Notas iniciais
Oi, gente! Tô viva! :D Não briguem muito comigo, rs. Relevem os errinhos que eu sempre deixo pra trás ¬¬ Obrigada. :)

Marina chorou, levou a mão esquerda para tocar nas alianças, mas antes acabou com ela na boca, tocando seus lábios a formar um sorriso que se misturava com as lágrimas. Olhou para a mulher em sua frente.

– Clara! — Voltou a olhar para as alianças, e passou seus dedos pelas joias, levemente.

Quando olhou para Clara novamente, conseguia ver o quanto esta estava ofegante.

– E.. então? – Gaguejou.

Marina se jogou em Clara, com os braços ao redor do seu pescoço.

– Sim, sim, sim. Claro que sim. Mil vezes sim. Siiiiiiiiiiiiiim. – Gritou para o mar.

Clara envolveu sua cintura, e as duas permaneceram abraçadas, rindo, enquanto Marina beijava seu rosto e seu pescoço.

– Espera. – Marina voltou a se sentar, olhando para as alianças. – Eu não tô acreditando! Clara, eu.. eu tô tão feliz, você.. não tem idéia da dimensão da felicidade que você me traz. Sempre. Desde o dia que eu botei os olhos em você pela primeira vez.

– Claro que eu tenho. – Pegou a aliança que era destinada à Marina, colocando no dedo dela enquanto falava. – Nós compartilhamos dessa felicidade, Marina. — Levou a mão até seus lábios e beijou. – Você mudou minha vida, desde esse exato momento. – Colocou uma mecha do cabelo de Marina atrás da orelha. – E eu te amo.

Marina fechou a distância entre elas e a beijou. – Muito. – Sussurrou ainda próxima dela. E, então, repetiu o gesto, colocando a aliança em Clara.

– Nós vamos nos casar! – Bateu uma palma e abraçou Clara novamente. – Sabe que eu cheguei a pensar que tinha te assustado? Que você não queria morar comigo, que tinha sido muito rápido, sei lá!

Clara balançou a cabeça. – Eu não sei como você ainda pode duvidar de que eu estou aqui pra tudo com você. E muito rápido, Marina? – Clara riu. – Como você mesma disse, nossa história não é de hoje, é de ó. – estalou os dedos -. Capaz de vir de outras vidas até. Sei lá, se acredito nisso. – Riu de novo.

– Não é dúvida, é.. medo. Você é tudo pra mim. – Pegou sua mão. – É natural que eu tenha medo, é bom até.

– Marina Meirelles falando isso.

Marina riu. – Você não é a única que teve sua vida transformada. Obrigada. – Sussurrou e encostou a cabeça em seu ombro, entrelaçando seus dedos.

– A lua não está linda?

– Vou buscar a minha câmera. Vamos registrar esse momento lindo. — Marina se levantou e rodopiou com os braços abertos. — Essa lua mágica, essa noite. Essa mulher maravilhosa. – Sorriu para Clara. – Minha mulher.

– Sua, sua, sua, sua. – Clara piscou e mandou vários beijinhos pra ela.

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Depois de se curtirem por mais algum tempo em Angra, resolveram que estava na hora de voltar pra casa.

Helena abriu a porta do apartamento e deu de cara com Clara e Marina com as mãos pra cima mostrando as alianças. Vibrou e cobriu a boca, tentando segurar a animação. Ivan passou correndo por ela e agarrou as pernas das duas.

– Deu tudo certo!

– Claro que deu, Ivan, e advinha só! — Marina pôs as mãos em seu rosto pra que ele olhasse pra ela. — Agora nós seremos uma família!

– Oba! — Ivan a abraçou.

– Vamos entrar, gente, sair do corredor. — Helena sorriu.

– Sou mesmo um menino de sorte, viu, tia Helena? – Ivan andava com pose.

– Eu sempre achei isso, mas por que exatamente, meu filho?

– Eu já tenho o melhor pai do mundo, e se minha mãe e a Marina vão se casar, isso quer dizer que eu agora tenho duas mães melhores do mundo também!

Clara empalideceu. — I-Ivan... meu.. filho.. – Olhou para Marina para ver sua reação.

Marina pegou a mão dos dois.

– Um pai e duas mães, você é mesmo um garoto muito sortudo! – Marina beijou a cabeça do menino, feliz pelo título que recebera e olhou para Clara, carregada de emoções.

– Mas, e agora? Muitos preparativos. — Helena bateu palmas.

– Eu já chamei Leninha e a Ju pra serem madrinhas. – Confessou. — E as meninas, né, amor?

– Sim. A Flavinha! E.. a Van? Será?

– Eu acho que sim, Vanessa já passou da fase de zicar nossa relação. Elas, inclusive, já estão por dentro de tudo.

