Notas iniciais
Oi, geeeeente :) hauhau Como eu prometi, postando mais cedo hoje. Enjoy.

Felipe foi buscar Clara na capela. Helena o viu entrando e tocou no ombro de Clara que abriu os olhos e olhou para trás. Ao vê-lo ali, não quis ouvir nada, passou correndo por ele e foi em direção ao quarto. Felipe decidiu então ir com Helena e Ivan conversar com a família.

Clara abriu a porta do quarto e parou ao vê-lo vazio. Sentiu suas pernas enfraquecendo e pôs a mão no portal para não cair, sentindo que seu coração parava.

– Não! — Sua voz mal saiu. – Não, não.

– Senhora. — Clara ouviu uma voz masculina. Sua cabeça rodava tanto que a voz que parecia distante, mas sentiu o homem por a mão em seu ombro. – Senhora?

Ela olhou para ele e viu que atrás dele estava uma maca com Marina.

– Marina, meu amor! — Correu e pôs suas mãos trêmulas nela. — Meu amor, meu amor. Ela tá?

– Tá bem — Paulo apareceu. — Resistiu bravamente, a cirurgia foi um sucesso.

Clara chorou. – Ai, minha Marina! — Se agarrou no corpo dela, as mãos tremendo, chorando incontrolavelmente e beijando seu rosto.

Depois começou a rir e fechou os olhos, com o rosto colado no dela. — Ai, meu amor. Graças a Deus.

Paulo tocou nas costas dela.

– Vamos por ela no quarto.

Clara se afastou, permitindo que o enfermeiro passasse com ela, e abraçou Paulo.

– Muito obrigada, muito obrigada, eu não viveria sem ela.

Ele sorriu. — É mais mérito dela do que meu. Mas eu aceito o agradecimento e quero convite VIP pra uma exposição. – Riu. — Marina Meirelles esteve sob meu bisturi sem que eu conhecesse o trabalho dela, isso tá errado.

Clara riu. – Claro. — Depois ficou séria. — E.. E Aninha?

Paulo pôs a mão nas costas dela para que ela andasse com ele.

– O parto tão prematuro e naquelas condições foi muito estressante para a bebê. Mas a Fátima vai poder te explicar melhor tudo que aconteceu.

– Você deve ser a Clara. — Estendeu a mão para cumprimentá-la. — Dra Fátima, pediatra, participei do parto.

Continuavam andando e pararam em frente a um vidro.

– Ela já nasceu sem chorar, sem batimentos.

Clara pôs a mão no peito e enxugou os olhos, olhando para baixo.

– Não foi nada fácil e ela vai precisar muito das mamães.

Clara olhou para a médica, surpresa, depois olhou pelo vidro e viu uma menininha tão pequena que nem parecia real. Pôs as duas mãos no vidro chorando. Paulo pôs a mão no ombro dela.

– Você tem duas guerreiras. E a Fátima aqui foi maravilhosa! Muito obrigado, Fátima.

Ela sorriu.

Clara permanecia imóvel, calada, vendo sua filha pelo vidro. Estava de fralda, touca e protetor ocular.

– Ela é muito pequenininha, teve uma chegada difícil, precisou ser reanimada, mas tá bem. Vai precisar ficar uns dias na incubadora.

Clara assentiu. — Eu posso.. Posso entrar?

– Claro. Só precisa vestir isso e se lavar.

Ela concordou.

Clara entrou e pôs um dedo pelo buraco da incubadora, tocando a mão da bebê. Clara a sentiu segurando o dedo e resmungando.

– Oi, meu amor. — Sorriu. — Mamãe tá aqui, tá bom? Minha guerreirinha, sua mãe lutou tanto por você, lutou tanto, meu amor. E você conseguiu também, não esperávamos menos de você. — Riu.

Fátima entrou.

– Desculpa, não sei se podia, mas já tô com a mão nela.

– Não tem problema. Isso é mais importante para ela do que você imagina. Mal nasceu e já passou por tanto. Ela nunca se sentiu tão sozinha quanto agora. No útero, ela tinha vários pontos de segurança. O lugar quentinho, as batidas do coração e a voz da mamãe. Agora ela não tem nada.

– Tem a voz da mamãe, né, meu amor? Mamãe aqui falava tanto com você, você lembra? Tô aqui do seu lado.

