Can't let you go.
35 Capítulo 35
Notas iniciais
Marina continuou repousando, mas conseguiu se acalmar mais. Ainda estava se sentindo frustrada e tentando se preparar para o pior. Como não podia trabalhar, tentava, pelo menos, pensar em trabalho, mas o exame não saía de um cantinho de sua cabeça. E quanto mais tentava focar, mais sua cabeça viajava pelos planos com a gravidez e o novo bebê.
Pelo menos, estava feliz que o estúdio ia bem, estava expondo mais, trabalhos internacionais, e Van e Flavinha estavam cada dia mais felizes. Não havia motivos para reclamar. Estava casada com a mulher de sua vida, tinha ganhado um menino maravilhoso e toda uma família. Ela tinha tudo que poderia pedir, tudo que sempre sonhara, não custava ser um pouco paciente
Só não era nada fácil esperar quando já estavam fazendo tantos planos, como a reforma do quarto de hóspedes, enxoval. Estavam tão ansiosas que ambas já haviam sonhado com a criança. Era impressionante como desde que havia decidido engravidar, Marina não conseguia pensar em outra coisa.
– Marina, recebemos um convite para um ensaio na próxima semana, estou confirmando aqui, ok?
– Espere aí, Van! Que dia da semana que vem?
– Na terça feira, está tudo certo, não temos nada mar..
– Não. — Marina balançava a cabeça. — Nesse dia não dá.
– Por que, não? Não tem nada na agen..
– Terça é dia de voltar à clínica para saber o novo resultado do exame, não quero mais nada nesse dia. Não vou conseguir trabalhar.
– Ah, desculpa, eu não sabia. Vou ver se rola outro dia então.
– Obrigada.
– Ei.
– Hm?
– Boa sorte.
Marina apertou os lábios e assentiu. — Obrigada, Van.
Passou um final de semana bem tranquilo, com maratona de filmes e seriados com Clara e Ivan. Só saiu um pouco para a piscina. Foi mimada por Clara o tempo todo. Recebia massagens, carinho, colo e Clara fazia suas comidas preferidas.
Foram convidadas para almoço de família no domingo, mas só Ivan foi. Disse que Marina não estava se sentindo muito bem, mas que não era nada grave. Mesmo assim, Chica ligou desejando melhoras à nora.
Clara deu um beijo leve na orelha de Marina e se aconchegou mais no corpo dela.
– Bom dia. — Marina murmurou.
– Bom dia. — Clara sorriu e beijou de novo. — Desculpa, não era pra te acordar.
– Eu já estava acordada.
– Não dormiu nada, né?
Marina negou com a cabeça.
– Também tive dificuldade.
– Daqui a pouco está na hora de irmos à clínica.
– Ai, que agonia, Marina. — Clara se virou, olhou para o teto e pôs a mão na testa. — Pelo menos já vai sair hoje.
– Por mim, já tínhamos feito o da farmácia e acabado logo com isso.
– Não é o melhor teste, pode dar falso positivo, falso negativo. É um teste seguro, mas também tá cedo pra ele mostrar alguma coisa concreta. Melhor o de sangue pra termos certeza de uma vez por todas, definitivamente. Essa situação tá…
– Eu sei. — Marina pegou sua mão e a beijou. — Eu sei. Suspirou. — Falta pouco.
O celular vibrou.
"Boa sorte. Beijos."
– Van e Flavinha estão nos desejando sorte. — Sorriram.
– Vamos levantar? Vamos começar logo? Chegar lá logo e.. comemorar!? Se Deus quiser. — Ergueu as mãos pro céu.
– Tomara. — Marina falou, mas não soou esperançosa realmente.
Foram rapidamente à clínica. Teriam que voltar pela tarde para saber o resultado. Decidiram passar o dia se divertindo, já que Marina não estava de repouso mais. Caminharam na praia, tomaram água de coco, almoçaram em restaurante.
– Vamos pra casa? Marina?
– Hm?
– O que você tava olhando aí?
Marina apontou com a cabeça. Estavam de frente para uma loja e na vitrine tinha um manequim usando um baby sling.
– Que graça! Imagina a gente com um daquele? Vamos comprar! — Clara foi em direção à loja.
– Não, Clara, a gente.. — Suspirou. Ela não tinha ouvido, já estava entrando na loja.