– Ai, que bom! Vai ser uma maravilha. Você sabe que a Vanessa é muito importante para mim. É um alívio que ela tenha superado isso tudo. – Pôs as mãos para cima.

– E nós vamos mudar, né, mãe?

– O mais rápido possível! – Marina foi quem respondeu. — Eu vou entrar em contato com uma decoradora amiga minha, Ivan, e nós vamos marcar de a gente se encontrar com ela lá em casa e arrumar o seu quarto! – Fez cócegas nele.

– Olha, mãe! Oba! — Ivan a abraçou.

– Marina, mas não precisa muita coisa, o Ivan já tem todo o quarto dele montado aqui em casa, a gente leva tudo.

– Claro, tem umas coisinhas lá também. Só vamos deixar o cômodo com a cara dele, pintar, deixar tudo bonitinho. — Marina e Ivan piscaram um para o outro.

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– Clara e a Marina já devem estar chegando. Vamos abrir um champanhe pra comemorar?

– Comemorar essa cafonice que a Clara tá trazendo pra vida da Marina, pra esse lugar maravilhoso? – Apesar do comentário ácido, Vanessa sorriu. – Já devem estar chegando de mala e cuia, filho, gato, cachorro. –Gesticulou. – Ai, imagina! Ela mudando a decoração, trazendo as coisas dela. Marina fazendo feira no domingo! – Vanessa caiu na gargalhada.

Flavinha passou um braço ao redor dela. – Tomara mesmo! Essa mudança vai ser muito boa pra Marina. E ó, vamos comemorar, sim. A gente pode aproveitar pra contar as novidades. – Piscou.

– Ó, falando nelas, olha lá. Tão chegando já.

– Meus amores! – Marina e Clara entraram no estúdio com Ivan no meio das duas, de mãos dadas.

– Olha só quem está tão bela e tão bem humorada finalmente.

– Tcharam. – Ambas levantaram a mão direita.

– Oba! Van, cadê? Cadê o champanhe?

– Isso! Busca o champanhe! E refrigerante, pro Ivan. Tem refrigerante? Não. Traz suco.

Flavinha andou até Marina de braços abertos. – Feliz aniversário atrasado. – A abraçou.

– O melhor de todos até agora.

– Tá muito feliz, né? Olha os olhinhos dela, Clara. Brilhando. – Beijou a cabeça de Marina.

– Tô... explodindo, Flavinha!

– Ai, gente. Vocês não sabem o quanto eu fico com feliz.

– E a gente deve muito a você, né, Flavinha? Muito, muito obrigada! Vou passar o resto da minha vida te agradecendo por ter me ligado aquele dia.

– Ah, que isso, Clara? Você ia acabar indo atrás dela de qualquer jeito. – Flávia sorriu envergonhada.

– Mesmo assim. – Clara pegou sua mão. – Muito obrigada.

– Alguém podia me ajudar, né? – Vanessa gritou e Flavinha foi socorrê-la.

As duas chegaram e todos prepararam o brinde.

– A nós! – Marina disse.

– A nossa nova vida.

Vanessa clareou a garganta. – Então, já que tá todo mundo muito feliz, todo mundo brindando o fim da indecisão dessa mulher, esse poço..... brincadeirinha, Clarinha. – Vanessa zombou. – Nós também temos novidades.

– Mais notícia boa? Que maravilha.

– Sim, eu e a Flávia gostaríamos de incluir nesse brinde, — Vanessa lhe deu o braço. – um brinde a nós duas também, né, gente? Porque a gente merece.

– Marina ficou boquiaberta.

– Gente! – Clara sorriu. – Quem diria, hein, Vanessinha? – Falou seu nome com a mesma ironia que a ruiva usava, ganhando uma careta de Vanessa.

Brindaram e Marina abraçou as duas.

– Nossas madrinhas!

– Seremos madrinhas?

– Claro, né, Flavinha?

– Gente, vocês já se deram conta de que nós temos um Ca-sa-men-to para preparar? – disse Vanessa. — E não é qualquer casamento, não!

– Marina Meirelles e Clara Fernandes. – Ivan disse passando as mãos no ar, como se lesse uma faixa, fazendo as meninas rirem.

– E vem cá? – Vanessa interveio. – Casamento de uma fotógrafa renomada igual você..

– Melhor fotógrafa do planeta. – Ivan completou, e Marina o puxou pra um abraço.

– Quem fotografa?

– É verdade, hein, Marina? Você conhece muitos fotógrafos excelentes também, vai ter que escolher. – Flavinha ficou ao lado de Vanessa novamente.

– Ó, essas situações complicadas eu deixo pras minhas madrinhas aqui..- Pegou na mão das duas. – Que entendem de fotografia tão bem quanto eu, ou mais.