– Desembucha, Felipe. — Chica apressou.

– Deu tudo certo. — Passou um dedo no olho, quase chorando.

Várias comemorações foram ouvidas e todos se abraçaram.

– Minha filha? — Diogo perguntou abraçado com Vanessa.

– Tá bem. Já tá no quarto e daqui a pouco devem começar a permitir visitas. Ela só precisa ser monitorada ainda. Mas agora todos aqueles problemas vão acabar. Ela vai ficar bem.

– Graças a Deus. — Diogo abraçou Ricardo, e Flavia segurava Vanessa que não conseguia parar de chorar.

– E minha irmã? — Ivan perguntou, segurando a bolsa de roupinhas que Chica tinha lavado e buscado.

– Vai ter que ficar um tempo aqui, mas vai ficar bem.

Todos comemoraram ao saber que a neném também estava bem.

– Ouviu, vó? Senhora tava certa. Alguém tem que levar as roupinhas dela, ela deve tá precisando.

Felipe pegou a bolsa. — Vou levar. Clara já deve estar com ela. Marina ainda está dormindo.

– Felipe, assim que ela acordar..

– Eu te chamo, Diogo.

– Obrigada.

Felipe entrou no berçário.

– Princesinha deve estar precisando disso.

– A bolsa? Quem trouxe? — Sorriu.

– Mamãe foi buscar quando entraram pra cirurgia.

– Ai, mas a gente nem lavou, nem..

– Dona Chica já cuidou de tudo. Enquanto você cuidava da Marina, ela foi chorar lavando roupa. — Riu.

– Olha como ela é pequena, Felipe.

Ele ficou olhando pra sobrinha e rindo.

– Bonequinha da mamãe.

Pegou a mão de Felipe.

– Muito obrigada pela força.

– Claro, é a nossa família.

– Quando vão poder vê-la?

– Não vão poder entrar, mas podem vê-la pelo vidro.

– Ela não precisa mamar?

– Ela já foi alimentada. Leite do banco, ela não precisa de muita coisa ainda. — Fátima respondeu e Clara assentiu.

– E a Marina?

– Deve acordar logo.

Ouviram uma batidinha no vidro, olharam e viram Diogo, Chica e Ivan sorrindo aliviados e olhando Ana Carolina com curiosidade.

Clara acenou. — Seu irmão tá aqui, Aninha. E seus avós também.

– Que lindo, é seu filho?

– É, é nosso bichinho.

Mais tarde, Clara foi ao quarto de Marina, que ainda dormia. Sentou ao lado da cama e pegou a mão dela.

– Você conseguiu, amor. Salvou nossa filha e resistiu também. Ela tá bem, mas quer você. Ela sente sua falta.

Deitou a cabeça no braço de Marina e sentiu todo o cansaço desses últimos dias pesar em seus ombros. Fechou os olhos.

Marina começou a recobrar a consciência, mas não abriu os olhos.

"O que aconteceu?" Pensou. "Cadê a Clara?"

Pouco a pouco as lembranças voltavam.

"Eu apaguei, o que aconteceu?"

Sentiu seu corpo extremamente cansado e um desconforto. "Minha filha." Se lembrou de que queriam operá-la e sentiu uma pontada na barriga. "Não!"

– Ana.. — Abriu os olhos e tentou falar.

Clara abriu os olhos pensando ter ouvido algo.

– Clara. — Marina chorou, mas conseguiu falar.

– Marina. — Clara levantou a cabeça e olhou pra ela. — Meu amor. — Sorriu. — Tô aqui. E você tá bem. — Beijou a mão dela e pôs no peito. — Tá tudo bem. – Passou a mão em seu rosto.

Vendo Clara sorrir, Marina sorriu também.

– Ana Carolina? — Marina tentou por a mão na barriga, mas seu corpo estava muito fraco ainda.

– Ela é linda, amor.

Marina chorou e sorriu aliviada. — Ela tá bem?

– Tão pequena. Mas tá bem.

– Cadê?

– Incubadora no berçário. Mas você vai poder vê-la logo.

Marina chorava.

– Me beija?

Clara a beijou e Marina a puxou pelo pescoço.