– Vem!
Clara ficou olhando para Marina, imaginando a cena dela já carregando o bebê delas.
– Vamos levar esse azulzinho? Tão bonitinho.
– Vamos. — Marina sorriu.
Passaram o resto do tempo namorando na piscina. As duas até conseguiram ter um bom tempo, mas ambas sabiam que, no fundo, estavam bem nervosas. Pelo menos a água relaxava Marina bem.
No consultório, as duas ficaram de mãos dadas, segurando firme. Dra. Mírian já tinha ido buscar o envelope. A mão de Clara estava fria, a de Marina tremia.
– Calma, amor.
– Você também. — Marina riu.
Se abraçaram, Clara beijou sua testa e sorriu para ela novamente, suspirando.
– Não vamos desistir, né?
– Não, claro que não.
– Devíamos deixar o quarto branco mesmo. Vai demorar pra sabermos o sexo.
– É e também não quero estereotipar nosso bebê logo ao nascimento, com rosa pra menina e azul pra menino. — Riu. — Se bem que um azul bebê também ficaria bonito.
– Verdade.
– E as roupinhas podemos comprar de todas as cores. O problema é o modelo.
– Ah, não, mas aqueles "bodies" de bebê são tipo unissex, podemos começar com esses já. O resto a gente deixa pra depois. Pra comprar aqueles mais bonitinhos.
– Berço branco também, acho bonito. O carrinho escolhemos depois. Podemos..
Nesse momento, Mírian entrou na sala interrompendo a conversa e sentiram um gelo percorrer a espinha.
– Bom dia, casal. Como estamos hoje? Mais calma, Marina?
– Bem.
– Ansiosa ainda. — Marina confessou. — Mas bem.
– Não teve nenhuma outra intercorrência durante esse período?
– Não. Nada de diferente.
Assentiu e abriu o envelope.
– Bom. — Suspirou e leu.
Marina segurou a mão de Clara com mais firmeza, querendo fugir da sala. Não queria ouvir má notícia.
– O resultado do exame é, finalmente, conclusivo. Sua gonadotrofina coriônica humana está de 30 mIU/ml, Marina.
– Isso quer dizer que...?
– Isso quer dizer "parabéns, futuras mamães". -Mírian riu.
Marina quase pulou da cadeira, se levantando num salto, abraçando Clara e chorando.
– Eu não acredito! Clara. — Se voltou para a médica. — Mas tem certeza? E os sangramentos? Eu já.. já nem acreditava mais.
– Como eu disse. — Deu de ombros. — Acontece.
– Eu te disse. Nós teremos nosso bebê, nossa família vai crescer!
Vibraram juntas.
– Eu tô tão feliz. Não tô acreditando. — Segurou rosto de Clara sorrindo e encostou a testa na dela. — Tão feliz. Parou de sorrir. — Ai, meu Deus! — Marina se virou de uma vez e ficou imóvel.
– Que foi, Marina? — Clara olhou preocupada.
Olhou para baixo e pôs as mãos na barriga, depois olhou para Clara, com uma lágrima escorrendo.
– Ele tá aqui. Já. Nosso bebê, Clara. — Falou com os olhos arregalados. — Meu Deus, eu tô grávida. — Riu.
Clara riu e pôs a mão na barriga também.
– Tá sim. E tá vendo o quanto as mamães dele estão felizes com essa notícia. — Se abaixou e beijou a barriga de Marina várias vezes, que ria assistindo.
– Fico muito feliz que tenha dado tudo certo, que tenha sido um falso alarme. Muito feliz em testemunhar isso, meninas. Agora, temos que começar os preparativos pra sua gestação, hein? O ácido fólico você mantém até o início do quarto mês, e você já sabe que nada de bebidas, nada de cigarros, sei que não fuma, mas também evite ficar perto de quem fuma, evite fumaça. E vou te passar esse cartão que é de um gineco-obstetra que eu recomendo muito, amigo nosso, acho que vocês vão gostar de fazer o pré-natal e parto com ele.
– Muito obrigada. Muito, muito obrigada. — Pegou as mãos da médica e depois voltou a abraçar Clara.
– Nós vamos ter um filho!
Saindo da clínica.
– Nós não vamos pra casa ainda, né? — Marina indagou.