– É, tá achando que ser madrinha é fácil? – Clara riu.

– Garotão, o que você acha de a gente ir lá em cima escolher seu quarto?

– Demorou! – Os dois foram em direção aos quartos de mãos dadas.

Quando Clara chegou, Marina parecia uma criança com Ivan.

– A gente pode pintar aqui de azul, olha, o que você acha?

– Legal. Pode ter uns desenhos também. E minha cama pode ficar aqui! Meus brinquedos. Cabe tudo aqui.

Clara encostou a cabeça no portal, sorrindo.

– Amanhã mesmo eu chamo alguém pra pintar. A gente pode sair pra comprar umas coisinhas pra decorar, por na parede, persiana. E assim que estiver tudo pronto, a gente traz suas coisas. Peço pra tirar esses móveis daqui. Na verdade, você escolhe o que vem, o que vai, o que fica. É seu quarto, tem que ter o seu jeito.

– Vai ficar maneirão. – Ivan sorriu.

– Vem, Clarinha. – Clara se juntou a eles, e sentaram os três no chão.

– E o nosso apartamento, hein?

– A gente pode alugar, mãe.

– E quanto aos seus móveis, é o mesmo.. você decide o que vem, o que vai, o que fica.

– Ah, a gente não vai ficar mudando as coisas na sua casa assim, né, Marina?

– Ah, minha casa?! Essa casa agora é nossa! – Marina deitou no chão com os braços abertos. Clara e Ivan também deitaram, cada um em um braço seu.

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No outro dia, de manhã, Marina e Clara levaram Ivan para o judô e seguiram para o galpão. Marina havia retomado suas aulas e estava mais animada que nunca. Clara ficou conversando com Verônica, querendo saber mais se ela e Cadu tinham chegado a algum lugar.

– Que maravilha ver esse lugar cheio, Verônica!

– Não é?

– Principalmente, o bistrô. Olha lá o Cadu! Isso aqui é um sonho dele que se tornou realidade, eu fico tão feliz. Cadu merece, merece tudo de bom.

– Cadu é uma pessoa maravilhosa, né, Clara?

– É, é sim. E você que o dia, né? – Clara piscou para ela e então foi até Cadu.

– E aí? Será que eu posso tomar um café com o chef? Ou tem que marcar horário?

– Chef? – Cadu sorriu. – Surpresa você por aqui.

Clara viu um sorriso sincero e retribuiu com o mesmo ânimo, tinha sentido falta daquele sorriso. Os dois se cumprimentaram.

– Vamos, vamos tomar um café. Vou aproveitar e trazer uns quitutes novos pra você experimentar que ó.. vou nem elogiar, você vai ver. Por conta da casa, espere aí.

Clara se sentou.

– Nossa, Cadu, isso aqui é uma maravilha. Que delícia!

– Bom, né? E tá vendendo igual água. Receita minha.

– Parabéns. Ta ótimo.

– Mas, e aí? Tá à toa, assim? Não tem.. ensaio hoje?

– Não, a Marina tá dando aula. Nós deixamos o Ivan no judô e viemos pra cá.

– E você não tá lá...? Parecia tão interessada nessas aulas antes. – Clara sentiu uma pontinha de ironia, mas deixou passar.

– E continuo. Lá no estúdio aprendo muito mais também, né? Mas eu estou aqui ‘à toa’, porque queria falar com você.

– Iii, lá vem bronca? – Ele riu.

Clara fez careta pra ele.

– Não. Vem novidades.

– Mais? Xii. – Encostou na cadeira.

– Pois é. – Clara sorriu.

– Manda.

– Eu e o Ivan vamos mudar do apartamento.

– Precisa nem completar. Vão morar com a Marina?

– Sim. E nós vamos nos casar.

– Casar? Você e a Marina?

– Sim. Por que o espanto?

– Nada, só..

– Já era de se esperar, né, Cadu? Então, eu vim pra te deixar a par de tudo. Afinal, é uma mudança que envolve o Ivan, nosso filho.

Cadu assentiu, mas não parecia muito satisfeito.

– Acho que não tem nada que eu possa dizer sobre isso, né?

– Eu sei que você ainda não se dá tão bem assim com a Marina, mas as portas da casa estão abertas pra você a qualquer momento. E eu posso levar o Ivan pra sua casa também, se não quiser passar lá. De qualquer forma... você vai receber convite pro casamento.

Cadu olhou para ela, um pouco confuso.

– Seria muito bom se você fosse. – Clara pôs a mão na dele. – É só isso, agora eu vou lá assistir a minha aula de fotografia. – Clara sorriu, passou a mão em seu rosto e saiu.

Entrou na sala de aula piscando e assoprando um beijo para Marina.