– Eu tive tanto medo. — Encostou a testa na dela. — Tanto medo de te deixarmos.

– Eu também. Eu não conseguiria te perder.

Marina pegou a mão dela. — Mas isso não aconteceu, não vamos mais pensar nisso, tá? Cadê o Ivan? Meu pai?

– Loucos pra te ver, já devem estar vindo. E Paulo disse que sua pressão já tá caindo. — Clara sorriu.- Ela parece você, é tão lindinha.

– Tá vendo? Eu falei tanto que não ia aguentar esperar nove meses para vê-la. — Riu, mas fez careta sentindo dor.

– Vai com calma, amor.

Bateram na porta.

– Ivan e seu pai. — Clara se afastou dela.

– Espera. — Marina a puxou para si novamente, ofegante. — Você é o amor da minha vida, Clara.

Clara a abraçou e se beijaram novamente. — E você da minha.

– Pronto, agora pode deixar eles entrarem. — Riu.

Ivan entrou e já foi correndo para perto de Marina.

– Cuidado, filho.

Ele parou de correr.

– Ela é pequenininha, mãe. — Abraçou Marina. — Mas é tão fofa.

– Meu amor. — Diogo beijou o rosto dela. — Não me assusta desse jeito de novo. Nunca mais na sua vida. Eu não aguentaria.

– Pai. — Marina pegou a mão dele. — Tô tão feliz.

Depois de toda a família entrar para vê-la, Paulo voltou ao quarto com as mãos na frente.

– Será que eu posso entrar?

Marina riu. — Pode, não vou te atacar de novo. Tenho que te agradecer agora, pode vir.

Ele entrou.

– Obrigada, Paulo. Por tudo e.. me desculpa...

– Não precisa. Eu tinha que falar pra vocês o que estava acontecendo, mas eu já esperava aquela reação. Eu sabia que você não ia deixar e você estava certa. Olha aí, deu tudo certo no final, pras duas. Como você tá?

– Bem. Desconfortável, mas dor mesmo não tô sentindo, não.

– Ótimo. Vamos ver essa pressão. — Pegou o esfigmomanômetro. — 130 por 90.

Ela olhou preoucupada.

– Tá ótima, tá caindo. Você quase chegou no 190. — Passou a mão no braço dela, que relaxou. — Você vai ficar bem. Mas imagino que esteja louca para ver a nossa garotinha.

– Nossa, só não saí me arrastando daqui ainda, porque já dei trabalho demais pra Clara nesses dias. — Riu.

– Pelo amor de Deus, já chega. — Ele riu. — Já tivemos emoções demais. Mas vamos lá.

Uma enfermeira entrou com cadeira de rodas.

– Aqui, doutor.

– Obrigada. Eu vou te levar até ela.

Marina respirou fundo olhando para Clara, seus olhos brilhavam.

– Vamos!

Paulo ajudou Marina na cadeira de rodas e foi empurrando.

– Ai, tô nervosa. — Marina passou as mãos nas pernas rindo, Clara pegou em seu ombro.

Pararam para vestir a roupa apropriada e lavar as mãos e entraram.

– Meu Deus. — Olhou para a bebê. — Ela é tão pequenininha, Clara! Eu posso?

– Pode, pode pegar nela.

Marina pôs o dedo na mãozinha dela. — Oi, meu bebê. — Sorriu. — Oi, meu anjo. A mamãe demorou mas já veio te ver. Eu tava louca pra te conhecer. Como você é linda!

Ana Carolina resmungou.

Marina sorriu, ao mesmo tempo em que chorava, acariciando a mãozinha dela.

– Viu? Ela reconhece sua voz. — Clara a abraçou.

– Eu te amo tanto, sabia? Desde que descobri que tava aqui dentro ó. — Pôs a mão em sua barriga. — Todos nós. Ela não tá com frio? Tá sem roupinha.

– Não, a incubadora é aquecida.

– Quando vou poder pegar? — Perguntou sem tirar os olhos da filha.

– Logo. Ela só tem que ficar aqui por enquanto.

– Tá. — Ficou sorrindo. — Logo, logo, nós vamos poder te abraçar e te dar todo amor do mundo. – Acariciou a mãozinha dela. — Minha filha.

Notas finais
Acabou meu drama, tô bem triste T-T T-T