– Claro que não. Nós vamos pro shopping. — Beijou seu rosto.
As duas passaram o resto do dia passeando em várias lojas de bebês, comprando fraldas, bodies, meias e luvinhas.
– Mal posso esperar para sabermos o sexo e poder comprar os conjuntos mais bonitinhos. Temos que comprar berço, colchão, guarda roupas, farmacinha, todas essas coisas. Eu conheço uma loja..
– Respira, amor. — Clara riu.
– Eu ainda não acredito que isso tá acontecendo. — Pôs a mão em sua barriga. — Que eu tô gerando uma vidinha aqui dentro. — Ficou séria. — Será que eu não tinha que estar na cama?
– Não, gravidez não é doença, Marina, e tá tudo bem com vocês. Ainda bem.
Clara a abraçou. — Eu te amo demais. — Marina a beijou.
– Clara, liga pro Ivan!
– Ai, não. Vamos falar com ele em casa. Bem melhor.
– Então vamos agora? Vamos, vamos, não quero esperar para ele saber. — Saiu apressada puxando Clara.
– Que mamãe mais ansiosa. Você sabe que vai esperar nove meses para ver essa criança nascer, né?
Em casa, chamaram Ivan até o quarto de hóspedes.
– Esse vai ser o quarto do bebê, né? Mas por que estamos aqui? Não tem nada de diferente no quarto ainda.
– Tem isso. — Marina apontou para várias sacolas, animada.
– E isso é?
– Olha, olha, abre.
Ivan abriu uma das sacolas e tirou uma body de dentro. Sorriu.
– Que bonitinho! — Olhou outros. — Mas eu achei que tava meio cedo pra isso. Você ainda nem..
Marina pôs a mão na barriga, sorrindo. Ivan olhou para Clara, seus olhos questionando em silêncio. Até que falou.
– A Marina? — Olhou pra Marina. — Mãe?
Marina abriu os braços pra ele, assentindo, e ele correu para abraçá-la. — Se prepare pra ser irmão mais velho. — Bagunçou seu cabelo e Clara se juntou para um abraço triplo.
– Você tá grávida? Quando vamos contar pra todo mundo?
– Logo.
– Quando foi? Por que não me contaram?
– Estávamos com medo de não dar certo.
– Aquele dia então?
– Aquele dia eu achei que tinha dado tudo errado, por isso estava daquele jeito. Desculpa não ter te contado antes, mas só hoje tivemos certeza mesmo.
– Tudo bem. E quando vamos começar aqui? Quero ajudar.
– Amanhã mesmo já chamo alguém.
Dois meses depois, o quartinho já estava quase pronto, faltava comprar o resto das coisas. Já haviam conhecido Dr. Paulo, o obstetra recomendado por Mírian e começado o pré-natal.
As duas decidiram que estava na hora de compartilhar a novidade e prepararam um almoço pra toda a família, incluindo Cadu e Verônica.
– E seu pai?
Clara entrou no quarto e achou Marina de sutiã se olhando no espelho.
– Não vai poder vir hoje. Mas disse que vem nos visitar em breve, vou esperar.
– Tá procurando uma barriguinha? — Clara sorriu e a abraçou por trás, também a olhando no espelho. — Tá cedo.
– Mas olha. — Se virou de perfil. — Não tô mais tão magrinha. Parece.. sei lá, um inchaço. — Riu.
Clara passou a mão. — Daqui a pouco mal vai conseguir ver seus pés.
– Ai. — Marina riu e Clara beijou seu rosto.
– Vai se vestir. Daqui a pouco já tá todo mundo aí.
Ouviram a campainha. — Olha! Não te falei? Corre. — Deu uma batidinha na bunda dela. — Vou lá.
– Oi família! — Ivan abriu a porta e deu de cara com todo mundo, parece que tinham até combinado.
– Entrem. — Clara surgiu atrás dele e foi cumprimentando todo mundo. — Podem ir se acomodando. O almoço já está quase pronto, gente.
– E a Marina? — Chica perguntou.
– Aqui. — Ela mesma respondeu, aparecendo e também cumprimentando todos.
– Faz sala pra todo mundo, que vou ver como nosso almoço está. — Clara cochichou.
