos sentindo a falta da bebê.
Vanessa a abraçou.
– Sem gracinhas por mais metade da sua vida pelo menos, tá bom? Pelo amor de Deus, eu ganhei até uns fios brancos aqui.
Marina riu. – Prometo! Vou te dar um tempinho de paz e descanso agora, pode ficar tranqüila.
– Eu queria te pedir desculpas.
– Para com isso, Van. – Marina pegou sua mão. – Eu sei que tudo não passa desse seu jeito louco de mostrar que me ama. – Riu e foi abraçar Flavinha.
– É tão bom te ver em casa de novo.
– Muito bom, eu já estava até me esquecendo daqui. – Brincou. – E pai. – Abraçou Diogo. – Acho que nunca ficou tanto tempo assim por aqui.
– E não tô planejando voltar tão cedo. Quero curtir um pouco a netinha. E depois desse susto que você me deu, minha filha. – Beijou sua cabeça. – Eu tô até sem coragem para te deixar de novo.
Todos riram. Clara sentada meio abraçada com Chica e Ivan deitado com a cabeça em seu colo.
– Vê se descansa um pouco agora, minha filha, porque o que você passou nesses últimos dias... – Chica passava a mão em sua cabeça.
Passaram o resto do dia em família. Marina estava feliz, mas à noite, voltou a ficar cabisbaixa.
– Também queria que ela estivesse aqui. – Clara a abraçou por trás e beijou seu rosto. — Mas logo vai estar com a gente, se Deus quiser.
– Eu sei. – Marina se virou para beijá-la e sentaram na cama.
Ouviram uma batida na porta.
– Posso entrar?
– Pode, filho.
Ivan entrou.
– Quando minha irmãzinha vai poder vir também?
– Esperamos que logo. – Marina abriu os braços para ele e ele a abraçou se aninhando entre as duas.
– Ivan.. olha isso, Marina! Nosso homenzinho tá querendo dormir com as mamães, depois de tanto tempo, é isso mesmo? – Clara riu e o abraçou também.
Ivan olhou para ela sério. — É só porque senti muita falta. – Beijou o braço de Marina. – Não tô voltando a ser o bebezinho de vocês duas, agora vocês têm a Aninha pra isso. É só a primeira noite da minha mãe de volta em casa e eu quero estar por perto, caso precisar. Tá bom? Pode me pedir qualquer coisa.
– Qualquer coisa?
Ele concordou.
– Então me dá um beijão aqui. – Apontou na bochecha. – Que eu também morri de saudades de você.
Ele a beijou, rindo, e ela o abraçou com força.
– Pra ele pede beijinho no rosto, pra mim era só milk shake de madrugada e outras loucuras mais.
Riram. – Ai, amor. Não sei como me agüentou. Ainda bem que não durou 9 meses, hein? –P assou a mão em seu rosto.
– Só porque te amo demais. – Ela a beijou.
Marina sorriu. — E ó, tem dessa não, vai ser sempre o nosso bebezinho. – Apertou as bochechas dele, que fez careta.
– Mãe!
– Só tem a gente aqui, Ivan! Nós podemos. – Riu.
– Tá bom, mas não vai fazer isso em público, meu Deus. – Deitou ao lado dela novamente.
Clara riu. – Menino debochado. – Bagunçou o cabelo dele e beijou seu rosto.
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