Quando Clara voltou da cozinha, já estavam todos reunidos na sala, tomando vinho. Marina, Felipe e Ivan eram os únicos com suco. Clara se sentou ao seu lado.
– Obrigada pelo convite, Marina. — Disse Verônica.
– Verdade, já tinha um tempo que não reuníamos todos assim. — Chica abraçou Marina. — Bom vocês terem organizado isso, geralmente ficamos todos na Helena sempre, coitada. — Riu.
– Não tem problema algum, é um prazer recebê-los. — Helena respondeu. — Mas podem repetir, é bom ficar a toa também de vez em quando. — Riu. — Mas tem motivo pra esse convite repentino?
– Bom, mãe, família, dessa vez eu e a Marina chamamos todos aqui porque temos uma novidade pra contar pra vocês.
Ivan se juntou à elas.
– Ai, meu Deus, novidade? — Chica virou pra Ricardo. — O que será? Você sabe?
Ele negou.
Cadu olhou para Verônica sorrindo, já sabendo do que se tratava, deixando-a ainda mais curiosa.
– Nossa família.. — Olhou para Marina e Ivan. — tá ficando maior.
– Como assim? — Perguntaram.
– Vocês estão.. pensando em outro filho? — Helena perguntou.
– Adoção. — Nando interferiu. — Eu posso cuidar de tudo pra vocês com maior prazer.
– Na verdade, Nando. Agradecemos, mas não vamos precisar de sua ajuda. — Disse Marina.
Por um instante, Nando se sentiu ofendido pensando que Marina com certeza já tinha posto outros advogados no processo e não ele, que era da família.
– Não vamos adotar, não. Até pensamos nisso. Mas, a Clara abriu meus olhos sobre o privilégio de poder ser mãe. De poder gerar uma pessoinha. — Sorriu. — E posso dizer que eu já estou... completamente apaixonada. — Olhou para a barriga e pôs suas mãos nela. Clara passou o braço em sua cintura.
Várias reações foram ouvidas antes que alguém ousasse perguntar.
– Espere aí, você tá grávida? — Felipe perguntou, e os três assentiram.
– Não acredito! Meu Deus. Parabéns. — Chica a abraçou. — Mais um netinho. Ou netinha. — Beijou o rosto de Marina. — Por que não falaram antes? Tá de quanto tempo? — Pôs a mão na barriga dela.
– Estávamos esperando certeza. Aproximadamente dois meses. — Falou com orgulho.
– Que linda. Daqui a pouco já tem uma barriguinha aqui. — Disse Helena.
Logo todos as abraçaram e deram parabéns.
– Tô muito feliz por vocês, Clara. Que bom que conseguiram. E você rapaz. — Cadu puxou Ivan pra perto. — Vai ganhar uma responsabilidade grande aí, hein?
– Vou poder ensinar tudo pra ele.. ou ela. Tudo. — Sorriu.
– E não vai ficar com ciúmes, não? Vai perder o trono!
– Não, acho que vai ser bem maneiro. Eu acho. — Ficou pensativo. — E já sou um homem, pai, não sou o bebê da família mais.
Cadu riu.
– Já estão pensando em nomes? — Luísa quis saber.
– Ainda não decidimos nada. — Marina olhou para Clara.
– Nós vamos fazer uma lista. Mas vamos almoçar? Continuamos a conversa na mesa.
Todos se dirigiram à mesa.
– Taí uma grande novidade. — Virgílio cochichou. — Não esperava ver Marina assim.
– Assim como? — Perguntou Helena
– Mãe, grávida. Lembra quando fomos àquela exposição que a conhecemos? Não parecia o estilo dela. — Riu.
– Não, mesmo. — Helena sorriu. — Efeito Clara. Ela sempre foi louca pela Clara, normal que acabem parecidas. Olha o tanto que a Clara mudou desde ela também. Mas ela tem se saído bem com o Ivan. Clara me contou que até chorou quando ele começou chamá-la de mãe também.
Virgílio sorriu.
– Que boa notícia, minha filha. — Chica abraçou Clara. — Estamos todos muito felizes com a novidade.
Após o almoço, serviram sobremesa. Alguns continuaram à mesa, outros foram para a piscina. Mas ainda Marina recebia a atenção de todos. Todos estavam entusiasmados com a mais nova mamãe e o futuro bebê.
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